Capítulo 4

1984 Palavras
Catarina A noite Caminho lentamente pelo corredor, era possível se ouvir os choros e múrmuros enquanto sigo acompanhada dos capangas de Vicent, que me levarão a sua presença. Dentro de cada uma dessas celas que passamos sei que muitas estão sofrendo, estão passando por coisas horrendas e torcendo por uma morte. Não diria que em minha mente isso não passa também, mas, depois da minha conversa com Anastácia... eu realmente decido não desistir! Apesar de tudo que ela me causou, eu não a abandonaria aqui. Ela precisa ir comigo, contar e expor o que realmente sabe, as informações que sabe de Vicent e sua rede doentia. Só assim poderemos libertar todas, não há outro modo, e mesmo após tudo... eu decidi ouvir meu Deus, decidi perdoá-la e ajudá-la! Até porque depois de tudo que me contou, ela não pareceu ter muitas escolhas desde que chegou aqui! Eu não sou perfeita, ela não é também. Todos fazemos ou faremos alguns sacrifícios nessa vida ao menos uma vez, e ele pode nos custar muito mais do que imaginamos. Tudo que ela fez até aqui foi para sobreviver, mesmo que hoje mais cedo enquanto me ajudava a me limpar, eu tenha notado que, no fundo dos seus olhos... ela pareça estar morta! — Entra brasileira... — o capanga ordena, com um sorriso malicioso no canto dos lábios, provavelmente sabendo o que me aguarda dentro dessa grande porta. Respiro fundo e começo a caminhar até a lá, segurando a maçaneta da porta e abrindo-a. Assim que entro no grande e luxuoso quarto escuro, sinto o odor de fumo, juntamente a um forte odor de álcool. A porta é fechada pelo homem, e o silêncio reina por um longo instante. Olho de um lado ao outro, mas não o vejo. Isso é ainda pior! Ele parece querer provocar tais sentimentos de mim, de medo, incerteza, e... de que a morte vive a minha espreita! — Aproxime-se, quero olhar bem para você! — estremeço ao ouvir aquela maldita voz, meus pelos se arrepiam deixando minha respiração ainda mais irregular. Viro-me lentamente e logo o vejo, sentado em uma poltrona perto da lareira do lugar. Ele está com sua camiseta aberta, uma garrafa meia vazia de bebida em sua mão esquerda, e carregando aquele olhar demoníaco de sempre. Forço meus pés a se moverem, caminhando lentamente em sua direção. Seus olhos descem pelo meu corpo, enquanto trinca o seu maxilar. — Diga-me Catarina, soube que teve um momento de diversão hoje. — a voz dele soa mais como um rosnado, paro de me aproximar, mas não desvio meu olhar do dele. — Eu... me desculpe! — digo, e como todas as outras vezes, ele sorrir ao ouvir as minhas palavras. — Supus que após todo esse tempo, você já tivesse aprendido o seu lugar, mas... — ele se levanta da poltrona, ficando de pé diante de mim — Parece que você novamente não aprendeu! Meu corpo treme, as pupilas dele estão dilatadas, suas mãos estão fechadas em punhos. Eu realmente pensei que ele provavelmente me mataria, aqui e agora, mas noto como respira fundo. Em seguida ergue sua mão, tocando o meu rosto rudemente. Suas unhas me arranham, principalmente quando ele segura forte em meu maxilar. — Você quer ser livre? Eu te dou tudo, te forneço tudo que precisa bem aqui. E mesmo assim você pensa que pode fugir de mim? — Vicent, por favor... — antes que eu conseguisse prosseguir, sinto meu rosto queimar do lado direito, com o forte tapa que ele defere. — Deixarei claro para você, que não pode me deixar... Nunca! — ele grita, recuo alguns passos e coloco minha mão no local acertado, já sentindo as lágrimas caindo com toda força. — Você é minha, até quando eu disser será assim. — ele alcança meu cabelo, me puxando pelo quarto indo em direção a uma grande mesa de centro da lareira. — Vicent... AHH... por favor, eu estou machucada... — imploro, mas ele me arremessa ao chão, fazendo meu corpo se chocar com tudo no piso. — Está? Ótimo, porque só começamos. — fico de buso, tentando alcançar qualquer coisa de apoio para poder me levanta. Mas, Vicent segura em meu cabelo, entrelaçando sua mão e me arrastando pelo chão. — AHHH... — grito de dor, em meio as lágrimas que caiam com toda força. — Fui muito paciente com você Catarina, agora está na hora de aprender uma lição importante. Ele puxa ainda mais meus fios, me fazendo erguer meu corpo, ficando ajoelhada em frente a pequena mesa de centro. Sinto o hálito dele na minha nuca, enquanto sussurra: — O dia em que eu não tiver fodendo bem fundo dentro de você, será o dia da sua morte. Até lá, você nunca... Me ouça bem, nunca vai estar longe de mim! Fecho meus olhos com força, sentindo aquelas malditas palavras dele me alcançarem como um grande tapa na cara, aquelas palavras de tormentos que sussurra para mim. Sinto sua língua passando pelas minhas bochechas, enquanto suga aquelas lágrimas que saem de mim, como se aquilo o nutrisse e fortalecesse o demônio interno que ele é! Então em um movimento ele rasga o meu vestido com as suas mãos, sua brutalidade é tanta que sinto a pele das minhas costas ir juntamente com o tecido. Aquilo me feriu, mas, eu sabia que algo muito pior estava por vir. — Curve-se. — ordena, aperto meus olhos com ainda mais força enquanto faço. — Assim, gosto de admirar toda obra de arte que faço em seu pequeno corpo. Ele diz, pressionando ainda mais minha cabeça no vidro da mesa. Abro meus olhos e vejo-o afastando o cabelo do lado da minha face, enquanto volta novamente a passar sua língua sugando as minhas lágrimas. — Vou f***r você, em cada buraco, em cada segundo que eu quiser Catarina. Você me pertence, e nada nunca vai mudar isso! - ele solta meu cabelo, e sinto como rasga a minha calcinha ferozmente. Eu só conseguia chorar e soluçar, tentando pensar que nada que ele diz é verdade. Eu não lhe pertenço, eu irei sair desse inferno, eu sei que sim. Meu Deus ouvirá cada uma de minhas orações, não posso acabar aqui! — Ah... sim... — ele geme como um louco, novamente voltando a puxar o meu cabelo — Você pensa que isso dói? Vou te mostrar o que é dor! Fecho meus olhos com toda força, sentindo meu corpo ser rasgado por dentro, enquanto ele penetra meu ânus. As lágrimas eram incontroláveis, tento me apoiar e tentar fugir daquele ato. Mas fora uma tentativa totalmente inútil, e o deixou ainda mais raivoso e sedento. Estico meu braço tentando alcançar qualquer coisa, mas ele me impede, e em meio a todo aquele abuso, eu pude ver... Pude vê quando tirou um bastão de ferro da lareira, a ponta do objeto estava vermelha de tão quente. — Deus... por favor... - imploro. — Vou te mostrar como posso ser c***l! — afirma, mas, quando senti algo queimar ao ponto de derreter minha pele, que me desesperei por completa. Gritei, chorei, implorei, mas de nada adiantou. Como das outras vezes, ele me usou de todas as formas e maneiras. Mas, dessa vez ele havia tentado ainda mais me destruir. Tirar qualquer gota de esperança que ousasse ainda permanecer dentro de meu coração, ele havia tentado me corromper com completo. Se alimentando de minha dor, nutrindo seu próprio demônio interno! ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ Sinto o meu corpo ser colocado em cima da cama de minha cela, depois de tudo que ele havia feito comigo, ordenou que seus homens me jogassem aqui, de qualquer maneira. Mas, não era essa a dor que sentia em mim, meu corpo estava completamente ferido e sangrando, mas o que mais me doía era dentro de meu peito. Cada vez que aquele desgraçado fazia isso comigo, sentia minha alma se escurecer. Sentia que minha mente era testada além de tudo, por mais que eu repetisse para mim mesma, que todo esse pesadelo uma hora irá acabar, que toda ferida infligida a mim, cicatrizará... minha alma começava a duvidar disso! Ela parecia também não encontrar uma saída, e mesmo que eu tentasse negar, os fatos me acertavam em cheio. Estou em um país totalmente dominado por um submundo, milhares de distância de minha mãe e minha casa, sem nenhum documento, sem dinheiro, e começava a ficar sem esperanças! Fecho meus olhos com força, enquanto tento me sentar na cama. O que falha totalmente, devido aos meus ferimentos, e as dores internas que sentia. A minha única opção era continuar de buços, deixando que minhas lágrimas caíssem. — Deixe-me passar, já disse... ele ordenou que eu viesse! — ouço a voz de Anastácia, ela parecia discutir com alguém além da porta fechada. Os múrmuros continuavam, mas não tinha forças para nada, começava até mesmo a sentir minha consciência oscilar. Entre um flash e outro, quando dei por mim já sentia a mão de alguém sobre o meu cabelo. Até os olhos tentei levantar, mas fora outra tentativa totalmente em vão. — Desgraçado... o que ele fez com você... — reconheço aquela voz, reúno o pouco de forças que por um momento me alcançou e olho, vendo Anastácia com os olhos arregalados me olhando em pânico. — Sinto muito, Catarina meu Deus... suas costas... — ela gagueja, se ajoelhando e tocando o meu rosto em seguida. — Eu... eu ficarei bem! - sussurro fracamente, vendo-a tirar o cabelo de minha face e aproximando o seu rosto, consigo sentir as suas lágrimas quentes se misturar com as minhas. — Vou te limpar, e tentar trazer algo para limpar isso! — diz se afastando um pouco. — Não. — engulo em seco enquanto tento continuar — Não quero ficar só, não agora! Fecho meus olhos com força, sentindo que iria desabar ainda mais em lágrimas. Logo o colchão fino da cama afunda, e sinto-a me levar delicadamente minha cabeça ao seu colo, tocando meu cabelo. — Tudo bem, não sairei daqui. Ficarei a noite inteira com você! — Obrigada! - sussurro sentindo o meu peito se partir. Chorei alto, desabei e não me segurei em derramar cada gota que saiu de mim. Anastácia fungava, conseguia lhe ouvir chorar baixo também. Eu queria colo, queria um abraço e além de tudo... queria sentir isso de minha mãe! Queria poder ouvi-la recitando suas palavras de apoio e fé, me consolando e dizendo que tudo isso era apenas um pesadelo. Que eu poderia dormir em paz, pois quando abrisse meus olhos perceberia que foi apenas um pesadelo! — Vamos sair daqui Catarina, não podemos morrer aqui... você principalmente! — ela afirma, eu não conseguia lhe responder, em meio ao choro e a dor que sentia em mim. — Sairá daqui, e salvará todas essas garotas dele. Desse monstro! Meu queixo treme ainda mais, pensando em tanto que venho passando, em como tudo simplesmente desabou amargamente. Caí literalmente em um mundo de desgraça, um que era quase impossível de se ver uma mera esperança! — Vai ficar tudo bem, vamos nos preparar e logo sairemos daqui! - ela conclui, abaixando o rosto e sussurrando novamente essa frase enquanto me olha nos olhos. — Eu não vou desistir, mas... — sussurro com dificuldade — Seja como for que sairemos, não haverá volta. Temos que fazer e combinar tudo perfeitamente, eu não aguentaria outro castigo desse! — Você não passará mais por isso, vamos agir juntas. Isso tudo vai acabar! — ela conclui. Aquelas palavras não me confortaram completamente, mas já fora um bom começo. Principalmente que eu precisava apenas disso, uma palavra que me consolasse nesse momento, uma que juntamente a fé que carrego dentro de meu peito, me dará de volta a força necessária para continuar. Pode demorar dias, meses, ou anos... mas sairemos desse maldito inferno!
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