MARCO
Assim que ouvi passos ao lado de fora do meu quarto me levantei da poltrona, me aproximo da porta e quando a abro vejo ela, Catarina! Ela anda cautelosamente em direção a escada, minhas sobrancelhas se erguem e decido vê o que pretende.
Mantenho uma certa distância enquanto a sigo, ela em alguns momentos parece perdida, mas logo que chega a cozinha vai em direção da geladeira e abre-a.
Paro na entrada da porta e cruzo meus braços, observando o que faz e quando me notará. A garota parece distraída, tanto que não olha em minha direção.
Ela fica de costas enquanto se serve de um copo de leite, seus cabelos estão húmidos e brilhantes, mas... era impossível evitar que meus olhos não descessem por seu pequeno corpo!
Ela estava com uma camisa minha, uma com mangas longas, entretanto com o tecido fino. Minha roupa praticamente engolira seu corpo, ficando na altura dos joelhos e as mangas passando de suas mãos.
Aquilo prende meu olhar por um momento, não negaria para mim mesmo esse fato. Mas, ela então para de mover sua mão que enchia novamente o copo, virando seus calcanhares lentamente e por fim... olhando em minha direção!
— AH! — murmura enquanto solta o copo, se assustando ao me notar.
— Deus... desculpe Marco! — fico em silêncio, ela rapidamente vai para o outro lado da bancada e pega um pano.
— O que vai fazer? — ela traz seus olhos aos meus.
— Limpar o que eu sujei, você... — ela n**a com a cabeça — Você me assustou!
Ela se ajoelha e começa a catar os pedaços de vidro, n**o com a cabeça e me aproximo.
— Pare, irá se cortar. — ela novamente me olha — Mandarei alguém fazer isso depois!
— Isso não teria acontecido se não me assustasse, porquê estava aí parado dessa forma?
— Não sou acostumado a ter pessoas perto de mim. — ela ergue uma sobrancelha, ainda de joelhos e me olhando daquela maneira, por cima de seus cílios.
— Desculpe por tê-lo acordado, eu tive sede. — ela desvia o olhar, voltando a passar o pano no chão molhado.
— Não estava dormindo. — ela novamente me olha — Venha, melhor descansar.
Ofereço uma mão, ela olha, mas não pega. Usando sua própria mão para se levantar, e quando termina fica tão próxima que era possível sentir seu hálito em meu queixo.
— Quero que descanse, você terá muito para me contar mais tarde. — ela franze as sobrancelhas.
— Como assim?
— Você vai me explicar como chegou aqui, e vai me contar tudo.
— Isso é oque? Uma ordem sua? — debocha, enquanto sua expressão se torna séria.
— Sim, é. — estreito meus olhos e avanço mais um passo em sua direção, me aproximando ainda mais dela, que recua rapidamente — E você fará exatamente como estou dizendo, está entendend...
— Eu, não sei se quero falar sobre isso. Te disse que não ficarei por muito tempo! — ela me interrompe, outra coisa que nenhuma outra pessoa ousaria fazer.
— Catarina... — olho para a sua pele que brilha enquanto a água escorre de seu cabelo — Precisa entender duas coisas, eu não deixarei que fique sem me contar os fatos, preciso saber exatamente o que está acontecendo. — ela conserta a camisa cobrindo a pele, volto a olhá-la e continuo — E segunda coisa, não estou aqui para ser seu herói, amigo ou nada dessas coisas. Te dei a oportunidade de ir, mas você decidiu ficar, então obedecerá exatamente o que eu digo.
Ela respira fundo, seu maxilar se mantém trincado e novamente eu vira dela aquelas reações, as que me acompanham e acaba se entranhando em todos que tentam se aproximar, ódio ou lágrimas!
— Você não me parece tão diferente de um homem mau Marco.
— É porque eu não sou, mas as minhas ações não se comparam com as de outros... — aproximo meus lábios da sua orelha, e ela não recua, mas noto fechar suas mãos em punhos — Eu Catarina, sou muito pior!
Afasto-me, olhando nos seus olhos e vendo ela engolir em seco. Mas, sua expressão muda rapidamente, ainda mais quando ela ergue uma de suas sobrancelhas e diz:
— Você afirma isso, quer me passar essa figura monstruosa que alega ser. Mas, você me libertou de um lugar, isso não foi uma ação de um monstro! — ergo uma sobrancelha e ela continua — Você quer saber a verdade? Tudo bem eu te contarei, mas farei isso porque é o mínimo que poderia fazer depois de você ter me salvo!
— Quem disse que eu te salvei? — seguro no pulso dela, ela estremeceu e sinto seu nervosismo — Não se confunda, nesse mundo não existem heróis. E eu, com certeza não sou um!
— Me solte por favor. — ela sussurra, mantendo seu olhar diretamente ao meu e tentando ainda manter essa figura forte, a qual quer passar para mim.
— Descanse, e amanhã bem cedo eu quero que me conte tudo! — solto o seu pulso e no mesmo segundo ela recua dois passos.
Sem esperar mais viro e saio daquele lugar, deixando-a sozinha com seus próprios pensamentos. E além de tudo, começando a deixar mais claro ainda quem eu sou!