MARCO
Algumas horas depois
O carro segue calmamente pelas ruas de Santa Catarina, estávamos nos aproximando da mansão recentemente comprada na cidade, era um local seguro e em bairro pouco movimentado.
A viagem até aqui não demorou muito, logo o avião estava nos aguardando e sem dizer uma palavra um ao outro, subimos, viajamos, e agora estamos aqui. Catarina se manteve em silêncio por todo trajeto, mantendo seu olhar distante do meu e apenas segurava em suas mãos um tipo de colar estranho, um dourado e que tinha um pingente em formato de cruz.
O seu silêncio pela primeira vez me incomoda, mas talvez tenha sido resultado de tudo que aconteceu lá em São Paulo, talvez ela esteja enfim percebendo que suas ideias e ações não sejam as corretas.
Lembrar que em um momento em que me senti jogado ao passado ela se aproximou tanto, ao ponto até de me beijar... aquilo foi um erro terrível!
Me enxergar como um herói, um salvador já seria. Um homem pelo qual deveria se aproximar dessa forma, seria o pior de todos os erros que poderia ousar em cometer!
Assim que o carro para em frente a imensa mansão os seguranças descem e abrem nossas portas, Catarina desce e enquanto ainda dou a volta no veículo ela apenas caminha em direção da entrada sem falar nada, sem olhar para trás, ou nem mesmo vir com suas palavras desafiadoras. Não posso dizer que isso não me incomoda, certamente me vejo irritado por ela não estar falando comigo, por nem mesmo receber seus olhares.
Começo a subir os degraus bem atrás dela, respiro fundo e quando estava prestes a segurar seu antebraço, uma voz me interrompe:
— Sr. Hernandes? — fecho meus olhos rapidamente, quando os abro uma empregada da casa já está recebendo ela.
Respiro fundo e me viro, vendo um de meus seguranças com uma pasta em sua mão.
— Sim? — ele engole em seco.
— Isso foi enviado para o senhor, recebemos agora pouco algumas informações dos sérvios... — estreito meu olhar no mesmo instante.
— E?
— Melhor o senhor mesmo olhar isso! — ele me entrega o envelope, o abro e logo no início vejo um nome:
"Vicent - Informações"
Nem tiro o papel de dentro, apenas o aperto com força. Respiro fundo e faço um sinal com a cabeça para me seguirem, eles logo começam a me acompanhar.
Entramos na casa, mas seguimos diretamente para o meu escritório no local. Enquanto seguíamos pelo corredor ergo meu olhar para o andar de cima, vendo-a rapidamente me olhando.
Ela estava séria, seu olhar e sua expressão era indecifrável. Não tinha ideia do que passara em sua mente, só tinha certeza de uma coisa, ela estava brava comigo.
Lhe dei motivos para isso, disse coisas que não deveria, magoei ela nas palavras e provavelmente nas atitudes também. Mas, ela já passou por tanta coisa, a sua aproximação, seu beijo, sua persistência em encontrar algo de bom em mim, tudo isso é uma perda de tempo!
— Venha senhorita, tem roupas novas no seu quarto... — ainda ouvi a mulher sussurra enquanto a guiava pelo lugar, Catarina solta o corre mão da escada e por fim... desvia o olhar de mim!
Respiro fundo e sigo pelo corredor de baixo, juntamente dos chefes de minha segurança os qual tenho certeza que tem muito para me contar, principalmente sobre esse maldito envelope em minhas mãos.
Um deles abre a porta e entro imediatamente, me sento na grande poltrona atrás da mesa enquanto eles tomam seus lugares.
— Vamos começar, quero toda informação que tiverem desse filho da p**a do Vicent. — digo friamente, eles se entreolham, mas logo começam.
CATARINA
Entro lentamente na banheira que aquela mulher preparara para mim, o seu nome era Sara, ela era baixinha e aparentava ter uns 40 anos. Ela me lembrava um dos seguranças o qual vi acompanhando Marco, talvez fosse uma parente dele. Ela é gentil e tentava me animar desde que cheguei aqui, me mostrando algumas roupas, sapatos e joias que Marco havia solicitado que fosse preparado para mim, isso sem contar no quarto imenso e luxuoso o qual ela preparou também.
Mas, isso não funcionou muito. Agradeci e mostrei gratidão por todo trabalho que ela teve, mas não me sentia bem, não de verdade.
Era como se sentisse que algo estava errado, sentia que algo poderia acontecer a todo instante.
Isso sem contar no tratamento que mudou muito entre mim e Marco, nossos diálogos um com o outro fora reduzido a zero.
Parecíamos dois estranhos novamente, dois com as suas mentes gritantes depois daquele maldito beijo.
Ele com toda certeza não gostou daquilo, embora no ato tenha correspondido completamente, eu, por outro lado... me sentia ainda mais confusa e perdida!
Talvez ele esteja completamente certo do que me disse antes, talvez isso não seja apenas o destino novamente pregando uma peça em mim. Talvez ele apenas me ajude a reencontrar meu lar, mesmo que isso signifique morrer. Ao menos eu morreria aos braços de alguém que sente algo por mim, que queira e mereça me reencontrar!
Será mesmo que Deus me colocaria no caminho dele apenas de passagem? Apenas para receber sua ajuda, e após isso seguiremos caminhos diferentes?
O que estou pensando? É claro que é isso, ele demonstra bem que nunca poderei me aproximar dele! Marco é arrogante, frio, e justamente não sabe demonstrar nada!
Mas... e se ele for dessa forma por um motivo? E se tudo isso tiver uma explicação?
— Me mostre senhor, mostre-me o que devo fazer... — sussurro enquanto seguro o terço de meu pai, a espuma da banheira cobre o meu corpo, e a água quente é perfeitamente confortante.
Fecho meus olhos por um instante, enquanto continuo em minha oração mentalmente.
— Trouxe a roupa de banho, e também uns hidratantes... — me assusto ao vê aquela mulher entrando no banheiro sem aviso.
— AH! — grito e logo afundo naquela banheira, eu tinha medo que ela visse aquilo... tinha medo que ela enxergasse aquelas marcas em mim!
Enquanto estou submersa vejo pela água ela se aproximar e me olhar de cima, o ar começa lentamente a se esvair, e sei muito bem que teria que subir para respirar.
Mas, não foi preciso... ela colocou sua mão dentro d'água e me puxou para cima.
— COF... COF... — tossi enquanto ela começa a recuar os passos.
— Sabe, geralmente as pessoas entram na banheira para se banhar, não se afogar! — diz com um sorriso de canto, passo a mão em meu rosto e tento esticar o meu braço para alcançar aquela toalha que estava um pouco próxima.
— Eu... apenas me assustei... não sabia que entraria dessa forma... — minha voz sai ofegante, e a tentativa de pegar a toalha não funcionava, já que para isso eu teria que sair da pouca espuma que era a única coisa capaz de esconder aquilo.
— Eu... só me assustei! — digo afundando novamente, deixando que a água cubra o meu corpo até o pescoço, mas Sara pareceu desconfiada, estreitando seus olhos para mim.
— Sabe Catarina... — ela coloca os itens que tinha em mãos em cima da bancada no banheiro, em seguida pega aquela toalha e se aproxima um pouco novamente — Todos nós às vezes podemos carregar coisas que não queremos que outras pessoas enxerguem... — ela faz uma pausa, ajoelhando na beira da banheira.
Logo ela coloca a toalha sobre ela, em seguida ergue as mangas da blusa longa, revelando algo que me fez arregalar os olhos no mesmo instante.
Haviam marcas de cortes no seu antebraço, eram marcas profundas e algumas delas pareciam até mesmo formar uma palavra: inferno!
— Você não concorda? — ela conclui, pisco algumas vezes e logo volto a olhar em seus olhos.
— Sim dona Sara, eu concordo! — ela assente, então me oferece a toalha novamente.
Por mais que novamente a hesitação passasse por meu corpo, eu decidi apenas respirar fundo e lentamente me erguer daquela banheira. Coloquei o antebraço tampando os meus s***s, mas tinha ciência de que a parede espelhada atrás de mim, mostraria a minha verdade para ela.
Baixo meu rosto, o meu cabelo em alguns momentos se grudam em meu rosto, mas estava com vergonha. Essa senhora seria a primeira pessoa além de Ana, que via o que carregava, que via aquelas iniciais profundas marcadas em minha pele.
Por um instante a lembrança de como elas foram forjadas em mim me alcançam, meu queixo treme e sentia que uma lágrima cairia. Mas, senti ela tocar meu rosto. Me fazendo olhá-la novamente, naquele segundo ela tinha um sorriso de canto, embora eu percebera seus olhos com lágrimas.
— Você não precisa escondê-las, elas mostram sua força de estar aqui, agora! — sentia meus olhos queimarem — Você é uma guerreira, e essas marcas não são sua fraqueza... são as marcas de luta que você já venceu!
— Obrigada, por me dizer isso... obrigada! — ela sorrir novamente, quando baixo o meu olhar sinto um beijo doce ser depositado no topo de minha cabeça, ao mesmo tempo, eu olhava novamente aquelas marcas no pulso dela.
Pareciam mais que cortes infligidos em si própria, parecia que em algum momento da vida dela, teve que aguentar correntes, ou algemas em volta de seus braços!
— Trouxe alguns itens para você, nós mulheres precisamos de algumas coisas que esses homens nunca acertariam! — ela diz debochadamente enquanto se afasta, pego a toalha e um sorriso de canto se forma em meus lábios.
Saio da banheira e quando alcanço a toalha noto novamente a senhora Sara olhando-me, ela olhava não apenas para meus s***s, também para meu quadril e barriga.
Envolvo meu corpo na toalha e ela desvia o olhar, tirando alguns hidratantes, creme de cabelo, creme de rosto e muito mais.
Começo a me secar, quando termino vou até à roupa que ela havia trazido, visto a peça intima e logo em seguida o restante.
Era um vestido soltinho de mangas, um pouco decotado, mas nada que fosse extremo, sua cor era azul-escuro, e em alguns detalhes ele brilhava.
— Como a senhora sabia que eu escondia algo? — digo e ela se aproxima com o pente de cabelo, parando atrás de mim.
— Eu sou mãe, e sei que as jovens gostam de mostrar os seus corpos. Achei diferente alguém tão linda como você querer exatamente o contrário! — ela começa a passar o pente em meu cabelo, juntamente a um creme bem cheiroso.
— Eu, não me sinto confortável quando elas ficam visíveis... — pelo reflexo do espelho a minha frente vejo o olhar curioso dela, respiro fundo e continuo — O seu filho trabalha para o Marco?
— Sim, ele é um dos seguranças dele! — ela não hesita, fico feliz de desviar o assunto de mim — Meu filho é um homem bom, mas vive para o trabalho...
— A senhora o acompanha, isso é bom. Não é? — no mesmo segundo ela me olha pelo reflexo, sua mão para de pentear meus cabelos.
— Ele não permite que esteja o acompanhando, sempre me alerta sobre ser muito perigoso! — engulo em seco no mesmo instante, me lembrando de quanto Marco me alerta sobre o perigo a sua volta.
— Então, como a senhora está aqui agora?
— Ah, ele me disse que dessa vez o seu chefe tinha alguém que provavelmente precisaria de uma companhia! — dou um sorriso de canto, a voz dela é doce e gentil, assim como seus olhos, era impossível não pensar em minha mãe quando a olhava, aquele sotaque já estava acostumado aos meus ouvidos, tenho certeza que aos poucos estou retomando minha língua!
— Me lembre de agradecer a ele por isso! — ela sorrir ainda mais.
— Ah não agradeça ainda, costumo ser muito mandona... não reparou? — ela aponta para a porta, mencionando aquela invasão de agora a pouco.
— De qualquer forma, obrigada por me ouvir e por suas palavras senhora Sara! — ela sorrir, terminando de arrumar meu cabelo e quando termina diz:
— Me chame apenas de Sara, gosto de soar mais jovem! — ela rir, não pude evitar o sorriso também.
— Eu... — hesito, ela me olha atenta — Eu gostaria que não contasse sobre...
— Não se preocupe, eu nunca contaria sobre nossas marcas de força! — me interrompe, no mesmo instante um alivio corre por mim.
— Obrigada! — ela pisca um olho, logo se afasta de mim e caminha até a porta.
— Vou servir o jantar, te vejo logo! — concordo com a cabeça, ela sai e respiro fundo.
Novamente me olho naquele espelho por um instante, minha aparência melhorava a cada dia, e mesmo que ainda não esteja conseguindo me alimentar muito, meu corpo já havia reagido!
Um brilho chama minha atenção no espelho perto da banheira, vou até ele e pego o terço de meu pai que havia ficado bem na beirada, o coloco em volta de meu pescoço enquanto começo a sair do local.
Não sabia se Marco iria se juntar a mim para jantar, era difícil vê-lo comendo algo, bebendo sempre via, assim como com seu cigarro. Mas, comendo era algo mais raro, embora seu corpo e físico ainda se mantenha estremamente firme e perfeito!
Sento-me a mesa, o jantar estava sobre ela. Um imenso jantar na verdade!
Tentei convencer Sara e os outros a se juntarem a mim, mas todos negaram rapidamente, diziam que não seria certo, e que se eu precisasse devia chamá-los, logo antes de saírem rapidamente pelo corredor.
A mansão era imensa, e tinha certeza que se não tivesse cuidado poderia me perder neste lugar. Marco ainda não apareceu, a última vez que o vi foi quando chegamos, ele seguia com os seus seguranças para outra direção enquanto Sara me acompanhou ao quarto. Após isso, nada!
Não sabia se isso me tranquilizava, na verdade não sentia isso. Apesar de tudo, eu queria poder conversar com ele, mesmo com toda sua frieza, com sua arrogância... aquela máscara que ele mantém sobre seu rosto!
As coisas entre nós estão cada vez mais distantes, aquele beijo se mostrava cada vez mais errado toda vez que voltava a pensar nisso!
Começo a servir um pouco da comida em meu prato, não demora muito para que tudo fosse sumindo aos poucos, a explosão de sabores era o que eu precisava para que meu apetite voltasse com tudo. Cada vez mais que comia algo da mesa, a fome parecia se acender ainda mais!
Sirvo um pouco também do suco que estava em uma jarra, mesmo tendo vinho, depois daquela noite do evento percebi que bebida alcóolica não é o meu forte, literalmente não!
— Que bom que seu apetite voltou! — estremeço ao ouvir aquela voz, viro meu rosto um pouco e o vejo parado encostado em uma parede com um copo de bebida em mão, me fitando atentamente.
Desvio meu olhar enquanto pego um guardanapo, limpo meus lábios e logo respondo:
— Está tudo maravilhoso, deveria experimentar! — não o olho, mas tinha certeza que o tom que disse essas palavras saiu mais raivoso do que deveria.
— Talvez em outro momento. — sua voz estava mais próxima, mas me controlo para não olhá-lo.
— Queria te dizer uma coisa.
— Sim? — ouço o som da cadeira ao meu lado ser puxada, coloco uma mecha de cabelo atrás de minha orelha e pelo canto do olho o vejo se sentando.
— Contatei algumas pessoas para procurar sua mãe, em alguns dias no máximo teremos o endereço! — não resisti, virei meu rosto para olhar no fundo de seus olhos.
— Verdade?
— Sim, mas deve saber de outra coisa também... — assenti rapidamente, ele desce o olhar para meus lábios por um instante — Tenho contatos que me notificam sobre movimentações suspeitas de meus inimigos, embora sejam muitos... eles sempre me alertam antes!
— Entendi. — ele coloca o copo que tinha em mãos sob a mesa, sem desviar o olhar.
— Essa tarde, Vicent saiu da Albânia. — a respiração se prende em minha garganta, tive que respirar fundo para não vomitar de nervosismo — Ainda não descobri onde pretende pousar...
— Deus... ele me encontrou? — gaguejo, sentindo o pânico começar a se espalhar por mim.
— Ei. — o tom dele é suave, diferente de muitos momentos, ele não estava sendo grosso ou frio.
Confirmo isso quando ele tira uma mecha de meu rosto, mesmo que sua mão hesitasse em alguns momentos.
— Ele não chegará perto de você, e se pousar em qualquer canto desse país, eu vou saber! — aquelas palavras não me tranquilizaram muito, principalmente por conhecer aquele demônio de perto, conhecer sua capacidade de destruir tudo.
— Eu... eu estou com medo, mas confio no que diz! — a mão que tocava o meu rosto se afasta — Eu confio em você Marco! — a expressão suave foge do seu rosto, dando espaço para aquela... fria, e séria que matém consigo!
— Terei que resolver um pequeno problema, mas não demorarei...
— Você vai sair? —? o interrompo com o pânico correndo novamente em mim.
— Catarina, ninguém que aponte uma arma para você, te ameasse ou ponha sua vida em risco viverá! — apesar daquelas palavras serem frias, ele não demontrava mentiras em seus olhos, ele estava falando de algo que minha mente logo começou a assimilar.
— Está falando daquele homem do evento?
— Sim, também. — ele pega o seu copo e vira o líquido de uma única vez — Tenho que resolver esse problema, ou ele pode crescer de uma forma pior!
— Marco... — sem hesitar seguro a palma da sua outra mão, ele segue o movimento com os olhos — Você pode se machucar, pode ser perigoso, aquele homem pareceu carregar um ódio imenso em si.
— Também carrego isso, mas você parece não notar. — diz olhando para nossas mãos juntas, e novamente eu tinha noção de que ele estava sendo frio e rude.
— Não pode resolver isso de outra forma? — aperto sua mão.
— Não. — ele se afasta do meu toque, mentiria se disesse que aquilo não doeu, mas... a mão dele vêm em minha nuca, e não estava preparada para o que ele faria:
Seus lábios se chocam na minha testa, em um beijo demorado no local. Enrijeci por um momento, mas foi apenas por que não esperava esse gesto, na verdade quando o assunto se trata dele, não sei mais o que esperar.
Talvez essa mudança de personalidade, humor, e ações, sejam o motivo de todas as brigas, discussões, que em pouco tempo já tivemos!
— Descanse, quando acordar amanhã estarei aqui. — ele se afasta, ainda sentia o gesto dos seus lábios em mim, embora já tivesse acabado aquilo.
— Você... promete? — ele se levanta da cadeira, pude vê as armas em um tipo de cinto em sua cintura.
— Sim! — sem mais ele se vira e some pelo corredor, fico olhando aquela cena ainda com minhas sosbrancelhas franzidas.
Era difícil dizer o que se passava em minha mente, ainda mais que ele é totalmente difícil de se entender, de decifrar, mas o pior de tudo era algo em meu peito. Algo que gostara daquilo, das palavras que ele me diz, dos poucos gestos gentis que vinham dele!
Ao mesmo momento em que sentia raiva por tanto que já havia acontecido, sentia que algo começara a se alimentar disso... da presença e sentimento de proteção que ele me passava!