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Meu Salvador

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Sinopse

Eva:

Eu fugi porque estava morrendo.

De fome.

De dor.

De silêncio.

Nunca tive sobrenome, nunca tive escolhas. Cresci aprendendo a obedecer, a pedir perdão, a aceitar castigos que eu não entendia. Quando escapei do convento, meu corpo já não aguentava mais. Achei que a estrada seria o fim, e sinceramente, eu já estava aceitando morrer assim, pelo menos o céu acima de minha cabeça era livre, e mesmo que eu fosse ao inferno como haviam me dito tantas vezes, lá não teria meu maior terror.

Mas então ele apareceu.

Gael Monteverde não me salvou como nos livros. Ele apenas me pegou nos braços e me levou para casa. Mas, para mim, aquilo foi tudo. Ele virou meu chão, meu abrigo, meu herói.

Na fazenda dele, aprendi a comer, a dormir sem medo, a trabalhar com dignidade. Aprendi que o mundo podia ser maior do que dor.

Eu o observo em silêncio.

Eu o admiro.

Eu o amo antes mesmo de saber o que isso significa.

E talvez esse seja o meu maior pecado.

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Quem fez isso?
Gael narrando. Eu conheço cada metro dessas terras. Sei quando algo está fora do lugar antes mesmo de enxergar, e algo aqui não me parece certo, eu posso sentir uma energia ansiosa, amedrontada, eu tenho certeza que tem algum invasor. O cavalo também sabe disso, está cuidado em suas passadas. Estou fazendo a ronda do fim da tarde, seguindo pela estrada de terra que corta o limite do parreiral com o mato mais fechado. Tudo quieto demais. O tipo de silêncio que não é bom sinal. Faço isso todas as tardes, eu amo essas terras mais do que tudo, fui ensinado assim por meu pai, isso e a ter atenção. Escuto um barulho se aproximando, talvez uma pessoa correndo, um bicho não seria tão barulhento, seguro em meu coldre a arma que eu talvez possa precisar. O som se aproxima, galhos quebrando, folhas sendo empurradas, alguém tropeçando. O cavalo se move antes de mim ansioso. Empina, puxa as rédeas, e eu desço já com a mão indo para a arma. Uma coisa é certa, barulho no mato quase sempre significa problema. Ladrão de gado, fugitivo, gente escondida, pedindo abrigo ou ajuda, nunca é apenas alguém bom passeando. Saco a arma e aponto na direção do som e me preparo — Saia devagar. Agora. — falo sério. Nada. Dou mais dois passos, atento, pronto para qualquer reação. Repito a ordem, mais alto, mais firme. É então que ela sai. Não era o que eu esperava. E olha que eu não previa sequer algo diferente. Era uma moça. Pequena. Magra de um jeito que chega a assustar, ela está bem?. Suja de terra, folhas grudadas no cabelo e na roupa. O rosto manchado de sangue seco, as pernas tremendo, e diversas marcas em seus braços e pernas, ela foi agredida. Parecia que estava se segurando de pé por pura teimosia e valentia, ela é mais forte do que aparenta. Mas é tão pequena. — Me ajuda. — consegue dizer baixo, os olhos verdes arregalados, ela está tão assustada, está fugindo com certeza, mas do quê? Quem foi o monstro capaz de machucar uma mulher dessa forma. Ela levanta os olhos pra mim conforme dá mais um passo em minha direção. Olhos grandes, perdidos. — Me ajuda… por favor… não me leva para lá. Não dá tempo de mais nada. Ela simplesmente cai como uma folha, desmaiando em uma rapidez que nem me faz sentido. Por um segundo, eu fico parado. Sem entender. A arma baixa sozinha. Ela não era uma ameaça. Nunca foi, é apenas uma vítima de algo assustador. Me aproximo rápido. Ela está respirando, mas fraca. Muito fraca. Quando toco nela, sinto o corpo leve demais. Não é normal alguém pesar tão pouco. Mas não fico parado com tempo e pensando muito. Penso no que precisa ser feito agora para ajudar essa moça. Levantar ela não é fácil. Não porque pesa, mas porque está mole, desacordada e tão machucada… que eu tenho medo de piorar qualquer coisa nela. Coloco-a com cuidado sobre o cavalo, ajeito o corpo dela apoiado no meu, seguro firme e sigo direto pra casa. O caminho parece mais longo do que nunca. Quando chego, meu pai está no alpendre. Ele olha uma vez e apesar de me enxergar, ele não entende nada. O choque vem no rosto dele antes das palavras. — Meu Deus… Gael, o que é isso? Quem é essa aí? — Encontrei na estrada, está fugindo de algo. Chama o doutor pai. Agora. Ele não discute. Some pra dentro, pega o carro e sai tão apressado que relaxo com esse pensamento, ele é tão teimoso quanto eu, então vai chegar o mais rápido que conseguir e com o doutor dentro de seu carro, eu tenho certeza. Eu desço do cavalo e levo a moça pra sala, mas tudo aqui me parece desconfortável, difícil para ela, ainda mais está tão suja… sem conseguir pensar em algo melhor eu decido a por deitada no sofá de couro, não é o mais confortável, mas dada a situação dela, não acredito que reclame. Não me sinto no direito de colocá-la em uma cama sem saber quem ela é, do que está correndo, o melhor é nesse cômodo aberto, que todos podem ver, e ela verá uma saída assim que acordar. Deito-a com cuidado. E assim que ela está deitada, eu me permito observar um momento, completamente apagada, parece mais de exaustão do que qualquer coisa. Agora, de perto, dá pra ver melhor. Os braços estão cheios de marcas roxas. Os ombros, a clavícula... Cortes pequenos marcaram ela, alguns mais antigos, outros recentes. O rosto machucado. Não é queda. Não é acidente. Eu reconheço um lábio cortado e roxo, o sangue seco mostra que ela não teve tempo de limpar. Isso aqui foi mão humana. Repetidas vezes machucando a moça. Fico parado, olhando, tentando entender quem faz isso com alguém daquele tamanho, sua magreza me apavora, nunca vi alguém desse tamanho sem ser criança, ela está desnutrida, apenas pele e osso. O barulho do motor me chama a atenção, mas não saio do lado dessa sujeita desconhecida, o médico chega com a esposa, meu pai sai de trás deles e me olha tentando entender, mas não é o momento. O doutor se abaixa, observando, enquanto sua mulher começa a limpar parte da sujeira pra examinar. Água, pano, cuidado. Conforme a terra sai, os machucados aparecem mais claros. Cada vez piores, os roxos, marcas como de açoites, isso na parte visível, abaixo de seu vestido branco deve estar pior. O silêncio pesa mais conforme entendemos o que está havendo. — Isso aqui não é de hoje — o médico diz, sério. — Essa menina apanha faz tempo, e pela situação do corpo, também está privada de comida decente e nutritiva. A esposa dele fecha a cara. Passa a mão com delicadeza no braço da moça, como se tivesse medo de quebrar, pela expressão parece estar a engolir um nó díficil na garganta. Pedem licença para descobrir ela e então obedeço me retirando, junto a meu pai, não trocamos uma só palavra, mas os pensamentos com certeza são iguais, e todos sobre o que pode ter acontecido com ela. [...] Eles a limparam, está usando um lençol agora para se cobrir, colocam soro no braço, tem bandagem no corte da boca, algo no pescoço. A mulher dele parece que chorou a pouco tempo, ela viu algo nessa menina que a deixou dessa maneira. Dizem que ela está muito debilitada, desnutrida, desidratada. Que precisa descansar bastante, se alimentar. — O que encontraram nela? Que sua esposa está assim. — digo apontando e o marido passa a mão no ombro dela a consolando. — As costas… a jovem foi açoitada Gael, e pelas cicatrizes abaixo do sangue seco, não foi a primeira vez, os braços, o rosto… nada se compara com as costas da pobre jovem — o médico diz, a voz triste. — Quem pode ter feito isso com ela? — meu pai pergunta, mais pra si do que pra mim. Não sei responder. E isso me incomoda mais do que deveria. — Vocês não podem reportar à polícia que a encontraram ainda, quem fez isso pode ser a família dela, não a coloquem em risco de novo, por favor. — Não vamos, quero entender tudo isso. — Volto amanhã senhor MonteVerde. — ele diz e confirmo com a cabeça. — Obrigada por virem, meu pai os levará agora. Todos concordam se retirando, eu não me preocupo em vê-los partir ou dar tchau em minha direção, apenas continuo parado, os braços cruzados observando a garota que dorme, completamente apagada e alheia à sua situação tão r**m. Dou alguns passos chegando perto, mais limpa é possível ver o rosto, inchado de possíveis tapas, mas a posição de seus olhos, ela deve ter chorado muito, estão inchados, aquele verde que me olhou antes agora está descansando. Só o som da respiração dela é ouvida, fraca, mas constante. Eu puxo uma cadeira e sento perto. Não sei por quanto tempo fico aqui, a observando, marcando o tempo de sua respiração, me compadecendo de uma maneira que sei não ser saudável, já sinto raiva de seu agressor antes de saber o que acontece. Mas fico ao seu lado mais tempo do que sinto passar. Ela se mexe um pouco. Murmura algo baixo. Parece assustada mesmo dormindo. Aperta o lençol com os dedos como se estivesse com medo de perder, mas não acorda. Nunca gostei de mistério dentro da minha casa. Nunca gostei de coisa fora do meu controle, aprendi quando menino, que muita coisa não é necessária, e sentimentos foram os primeiros a serem eliminados, até agora, que a raiva parece nadar em minha veia procurando quem eu irei matar. Mas, olhando essa menina desacordada, machucada de um jeito que não se explica fácil, eu sei de uma coisa: alguém falhou com ela por muito tempo. E agora ela está aqui. Na minha casa. Nas minhas terra. E isso, eu gostando ou não, me coloca no meio da história. A história que eu terei prazer em vingar.

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