Capítulo 07

1092 Palavras
Esther Os mosquitos, não dão trégua, mas meu corpo já se acostumou, a minha pele já não reage ao seu veneno, entretanto, ainda posso ouvi-los, e isto, é extremamente irritante. Fecho os meus olhos e viro de um lado para o outro, tento tampar-me com uma fronha já rasgada, sei que já amanheceu, mas o que posso fazer neste lugar, não tem nada aqui, além da minha cama, e esta janela, que está pregada com dois sarrafos atravessados nas suas laterais, ontem a noite, não consegui ver com exatidão, quando Geraldo foi embora com a única iluminação que tinha, a única coisa que clareava era o brilho da lua. Já cansada desta vida, dez anos de escravidão, são aterrorizantes, o meu padrasto, era um homem muito rico, segundo ele, mas que cometeu crimes bárbaros, a sua esposa e filha sentiram o peso da morte por suas mãos, as suas amantes e várias outras vítimas, condenado por inúmero assassinatos, o delinquente, fugiu para o interior de Mato Grosso, a minha mãe foi a vítima da vez, deixando-nos, onde logo em seguida tonou-se a nossa escravidão. Após, algumas horas, a minha barriga ja roncava, e o sol já estava em sua potência alta, as músicas que eu cantarolava para dissipar o calor, já não estavam-me ajudando. — Moça, ta me ouvindo. — A rouquidão do homem loiro, fez os meus olhos piscarem, ainda não conseguia identificar, se era uma miragem, ou algo real. — Irmã. — Meu irmão Kauã, teve a minha atenção. — Nós conseguimos. — Lucas, fala convicto, não querendo transbordar emoções. Pois, somente nós sabemos o que passamos, foram tantas tentativas, em todas, algo sempre dava errado, a nossa última gota da água, foi o delegado da cidade, negar ajuda para nós, mas o pior de tudo, foi o que ele se propros a fazer com o meu corpo, em troca do seu silêncio, eu fui obrigada, a servir aquele homem nojento, que era para nos fornecer ajuda, proteção, ser nossa justiça. — Irmã?—Eu sei que não estou aqui, somente o meu corpo está, os meus de traumas, deixaram a minha mente submersa, onde sem querer, acabo retornando para meu terror, minhas memórias dolorosas. A intensidade em mudar de pensamento quando eu era abusada, não ajudava muito nesta minha condição, mas como parar quando isto, é meu único refugio. —Irmã, olha para mim, acabou, nós vamos sair daqui, eu preciso que você volte, agora. — Como bons irmãos Kauã, assim como Lucas, sabia o que acontecia comigo quando não respondia, o meu corpo simplesmente parava, e por mais que eu quisesse responder, nada saia, me deixando impossibilitada. —Ligue para o Igor, peça a força máxima da minha segurança, o filho da pura deve ter fugido, quero ele nas minhas mãos.— A voz rouca, e que sai ríspida, de uma forma que me faz engolir em seco, e ficar molinha, sem que eu saiba o motivo, da esta ordem ao loiro, que acata sem reclamar, enquanto o meu único ato, é somente ver tudo se desenrolar na minha frente. Já não sabia se era tudo real, ou não. Ouvi, passos vindo até mim, adormecida, não sei quando abriram a porta, mas a cena que vi, jamais seria esquecida por meus olhos, aquele mar azul, intenso, fez-me sentir estranhamente bem, e por mais que eu soubesse que tinha mais pessoas naquele cómodo, não conseguia desviar daquela miragem, o porte alto, fazia uma combinação perfeita com o seu rosto, a sua madibula bem desenhada, meu martírio seria sua boca, se algum dia eu provasse. Eles diziam algo, com muito custo consegui desviar os meus olhos, mirando outro homem loiro, entretanto, a beleza para mim, não se comparava ao homem rústico na minha frente. A fúria que emanava dos seus olhos, enquanto os seus dedos puxavam os seus cabelos, deixavam-me confusa. Tudo tão novo, até ontem eu estava naquela casa, a exatos 8 anos que não saia de dentro dela, e agora, depois de muitos anos isolada, passo a olhar dois estranhos, na esperança de que irão ajudar-nos. — O senhor, consegue tirar isto.— Lucas, pergunta para o moreno, que tem a minha atenção na maioria do tempo, o meu corpo que se encontrava sentada, assim permaneceu no chão, naquele cobertor frio. — Breno, vai com um de vocês ate a casa, certamente lá tem algo para arrancar essas correntes.— O enjoo no rosto do homem— que parece ter sido esculpido por todos os deuses da beleza, me faz se questionar se a minha situação é tão precária assim. Eu ainda estou em transe, e não consigo falar uma palavra se quer, a expectativa da liberdade é grande, mas o medo é maior, medo de mais uma vez dar errado, e medo se caso der certo, para onde vamos afinal, com quem poderemos contar? Nossos pais nunca nos falaram de onde eram, para eles não tinha mais importância, nós éramos a sua família, eu não sei com que olhos posso ver isto, mas agora sinto um pouco de egoísmo da parte deles, era nosso futuro, agora nos encontramos novamente sem saída. Ainda atónica, sinto quando o homem misterioso e Kauã ficam comigo, a sua aproximação assusta-me um pouco, mas ele logo-me tranquiliza. — Fique calma, eu vou ver o tamanho do estrago. — as suas mãos ásperas, delicadamente pressionou o meu tornozelo, foi impossível não expressar a dor que as corrente me causam, entretanto, não consigo entender, o porquê do meu corpo ter gostado tanto do seu toque. Depois de tudo o que eu passei, era para o meu corpo ter repulsa— exceto dos meus irmãos— do sexo masculino. Os meus olhos esbugalharam, a minha boca ressecada e cortada, dolorida, se entreabre, soltando lufadas de ar, consigo sentir a sua respiração mentolada, refrescante limpa.. — Vou cuidar de você, e dos seus irmãos— O homem, que até agora não viu a necessidade de se apresentar, mas, prometeu cuidar da minha única família, esta agachado na minha frente, os nossos rostos estão tão pertos, que a suas palavras batem nos meus lábios, me fazendo sentir, como borboletas no estômago. Os seus olhos de água piscina, avaliam-me, tentando descobrir os meus segredos, e eu não sei se o meu irmão, percebe a conexão que está a faiscar aqui, e eu não conseguiria explicar, pois o meu corpo mesmo cansado, não quer ceder, mesmo sabendo que está seguro, não deseja perder um minuto se quer da companhia deste homem estranho, talvez designado a ser meu herói.
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