Capítulo 28

2952 Palavras
MARCO O que estou fazendo? O que realmente estou fazendo? Ela une tudo de mim, em pouco tempo ao meu lado já vira traços de minha escuridão, traços de minhas ruínas, e traços do meu eu interior! Como ela pode fazer tais coisas, eu quem fico no controle, eu quem digo o que acontece ou não. Mas, desde que suas lágrimas foram derramadas naquele evento, e por saber que a culpa era minha, eu as arranquei dela. Aquilo me fez repensar pela primeira vez, fez com que eu quisesse sua desculpa, quis nunca mais poder magoá-la! Tive que resistir ao desejo carnal, aquele que queria pela primeira vez desde que a vi, tomar sua boca, tomar na minha e prendê-la em meus braços. Confirmando-me e qualquer outra pessoa, que nada pudesse alcançá-la mais. Nada além de minhas próprias mãos! Era errado isso, e mais errado ainda por permitir que estivesse acontecendo. Permitir que minha mente se alimente de sua presença, permitindo que a imagem de tê-la ao meu lado seja a única realidade possível. E isso não acontecerá, prometi que encontraria a mãe dela e assim farei. Ela precisa manter-se longe de mim, precisa entender que nada de bom é possível ser encontrado aqui dentro. Pelo menos, não depois de tudo que fiz! Fecho meus olhos me sentando na cadeira do meu escritório, os pensamentos se tornam muitos e não gosto disso. De me sentir confuso, ou até mesmo sem controle. Foi assim então que permitir elas de me alcançarem, as minhas lembranças: ━━━━∙⚚∙━━━━ Mantenho meus olhos para o chão, meu corpo estava cansado e me sentia totalmente fraco. Não lembro a última vez que dormir direito, não lembro qual a última vez não senti minhas mãos tremerem, assim como minha mente parar de julgar tudo aquilo que estava acontecendo, eu tinha que fazer o correto, tinha que fazer por minha mãe! — Marco, vêm jogar! — ergo meus olhos, vendo dois dos meus amigos a minha frente, um deles tinha uma bola de futebol em mãos. — Não tô com ânimo para isso. — respondo, e um deles se senta ao meu lado. — Fala o que tá rolando, você quase nem vem mais para a aula... — respiro fundo e novamente baixo meu olhar, meu corpo inteiro doía, mas estava aguentando firme a dor, não queria parecer fraco. — Não sei, não durmo direito, não ando com vontade de vir a escola também. — Sua mãe não briga? — olho-lhe no mesmo instante. — Às vezes ela briga quando decido vim! — ele franziu as sobrancelhas. — Por que ela faria isso? — abro meus lábios para responder, mas antes que conseguisse um som de buzina me interrompe, ele então diz — Minha mãe chegou, te vejo depois! Sem nem esperar ele se levanta e corre em sua direção, a mãe dele o aguardava fora do carro e assim que o via sorria. O carregando em seus braços, antes de ajudá-lo pegando sua mochila e a bola de sua mão. Fiquei observando aquilo tudo atentamente, era diferente com os meus amigos, as mães deles tratavam eles diferente de como a minha fazia, será que elas não sabem como amar um filho? Ou talvez a minha esteja fazendo algo errado? Não! Não acredito que ela faria isso, ela sempre diz que cuida de mim, que tudo que faz é por amor a mim e que nada nem ninguém, ficaria entre nós! Sei que tudo foi difícil quando papai morreu, ela se afundou, mas agora estava melhor, cuidava de mim da maneira certa, e cumpria a promessa a ele em seus últimos momentos de vida... que cuidaria sempre de mim com muito amor! Ela não seria capaz de fazer algo errado comigo, seria? Minha própria mãe? ━━━━∙⚚∙━━━━ Abro meus olhos, olho para o lado notando que em pouco tempo de lembranças já havia se passado algumas horas. Levanto-me da poltrona e sigo até a porta do escritório, abro-a e logo começo a seguir pelo corredor, os flashs ainda queriam me alcançar, sentia isso, Os flashs do que acontecera naquela tarde da minha infância, aquilo queria novamente voltar a minha consciência. Luto comigo mesmo enquanto caminho e subo a escadaria, rapidamente chego a porta de meu quarto, pelo silêncio da casa todos estão dormindo, principalmente Catarina! Lembro daquelas palavras que ela me disse mais cedo: "Se você quiser conversar sobre o que te machuca, saiba que estou aqui!" Olho em direção a porta do seu quarto, mas, nunca poderia falar sobre o que se passou comigo. Já é difícil suficiente lidar com eles, com meus pensamentos e memórias, se um dia tentasse pôr em palavras tudo, não teria nenhum controle de minha raiva, muito menos do demônio interno que me consome a cada dia! Respiro fundo e entro no meu quarto, fecho a porta com meu calcanhar e tiro meu terno, ficando apenas com a calça social enquanto tento controlar o que se aproximava. — Não... — digo com os dentes trincados, ajoelhando em um canto do quarto colocando minhas mãos sob minha cabeça, tentando controlar o incontrolável: o passado de vim assombrar minha mente! ━━━━∙⚚∙━━━━ Seguro minha mochila enquanto caminho olhando para o chão, quando já estou perto de casa ergo o olhar, vendo um carro parado na entrada. Era o carro daquele homem, novamente ele estava aqui. Ele vem e fica horas conversando com minha mãe, isso seria algo normal, se em uma das vezes que o vi aqui ele não lhe entregasse um estilete e dissesse que precisava se punir por sua dor, eu fiquei totalmente espantado. Mais ainda quando vi ela fazer um corte profundo em seu antebraço, com toda certeza ele não parecia ajudá-la, mas o que eu poderia fazer? Um menino de 11 anos, fraco e com uma alma virtuosa? Era isso que ele dizia sobre mim, e ela apenas ficava calada! Abro a porta com cuidado para não fazer barulho, mas nos primeiros passos que dou já dou de cara com eles dois, minha mãe segurava a mão dele, que me olhava com um olhar monstruoso. — Marco, onde esteve? — ele diz. — Eu... na escola! — gaguejo um pouco, mas o que poderia fazer, ele me assustava. — Achei que já tivesse resolvido isso. — ele olha para minha mãe. — Resolvi, te disse que não era para fazer mais isso! — ela responde me olhando em fúria. — Você gosta de desobedecer sua mãe? — n**o com a cabeça rapidamente, ele começa a caminhar em minha direção — Você está interessado na escola, ou em seus amigos? Arregalo meus olhos sem entender exatamente onde ele queria chegar, ele vem se aproximando cada vez mais, enquanto minha mãe nem mesmo ergue seu olhar. — Me diga Marco, você se interessa em seus amigos, é isso? — O quê? Mamãe... — grito, mas sinto o lado de meu rosto queimar, ele acabara de me bater. Quando viro novamente meu rosto para olhá-la, ela nem moveu um músculo. — Você se interessa por homens, Marco? Sabe que não aceitamos essa p***a, não sabe? — ele rosna, e as lágrimas caem sobre minha bochecha que queimava de dor. — Mentira, está falando uma mentira... mãe... — novamente clamo por ela, mas o homem a minha frente agarra o meu cabelo, coloco minha mão sobre a dele tentando folgar aquele aperto em minha cabeça. — Se estou errado, é hora de você provar! — o pânico me acerta precisamente, mas oque mais me quebra é vê minha mãe permitindo tudo aquilo. Ele me arrasta pelo cabelo pela escada, me levando em direção ao segundo andar. Em diversos momentos tropeço em meus pés, o que só o deixou com mais raiva. Ele estava enfurecido, e não entendia a razão de tudo aquilo. Ele dá um forte chute na porta do quarto de minha mãe e me leva até uma cadeira no lugar, amarrando o meu pulso e pernas com um cinto que estava ao chão. Me deixando sentado e amarrado em frente aquela cama. — Me solta, eu... — as lágrimas caíam — Eu não fiz nada! — Você é fraco Marco, e esse mundo está tentando te corromper. Você precisa aprender uma lição hoje! — aquelas palavras me fazem engolir em seco, tinha medo do que esse homem poderia fazer. Mas, pela porta do quarto vejo-a entrando calmamente, minha mãe com os braços cruzados. Por um instante achei que ela estava com raiva do que via, e que me soltaria, na sequência expulsaria esse homem da nossa casa. Entretanto, aconteceu exatamente o contrário disso. Ela foi na direção dele, que assim que ela para em sua frente me olha. — Se fechar os olhos, machucarei ela... — foi a única coisa que o ouvi sussurra, logo antes de tirar os laços da alça de seu vestido, o que logo cai ao chão a deixando completamente nua. Ele continua me olhando, enquanto vira o corpo dela em minha direção, fazendo que veja aquela cena. A de suas mãos apalpando e tocando cada parte do corpo dela, queria fechar os meus olhos, mas não queria que ele a machucasse. Não sabia se ela estava em seu estado normal, ou ele praticamente deu-lhe algo, ela poderia estar em transe como todos pareciam estar naquele dia naquela igreja. — Não feche seus olhos, e aprenda a gostar do que verá! Ele empurra o seu corpo sobre o coxão da cama, enquanto me olhava começava a tirar a sua calça, abrindo-a e na sequência fazendo algo que permaneceria na minha mente... para sempre! — Não... — sussurro enquanto as lágrimas caíam, ele não se importava com isso, e ela... gemia alto enquanto me olhara no fundo dos olhos! ━━━━∙⚚∙━━━━ Não conseguia respirar, quando abri meus olhos eu simplesmente me via encolhido ao chão. Minhas mãos tremiam, e a raiva do que acabara de passar em minha mente me faziam enxergar tudo embaçado. — Não... — digo baixo, tentando me levantar do chão. Era mais uma tentativa totalmente inútil, assim como a tentativa de me recompor. — Não porra... vocês não têm mais domínio sobre mim... — digo lançando e chutando algumas coisas que consigo alcançar. — Você tem que fazer assim, para ter prazer com o que vê... isso... — ouço a voz dela, em meu ouvido, em minha mente... a voz de minha mãe enquanto friamente me propos aquilo! — Não p***a!!! — Marco!!!! — abro meus olhos, segurando firme aquela mão que se aproximava de meu rosto, foi só quando percebi... Catarina bem a minha frente, e eu apertava sua mão! — Marco... está me assustando... — ela sussurra, respiro fundo e solto sua mão. — O que está fazendo aqui? — digo tentando controlar aquela respiração irregular, ela segura o seu pulso com a outra mão, enquanto me olha nos olhos com um olhar confuso. — Eu... eu ouvi um grito... achei que estava precisando de algo... — ela conserta sua postura, embora continue ajoelhada bem a minha frente — Aonde você estava? — No meu inferno Catarina, estava lá novamente. — digo friamente, ela engole em seco. — Marco... — Você não deveria estar aqui, poderia ter se machucado! — desvio meu olhar dela, minha respiração ainda permanecia ofegante. — Ei. — sinto a sua mão tocar em meu rosto, a ponta de seus dedos alisam um lado de meu rosto — Você não está só, eu... — Eu nunca estou Catarina, os meus demônios me perseguem sempre. — digo voltando a olhá-la, interrompendo suas palavras e vendo sua expressão se torna ainda mais confusa. — Não sei o que aconteceu com você, tenho certeza que foi algo terrível. — os seus dedos acariciam ainda mais meu rosto, assim como sentia seu doce hálito bem próximo. — Mas não deve se julgar pelo mau que outros infligem, não se puna por isso! — Pare. — a adverti, mas não adianta e ela continua: — Se você quiser pode mudar essa escuridão que tanto te assombra, pode realmente recomeçar Marco! — Pare. — Embora negue a si mesmo, ainda há uma bondade habitando em você! — afasto meu rosto do toque dela. — PARE! — grito, ela estremece — Te prometi que não seria rude com você, mas não posso impedir se continuar me dizendo essas coisas. Pare de buscar esperança onde não se deve, apenas pare! No mesmo instante uma lágrima rola dos olhos dela, mas dessa vez, aquele sentimento de culpa não habita minha consciência. Talvez devesse, já que novamente ela estava chorando com o que lhe dizia. Mas, o que se deve esperar de um demônio? Deve realmente esperar sua rendenção? Creio que não! CATARINA ──────❁────── Olho para seus olhos escuros, as minhas lágrimas não parecem comovê-lo, minha expressão triste também não. Eu tento entendê-lo, tento alcançar o inalcançável, mas sempre que acredito que avançamos ele mostra sua face escura e fria. Aquela que usa para afastar o perigo, e qualquer um que ameasse se aproximar. Sei que as escolhas, perigos nos trouxeram até aqui. E a decisão fora minha em continuar, qualquer um teria fugido ainda mais, e talvez isso fosse o correto. Mas, como eu poderia sentir raiva dele, entrei nesse quarto e pela primeira vez enxerguei algo totalmente apavorante. O vi se contorcendo, tremendo e com as mãos vibrantes, aquilo me assustou certamente. Entretanto procurei vê o que acontecia, e parecia realmente o que ele me disse: Pareceu que ele estava no seu próprio inferno, talvez seja aquele sombrio da sua mente! — Não quero que pense que meu coração é bom, ele não é Catarina! — sua voz é fria, mas para minha surpresa dessa vez ele quem ergue sua mão, tocando o meu rosto e recolhendo a lágrima com a ponta de seus dedos. — Sinto que corre mais perigo aqui, ao meu lado! — o olhar dele estava nos fundos dos meus, e sentia sua hesitação em cada palavra que me dizia, ao menos ele parece tentar se controlar ainda mais. — Não tente me afastar de você Marco. — me aproximo um pouco mais, coloco a palma da minha mão sob a dele ainda em meu rosto — Isso nunca irá funcionar! Vejo uma expressão de surpresa passar rapidamente em seu rosto, e sem esperar mais tomei a decisão do que faria naquele mesmo segundo. Desço meu olhar até seus lábios, sem esperar mais quebro aquela distância. Minha boca se aproxima e quando se encontra a dele fecho meus olhos, a mão que estava em meu rosto desce até meu pescoço, logo segurando em minha nuca enquanto nossos lábios se abrem, ele enfia a sua língua em minha boca e não demora muito para que se encontre com a minha, elas se misturam enquanto os nossos gostos são passados de um ao outro. Minhas mãos seguram a nuca de Marco, enquanto vou lentamente ao seu colo. O beijo se torna cada vez mais profundo, ao mesmo momento em que estava lento, ele carregava um misto de emoções. Os gemidos começam a sair entre os beijos, principalmente quando sua mão puxa os fios do cabelo de minha nuca, me fazendo erguer mais meu rosto enquanto a língua dele suga e dança com a minha de uma forma eletrisante! Eu tinha noção do que estava fazendo, tinha ideia de quão errado isso pode ser também, mas, por mais que Marco fosse um homem completamente lindo, queria saber se meu corpo ainda me pertencia, se ele ainda reagiria aos meus comandos, ou se fora totalmente corrompido e quebrado. Quando quebramos aquele beijo, ele ainda mordisca a parte inferior de meus lábios. Abro meus olhos lentamente e quando encontro os dele vejo quão escuros estão, continuamos oofegantes e em silêncio por um longo momento, apenas nos olhando nos olhos! — Por que fez isso? — ele pergunta franzindo suas sobrancelhas — O quê exatamente está fazendo? — Eu... eu só queria que se acalmasse, e parasse de se punir! — digo ainda um pouco ofegante. Marco fica sério de um momento ao outro, ele se ergue do chão ainda comigo apoiada em seu quadril. Quando chega na beirada da cama ele me põe nela, pensei que fosse fazer qualquer outra coisa, mas... ele se afasta e fecha os botões da camiseta branca que veste! — Acredite quando digo, você não iria querer nada disso. Te disse algo mais cedo, e farei exatamente isso! — fico um pouco confusa, conserto aquela camiseta branca que engole meu corpo, ele continua — Você irá reencontrar sua casa, e ficará bem longe de mim. Aquelas palavras me doeram muito mais do que ele pensa, principalmente pelo fato de ter acabado de beijar seus lábios. Ele provavelmente nunca me olharia dessa forma, aliás, eu sou alguém podre, quebrada e usada demais... talvez tenha sido péssimo ter vindo aqui! — Não sei o que pensa nesse exato momento, mas não é nada disso. — respiro fundo, ele segue com sua expressão fria enquanto continua — Acredite em mim, é melhor assim. Você não teria nada de bom de mim! Levanto-me da beirada daquela cama e vou em direção a porta, por mais que tivesse dúvidas e inúmeras palavras que pudesse usar agora, escolhi o silêncio. Escolhi isso ao invés de novamente tentar algo, e correr o risco de me quebrar novamente! — Saíremos em poucos minutos, não vamos esperar mais amanhecer! — Tudo bem, vou me vestir. — digo ainda de costas, alcançando aquela maçaneta e saindo daquele quarto. Novamente me custando a crer, pois ainda esperei que em algum momento ele viria até mim, diria algo além de todas essas farpas que acaba de jogar em minha direção. Mas, obviamente, isso não aconteceu. E provavelmente... nunca acontecerá!
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