Jerônimo
Só pode que essa garota pirou o cabeção! Onde já se viu pular dessa maneira de cima de um cavalo ? Meu humor já estava péssimo, mas acabou de piorar só de olhar para Cassandra estatelada no chão parecendo uma morta .
Algo dentro de mim não gostou de forma alguma ao vê-la tão frágil desmaiada e pálida como uma folha de papel .
_ Será que ela está morta ? _ Dandara perguntou se aproximando e cutucando Cassandra com o pé.
_ Ligue para Dr.Camillo, Jerônimo, diz pro doutor arrumar um caixão pois a inteligência da sua irmã faleceu ! Danda sua bobinha! É claro que a garota só deu um AVC _ não é novidade para ninguém que João e Dandara ficam trocando farpas, essa dois teimosos não suportam um ao outro .
Mãe Joana sempre diz " o ódio e o amor andam lado a lado ", mas não acredito nisso pois esses dois não pode ficar nem um metro de distância perto um do outro que já começa a discutir por bobeira .
_ Vai se lascar seu bastardo! E pare de usar só a metade do meu nome. _ Ela reclama saindo pisando duro ._Como quiser Sra.Teixeira . _ o cínico que tenho o desprazer de chamar de amigo faz uma reverência tosca para as costas da minha irmã, sem olhar para trás ela lança o dedo do meio .
Desço do meu cavalo sem dar atenção pro showzinho de Dandara e João, reparo a desacordada a minha frente e como o seu pé esquerdo está torcido, não me resta dúvidas, está quebrado.
Como pegar em uma pena, ergo Cassandra do chão enquanto penso o que vou fazer com essa garota .
_ O que você vai fazer com essa garota ? _ como se essa pergunta estivesse aparecendo em néon na minha testa , o i****a do João decidiu lê-la.
Irritado e não querendo ter Cassandra sob minhas responsabilidade, decido levá-la para o hospital que por sorte não é tão longe daqui.
_ Vou levar ela para o hospital e enquanto isso você toma conta das coisas por aqui _ falo ajeitando a garota sobre os meus braços e começando a andar em direção ao hospital.
Ninguém diz nada, só começa com os seus afazeres como se nada estivesse acontecido .
Como um soco no estômago, dou conta que Cassandra agora é minha responsabilidade desde o momento em que dei um tiro naquele gorducho covarde .
O sol está de rachar, a blusa de alça que Cassandra está usando não ajudou muito,pois, a pele da garota está avermelhada o cabelo preto molhado de suor .
A caminhada até o hospital foi curta, assim que cheguei na recepção com a jovem desacordada nos meus braços em um piscar de olhos chegou enfermeiros com uma maca e sumiu com ela pelo corredor, então fiquei na sala de espera completamente deslocado .
A ideia de deixar Cassandra e voltar onde embarracamos é cada vez mais tentadora, um enfermeiro chegou rapidamente com uns papéis para mim assinar, permitindo que ocorra a cirurgia, sim, o pé da garota está realmente quebrado .
Não sei quanto tempo fiquei sentado impaciente, então irritado sai da sala de espera e fui caminhando a passadas largas em direção à saída .
É r**m que vou ficar aqui ! A minha parte já fiz que foi trazer a criatura para o hospital, agora ela se vira .
_ Onde você pensa que vai, Jerônimo? _ Dandara questiona arqueando as sobrancelhas bem desenhadas com as mãos na cintura .
_ O que a senhorita está fazendo aqui em, dona Dandara Teixeira? _ pergunto sem me dar ao trabalho de responder a sua pergunta .
Minha irmã revira os olhos castanhos escuros e em seguida me fuzilando com eles deixando claro que não gostou nem um pouco por eu ter mencionado o seu sobrenome.
Ela odeia .
_ Você não estava de planos deixar a garota aqui né? Sozinha ? Sem ninguém ?_ semicerrando os olhos a criaturinha de um metro e cinquenta e cinco volta com os seusquestionamentos .
Foi a minha vez de revirar os olhos.
_ Eu tenho cara de babá ? Tenho muitas coisas para fazer, Dandara, além do mais essa garota nem faz parte da nossa caravana! _ bufo com um mau humor do cão, um dos efeitos colaterais quando a fome aperta.
Enrolando a cabeleira loira em um coque, minha irmã tira umas notas amassadas entre o vão dos s***s e sem dizer nada começa a me puxar em direção à uma cafetaria do outro lado da rua.
_ Vamos matar esse monstro que está te matando, depois nós vamos voltar pro Hospital e aguardar pacientemente notícias da minha nova amiga!
_ Quê ? Amiga ? Você nem conhece aquela mulher, Dandara ! _ falo entrando juntocom ela no lugar, como sempre a atenção de todos foram voltadas para nós _ ou para o vestido verde florescente da minha irmã .
Nos sentamos em uma mesa mais perto da porta e esperamos a garçonete com cara de poucos amigos se aproximar .
_ O que vão querer? _ pergunta, mascando chiclete com um bloquinho e caneta em mãos .
_ Dois café um expresso e outro puro sem açúcar, três pedaços de bolo, um de milho e os outros dois de chocolate, um pedaço de torta de maçã e ..._ Dandara parece pensar enquanto olha para o pequeno cardápio e depois fecha- lo e olhar pra garçonete com um sorriso de orelha a orelha ao acrescentar . _ Três pães de queijo, por favor .
Sorrio, satisfeito com o que ela escolheu, as vezes minha irmã pode ser um pé no saco mas tenho que admitir que ela me conhece como ninguém, sabe de cor e salteado os meus gostos .
_ Voltando ao assunto.. _ Ela fala quando a garçonete se afasta. _ Cassandra ainda não é minha amiga, mas tenho certeza que vamos nos dar muito bem _ a doida faz questão de frisar o "Ainda " como se vesse o futuro.
Como o cargo "de manter os pés no chão " é meu, digo :
_ Você nem sabe se ela vai ficar com a gente, não sei se quero aquela garota como uma nova integrante no nosso grupo ! E se ela não for uma pessoa de boa sanidade mental ? Isso ela já deixou claro que não é, provou quando saltou do cavalo sem mais nem menos .
Dandara dá de ombros enquanto analisa as unhas curtas e pequenas.
_ Deveria ter pensando nisso antes de monta-la na garupa do seu cavalo, não sei se você percebeu irmãozinho, Cassandra está sob a sua responsabilidade enquanto estiver em uma cama de hospital .
Ela para de falar quando a garçonete chega com os nossos pedidos, deixamos o assunto de lado começamos a comer e conversando amenidades, esquecendo pelo menos o problema chamado Cassandra.