Castiel
A estrada que estávamos seguindo, provavelmente, era a mais penosa, e desgraçada que já percorremos, os imensos buracos de lama, não ajudavam em nada, mas o jeep, fazia o seu trabalho.
Com o endereço. — que o subordinado do meu pai deu-nos— seguíamos até a casa de madeira, ao qual eu tinha uma foto.
A minha noite, não havia sido boa, a insónia não me permitiu dormir.
— Merda, espero que isto ao menos nos traga lucros, malditos mosquitos. — Breno, meu primo, se mostrou um grande inimigo de mosquitos, e insetos, isto porque desde que adentramos este lugar, não tivemos um minuto de paz, nem o repelente que era para nos proteger, esta fazendo efeito.
Mas sigo firme na estrada, o loiro alto, que não para de se coçar e xingar, vai ter que aguentar as nossas horas nestas matas, pois nada me fará voltar para casa, não sem que eu tire está sensação estranha.
Eu não digo nada, pois não dormi a noite, o que já deixa o meu humor péssimo, juntando a esta má sensação, é como se todas as células da felicidade, saíssem do meu corpo, e não restasse uma se quer.
Após uma hora e meia de buracos, avistei os lagos, e por conta das árvores Araucarias, sabia que estava no lugar certo, os lagos em volta, mostra vida em abundância, conseguia ver de longe, uma cachoeira, continuamos o caminho, a mata confome íamos andando, já se mostrava um cuidado, adentramos uma cerca velha, mas que mostrava estar sempre em manutenção.
Os dois meninos magricelos, estavam carpindo o terreno, o sol castigava com sua temperatura, assim que estacionei o carro na frente da casa, a porta se abriu, me revelando um Geraldo, com uma lata de cerveja nas mãos, com certeza os enteados não tinham privilegios, e pareciam fazer o trabalho árduo.
Breno, me acompanhando, lançou-me nosso olhar cúmplice, de quem sabe quando tem algo errado, a droga dos meus traumas, me ajudaram a aguçar meus sentidos, a dor da perda foi imensa, ao ponto de criar perfeitas analise técnicas, o que me resultou em tais zeros nas minhas contas, mais poder sobre as pessoas, e total controle em todas as situações, em um lugar como este, sabia que eu não precisava de seguranças, seja qual fosse o problema, ou perigo, os meses que passei procurando a minha noiva, incansavelmente, sem cessar, foram o bastante para despertar em mim, um monstro, que eu sequer sabia que existia, fiz terapia, mas não consegui revelar as insanidades que fiz, seria preso com certeza.
— Porque sinto uma vontade absurda de socar a cara deste cara. — Breno, diz, após sairmos do carro.
— Voce não é o único. — Enquanto caminhamos, Geraldo, vem até nós também, a distancia em que deixei o carro, é um pouco longe da casa.
— Vai expulsa-los daqui, caso não veja utilidade neles? — A pergunta do meu primo, não me surpreende, uma vez, que nós só nos relacionamos com quem tem algo a somar conosco, e todas as pessoas deveriam ser assim, poupariam muitas reclamações.
— Ainda não sei, mas agora quero descobrir se este homem, é um problema, ou não.
Quando, Geraldo, chega até nós, seu bom dia, é composto por nervosismo.
— Os senhores, querem ver o que primeiro. — Diz solicito.
— Vamos para o oeste, tem lindas cachoeiras lá. — A voz fina, de um dos garotos, chama a minha atenção, e diferente da última vez, quem fala é o que aparenta ser mais calmo, ganhando, por alguma razão, ainda inexplicavél, toda a minha atenção.
— Cale a boca, seu muleque fujiqueiro, vá cuidar dos seus afazeres. — A forma como o padrasto trata os irmãos, está longe de alguém que ama órfãos, para mim esta claro as intenções perversas.
— Eu acho uma ótima idéia. — O outro diz, incentivando, e só agora percebo que eles podem ser gémeos, não idênticos, pois tem a mesma fisionomia, somente mudando o temperamento, e claro, seus rostos são diferentes, mas semelhantes.
— Acho que podemos ir no final, podemos dar um mergulho depois de olharmos tudo. — Como um homem precavido, eu sempre andava com uma maleta de roupa, para emergencia, a idéia da cachoeira me animou, Breno, pensa as vezes.
— Uma ótima ideia, senhor. — E pareceu animar, mais ainda, Geraldo, acionando todos os gatilhos de alerta.
— Tudo bem, com este calor não vejo problemas em um banho de cachoeira. — Falo por fim, deixando ambos felizes, exceto os dois irmãos, que com um olhar do padrasto, voltam ao trabalho, debaixo do sol escaldante.
Caminhamos mata adentro, o local era encima de um morro, nos dando uma vista privilegiada de alguns hecqtares, ao leste ate o oeste, meus olhos flagraram beleza, afirmando que ela não é relativa, simplesmente é belo, ou não é, tem armonia, ou não tem.
Respiro aquele ar puro, sem e vestígios de poluição humana, deixo Breno a par de conversar sobre, solo e demais informações com Geraldo, um pouco a frente, continuamos nossa caminhada, onde o homem diz ser bom de plantio.
Após, algumas horas andando, Geraldo, nos ofereceu um almoço, mas somos espertos demais para aceitar algo de um estranho, no meio do nada, educadamente, recusamos, pedimos para ver os meninos, pois como a idéia surgiu deles, nada mais justo, que ambos serem nossos anfitrioes no lado oeste.
— Chame seus enteados. — Falo para ele, assim que chegamos a sua velha casa.
— Posso levar os senhores lá, essas matas são perigosas, é meio longe as cachoeiras. — Como quem claramente quer desviar do assunto, e ficar no controle, o homem acabado, em nossa frente tentou argumentar, Breno, como sempre, expressando meus sentimentos, diferente de mim, meu primo, fechava a cara, e seu sorriso sempre gentil, se mostrava matador, em fração de segundos.
— Quero que chame os meninos. — Minha voz sai rude, e rispida, não me importando em doza-la para ser gentil, a pouca paciencia que tinha, este caipira conseguiu tirar, ao menos não sei se foi minha voz, ou meus musculos que tensionaram com pressão, a tensão foi tanta, que sentia a veia saltar no meu pescoço.
Pouco mais de cinco minutos, o que eu achei uma demora exagerada, pois não estavamos tão longe, o padrasto claramente estava dando ordens aos enteados.
— Vou junto com os senhores, não confio que estes muleques conheçam bem essas terras.
— Pois deviam, certo? Afinal, cresceram aqui. —Minha ideia inicial, era interroga-los, mas com o pançudo junto, não irei conseguir.
— Mas conhecemos. — Escutamos somente o som do soco, que jogou o pequeno corpo ao chão, Geraldo, estava irrirado, e não era por conta do atrevimento do seu enteado, e seja qual for a merda, que ele quer esconder, irei descobrir.
— Os garotos, vão nos levar, um helicoptero esta encarregado de vir com a policia federal, caso eu não apareça até as cinco da tarde.
Informo o moribundo sem rodeios, o que é real, fora o chip rastreador dos meus calçados e roupas, meu dinheiro requer cuidados extras, entretanto, minha morte será um alivio para o meu corpo, e alma.
Sem deixar opções para o homem acabado em nossa frente, os irmãos estão postos, não disfarçam o sorriso em seus rostos, diferente da expressão do padrasto.
Seguimos mata adentro, e não demorou muito para que eles mesmo abrissem a boca.
— O senhor precisa nos ajudar. — O irmão que mais cedo falou pela primeira vez, diz, o mais calmo deles.
— Exatamente no que? — Pergunto, verdadeiramente interresado no assunto, o tom da sua voz baixa, me deixa em alerta, o outro, mais temperamental, analisa nossas costa, nossos lados, procurando por alguém a todo custo.
— Nossa irmã, ela vive presa, por correntes, nosso padrasto, ele não é quem aparenta ser, somos mantidos presos aqui.
— Me conte melhor isso, onde está a sua irmã? — Minha curiosidade aflora, e tudo que mais quero é que este menino fale tudo logo, a apreensão toma conta de mim.
— Nós não sabemos, só sei que é nessa região, nós vimos uma vez, parece uma cabana, ele levou ela para lá ontem, assim que voltamos da viagem. — Breno, tem seus olhos concentrado nos meninos, mas conheço o brilho estampado em seus olhos, afinal, os meus não estão diferente.
— Nos leve até lá. — É tudo que digo.
— Vamos tentar achar, a mata cresceu mais, e vimos só uma vez. — O outro irmao, ainda não disse nada, é como se sua mente estivesse em outro lugar.
E como quem le minha mente, diz:
— O que vai fazer com o nosso padrasto.
Sua voz, ainda que infantil, esta a porta da puberdade, mas de longe, é mais altiva que a do seu irmão.
— Se realmente for verdade, voces não irão gostar de saber. — Minha voz sai firme, mas repleta de ódio.
— Talvez, sim, o senhor não sabe o que passamos nas mãos daquele monstro. — A voz do garoto, sai estridente, sua raiva é nítida, e me pergunto se essa garota realmente é real, e se for, quais demonios enfrentou naquela casa, e nada de bom vem em minha mente.