Eu não havia conseguido dormir. Aquilo tudo simplesmente não saía de minha cabeça. Eu encarava o dado púrpura, me perguntando o que poderia significar ele ter sido ativado ou quem quer que fosse tivesse me escolhido. Me escolhido para quê exatamente?
Eu sai tão desesperado que não pensei em perguntar, Harry estava me deixando apavorado. No momento que ele relaxou seu aperto, eu sai correndo, agarrando o dado e fugindo como nunca para casa. Eu era um covarde. E mesmo querendo saber o que significava aquilo tudo... eu não tinha coragem de encará-lo novamente. Ele ia me bater? Iria me forçar a dar o dado novamente? Eu não fazia ideia.
Na manhã seguinte a minha habitual rotina se seguiu.
- Ei, Jhon! Pegue alguns...
- Não. - eu disse.
- O que? - os chefes já se levantaram e foram à forte pesadas ao meu encontro. - O que foi que você disse?
- Não, foi o que eu disse. Não vou ser o e*****o de vocês hoje, se quiserem vão vocês mesmos e comprem.
Um silêncio se formou na sala e todos ao redor nos olhavam e cochichavam surpresos. O da frente me agarrou pela gola da camisa, me fazendo levantar da cadeira.
- Seu pedaço de lixo, o que você pensa que...
- O professor chegou! - gritou alguém lá da frente.
O menino se apressou para me largar e me fuzilou com os olhos. - Te vejo no intervalo, seu cretino.
- Agora vou ter que ficar com fome... - ouvi o outro resmungar.
- Cale a boca. - disse o outro.
Eu espiei ao meu lado e o vi me encarando. Harry. Ele desviou o olhar e parecia um misto de surpreso e irritado.
- Você sabe que vai morrer depois dessa, não é?
- Já estou acostumada a levar surras, essa só vai ser mais uma.
Dawn me olhava preocupada de uma carteira no meio da sala e parecia me enviar uma mensagem de encorajamento, como se eu tivesse feito algo bom, bom, eu já estava cansado disso tudo. Ela lançou um olhar tristonho para a carteira vazia ao meu lado e voltou a olhar para o professor. Eu peguei o dado que estava em meu bolso e o apertei fortemente. Se eu morresse naquele dia, que fosse com honra. Se eu pudesse ao menos renascer... estava cansado desta vida miserável.
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No intervalo eles sumiram. Meu coração martelava em meu peito. Reapareceram quando o sinal tocou, mas me olhavam com desprezo e seus sorrisos maldosos, como se estivessem esperando a oportunidade perfeita.
No meio do último tempo de aula, começou a chover. Meu coração pulava tão alto que eu podia ouvi-lo. Assim que o sinal tocou e agarrei minha bolsa e sai correndo, sem nem mesmo o professor nos liberar. Eu podia ouvir os passos e risadas atrás de mim.
- Jhonny, Jhonny, não corra tão rápido! - riam eles. - Pode escorregar e se machucar f**o.
Eu corria, mas meus pulmões pediam ajuda, eu já estava ficando sem ar quando parei em uma viela, achando estar a salvo, mas eles me encontraram.
Fui espancado sem dó, com chutes fortes, que com toda certeza quebraram minhas costelas. Já estava muito difícil de respirar. Eu arfava a cada novo chute, a cada novo soco. Quando eles acharam que já estava bom e a chuva começou a aumentar, eles me deixaram ali, no chão todo ensanguentado e foram embora.
Depois de um tempo longo demais, eu consegui me levantar. Vagava pelas ruas sem rumo, totalmente desnorteado. Em algum lugar na chuva forte, ouvi pessoas discutindo. O que é essa comoção? Que irritante. Não quero me envolver. Mesmo achando que estava pensando isso, meus pés acabaram por me dirigir a eles. Eu só queria me deitar em algum lugar confortável e morrer...
— ... é por isso que, você...
— Foi você que...
Entrando na minha vista parecia haver três estudantes do ensino médio tendo uma briga amorosa; dois caras e uma garota. Eles estavam vestidos com seus uniformes amassados e molhados, pareciam ser da minha escola, mas provavelmente mais velho que eu.
Parecia haver uma espécie de discussão de relacionamento acontecendo. O rapaz mais alto estava brigando com a garota, e o outro rapaz estava tentando mediar, mas as duas partes não estavam ouvindo.
Eu me lembrei da Dawn e aquele bastardo do Harry. Eu sabia que tinha algo de r**m sobre ele, eu só não havia descoberto ainda. E muito menos o significado por detrás dos dados. Eu estava pensando sobre isso e vendo aqueles jovens discutindo... Eu nunca teria algo como aquilo. Ninguém nunca iria brigar por mim. Um menino baixo, f**o, esguio e sem talento. Eu estava me lamentando...
De repente, naquele instante, eu percebi.
Um caminhão estava disparando em direção a eles em enorme velocidade. Além disso, o motorista do caminhão estava deitado no volante, dormindo, e os três ainda não tinham notado.
— Pe-pe-pe-perigo!!
Tentei avisá-los gritando, mas minha voz não saía, minhas cordas vocais foram danificadas por conta dos vários chutes que levei, e a chuva fria e a dor nas minhas costelas fizeram com que elas encolhessem ainda mais; a voz espremida e trêmula que vazou de mim desapareceu na chuva.
Tenho que salvá-los. Eu preciso. Ao mesmo tempo, pensei: por que preciso salvá-los? Aquela sensação egoísta, mas heroica despertou algo dentro de mim. O que mais eu tinha a perder?
Tive a sensação de que se não os salvasse, me arrependeria cinco segundos mais tarde. Eu com certeza me arrependeria se visse aquelas três pessoas sendo esmagadas até virar polpa por um caminhão. Arrependimento por não os salvar. Portanto, tinha que salvá-los.
Em todo o caso, pensei que morreria logo depois disso. Pelo menos naquele momento esperava ter alguma satisfação. Não queria ser aquele que ficaria apenas se lamentando em seus momentos finais.
Eu tentei correr em direção a eles. Tudo doía.
Minhas pernas não estavam se mexendo como eu queria, já que tudo no meu corpo doía como se estivesse quebrado. Foi a primeira vez na minha vida em que gostaria de ter me exercitado mais, ou ter feito algo melhor da minha vida, se é que seria possível. As costelas quebradas estavam pulsando com uma dor excruciante, prejudicando cada passo. Foi a primeira vez na minha vida que desejei ter tomado mais cálcio.
Isso dói. Doía tanto que não podia correr.
Ainda assim, eu corri. Corri.
Eu estava correndo.
O rapaz discutindo abraçou a menina quando notou o caminhão se aproximando diante de seus olhos. O outro estava com as costas voltadas para o caminhão e não tinha notado, sendo meramente surpreendido pela ação súbita do seu companheiro. Peguei o seu colarinho sem hesitar e usei toda a minha força para puxá-lo para trás, o afastando e derrubando na beira da estrada, fora do caminho do veículo.
Bom. Só mais dois.
Justo quando tive esse pensamento, o caminhão já estava na minha frente. Tinha acabado de planejar retirá-los para uma distância segura, mas quando os puxei, o recuo me fez seguir para frente. Era de se esperar, e nem teria importado se eu pesasse mais de cem quilos. Como resultado de correr com minhas pernas trêmulas, fui arrastado para a frente pelo impulso.
Senti uma luz atrás de mim no momento em que fui atingido pelo caminhão. Era a famosa luz do flashback que antecede a morte? Não pude ver nada durante esse curto período, mas foi rápido demais. Isso significa que fiz pouco demais na minha vida?
Saí voando para uma parede de concreto com a batida de um caminhão cem vezes mais pesado do que eu.
— Puhh...!
O ar em meus pulmões foi empurrado para fora. Eles se contraíram, exigindo ar depois da dura corrida. Eu não conseguia emitir nenhum som, mas ainda não estava morto. Eu ainda tentava clarear minha mente, achando que ainda tinha alguma chance...
E assim que pensei nisso, o caminhão apareceu diante dos meus olhos mais uma vez.
Fui achatado como um tomate no chão de concreto.
A ultima coisa que eu vi foi o dado fugir de meu bolso e uma pergunta flutuar até a minha mente.
"Você quer viver?"
Eu só conseguia gritar com minha mente o mais forte que pude. "SIM!"
O brilho do dado se apagou e eu senti que não haveria salvação para alguém como eu. E eu... finalmente apaguei para a escuridão que me aguardava.
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Eu tive um sonho um tanto louco, onde existia uma longa escadaria que subia e milhares de almas esperavam em uma fila infinita para renascer. Uma voz chamou o número que estava em meu peito e fui empurrado até lá em cima.
- Ouvi mesmo dizer que alguém já havia girado o dado do retorno ainda em vida, então era o sortudo do número 5571! Ele conseguiu um número seis! - eu olhava tudo aquilo com total incredulidade. Mas... eu sentia que já havia estava ali antes. Palmas se seguiram do anuncio e eu encarei o homem que gritava em um microfone. - Esta é a sua última chance, número 5571, a use com sabedoria. E ele será um grande guerreiro em um mundo novo! - se seguiram diversas palmas até que eu entrasse por um portal imenso e tudo ao meu redor ficasse escuro novamente. Eu nem mesmo consegui dizer uma única palavra. Dado do retorno. Última chance...? O que isso poderia dizer?
Quando acordei, a primeira coisa que senti foi meus olhos ofuscando. A luz encheu minha visão e os apertei em desconforto. Tudo parecia um pouco distorcido, como se eu nunca tivesse aberto os olhos na vida. Eu pisquei algumas vezes, tentando focar a minha visão, que era um pouco turva.
Assim que meus olhos se ajustaram ao brilho, encontrei uma jovem ruiva olhando para mim. Uma linda garota... Não, uma linda mulher seria mais apropriado.
Quem é esta?
Ao lado dela estava um homem jovem de cabelos castanhos naturais com uma idade semelhante a ela, me dando um sorriso desajeitado. Ele tinha aparência forte e arrogante e músculos incríveis.
Olhando para sua aparência um tanto grosseira, eu deveria ter sentido repulsa, talvez até medo. Porém, por mais estranho que pareça, não o achei desagradável.
- ....../..../.../... - disse a mulher com os olhos cheios de lágrimas. A mulher esboçou um sorriso ao me observar e dizer essas palavras estranhas.
O que ela está dizendo? Me sentindo confuso, não consegui ouvir com clareza e não entendi nada.
Será que isso não é português?
- ..../.........../.. - O homem respondeu com uma expressão gentil. Sério, o que ele acabou de dizer? Não dá para compreender.
- .........././........ - A voz de uma terceira pessoa veio de algum lugar, e eu não pude vê-la. Era uma voz gentil e juvenil.
Tentei me sentar e perguntar “Onde é esse lugar, e quem são vocês?”. Mesmo sendo um perdedor, eu ainda não era um completo fracasso na comunicação, logo, poderia fazer algo assim.
- Ah, ah...
Mas não dava pra dizer se o que vinha dos meus lábios era um gemido ou apenas uma respiração pesada. Eu juntei as sobrancelhas e fiquei pensativo. O que estava acontecendo comigo? E a minha voz... A mulher ruiva riu e minha expressão séria e me acariciou o rosto.
Meu corpo não podia se mover. Senti sensações nos meus dedos e pulsos, mas não conseguia mexer meu tronco.
— ----/----.
No final, o homem me pegou no colo.
De início achei isso inadmissível, algo surreal e vergonhoso, mas eu gostava da sensação quentinha confortável que o colo dele me proporcionava.
Eu estava confuso e não conseguia pensar com clareza sobre aquilo... eu estava sonolento novamente...
Logo caí no sono e preferi pensar sobre isso mais tarde. Eu podia cochilar agora e entender depois.
Um mês se passou.
Logo percebi um fato chocante; parecia que eu tinha sido reencarnado.
Eu me tornei um bebê. É sério. Eu era um bebê; um bebê com consciência. Eu estava preso no corpo de um bebê.
Confirmei quando fui carregado com a cabeça apoiada e meu próprio corpo apareceu à minha vista. Não sabia por que ainda tinha minhas lembranças passadas, mas não havia nada de r**m em retê-las.
Manter memórias na reencarnação... Qualquer um teria alimentado tais delírios pelo menos uma vez, mas não pensava que tal desilusão se tornaria realidade. Isso me fez pensar a respeito do dado do retorno que eu ouvira falar em minha vida passada e todo aquele corredor de almas desesperadas por uma oportunidade de viver novamente. Mas algo não saía de minha mente: Ele disse que essa seria a minha última vida. Isso quer dizer que eu não poderia reencarnar novamente, uma vez que morresse nesta vida. Eu decidi viver da melhor maneira possível, preenchendo as lacunas que deixei em minha vida passada. Não importa como fosse, eu não seria uma perdedor novamente.
O casal que eu vi quando eu abri os meus olhos parecia ser meus pais. Provavelmente estavam na primeira metade de seus vinte anos. De forma clara, eles eram um pouco mais velhos do que eu em minha vida passada. Na perspectiva de alguém de dezesseis anos, estava tudo bem chamá-los de jovens, chamá-los de velhos seria uma ofensa aos meus novos pais. O fato de eles terem filhos nessa idade me fez sentir inveja.
Já notei desde o início, mas o lugar não parecia ser brasileiro. A língua era diferente, os rostos dos meus pais não pareciam ser os de brasileiros e suas roupas eram semelhantes às de uma aldeia nativa.
Não conseguia ver nada parecido com um aparelho eletrônico — a pessoa que usava um avental de empregada estava limpando com um pano —, e os utensílios, tigelas e móveis eram feitos de madeira. Capaz que não fosse um país avançado e desenvolvido.
A luz não era produzida por lâmpadas, mas a partir de velas e lamparinas. O que deixava o lugar um pouco escuro às vezes. Claro, havia a possibilidade de eles serem muito pobres e não conseguirem pagar a conta de luz.
... Talvez essa possibilidade fosse a mais alta? Não...
Eu pensava que eles com certeza tinham algum dinheiro, já que havia alguém vestida como uma empregada doméstica, mas eu não estranharia se fosse uma irmã de um dos meus pais. Seria normal que ela fizesse a limpeza, mas ao mesmo tempo, não havia qualquer semelhança entre eles e ela os tratava com muito respeito, se curvando todas as vezes que deixava um cômodo que tivesse um deles dois.
Sem dúvidas eu queria começar de novo, mas morar em uma família que não poderia nem se dar ao luxo de pagar as contas me deixou muito inquieto, me fez pensar se era isso mesmo ou outra coisa.
Meio ano se passou.
Ouvindo as conversas dos meus pais no último semestre, comecei a entender as coisas aos poucos.
Minhas notas de inglês não poderiam ter sido consideradas boas, mas parecia verdade que o aprendizado podia ser bem lento quando muito influenciado por uma língua nativa. Ou será que a mente deste corpo era muito boa? Talvez fosse por causa da minha pouca idade, mas eu conseguia lembrar das coisas com facilidade, era como se eu pudesse memorizar tudo se ouvido ao menos uma vez. Comecei a dar nomes às coisas, de acordo com o que eu ouvia e os via fazer.
A essa altura, eu era capaz de engatinhar. Ser capaz de se mover é uma coisa maravilhosa. Nunca senti tanta gratidão por poder fazer isso.
- Ele vai correr para algum lugar quando eu tirar meus olhos dele. - disse minha mãe.
- Não é bom que ele seja ativo? Fiquei tão preocupado quando ele não chorou no nascimento. - disse meu pai, com um tom sério. Mas minha mãe deu um sorriso um pouco preocupada:
- Mesmo agora, ele não chora.
Meus pais tiveram essa discussão quando me viram engatinhar por parte da tarde. Afinal, eu estava em uma idade em que choraria alto se ficasse com fome, eles as vezes me olhavam com estranheza, principalmente a empregada. E... mesmo que eu tentasse segurá-las, as coisas que vinham de baixo ainda vazavam, então só deixei o tempo fluir naturalmente, sem ficar me lembrando de que eu era um menino muito mais velho que minha idade aparentava. As vezes eu dava umas resmungadas para não deixá-los muito preocupados e tentava transmitir sons quando eu tinha fome.
Mesmo que eu só pudesse engatinhar, assim que comecei, entendi um monte de coisas. Em primeiro lugar, esta família era um pouco rica. Morávamos numa casa de madeira de dois andares e havia mais de cinco cômodos, com uma camareira cuidando dela.
No começo pensei que a empregada era minha tia ou algo assim, mas sua atitude respeitosa em relação aos meus pais fez parecer que ela não era da família.
Essa era uma vila. Do cenário que pude ver pelas janelas, estávamos em uma paisagem tranquila de terrenos agrícolas. As outras casas estavam espalhadas por aí, e de um lado dos campos de milho e trigo eu pude ver duas, três famílias.
Era um lugar bem rural, pois eu não conseguia ver nenhum fio elétrico, lâmpada, ou qualquer coisa semelhante. Talvez não houvesse um gerador por perto. Ouvi que países estrangeiros colocavam seus fios no subsolo, mas se esse fosse o caso, seria estranho que esta casa não tivesse eletricidade.
Parecia ser muito do campo. Foi doloroso para mim, que tinha sido sacudido pela onda da civilização. Mesmo que fosse uma reencarnação, ainda queria ter a experiência da tecnologia. Foi o que eu pensei...
Essa forma de pensar terminou em uma certa tarde.
Sem nada para fazer, subi na cadeira como de costume, com a intenção de admirar a paisagem do campo. Quando olhei pela janela, fiquei chocado.
Meu pai balançava uma espada no pátio.
Quê, hã? O que ele está fazendo?
Ele ainda está brincando com essa coisa nesta idade?
Ah, porcaria...
Devido ao choque, caí da cadeira. Minhas mãos não desenvolvidas a agarraram, mas não conseguiram sustentar meu corpo e a parte de trás da minha cabeça atingiu o chão.
- Kyaa!
Eu ouvi um grito assim que bati no chão.
Minha mãe me viu e deixou cair a roupa lavada, com as mãos sobre a boca, olhando para mim com um rosto pálido.
- Hakon! Você está bem?!
Ela correu para mim em pânico e me carregou, e olhando para meus olhos, colocou a mão no peito, parecendo aliviada.
- ... Ufa, você parece bem.
“Madame, é melhor não mover alguém depois que a cabeça da pessoa acabou de bater” lembrei-a no meu coração.
A partir de sua atitude ansiosa, parecia que eu tinha caído de maneira bastante perigosa. Parecia possível que eu pudesse me tornar um i****a devido à batida - não que fosse ser diferente de antes.
Houve uma dor latejante na parte de trás do meu crânio. Pelo menos agarrar a cadeira com as minhas mãos tinha diminuído a minha velocidade.
Como a reação de minha mãe não parecia de pânico, presumi que não havia sangue, e sim um inchaço normal.
Ela deu uma olhada cuidadosa na minha cabeça, a expressão dela parecia dizer “Se houver uma lesão, será grave”.
Enfim, ela colocou a mão na minha cabeça.
- Só por precaução. Deixe que o poder de Deus seja convertido em uma colheita abundante e confira a quem perdeu a força a oportunidade de ficar de pé mais uma vez. 『Cura』.
Eu quase explodi.
Ei, ei, este é o ‘deixa a mamãe dar um beijinho’ deste país?
Ou será que, junto com meu pai empunhando espadas, minha mãe também era uma doida que ainda se achava adolescente? O casamento de um guerreiro e uma crente? Justo quando estava pensando nisso, a mão da minha mãe emitiu uma luz fraca, e, em um instante, minha dor desapareceu.
“... Eh?”
- Viu, está tudo bem agora. Afinal, sua mãe foi uma aventureira renomada - disse de uma maneira arrogante.
Eu, na mesma hora, mergulhei em confusão.
Espada, guerreiro, aventureira, cura, encantamento, clériga. Todos esses termos ecoaram na minha cabeça.
O que foi isso agora? O que ela acabou de fazer?
- Qual o problema? - eu ouvi a voz grave de meu pai e olhei em sua direção.
Meu pai olhou pela janela do lado de fora quando ouviu o grito da minha mãe. Seu corpo inteiro estava suado enquanto acabava de balançar sua espada.
- Ouça isso, querido. Hakon subiu em cima de uma cadeira... e quase ficou gravemente ferido.
- Bem, bem, não é bom que um menino seja ativo?
Uma mãe um pouco preocupada e um pai que não tratava isso como um grande problema tranquilizando-a; um evento comumente visto. Mas, minha mãe não recuou, talvez por causa da parte de trás da minha cabeça batendo no chão.
- Só um momento, querido. Este bebê nem tem um ano. Você não deveria se preocupar um pouco mais?!
- Mas, mesmo assim, uma criança é destinada a crescer caindo para se tornar resistente. Desta forma ele se tornará saudável. Além disso, mesmo que ele esteja ferido, você não pode apenas tratá-lo? - ela lhe lançou um olhar severo de reprovação.
- Mas estou realmente preocupada. Fico pensando nele acabando muito ferido e eu sendo incapaz de tratá-lo... - ele suspirou ao ouvi-la aflita.
- Ele vai ficar bem.
Meu pai disse isso e a abraçou com força, fazendo o rosto dela ficar vermelho.
- Fiquei preocupado quando ele não chorou no começo, mas se ele for tão arteiro, com certeza ficará bem...
Meu pai beijou minha mãe.
“Ei, ei, vocês estão mostrando isso para mim de propósito, não está? Vocês dois!”
Mais tarde, os dois me colocaram no quarto ao lado para dormir e seguiram para o segundo andar para começarem a tarefa de fazer irmãos para mim. Mesmo que os dois fossem para lá, ainda podia ouvir os barulhos.
Malditas pessoas de sucesso… Mas, magia, hum...
Mais tarde, comecei a prestar atenção nas conversas entre meus pais e a empregada. E aí ouvi muitos termos que não estavam no meu vocabulário, especialmente os nomes de países, distritos e vários outros locais.
Alguns substantivos adequados que nunca tinha ouvido antes.
Talvez este lugar seja…
Não, eu estava certo disso.
Esta não era a Terra, mas algum outro mundo, um que tinha espadas e magia.
Nesse momento, tive um lampejo de inspiração.
“... se for neste mundo, talvez até eu possa alcançar...”
Se este é um mundo de espadas e magia, um mundo diferente do da minha vida anterior e do que era dito como senso comum, talvez eu pudesse conseguir. Conseguir viver como uma pessoa normal, trabalhar duro como uma pessoa normal, ser capaz de me levantar de novo se caísse e viver minha vida plenamente, assim como uma pessoa normal.
Eu estava cheio de arrependimento quando morri. Morrer cheio de inquietação ardente sobre a minha impotência e o fato de não ter realizado nada.
Mas o eu que experimentou tudo isso...
Tendo mantido os conhecimentos e experiências da minha vida anterior, talvez eu pudesse realmente conseguir.
... viver com seriedade.