Capítulo 20

1091 Palavras
Catarina Fecho a porta e caminho pelo quarto, era um local imenso e com itens luxuosos. Muitas das coisas aqui, eu nem sei para o que serve. Nunca havia estado ou recebido o luxo de ter um quarto como este, mas... o que pesava em minha mente eram outras coisas! Meus joelhos se dobram e caio bem no tapete próximo da cama, as lágrimas que por um momento eu quis esconder, agora cobrem o meu rosto. O peso de carregá-las era muito maior do que eu poderia aguentar, o peso de carregar aquele peso de um passado em condenação era doloroso, o sentimento de incerteza é ainda mais. A incerteza de que o meu futuro possivelmente estaria condenado, as dúvidas pairam sobre minha mente. E se aquele homem tiver razão? E se por minha ingenuidade tudo dera tão errado? A morte de Ana, a minha burrice de chegar a uma cidade, e acreditar que encontraria coisas diferentes das quais Vicent me propôs, e se ele tiver realmente razão? A dor de carregar tudo aquilo me faz chorar alto, assim como me encolher no chão. Abraçando os meus joelhos enquanto chorava como uma criança, uma totalmente quebrada e destroçada! Uma que não sabia se um dia voltaria a ter uma vida, que não sabe qual melhor decisão para se tomar, uma criança arrancada de sua infância e jogada no covil do próprio d***o! Como posso adivinhar se a minha próxima decisão não causará mais danos? Como posso saber se novamente não estarei sendo condenada? Cada pensamento me afundava ainda mais em um choro alto, soluçando e até mesmo gritando em alguns momentos. Não me importei se por algum instante alguém pudesse me ouvir, assim como acredito que quem me acompanhou até aqui não se importa com minha dor. Não é porque ele me tirou das mãos daquele homem, que seja um homem bom. Ele mesmo quis deixar isso claro para mim, e deixou! Quando usou de poucas palavras para me afastar, para ser rude. Não sei porque realmente não entrei naquele aeroporto, mesmo que minha mente repetisse que lá talvez fosse pior. Um sentimento profundo em meu peito me alertava de onde estou agora, não sei nada sobre ele. Que provavelmente não tem intenção alguma de me contar, a única coisa que pude notar foi a escuridão que carrega em seus olhos, em suas palavras, e tenho medo de descobrir isso também de suas ações comigo. E se ele simplesmente decidir entrar por aquela porta, e me causar algum m*l? O que farei, já que a decisão de voltar e entrar no seu carro foi minha? ──────❁────── Após passar muito tempo chorando e engolindo vários pensamentos, decido me levantar do chão. Coloco minha bolsa em um canto do quarto e caminho até uma porta, que parecia ser do banheiro. Entro e as luzes se acendem automaticamente, ao olhar no espelho do local minha aparência estava horrível. Aquela maquiagem forte que a mulher passara em mim, estava borrada, assim como meu cabelo despenteado e meus olhos inchados. — Eu só me sinto tão fraca, tão vulnerável... — sussurro enquanto desço meus olhos para o terço de meu pai, em volta do meu pescoço — O que será de mim? Começo lentamente a abrir o zíper do vestido, ele era bem quente e cobria até meu pescoço, mas estava ciente que eu precisava de um banho. Tiro-o lentamente, ainda trincando um pouco meus dentes quando o tecido encostava em meus ferimentos dos braços, e claro... nas minhas costas! Quando fico apenas de sutiã e calcinha ergo meus olhos para meu reflexo, chocada com a quantidade de hematomas que ainda estavam roxos em minha pele. Minhas costas doíam como sempre, apesar daqueles ferimentos estarem cicatrizados a dor nunca passava totalmente. Principalmente quando lembrava de como consegui eles! Respiro fundo e decido entrar logo no chuveiro, a água quente envolve meu corpo, e deixo que molhe até mesmo meu cabelo. Uso um kit de higiene lacrado no boxe, pegando o xampu e também o sabão em líquido. Quando termino visto um roupão e volto ao quarto, abro o grande guarda-roupa, mas não acho nada que eu pudesse usar, a não ser aquelas camisetas masculinas que provavelmente vão me engolir. — E nem mesmo nisso eu pensei, deveria ter tentado comprar algo quando cheguei aqui. — digo a mim mesma, pegando uma das camisetas brancas de seda e vestindo-a. Seco um pouco o meu cabelo e vou até à cama, me deitando nela e cobrindo meu corpo. Olho para o teto do quarto sem sentir sono algum, só aquela chuva de pensamentos que caía sobre mim. Fazendo minha mente ficar ainda mais inquieta, fora o sentimento de vazio que ocupava meu coração. Tiro o lençol de meu corpo e levanto-me, passo a mão sobre meu rosto e decido fazer algo. Caminho até a porta e giro a maçaneta, ela não estava trancada, como por um instante minha mente imaginara. Assim que a abro olho de um lado ao outro, mas o grande local estava completamente silencioso e vazio. Começo a caminhar com cuidado, passando pelo corredor e logo descendo a grande escadaria. Quando chego na entrada principal tento encontrar a cozinha, então continuo seguindo por outro lado. O local é tão grande que poderia com certeza me perder com facilidade, por algumas janelas grandes consigo também enxergar vários homens lá fora. Todos armados e atentos, caminhando de um lado ao outro. Tento continuar silenciosamente e sem ser notada, logo agradeço mentalmente por encontrar a cozinha. Ela estava como o resto da casa, vazia e impecavelmente limpa. Minhas mãos soam frio, mas sem intenção de desistir me aproximo da grande geladeira. Abro e logo se revela uma grande opção de alimentos, pego uma garrafa de leite e coloco sob o balcão, logo começo a abrir os armários em busca de um copo. Assim que encontro sirvo um pouco e o levo aos meus lábios, me deliciando naquele líquido. O qual há muito tempo, não provava. Ainda mais que lá sobre cárcere de Vicent, não podíamos escolher o que comeríamos. Apenas aceitávamos o pouco, e nunca reclamava! Assim que termino de beber todo o líquido sinto algo, como se eu estivesse sendo observada. E essa sensação se confirma quando giro meus calcanhares, encontrando Marco com os braços cruzados e apoiado na parede do canto, me olhando de cima a baixo com seus olhos estreitados. No susto solto o copo, e ele se quebra ao alcançar o chão, Marco apenas continua imóvel, vendo e observando bem minha reação!
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