Capítulo 7 - O Aprendiz

3942 Palavras
3 anos de idade. Recentemente, eu finalmente descobri os nomes dos meus pais. O nome do meu pai é Letholdus Drachi. Minha mãe se chama April Drachi. Meu nome é Hakon Drachi. O filho mais velho na família Drachi.  - Oh, Hakon gosta mesmo de livros. Como estou sempre andando com um livro, April solta uma risada. Eles não reclamavam ou me tomavam o livro. Mesmo durante as refeições eu colocava o livro debaixo do braço. É só que não leio o livro de magia em frente à minha família. Não é para me esconder. É só que não sei o que magia representa nesse mundo. No meu mundo passado, a Renascença Ocidental perseguiu e condenou as bruxas. As tratando como hereges e as queimando. Pelo fato de existirem livros práticos como este neste mundo, indica que a magia provavelmente não é algo considerado anormal, mas pode ser que também não seja bem visto. Desde que é um ato perigoso que causaria desmaios após esforço excessivo, alguns podem pensar nisso como algo prejudicial ao crescimento. Então decidi manter em segredo da minha família o fato de poder usar magia. Porém, talvez eles já saibam, já que há um tempo lancei um feitiço pela janela. Não tive escolha, queria testar o quão rápido podia disparar de qualquer maneira. A empregada — acho que seu nome é Urd— ocasionalmente me olhava com uma expressão perigosa em seus olhos, contudo, meus pais continuavam a manter uma atitude despreocupada, então senti que estava tudo bem. Se eu for parado então não há o que fazer, mas não quero perder o meu período de crescimento. O talento irá enferrujar se não treinado durante o período de crescimento. Tenho que usar esse período o máximo que puder.    Contudo, tive que dar um fim a este treinamento mágico secreto. Numa certa tarde. Minha capacidade de mana já havia crescido bastante, então comecei a tentar usar magias de nível intermediário com o intuito de testar o Canhão d’Água usando encantamento sem voz. Tamanho: 1, Velocidade: 0. Como de costume, só queria lançar o feitiço no balde para enchê-lo. Achei que no máximo iria transbordar. Porém, inesperadamente, uma quantidade ridícula de água foi liberada, criando um grande buraco na parede. Devido ao choque, não consegui pensar no que fazer. Um buraco na parede revelaria que usei magia. E não há nada que pudesse fazer sobre isso. Rapidamente desisti. “Mas o que aconteceu? Whoaaa…” O primeiro a entrar correndo para cá foi  Letholdus. E então, ele olhou para a parede com a boca aberta.  - Isso, ei, o que… Hakon, você está bem…? Letholdus é um cara legal. Não importa como alguém olhe para isso, foi definitivamente eu quem fez isso. Porém, ele está preocupado comigo. Mesmo depois disso ele ficou murmurando, “Monstros…? Mas nessas redondezas?”, e coisas assim, enquanto cautelosamente olhava pelos arredores.  - Oh, meu… E logo depois April seguiu-o. Ela estava muito mais calma que Letholdus. Depois de olhar para a parede arruinada e a poça de água no chão, “Oh…?” Seus olhos pararam na última página do livro mágico que deixei aberta. Após olhar para mim e para o livro, ela se agachou na minha frente e olhou para os meus olhos com uma expressão gentil. Assustador. Não havia sorriso algum em seus olhos. Continuei mantendo meus olhos em April. Aprendi algo quando era um e*****o, se você fez algo de errado, uma atitude teimosa só piora a situação. Por esse motivo, não pude evitar os seus olhos. Neste momento, uma atitude sincera era necessária. Não evitando olhar nos olhos de alguém, os encarando cara a cara. Só por fazer isso, você parecerá sincero. E não importa o que você pensa. O principal objetivo é parecer sincero.  - Hakon, querido... você seguiu as instruções do livro e o leu em voz alta? - eu encolhi meus ombros.  - Eu sinto muito. - eu acenei com a cabeça e me desculpei. Quando algo errado for feito, o melhor é se desculpar. Afinal, apenas eu e mais ninguém poderia ter feito isso. Se inventar uma mentira r**m, fará minha confiabilidade diminuir. Eu menti descaradamente no passado e perdi a confiança dos outros. Não cometerei o mesmo erro outra vez. - Ei, isso é de nível intermediário… Kyaaa! Você ouviu isso querido? É verdade!! Nosso filho é um gênio!! A desconfiança de Letholdus foi coberta pelos gritos de April. Ela segurou em ambas as mãos de Letholdus e começou a pular cheia de alegria. Que enérgica. Meu pedido de desculpas foi ignorado?  - Isso não está certo querida, nós não o ensinamos a ler.  - Rápido, vamos contratar um professor particular agora!! Esta criança se tornará um mago notável no futuro!! Letholdus continuava incomodado enquanto April estava nas nuvens. Parece que April estava cheia de empolgação pelo fato de eu ter usado magia. Ao que parece, me preocupei demais, pensando que crianças não deveriam usar magia. Urd não mostrou nenhum sinal de surpresa e silenciosamente limpou a sala. Esta empregada provavelmente sabia que eu estava usando magia há algum tempo, ou já tinha a sensação de que estava de alguma forma fazendo isso. Talvez ela não pensou que isso fosse algo r**m, então não pensou muito sobre o assunto. Ou talvez só quisesse ver as expressões felizes dos meus pais.  - Querido, vá para Tella e coloque uma oferta de trabalho!! Esse talento deve ser devidamente treinado! April gritou alegremente sobre ser um gênio isso, talento aquilo. Usar magia era considerado um talento? Era a opinião dos meus pais tendenciosa ou o fato de que usar magia de nível intermediário era algo considerado incrível? Não consigo distinguir. Não, talvez essa realmente fosse a opinião cega dos meus pais. Nunca usei magia na frente da April. Mas ela disse, “Acho que é verdade” — Ela já pensava que eu fosse um gênio. Não havia fundamento… Ah, não. De repente me lembrei. Porque sempre estive sozinho, quando estava lendo, ocasionalmente lia ou repetia as frases que gostava. Desde que cheguei a este mundo, costumava murmurar para mim mesmo enquanto lia. No começo era português, porém, depois que aprendi a falar essa língua, comecei a subconscientemente usar a linguagem desse mundo. E então, quando murmurava para mim mesmo, April dizia, “Hakon, isso é—”, e me dizia o significado das palavras. Por causa dela, consegui me lembrar de vários nomes próprios desse mundo. Bem, vamos deixar isso de lado. Mesmo que não tenha falado muito, aprendi as palavras desse mundo sozinho. Meus pais nem me ensinaram a falar. Do ponto de vista dos meus pais, “Nosso filho pode ler palavras que nunca lhe ensinamos e consegue até mesmo entender o conteúdo do livro”. Algo assim é definitivamente genial. Se fosse meu filho, também pensaria que é um gênio. No passado, a mesma coisa aconteceu quando o filho mais novo da vizinha nasceu nasceu. Ele cresceu rápido e fez tudo mais rápido do que o irmão do meio e o irmão mais velho. Falar, andar sozinho… Seus pais também estavam otimistas. Toda vez que ele fazia algo, eles diziam “Essa criança deve ser um gênio”, mesmo que não fosse grande coisa. Bem, eu era um maldito e*****o que apanhava todos os dias durante o ensino médio, e minha idade mental é de mais de 30 anos. Tenho 5 vezes a idade de um garoto normal de 3 anos, assim eu penso que não sou um gênio! Sou sortudo.  - Querido, um professor! Nós definitivamente podemos encontrar um professor apropriado na cidade de Tella! E então, quando encontram alguém com talento, a única coisa que todos os pais fariam seria obter a melhor educação possível. Os meus pais da minha vida passada elogiavam o talento do meu irmão mais novo e o deixaram aprender várias coisas. E dessa forma, April sugeriu contratar um mago para ser meu professor particular. Contudo, Letholdus se opôs a isso.  - Espere, já não decidimos que se fosse um garoto, ele seria um espadachim? Se for um garoto, ele usará uma espada. Se for uma garota, ela aprenderá magia. Parece que já havia sido decidido antes mesmo de eu nascer.  - Mas ele pode usar magia de nível intermediário nessa idade!! Se ele começar a treinar agora, se tornará um mago extraordinário!!  - Mas uma promessa é uma promessa, não estou certo?  - Que promessa? Você vive quebrando suas promessas!!  - Meus assuntos não têm nada a ver com isso, ok? Uma briga de casal começou naquele momento. Urd continuava a limpar silenciosamente a sala.  - Deixe-o aprender magia de manhã e a manejar a espada durante a tarde. Assim está bom? Depois de a discussão persistir por algum tempo, Urd terminou a limpeza, suspirou e April deu essa sugestão. Encerrando a discussão. Pois bem, os pais idiotas não consideraram o que o filho queria e forçaram essas aulas para cima de mim. Ah, bem. Já que decidi que queria viver essa vida com uma atitude séria, isso pode ser considerado algo bom.  E por causa dessas razões, nossa casa decidiu contratar um professor particular. Ao que parece, o salário de um professor particular de uma criança nobre não é r**m. Letholdus é um dos poucos cavaleiros nessa área e ainda por cima possuía o status de um nobre de classe média. Assim, ele é capaz de fornecer uma renda adequada para o seu status. Mas esse era um povoado rural distante da capital. Assim, como convinha à fronteira, é raro obter talentos notáveis aqui – muito menos um mago. Eles poderiam contratar alguém enviando um pedido para a guilda de mago e a guilda de aventureiros? Apesar de haver tais preocupações, foi achado alguém bem rápido e esta pessoa viria amanhã. Essa vila não possui uma estalagem, então o trabalho também incluía alojamento.   De acordo com os palpites dos meus pais, ele seria um aventureiro aposentado. Pessoas jovens não viriam para essa área rural, e um mago da corte poderia encontrar emprego facilmente na capital. Neste mundo, apenas magos classificados como avançados e superiores estão qualificados para se tornarem tutores mágicos. Consequentemente, a classificação de um aventureiro provavelmente está acima do intermediário. Portanto, a pessoa a caminho seria alguém de meia-idade ou uma pessoa idosa que passou sua vida dedicando-a na pesquisa sobre magia.  - Eu me chamo Jane. Estarei contando com vocês.  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - --  Porém, contrariando as expectativas, era uma jovem garota. Aparentemente com uma idade semelhante a um estudante do ensino médio. Usando uma túnica de mago marrom, com seu cabelo azul claro em tranças, e tinha a aparência de uma pessoa delicada. A pele branca, desprovida de qualquer bronzeado, era acompanhada de olhos meio sonolentos e abertos. Ela tinha lábios curtos e, apesar de não ter óculos, passava uma imagem de uma garota estudiosa sempre trabalhando na biblioteca. Estava carregando uma mala em uma das mãos, enquanto a outra segurava um longo cajado que um mago usaria. E assim, ela se encontrou com nós 3 nesta casa. “…” “…” Meus pais ficaram sem palavras enquanto olhavam para ela. Esse era o esperado. Estava bem além da nossa expectativa. Na nossa imaginação, deveria ser um professor já calejado pela longa idade. No entanto, a pessoa que veio aqui era muito pouco parecida com isso. Para mim, quem tinha jogado muitos jogos, uma maga loli não era algo fora do comum. Loli, olhos semiabertos e não muito amigável. Tendo essas 3 qualidades — É simplesmente perfeita. Por favor, case-se comigo.  - Ah-ah, você é, a professora particular? - soltou minha mãe.  - Ah, isso é, realmente.... - meu pais parecia surpreso demais para falar. Com meus pais gaguejando, eu acrescentei:  - Você é bem pequena.  - Eu não quero ouvir isso de você. Fui refutado no ato. Talvez ela tenha um complexo sobre isso. Mesmo que não estivesse me referido ao seu peito. Jane suspirou.  - Hah. Bom, onde está o aluno que supostamente irei ensinar? - ela observou os arredores enquanto perguntava.  - Ah, é esse mocinho. - April me apresentou, comigo em seus braços. Mandei uma piscada. No fim, ela arregalou os olhos, e então suspirou.  - Haaa. Isso ocasionalmente acontece, hã? Crianças que de alguma forma crescem mais rápido e pais idiotas que pensam que eles possuem talento. Ela silenciosamente resmungou. Eu ouvi isso, senhorita Jane! Bem, eu não poderia concordar mais com isso.  - Ah? O que foi isso? - minha mãe a olhou um pouco irritada com o comportamento da menina, como se preguntasse quem ela pensava que era.  - Nada. Porém acho que seu filho não entende o conceito de magia, certo?  - Sem problemas, o nosso Hakon é muito talentoso!! - disse ela enchendo a boca para dizer a palavra talentoso. April disse algo que qualquer pai e******o diria. Jane suspirou mais uma vez.  - Haa. Entendo. Vou dar o meu melhor. Pelo visto, julgou ser inútil tentar dizer qualquer coisa a mais. E com isso, foi decidido que pela manhã, serão as aulas de Jane durante, e à tarde, serão os estudos de espadachim com Letholdus.   - Bem, vamos começar com algo do livro… Não, antes disso, vamos ver quanta magia você pode usar, Hakon. Para a primeira aula, fomos para o jardim. As lições são feitas fora de casa. Ela também entendia o que aconteceria se magia fosse usada dentro de casa. Então não faria algo como quebrar as paredes, como eu.  - Deixe-me demonstrar. Conceda a p******o da água no local que demanda-te, deixe tua limpidez fluir aqui, 『BOLA DE ÁGUA』 Quando Jane recitou o feitiço, uma bola de água do tamanho de uma bola de basquete apareceu em sua mão. A bola de água voou em direção as árvores em alta velocidade. Crash. Os galhos foram destruídos e a cerca ficou encharcada. Tamanho: 3, Velocidade: cerca de 4.  - E então, como foi?  - Hmm. Aquela árvore é a árvore que a minha mãe cultiva com todo cuidado, então acho que ela vai ficar brava.  - EH? Você tem certeza?  - Sem duvidas. Certa vez, Letholdus estava treinando com sua espada e cortou alguns galhos. Naquela hora, a fúria de April não foi algo normal.  - Isso é muito r**m, tenho que pensar em algo…!! Jane correu até a árvore e pegou o galho arrancado, então segurou o galho no lugar com o rosto todo vermelho.  - Uu… Para ser salvo… Deixe o poder de Deus ser convertido em uma colheita abundante, e conceda àqueles que perderam a sua força de vontade mais uma vez — 『CURAR』 É outro cântico e os galhos voltaram a como eram antes.  - Phew. Wow, incrível. De qualquer forma, tenho que elogiá-la.  - Phew. A professora também pode usar magia de cura!!?  - Ahn? Ah, sim. Não tenho problemas em usar até o nível intermediário.  - Incrível!! Isso é incrível!!  - Não, treinando direito qualquer um pode fazer coisas dessa extensão. Mas, embora a reação dela fosse um tanto brusca, os cantos dos lábios mostraram o contrário, curvando-se para cima, e seu nariz pareceu se contrair ligeiramente, com orgulho. Ela está feliz. Eu só gritei “incrível” duas vezes e ela já está animada assim. Isso foi muito fácil.  - Agora, Hakon, tente isso.  - Ok. Ergo minha mão… Oops, não usei o encantamento de uma Bola de Água por quase um ano. Não consigo me lembrar. Vamos experimente tentar o que a Jane acabou de dizer, Erm, erm…  - Me desculpe, como você disse mesmo?  - Conceda a p******o da água no local que demanda-te, deixe tua limpidez fluir aqui.  Jane respondeu indiferente. Essa situação já estava nas suas expectativas? Porém, mesmo que você responda tão indiferente, eu não consigo lembrar em apenas uma tentativa.  - Conceda a p******o da água no local que demanda-te… BOLA DE ÁGUA. Realmente não consegui lembrar, então só encurtei. Comparado com a de Jane, a minha foi um pouco menor e mais lenta. Se fizesse melhor que ela, poderia causar uma confusão. Sou bem generoso com garotas jovens. Uma bola d’água do tamanho de uma bola de basquete voou com grande força e um assobio. A árvore fez “crrraaack” em resposta ao impacto e desabou. Jane olhou para mim com uma expressão complexa em seu rosto.  - Você encurtou o cântico?  - Sim. Isso é r**m? Parando pra pensar, o livro não informava nenhum método para usar encantamento sem voz. Apesar de que eu usava, talvez tenha tocado em algum tabu? Ou será que está com raiva porque é 10 anos cedo de mais para não usar encantamento e ficou irritada…? Sob essas circunstancias, seria melhor se eu negasse dizendo —  “Então, qual o problema? Quem iria querer recitar um cântico tão i****a?”  - Você costuma encurtar os seus cânticos?  - Normalmente… Eu não canto. Não sabia como responder a isso, então apenas disse a verdade. Isso acabaria sendo revelado cedo ou tarde enquanto estudo com ela.  - Encantamento sem voz? Jane arregalou os olhos, como se suspeitasse de mim.  - Então é assim? Você não usa o cântico. Entendo. Você se sente cansado? No entanto, ela imediatamente retornou a como era antes.  - Não, estou bem.  - É isso mesmo? Não há nada a reclamar do tamanho ou força da sua magia.  - Obrigado pelo elogio. Jane finalmente mostrou um pequeno sorriso. Um grande sorriso de fato. Então murmurou para si mesma.  - Parece que vale a pena ensiná-lo, hein? Como já mencionei antes, ouvi o que você acabou de dizer.  - Agora, vamos para o próximo… Jane parecia bastante animada, e quando estava prestes a abrir o livro,  - AAAAAAH—-!! Um grito ecoou trás de mim. April veio aqui para checar a situação. As bebidas na bandeja que ela estava carregando caíram no chão. Direcionando seu olhar para os galhos despedaçados da árvore com as mãos cobrindo sua boca. Um rosto cheio de tristeza. E, em um instante, sua expressão mudou para raiva. Ah, isso é r**m. April veio andando à passos largos até a frente de Jane.  - Senhorita Jane! Não trate nossa casa como seu local de testes!!  - Eh…! Mas foi o Hakon quem fez…  - Mesmo que Hakon seja o culpado, foi você quem o deixou fazer isto! Jane agiu como se tivesse recebido um grande choque e baixou a cabeça enquanto ouvia. Bom, você não pode jogar a culpa numa criança de 3 anos de idade.  - Sim… Você tem razão.  - Espero que isso não se repita.  - Sim, mil desculpas, madame. Após isso, April usou magia de cura, reparando a árvore e voltou para dentro de casa.  - E pensar que cometi um erro tão rápido…  - Professora…  - Haha, talvez eu seja demitida amanhã. Jane sentou no chão e começou a desenhar com seu dedo no chão. Ela realmente não pôde lidar com o choque. Dei um tapinha no ombro dela. “…”  - Hakon? Mesmo que tenha dado um tapinha, não me comuniquei de uma maneira apropriada com alguém nos últimos 15 anos, então não faço ideia de como consolá-la. Desculpe, não sei o que dizer numa hora dessas. Não, acalme-se. Pense sobre isso com cuidado. O que um protagonista de Eroge¹ diria nesse tipo de situação? Hmmm, algo como…  - Você não está errada, professora.  - Ha-Hakon?  - Você ainda está juntando experiência. Jane olhou para mim surpresa.  - V-Você tem razão. Obrigado.  - Sim. Por favor, vamos continuar a aula. E dessa forma, desde o primeiro dia, consegui uma boa relação com Jane.    A tarde era o treino com Letholdus. Já que não havia uma espada de madeira adequada para o meu tamanho, a prática se resumia ao treino físico. Corrida, flexões, abdominais e assim por diante… O plano de Letholdus era o de me deixar fazer atividades físicas. Apesar de que havia alguns dias em que Letholdus tinha que trabalhar e não conseguia treinar comigo, treinamento físico básico era algo que não se podia ser dispensado. Isso era o mesmo em qualquer que seja o mundo. Vou dar o máximo de mim.   Já que sou uma criança, minha força física não é suficiente para aguentar a tarde toda, então o treinamento acaba no começo da tarde. Por causa disso, vou gastar minha mana até o jantar. A quantidade de mana gasta difere conforme o ‘tamanho da magia’. Por exemplo, se o tamanho padrão for 1, a quantidade de mana gasta para qualquer coisa maior ou mais rápida será aumentada. Como a lei de conservação de massa. Porém, ao reduzir o tamanho do feitiço, quanto menor mais mana será consumida. Eu não entendo a lógica. Criar uma única gota de água gastou muito mais mana do que criar uma bola d‘água do tamanho de um punho. Isso é muito esquisito. Perguntei sobre o motivo para Jane, mas ela me respondeu com um: “Por que é simplesmente assim.” Essa me parece ser uma questão que ainda não foi respondida. Embora eu não tenha entendido a lógica disso, não era algo considerado r**m em termos de treino. Minha capacidade mana aumentou um pouco recentemente. Se não usasse alguma magia enorme, não poderia gastar toda ela. Se eu quiser gastar meu suprimento de mana, só preciso usar a saída máxima até que acabe. Contudo, agora é hora de tentar treinar a minha destreza. Assim, decidi fazer alguns trabalhos delicados. Usando magia para criar algo pequeno, refinado e delicado. Por exemplo, a criação de uma estátua de gelo, acendendo uma fogueira com as pontas dos meus dedos ou escrever algumas letras na mesa. Tentei dividir o solo que obtive do pátio em partes… E até coisas como pendurar uma chave na frente da fechadura. A magia de terra tinha certa influência em objetos compostos de mineral e metal, porém, quanto mais metal o objeto possuía, mais mana era preciso usar. Acho que é realmente difícil mudar as coisas que são mais resistentes. Quanto menor o alvo do controle, mais delicada as ações precisam ser, e quanto maior controle, precisão e eficácia são necessárias, maior a quantidade de mana gasta. Arremessar uma bola de beisebol com toda minha força ou passar uma linha no buraco da agulha. A quantidade de mana gasta nas duas ações era praticamente a mesma. E, além disso, tentei usar vários tipos de magia ao mesmo tempo. Precisava usar pelo menos 3 vezes mais mana. Então, se usar 2 sistemas diferentes ao mesmo, e lançá-los com cuidado, precisão e rapidez e simultaneamente, posso facilmente esgotar toda a minha mana.   Com esse tipo de treino todos os dias—— Agora não consigo esgotar minha mana nem se usar por mais de meio dia ou mais. Isso deve ser o suficiente — Meu coração começou a fraquejar. O meu eu do passado, que vivia apanhando começou a me dizer que isso já era o suficiente. Cada vez que isso acontecia, eu gritava comigo mesmo e me repreendia. Os músculos ficam dormentes se a pessoa desistir de treinar. Com a mana poderia ser o mesmo. Não posso negligenciar meu treinamento só porque tive um aumento de capacidade.  
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