Capítulo 23

1792 Palavras
MARCO Levo-a em meus braços até o andar de cima, os empregados do lugar ajudam a abrir as portas enquanto caminho apressadamente. Em um minuto ela gritava e afirmava que iria embora, no outro estava tropeçando e logo caindo. Corri como um louco assim que vi o que aconteceria, ela parece frágil e vulnerável. Mas só parece, porque em apenas dois dias ao meu lado já havia perdido a conta de quantas vezes já me enfrentara, me desafiava, e ainda usava minhas palavras contra mim. Ela é louca, ou muito mais corajosa do que qualquer um julgaria! Mas isso não funciona comigo, ela precisa entender que se decidiu ficar ao meu lado por conta própria, terá que acatar tudo o que eu digo. E não vai existir essa história de ir embora, não agora! Coloco ela deitada sob sua cama e olho por cima do meu ombro, uma das mulheres da casa se aproxima atentamente. — Mande meu segurança ligar para o médico. — ela assentiu, e logo sai correndo do quarto. Volto meu olhar para Catarina, seus olhos estão fechados, mas parecia que ela ainda podia me enxergar. Como uma garota pensa que pode me manipular dessa forma, como ela acredita que pode decidir o que acontece ou não? Desde quando a vi naquela mansão há alguns anos ela fez isso, se entranhou em minha mente, tentou dominar meus pensamentos. Quando me vi finalmente tendo-a longe deles, ela ressurge. Ressurge como se pudesse fazer isso, como se suas decisões pudessem ser maiores que as minhas! Talvez eu devesse matá-la, pegar aquela arma em meu coldre da cintura, e apertar o gatilho! Uma vez jurei a mim mesmo, que ninguém mais decidiria a minha vida por mim, pelo menos não mais... jurei que mataria quem só ousasse se aproximar! Cortaria qualquer laço, cortaria qualquer gota de bondade que ainda ousasse se aproximar de mim! — Eu deveria matá-la, assim pouparia você e a mim! — murmuro, e no mesmo instante ela se mexe na cama, deixando alguns fios sob seu rosto. Minha mão se tornam involuntárias, tirando aqueles poucos fios e, ao mesmo tempo, encostando no rosto daquela garota. TOC TOC — Sr. Hernandes, vim o mais rápido que eu pude! — a voz do médico me alerta, me afasto brutalmente da cama e o olho. — Examine-a! — ele concorda com a cabeça e se aproxima, logo começa a fazer vários procedimentos com ela, que permanece inconsciente. Enquanto observo tudo com os braços cruzados ao canto, as palavras dela me alcançam. Aquelas sobre o seu passado, de como viveu no próprio inferno, com a presença do d***o! De como sua vida de transformou drasticamente em um terrível pesadelo, o qual ela não teve saída, oportunidades de lutar, e muito menos esperanças de um dia fugir de lá. Qualquer outra pessoa depois de tudo que ela me contara, já teria desistido. Talvez se matado, quem sabe até mesmo aceitado os abusos. Já vi de tudo nesse mundo! Mas Catarina, ela nunca deixou de lutar. Pelo que me contou, e a forma que fez isso, ficou claro que muitas vezes seu maior inimigo era sua própria mente, mas o resto... Ela nunca se permitiu desistir! E isso comprova sua força, apesar de nova, e com todo passado que tem, ela é muito forte! — Sr. Hernandes? — pisco algumas vezes e olho para o médico, que me olhava com alguns itens em mãos. — Como ela está? — ele tira as luvas e se aproxima um pouco de mim, com uma certa cautela. — Desidratada, provavelmente não vem se alimentando bem há muito tempo. — assenti, ele continua — Coloquei uma incisão intravenosa, com alguns medicamentos e um soro. Vai ajudá-la a reagir logo! — Ótimo, quando ela vai acordar? — ele abre os lábios para responder, mas engole as palavras, estreito meu olhar — Algo mais? — É... na verdade, têm algo sim! Dou um passo em sua direção, o homem engole em seco enquanto me olha. ━━━━━━━》❈《 ━━━━━━━ CATARINA Meus pés doem, meu corpo bate em diversos galhos enquanto continuo correndo totalmente desesperada. Ouço os passos de alguém me perseguindo, mas apenas continuo o mais rápido que consigo, o desespero está espalhado pelo meu corpo, mas oque me deixa ainda mais em pânico é ouvir aquela voz me chamando. — Você não tem como fugir, vou te alcançar Catarina! — grita, me fazendo derramar lágrimas dolorosas. Vicent estava perto, e a sua voz me deixa com um bolo doloroso em minha garganta. — Deus, por favor me ajude... — sussurro, mas em questão de um segundo me vejo no alto de uma montanha, olho para baixo vendo as rochas pontudas enquanto a água do mar se choca nela. Eu morreria se caísse daqui, e se voltasse pelo caminho... encontraria o próprio demônio! Me sentia desesperada, o que aumenta quando ouço um barulho bem atrás de mim. Era o som de arma sendo engatilhada, meu coração se quebra, ele se despedaça quando me viro e encontro os olhos de quem sempre me atormentará. Vicent! Ele e seus capangas me olham como se quisessem me devorar, como se fossem me quebrar totalmente, e em seguida me descartar como um pedaço de lixo! — Eu disse que te encontraria, não adianta fugir de mim. — ele diz, dando alguns passos em minha direção, tento recuar mais um pouco, mas era impossível. Eu já estava na beirada daquele lugar, e se mexesse meu corpo irregularmente cairia! — Vou levá-la, e cumprir o que um dia te prometi... vou terminar de te destruir! — meu queixo treme, minha respiração pareceu parar, eu já estava morta então? — Estou com muitas saudades dessa boceta... — o hálito dele já está muito perto, sua língua suga minhas lágrimas que caem com força. — Eu nunca mais serei sua, prefiro morrer... — respondo, vejo os olhos dele escurecerem. — Sendo assim, quem te matará serei eu! — arregalo meus olhos, ele ergue a mão e me empurra. Tentei gritar mais minha voz não sai, meu corpo cai lentamente do alto daquele lugar, e enquanto o impacto não chegava ainda consigo vê ele, olhando-me enquanto caia e por fim... se chocava em uma rocha pontuda! — NÃO!!!! — grito, me debatendo enquanto me ergo da cama qual estou deitada. — Não me toque mais, não!!!!! — grito ainda mais alto. As lágrimas cobrem meu rosto, e o desespero do que acabara de vê, e sentir me deixam totalmente atormentada. Mas, sinto mãos grandes tentando me conter, tentando me segurar e impedir que continuasse protestando, meus olhos estão fechados com força, pois... Tenho medo de abri-los, e vê que aquilo era tudo verdade! — Olhe para mim. — ouço aquela voz, era Marco. — Abra os olhos. — faço, encontrando ele com as sobrancelhas franzidas, enquanto segura os meus pulsos. — Eu... eu... — gaguejo, as lágrimas e o medo cobrem minha face. Então sem esperar mais lanço meu corpo para frente, ele solta os meus braços e o passo em volta da sua cintura. O abraçando fortemente, deixando que minhas lágrimas molhem seu terno qual vestia. Sinto ele enrijecer de uma forma totalmente brutal, como se o pegasse de surpresa e estivesse cometendo um erro ao fazer isso. Entretanto, eu não me importei, só precisava de um conforto depois de tudo que acabara de vê. — Foi horrível, eu... — gaguejo novamente, minha voz sai abafada pelo fato de minha boca estar pressionada a roupa dele — Eu não quero morrer Marco, eu não estou pronta ainda! — Você não vai. — essa fora a única resposta que ele me deu, ele não retribuiu o abraço, não me tocou, nem mesmo sua postura pareceu relaxar. Ele só deixou que eu desabasse em sua frente, o prendendo contra o meu corpo. Permitiu que mostrasse quão destruída me sinto, quão devastada eu estou, e ainda mais... permitiu que minha muralha que tentava manter de uma garota forte, viesse ao chão! ──────❁────── Fiquei um bom tempo dessa forma, mas tanto ele quanto eu estávamos desconfortáveis com toda essa situação, principalmente quando a noção começou a me mostrar o que eu acabara de fazer. Nunca quis tanta aproximação de ninguém, nem mesmo de Ana. Às vezes ela me confortava em seus braços, mas não era preciso pedir para fazer isso. Mas, nunca, em hipótese alguma, eu aceitaria isso de um homem, e muito menos seria quem tomaria frente para querer isso! — Desculpe por isso, eu tive um pesadelo horrível. — sussurro enquanto limpo meus olhos, Marco está na poltrona ao lado da cama, me olhando sem expressão alguma em seu rosto. — Você precisa se alimentar, desmaiou mais cedo. — respiro fundo — Qual a última vez que comeu algo? — Eu... não me lembro! — respondo, a sobrancelha dele se ergue por um instante — Eu tinha muita coisa em minha mente, não pensei nisso! — Muito bem! — ele se levanta da poltrona — Amanhã bem cedo vamos sair daqui, mas antes tenho que comparecer em um evento. Será hoje a noite! O olho atentamente, ele conserta os botões de seu terno e em seguida continua: — O médico veio aqui, te medicou e recolheu uma amostra para alguns exames. Mandarei que o seu jantar seja servido em alguns minutos! — ele vira-se, mas antes que chegasse na porta eu me levanto e vou em sua direção. — Espere, você vai sair. E vai me deixar aqui? — ele para, e me olha por cima do ombro. — Sim, mas logo estarei aqui novamente para te buscar. — Para aonde vamos quando sair daqui? — ele estreita os olhos. — Para um lugar seguro. — Aqui não é seguro? — Porque não descansa, você ainda não está completamente recuperada. — cruzo meus braços, ele se vira e fica frente a frente comigo. — Eu não quero ficar sozinha. — Você não vai estar, terão pessoas a disposição se precisar! — engulo em seco. — Mas, não conheço ninguém... não confio em ninguém! — ele estreita o olhar novamente. — E você confia em quem então? — respiro fundo, ele parecia saber o que sairia de minha boca, mas queria apenas confirmar. — Quero ir com você, por favor! — noto o maxilar dele se trancar, como se novamente eu tivesse lhe dito algo totalmente errado, como se tivesse o ofendido e irritado. E sem dizer mais nada, Marco vira as costas. Abre a porta do quarto e sai, batendo a porta do quarto com tanta força, que as paredes vibraram. Assim como os quadros, e os móveis próximo. Fico completamente imóvel, sem entender novamente as reações brutas dele. Sem entender o que tanto assombra esse homem!
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