O túnel sob a casa se estendia à frente deles como uma boca escura e silenciosa, engolindo a luz das lanternas e os passos cautelosos de Lívia e Daniel. Cada degrau de pedra parecia murmurar sob o peso deles, ecoando suavemente pelo espaço subterrâneo, criando um som que se misturava com o próprio ritmo de seus corações. O ar era frio, úmido e carregado de um odor antigo, de terra molhada, musgo e algo indefinível, como se cada molécula contivesse lembranças esquecidas de quem havia passado por ali séculos atrás. — Daniel… — sussurrou Lívia, a voz quase engolida pelo eco do túnel —, você sente isso? — Sim — respondeu ele, com a voz firme, mas calma —. É como se estivéssemos entrando em outro tempo. Não apenas espaço físico… outro tempo. Ela respirou fundo, tentando controlar a ansiedade

