chegou

971 Palavras
A música aumentava, as luzes piscavam em tons dourados e azulados, e o baile parecia cada vez mais cheio. Sina ainda estava distraída, olhando ao redor, tentando ignorar aquela sensação incômoda… quando alguém parou bem na sua frente. — Então… você é a Sina. Ela piscou, voltando à realidade. Era Erick Duarte. De perto, ele parecia ainda mais confiante — aquele tipo de sorriso ensaiado, seguro demais de si. Sina franziu levemente a testa. — Sou… — respondeu, desconfiada. — E você já sabe disso. Ele deu um meio sorriso, inclinando a cabeça. — Difícil não saber. Você meio que chamou atenção quando entrou. Sina cruzou os braços, sem se impressionar. — E você não deveria estar com a Beyle? Erick deu de ombros, como se não fosse nada importante. — Ela tá ali, se divertindo… — disse, olhando rapidamente para o lado, sem real interesse. — Mas eu preferi vir falar com você. Sina ficou em silêncio por um segundo. Incrédula. — Você tá falando sério? Ele se aproximou um pouco mais. — Tô. — o tom dele baixou — Você é muito mais interessante do que eu imaginava. Sina deu um passo para trás imediatamente. — Não. — disse, firme. Erick pareceu surpreso com a reação. — Não? — Você veio com a Beyle. — Sina o encarou diretamente. — Minha amiga. Ele soltou uma risada leve, como se aquilo fosse irrelevante. — Relaxa… é só um baile. O olhar de Sina endureceu. — Pra você pode ser. Pra mim não. Por um instante, o sorriso dele vacilou. — Qual é, Sina… — ele tentou novamente — A gente só tá conversando. — Não parece só conversa. — ela respondeu, fria. — E mesmo que fosse, você escolheu a pior pessoa possível pra tentar isso. Erick passou a língua nos lábios, analisando ela, como se não estivesse acostumado a ser rejeitado. — Você é diferente mesmo… Sina virou o rosto, já sem paciência. — E você é exatamente o que eu pensei. Nesse momento, ela olhou por cima do ombro dele— E viu Beyle. Não muito longe. Rindo… distraída… sem perceber nada. Aquilo apertou o peito de Sina. Quando voltou a encarar Erick, sua voz saiu ainda mais firme: — Vai voltar pra ela. Agora. Por alguns segundos, ele sustentou o olhar… como se estivesse decidindo se insistia ou não. Mas então deu um meio sorriso, levantando as mãos em rendição. — Tá bom… por enquanto. Ele se afastou lentamente, ainda olhando para Sina antes de se misturar à multidão. Sina ficou parada. O coração acelerado… mas não pelo motivo que deveria. Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Mas, de repente— Aquela sensação voltou. Mais forte. Como se… naquele exato momento… Não fosse só Erick que estivesse de olho nela. A música ainda ecoava pelos corredores do colégio quando Sina empurrou discretamente a porta que dava acesso ao jardim. O ar lá fora era fresco, quase frio, e contrastava com o calor sufocante do salão iluminado e cheio de gente. Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração — não sabia se era por causa da música, das pessoas... ou daquela sensação estranha que a acompanhava a noite inteira. O jardim estava silencioso demais. As luzes do baile m*l alcançavam aquele lugar. As árvores altas projetavam sombras longas no chão, e o vento fazia as folhas sussurrarem como se escondessem segredos. Sina abraçou os próprios braços, sentindo um arrepio subir pela espinha. — Ridículo… — murmurou para si mesma. — É só impressão minha. Ela começou a andar devagar pelo caminho de pedras, tentando se distrair. Mas então… ouviu. Um estalo. Sina parou. O som veio de dentro da parte mais escura do jardim, perto da pequena área arborizada. Seu coração acelerou. Ela tentou convencer a si mesma de que era apenas um gato… ou alguém do baile que também decidiu sair. — Tem alguém aí? — perguntou, a voz mais baixa do que pretendia. Silêncio. Por um instante, tudo pareceu normal de novo. Até que outro som surgiu — mais pesado dessa vez. Como algo… grande… se movendo entre as árvores. Sina deu um passo para trás. — Ok… isso não é normal. Antes que pudesse reagir, algo surgiu das sombras. A criatura avançou com uma velocidade assustadora. Sina m*l teve tempo de gritar. Era enorme. Muito maior que um homem. Coberto por pelos escuros, olhos brilhando com uma intensidade selvagem, presas à mostra em um rosnado profundo e ameaçador. O cheiro era forte, quase sufocante — terra, sangue e algo primitivo. Um lobisomem. Sina caiu para trás, o impacto contra o chão tirando o ar de seus pulmões. A criatura se aproximou lentamente, como se saboreasse o medo dela. Seus olhos não demonstravam humanidade alguma. — Não… — sussurrou Sina, tentando recuar, as mãos tremendo. — Isso não pode ser real… O monstro rosnou, avançando mais um passo. Ela tentou se levantar, mas o vestido atrapalhou seus movimentos. O pânico tomou conta. Sua mente gritava para correr, mas seu corpo não respondia rápido o suficiente. A criatura então saltou. Sina fechou os olhos, esperando o pior. Mas o impacto nunca veio. Em vez disso, um som seco ecoou pelo jardim — como um choque violento. Ela abriu os olhos. O lobisomem havia sido lançado para o lado, deslizando pelo chão antes de se levantar novamente, furioso. Entre ela e a criatura, agora havia alguém. Um homem. Alto, postura firme, completamente imóvel diante do monstro. A presença dele parecia… diferente. Intensa. Perigosa. O homem não olhou para trás. era ele, o mesmo que havia caído no parabrisa do carro há alguns dias. — Fique onde está — disse ele, com uma voz baixa e firme. O lobisomem rosnou novamente, preparando-se para atacar outra vez. E Sina, ainda no chão, percebeu que aquela noite… estava longe de acabar.
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