Capítulo 19

1439 Palavras
Marco Olho enquanto ela se senta no banco e coloca o cinto de segurança, após fechar a sua porta ela tenta manter seu olhar na janela do carro, seu ombro sobe e desce rapidamente, mostrando todo o nervosismo que ocupa seu corpo. Não era preciso muito para assimilar isso, bastava vê apenas sua reação em meio a suas decisões! Por um momento realmente pensei que ela iria caminhar e entrar naquele aeroporto sem nem hesitar, esperei que fizesse isso para só enfim dar a ordem para meus seguranças. Mas isso não aconteceu, pelo contrário. Ela hesitara desde o momento em que chegamos aqui, desde que lhe dei o que tanto queria ouvir. Pelo menos, na minha mente era isso que eu realmente pensei! Ela continua sem me olhar, mas sei que isso não durará por muito tempo. Assim que meu segurança dá partida no carro confirmo, pois, ela traz seus olhos aos meus e mesmo que permaneça em silêncio, sinto suas perguntas rondar sua mente. — Tem certeza disso? — pergunto, vendo-a estremecer por um instante. — Sim, ao menos até eu descobrir como chegarei aonde quero. — E aonde quer chegar? — ela abre os lábios para responder, mas os fecha hesitando novamente. — Ouça-me com atenção, saiba que suas decisões geram consequências. E talvez é com isso que deva se preocupar! — Eu já disse, só hesitei porquê ainda não sei como chegarei aonde quero! — ergo uma sobrancelha, enquanto balanço o copo em minha mão. — Eu não estava pronta para entrar naquele lugar, tive medo do que poderia me aguardar lá! — E não tem medo do que possa te aguardar aqui? Ao lado de um desconhecido? — ela passa a língua sob seus lábios rosados. — Não, ao menos você foi a única pessoa que em muito tempo... não tentou algo de r**m comigo! — meu maxilar se prende, aquilo estava caminhando para um lugar totalmente errado, ela não deveria estar com esse pensamento sobre mim, não sobre mim p***a! — Isso não significa que sou uma pessoa boa, estou longe disso, acredite! — Não duvido disso, mas se não se importar. Gostaria de acompanhá-lo, só até raciocinar bem o que farei! Aquilo realmente não era o que eu esperava ouvir, ela deveria estar como todos os outros em relação a mim. Todos até mesmo só de me olhar já querem se distanciar, apenas a menção ao meu nome já os fazem querer se manter o mais longe possível. Por que ela está se comportando completamente ao contrário disso? Que tipo de pensamento ela está inventando sobre mim? Seja o que for, é o pensamento errado. Ela não deveria decidir estar na companhia do demônio, não por vontade própria! — Não sou um herói, um salvador, ou um homem que deva esperar isso. — digo friamente. — Não espero, mas mesmo assim você tomou a frente em me tirar daquele lugar. — estreito meus olhos — Ainda não me respondeu, porquê fez aquilo? Viro a bebida em um só gole, não gostando de como ela está usando minhas palavras contra mim mesmo, algo que ninguém em sua sã consciência ousaria fazer. Quando ela nota que a resposta não virá, apenas concorda com a cabeça e em seguida desvia o seu olhar, mantendo agora na paisagem de fora. As ruas de São Paulo passam rapidamente, enquanto meus seguranças nos guiam até um dos locais seguros onde ficaremos! Não consigo deixar de notar quanto ela ao mesmo tempo que se parece com aquela jovem que eu vira há alguns anos, se parece agora ainda mais uma mulher. Com sua beleza ainda servindo de isca para atrair meus olhos, mirando especialmente em seu rosto. Qual se ilumina diversas vezes quando as luzes de fora reflete nele, destacando o seu belo olhar, isso sem contar os seus lábios grossos. Percebendo que novamente estou permitindo que ela entre em minha cabeça, me estico no banco e pego outra garrafa de bebida no compartimento do frigobar, abro-a com a boca e logo sirvo em meu copo. — Não vai me perguntar para aonde iremos? — digo ainda enchendo meu copo. — Não, eu não quero iniciar outro interrogatório com você. — Tem medo de me irritar? — guardo a garrafa e a olho, vendo o improvável, ela negando com a cabeça. — Estou apenas tentando não focar muito nisso, e provavelmente você não me responderia, certo? — de onde foi que saiu tanta marra dessa garota, ou apenas ela estava tentando aparentar forte e confiante, para esconder o seu medo? — Por mais que você negue a si mesma, sei que está com muitos problemas na sua mente, e está certa. Eu não te responderei! — faço uma pequena pausa, vendo a armadura que ela tentava construir cair lentamente — Talvez devesse ter usado mais da sua mente antes, assim não teria se metido em tanta merda. Então não tente jogar comigo, garanto que perderá! Assim que termino de falar vejo algo transparente rolar um lado de seu rosto, ela desvia o olhar no mesmo instante, tentando esconder aquilo. Mas, já era tarde demais. E aqui estamos nós, mais uma vez eu recebo a reação que estou acostumado das pessoas. Seu ódio, ou suas lágrimas. E apenas começamos! O carro passa pelos grandes portões da mansão, os meus seguranças de dentro logo se aproximam em total alerta, assim que o veículo para meu motorista desce e vem em direção da porta. Catarina se manteve em silêncio por todo fim do trajeto, apenas mantendo sua vista distante e sua testa pressionada na janela do carro. Quando eles abrem as nossas portas ela desce, mesmo que um pouco hesitante. Faço o mesmo e dou a volta indo em sua direção, ela mantém os seus olhos baixos e funga um pouco, o que indicava que ainda tentava conter o choro que o seu corpo gritava. — Venha comigo. — digo enquanto me dirijo até a porta principal, olho por cima do ombro e a vejo caminhar em silêncio. Um dos seguranças abre a porta e entramos, caminho diretamente para o segundo andar enquanto ela me acompanha. Andamos em silêncio pelo corredor, mas assim que chego em frente a uma das portas paro, ela faz o mesmo e só então me olha. — Pode ficar aqui nesse quarto, tem roupas limpas e mandarei que tragam algo para você comer. — ela desvia o olhar até a porta enquanto diz: — Não precisa, não tenho fome. — após me dar essa resposta seca, ela abre a porta e entra no quarto. Sua voz estava diferente de antes, parecia carregar algo consigo. Mas, sem dizer mais nada ela fecha a porta sem esperar. Não que eu fosse dizer algo, ou lamentar por não querer se alimentar. Apenas observei e percebi bem que algo nela pareceu se desligar, ou talvez só então ela percebera o que fez. Percebeu que minhas palavras antes fazem todo sentido, aquelas em que afirmei que não deve me vê como alguém bom, não por apenas ter lhe dado a opção de sua liberdade. Ainda custo a entender porque decidi fazer aquilo, decidi renunciar a um bom pagamento apenas para solicitar a morte de um homem, e a soltura dela. Mas é como muitos dizem: "Nem toda ação que aparenta ser boa, realmente é!" A decisão foi dela em voltar, eu lhe dei uma opção e mesmo assim... ela escolheu acompanhar um desconhecido! E não era um qualquer, esse era eu. Aquele que tem um único poder, de quebrar e destruir ainda mais! Sempre escutei tais coisas de mim, e realmente não n**o isso. Vejo ela como um novo exemplo, apenas pouco tempo ao meu lado, e já parecia que minha escuridão havia a tocado! Respiro fundo e enfio a mão dentro de meu bolso, alcançando um cigarro nele. Quando estava prestes a acendê-lo e me afastar, um som vindo de dentro daquele quarto me faz parar. Era um gemido abafado, juntamente a um alto som de choro. Ela chorava e desabava, talvez por seu passado, talvez por seu presente, ou talvez por escutar algo que tenha quebrado ainda mais o seu interior. Algo que tenha mostrado o quanto está só, algo que tenha afirmado para sua mente, que carregar o inferno dentro de si próprio é mais devastador do que imaginam! Acendo o cigarro e viro-me, caminhando e me afastando lentamente daquela porta. Seguindo em direção ao meu quarto, e sem esperar mais entrando nele. O silêncio cooperou muito para que o que acontecia há alguns quartos ao lado ficasse bem audível, o choro dela era a única coisa escutada nesse lugar!
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