Capítulo 3 - A Descoberta

2880 Palavras
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E a Dawn também... ela nem sequer pensou em olhar para trás ao ouvir sobre a luta e o nome do Harry estar envolvido.   Quando eu cheguei perto da multidão eu pude ver que seria um pouco difícil de passar, sendo um garoto tão baixinho.   - Com licença, deixe-me passar. Com licença. Desculpe...    E então a vi. - Dawn!   - Oh! John! Eu fiquei tão surpresa que...   - Tudo bem. - tentei acalmá-la. - Mas o que está acontecendo? Ninguém está indo pro terraço?    - Bem... - ela lançou seu olhar para o menino esguio de óculos e obstruía a passagem para o terraço.   - Os... chefes. Eles disseram que ninguém pode passar. - ele tremia enquanto seus braços abertos nos impediam de subir. - Vocês não poder subir.    - Mas o que..?    - Eles disseram que se alguém disser aos professores ou tentarem impedir esta luta... eles irão matá-lo.    - Mas não podemos abandoná-lo assim, não é pessoal? - gritou Dawn. Ela parecia desesperada à medida que o som dos socos ficavam mais evidentes vindos de cima.    Todos ao redor se mostraram indisponíveis e faziam rostos amedrontados. Todos tinham medo do que podia acontecer à si mesmos se impedissem os chefes.    - Certo, tudo bem. Então eu vou sozinha. - decidiu ela.    - Han? E-espere! - o menino suava frio.   - Você não vai me deixar passar, Gary?  Eu passei à sua frente, como se eu tivesse alguma coragem, mas tremendo dos pés à cabeça. Meu nariz escorrendo denunciava minha covardia e meu corpo todo gritava para que eu não fizesse isso. Dawn me olhou confusa.   - E-eu vou no seu lugar. - todos me olhavam surpresos.   - Jhon? - perguntou Dawn.   - Eles me pediram por roupas de ginástica, eu vou ficar bem. - eu respirei fundo e comecei a subir as escadas para o terraço. - De qualquer forma, ganhar uma surra é normal pra mim.   - Obrigada, Jhon. - a voz de Dawn era fraca e calma, como um sussurro quentinho em meus ouvidos. Estaria ela preocupada comigo..?   Não acho que seja isso. Mas... ao decorrer do tempo em que eu chegava mais perto da porta... eu tinha essa sensação estranha, como se eu estivesse voltando de braços abertos para aqueles que me surrariam até quase a morte. Irônico, não?   Assim que eu abri a porta uma luz forte me cegou e a cena que eu vi, me deixou surpreso. Harry só tinha os punhos ensanguentados, mas não parecia ser seu sangue. Ele não parecia tem nem mesmo um arranhão. Os outros meninos estavam jogados e espalhados pelo chão do terraço. Ele sorria vitorioso e suspirava de animação.   - Pfiiiu! - disse.   - Eh... agora mesmo...?!   - Oh. Olá, Jhon.    - Vo-você está bem?   - Que?   - Não... espera. Você fez isso tudo sozinho? - no chão, um rastro de sangue e até mesmo um ou dois dentes de alguém.   Eu achei que Harry seria o único a apanhar. Como ele havia feito tudo aquilo e sozinho?    - Merda... esse bastardo... - ele se arrastava e tinha uma feição furiosa. - Que tipo de coisa estranha você fez? - nesse momento Harry pisou em sua mão que se arrastava e o menino uivou de dor.   - O que diabos você está dizendo? Do que reclama? - ele levantou o outro pé livre e lhe chutou o estômago, fazendo o garoto voar longe. - Apenas fique abaixado.    - E-ei, Harry.. isso já é demais para um cara que já está ferido.    Ele me olhou com seus olhos brilhantes e cheios de diversão e me enviou um meio sorriso - Você não acha isso excitante? Só por que ele acha que manda por aqui, ficou todo chateado por causa de uma pequena discussão.    - Ei! Você é realmente estranho... as coisas que você disse ontem...- eu respirei fundo. - No que você está pensando?   - Isso tudo é apenas um jogo.    - Um jogo?  A vida é apenas um jogo? Mas é claro que a vida não é apenas um jogo!  Harry gargalhou com seu pé sobre o menino desfalecido. - É sim. Mas você... nunca pensou em como a vida seria melhor se fosse um jogo?    Harry começou a andar para além da porta do terraço sem voltar seu olhar para mim e sem dizer mais nada, apenas indo embora, como se nada tivesse acontecido. Eu estava assustado, surpreso, com medo. Eu não sabia o que pensar, mas de uma coisa eu tinha certeza: ele não era uma boa influência para Dawn. Eu corri até ele.   - Ei! Espere um pouco! - mas já era tarde e ele já se via cercado por vários estudantes tão surpresos quanto eu.    - Você está bem?    - Não se machucou?   - Como você está?    - Uau, você é uma bomba, que incrível!   - Muito bom, esses caras mereciam apanhar de alguém também.    Mas o que fez de fato meu coração acelerar, foi quando Dawn se aproximou dele... e sorriu.    Quantos ciúmes.   E além de tudo todo já haviam se esquecido que eu também tinha ido ao terraço.    Eu acho que nunca vou ser como aquele cara...  Não é muito injusto? "Só porque você parece um pouco pior, todo mundo te ignora ou te trata como um brinquedo ou escravo.." O que ele disse ficou na minha mente. Como ele sequer poderia saber como era essa sensação? Já que ele era ótimo em tudo.    "Você começaria a ignorar as pessoas que são assediadas..." "Ou se você se tornasse muito famoso, seria como você tivesse renascido, não é mesmo?"   "Você nunca pensou que a vida seria melhor se fosse um jogo?"   PARE DE ENGANAR A SI MESMO! Se a vida fosse realmente um jogo... eu seria algo como um NPC ou um mob fraco.  Não consigo carregar nem salvar. Não há aumento de níveis ou redefinição de personagens. Que tipo de jogo de m***a seria esse? Somente pessoas felizes como ele que podem sair por aí dizendo que a vida é um jogo! E vê-los juntos... Ah, Dawn... Aquele desgraçado é diferente de você! Ele não é uma pessoa amável e gentil como você é!    Por que você não entende isso?!   - Ah, vocês estão namorando agora? - perguntou alguém. - Estão sempre andando juntos!   - Yeah! Você ficam bem juntos. - disse outra pessoa.   - Ah, não... - respondeu ele.   Mas eu, que os estava observando por trás, os vi quando deram as mãos às escondidas. Quando.... Dawn segurou sua mão.                               Eu irei revelar a sua verdadeira natureza! Eu vou te proteger dele, Dawn!                                                                            Não importe o que! - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - The Destiny Cards - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -   O último sinal havia tocado e finalmente já era hora de ir embora. Todos se despediam e começavam a tomar seus caminhos.    - Tchau, tchau!   - Cuidado com o caminho de volta.   - Mantenha seu telefone ligado! Eu não tinha motivos para voltar para casa, então decidi seguir Harry para tentar desmascará-lo. Porém, para a minha surpresa, ele estava acompanhado de Dawn. Pela distância eu não conseguia entender o que diziam mas nada pra ver que estavam bem próximos um do outro. Quando passou um ônibus em alta velocidade, Harry a puxou da beirada e a trouxa para o outro lado da calçada. Ela agradeceu e ficou vermelha, tímida com a proximidade que o momento os deixou.    - Cuidado.   - Obrigada, Harry. - a ouvi dizer.  Eles estavam perto demais... prestes a...   Salvo pelo telefone do bastardo.    - Está tudo bem?    - Oh, sim. É que meu irmão esqueceu a chave e está preso do lado de fora.   - Então é melhor se apressar então.    - Me desculpe não poder te levar até o ponto de ônibus.   - Está tudo bem. Eu posso ir sozinha. - ela se ajeitou e sorriu feliz. - Eu vou indo agora. Até amanhã, H.   - Sinto muito por não poder levá-la lá...   - Está tudo bem. Tchau! Ao vê-la se afastar, Harry continuou parado no mesmo lugar. Ele mexia em seu celular, concentrado. O que ele estava fazendo e o que faria após isso? Eu estava curioso, então decidi segui-lo.  Eu estava cansada e faminto, mas eu precisava saber para onde ele iria. O que ele faria.   Merda... Seja como for... eu só vou ver aonde ele vai e depois vou pra casa.    E então foi poder comer o meu jantar.  Talvez fosse isso que eu imaginava... Mas ao pensar nisso... depois de um tempo... Que eu não seria capaz de comer meu jantar hoje.  Aonde ele está indo? Neste bairro sinistro... essa é a casa do Harry. ...não parece.   Ele subia as escadas de um prédio sem luz, parecendo mais um hotel fantasma. Aquilo não parecia certo. Eu o seguia silenciosamente. A cada lance de escadas eu sentia como se tivesse caminhando para minha própria morte. Ele continuava subindo e subindo... Eu estava com medo, mas a curiosidade e a ansiedade não me deixavam ir para casa. Quando ele finalmente parou, ele estava no terraço do prédio. Parado. Olhando o celular. Será que ele esperava alguém? Eu não sabia. Será que eu devia ir embora? Eu não conseguia sem antes ver o que aconteceria. De certo ele não estava em casa para dar a chave ao irmão, se é que ele tinha um irmão. Aquilo era no mínimo suspeito.   E ele estava ali... na verdade não como se esperasse alguém, mas como se procurasse por algo... ou talvez, entrando em contato com alguém? Ele olhava a tela do celular irritado. Parecia mesmo esperar alguém no fim das contas. Mas quem seria? Essa pessoa poderia me ver?    Meu estômago voltou a doer e eu me lembrei mais uma vez de como eu estava faminto. Por alguns segundos eu só conseguia pensar e comer, comida, encher a pança. De repente, me celular deu uma vibrada alta até demais. Eu me desesperei e o peguei rapidamente.   Será que deu pra ele ouvir? d***a quem seria? Eu abri meu celular e visualizei uma mensagem. Era uma mensagem do Jay, outro menino excluído da minha sala, mas que não se destacava tanto como um perdedor como eu me destacava, já que ele ao menos tirava boas notas. Ele me oferecia ingressos para um show de uma banda que eu gostava, com umas meninas muito sensuais. Aquilo acabou me tirando atenção do que eu fazia que eu nem mesmo percebi quando aconteceu.    Um som que eu nunca havia ouvido antes... um estalo silencioso mas que parecia musical. Eu olhei para trás e vislumbrei um dado que flutuava bem diante de meus olhos, ela tinha um brilho azulado. Assim que eu a peguei a porta no terraço se abriu e uma voz se seguiu, grave e alta:   - Quem está ai? - eu me virei, aterrorizado e ele arregalou seus olhos.   - Ah... bem... - comecei.   - ...Oh... Então era você? - ele me abriu um sorriso macabro e de deleite. Meu coração disparou.  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  Assim que minhas mãos tocaram aquele dado misterioso, um arrepio me percorreu todo o corpo.  - Quem está aí? - foi a voz que me fez voltar para a realidade. Seus olhos se arregalaram ao me ver segurando o dado. - O que... Jhon? O que faz aqui?   - Eu, bem... - ele tirou sua atenção de mim quando novamente seu telefone vibrou e ele juntou as sobrancelhas.    - d***a, que seja. Me dê esse dado. - ele estendeu sua mão e eu quase que automaticamente concordei, como um bom covarde.   - Ok... - mas antes de lhe entregar eu recolhi minha mão e comecei correr escada abaixo. - Era isso que você esperava que eu dissesse, não é?    Eu não sei o que é isso, mas eu não posso simplesmente te dar. Isso é... meu. Eu já conseguia ver  porta aberta e... ele... estava lá me esperando. Mas... como? Como ele passou por mim e eu não o vi? Ele me recebeu com um soco no estômago. Eu sai rolando como uma bolinha de gude, e bati forte minhas costas contra uma parede.    - Eu não vou dizer de novo, me dê este dado, Jhon.    - E se eu disser que não? - eu falava com dificuldade, eu estava arfando como nunca, com minhas costelas doloridas. - Se você me disser o que é, eu te dou... - um chute assustadoramente forte irrompeu ao lado de meu ouvido, fazendo um rombo na parede, como se algo extremamente forte tivesse trombado por ali.    - Você quer jogar um jogo comigo? - agora ele tinha um olhar maligno e carregado de ódio. Sobre quando você vai me dar o dado... ou quanto tempo você aguenta mantê-lo longe de mim.    Eu estava tão assustado. Tão assustado que eu podia morrer, mas algo movia meu corpo. Eu me levantei e tornei a correr.    - Eu nem sei por que é tão importante, vou jogá-lo fora em algum lugar!   - Espere!  Ele me segurou e nós dois acabamos por cair no chão, ele se esforçava ao máximo para tirá-lo de mim, mas de repente... o dado fugiu por entre meus dedos fracos e saiu... rolando mais adiando.   Harry me olhava perplexo. - Você... o ativou...?    O dado azul se tornou púrpura e brilhava debaixo daquela noite tão escura, e o olhar de Harry se aliviou, soltando o peso de seu corpo sobre o meu. Ele não parecia feliz, parecia decepcionado.    - Então ele escolheu você.     - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - The Destiny Cards - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
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