O ar no quarto estava pesado como chumbo, carregado de uma tensão invisível que parecia penetrar cada músculo, cada pensamento, cada batida de coração. Lívia ainda segurava firmemente a mão de Eduardo, sentindo o tremor dele se propagar por seus próprios dedos. Mas agora não era apenas medo: era compreensão de que algo profundamente antigo, algo muito maior que eles, havia invadido aquele espaço, infiltrando-se nas paredes, no corredor, nas vozes e, principalmente, dentro das próprias mentes. Os sussurros retornaram, dessa vez mais insistentes, mais claros. Lívia percebeu que, se antes eram apenas fragmentos desconexos, agora formavam frases quase completas. Eram direcionados a ela, como se alguém, ou algo, soubesse exatamente onde estava, acompanhando cada movimento seu, cada pensamento.

