Capítulo 30

3863 Palavras
MARCO "Você promete?" O carro se afasta lentamente da mansão, pude jurar que por uma das janelas a vi me olhando, parada lá com seus longos cabelos negros e um olhar triste enquanto eu me afasto. Sem contar aquelas palavras que rodam minha mente, aquelas que ela mesmo com o seu olhar um tanto raivoso pedia que jurasse que voltaria. Que não a deixaria, ou permitiria que a morte chegasse, não agora! Aquele olhar como se minha vida não fosse apenas carregar um fardo em minha mente, em minha alma e meu corpo, como se agora ela realmente precisasse e confiasse em mim! Por mais que a menção dessa palavra me enfureça, que qualquer palavra que mencione a bondade me enfureça... tento me controlar, ao menos tô tentando como nunca fiz antes! Sou um homem r**m, alguém que já fora estragado o suficiente. Mas, aquela mulher com uma alma de menina tentava e de alguma forma enxergava mais que isso, de alguma forma ela queria estar ao meu lado, queria ser protegida. E assim farei, ela reencontrará sua casa. Nem que para isso alguns morram no processo, que uma guerra seja travada! — Senhor Hernandes? — meu motorista diz, afasto meu pensamento e desvio o olhar de minha mão, qual ainda sentia a dela sob a minha. — Sim? — Havia um carro estacionado próximo da mansão, os seguranças ao redor o encontraram! — pela primeira vez senti o que pareceu mais perto de medo passar por mim. — Volta agora mesmo! — Não será preciso, encontraram o homem... estão trazendo ele no carro de trás! — viro meu pescoço e confirmo vários carros em nossas direções, um deles era diferente não pertencia aos meus, tive certeza que era o que encontraram. — Vamos para um dos galpões de armamento, quero saber quem é esse filho da p**a. — digo friamente, a raiva novamente parece me consumir. Mas, não fora algo que poderia evitar. Não com a ideia de alguém estar tentando se aproximar dela, de fazer isso para poder feri-la! A luva de couro em minhas mãos pingam com o sangue espalhado nela, olho atentamente para os meus seguranças que usam um longo bastão de ferro para acertar o rosto daquele homem suspenso, amarrado pelas mãos e gemendo de dor a minha frente. Ele foi capturado e apesar de gostar de vê-lo sangrar, preciso das informações de quem o enviou. Não posso perder tempo, além disso, ainda preciso resolver o problema daquele bastardo que ousou erguer uma arma na minha direção... Heitor! — Por mais que esteja resistindo, isso não vai adiantar de nada. — digo novamente me aproximando dele, meus seguranças se afastam — Eu quero respostas, e você vai me dar fui claro? Seguro firme no cabelo dele, que já estava completamente desfigurado e sangrando. — Eu... não falarei nada! — rosna, sem esperar mais tomo um grande impulso e o acerto no estômago. — AH! COF... COF... — grita, encolhendo suas pernas e logo em seguida cospe um pouco de sangue. — Chefe... — meu segurança se aproxima, ele tem algo em mãos — Estava dentro do carro dele! Ele me oferece e pego aqueles papeis, só para confirma que não eram isso, e sim fotografias. Haviam várias fotos, mas o que chama minha atenção era quem estava nelas... Catarina! Meu sentido se alerta no mesmo instante, olho cada uma delas vendo que as imagens seguiam desde quando ela estava prestes a se lançar daquela janela, ainda na mansão de Dante! Não podia acreditar no que meus olhos viam, aquele homem havia fotografado e registrado inúmeras imagens de Catarina. Em algumas delas eu estava ao seu lado, abrindo a porta, na chegada do evento, e pior... na escada da casa onde estamos agora! — Que p***a é essa? — grito lançando as fotos ao chão e voltando a olhar aquele desgraçado — Quem te enviou? — Achamos o equipamento fotográfico também, assim como armas e uma quantia de dinheiro! — meu segurança afirma, sem esperar mais tiro a arma do meu coldre e miro na testa do homem, ele não demonstra nada, demonstrando que foi bem treinado para suportar tortura ao limite. — Quem te enviou? Para quem mostraria essas fotos? — ele sorrir friamente, engatilho a arma e seguro firme no gatilho, prestes a estourar o crânio desse filho da p**a. — Pensa que ele não sabe que ela voltaria pro Brasil? — ele fala em albanês — Acredita mesmo que ele não encontraria o seu paradeiro? Respiro fundo, ele não tinha sotaque quando usou a língua portuguesa, mas definitivamente era um contato de Vicent. — Você estava seguindo ela... — ele assentiu. — Ele está furioso sem ela, não deve demorar até que chegue aqui... — ele rir friamente, quase apertei o gatilho daquela arma, mas precisava de mais. — Vou matá-lo, e evito que ele tenha a sua localização. Não chegará até ela! — ele rir, lançando a cabeça para trás. — Ele já sabe... — rebate — Você errou em se envolver nisso Marco Hernandes! Aquelas palavras dele bastavam-me, além do mais, sei depois de tudo que Catarina me contou que Vicent não ficaria em silêncio, que tentaria reivindicar o que achava ser dele. PO O som do disparo ecoa no local, o disparo fora na cabeça dele, seus olhos sem vida ficaram abertos e em minha direção. A raiva que corria em mim naquele exato instante não poderia ser contada, ele sabe que ela está aqui, provavelmente pode até saber que está comigo. Essas fotos podem ter sido enviadas para aquele desgraçado, e ele pode saber que ela está ao meu lado. O que com toda certeza irá aumentar a sua raiva, pelo acordo quebrado há alguns anos, e por ter ao meu lado a garota em que teve tanto prazer em quebrar. Mas, ainda temos tempo. Vicent sabe de meu poder, sabe do que sou capaz! Tanto que poderia ter decretado uma guerra contra mim antes, mas ele escolheu a opção certa. Sabe que eu não recuaria, e que ele teria muito mais a perder do que eu! Mesmo assim precisamos nos manter em alerta, pelo que Catarina me contou antes, Vicent não media esforços em suas barbaridades, ele pode ser capaz de muito mais para voltar a tê-la. — Mas eu não vou permitir isso, nunca mais! — digo com meus dentes trincados. — Senhor? — meus seguranças me olham atentos, curiosos e aguardando minha próxima ordem. — Vamos até o encontro dos militares, vamos matar aquele filho da p**a do Heitor. — faço uma pausa, descartando as luvas e eles concordam com a cabeça. — Quero que comuniquem aos outros guardas da mansão, das estradas principais e nossos outros contatos nesse país. Quero todos cientes e atentos a qualquer movimentação suspeita! — Sim chefe! — eles respondem. Dirijo-me até a saída, onde nossos carros já aguardavam. Entro em um deles e seguro firme aquela arma, imaginando por um instante o que aquele albanês desgraçado fez com ela, me alimentando disso para ter raiva suficiente. Raiva para quando me encontrar com meus inimigos, e mais ainda para quando me encontrar com ele... Vicent! CATARINA Olho pela janela do quarto, o vento gelado que entra por ela não me impede de ficar em pé aqui, olhando para o grande portão da mansão. Os seguranças andam de um lado ao outro em suas rondas, suas armas são imensas, e mesmo que eu devesse sentir medo de tudo isso, me sentia exatamente o contrário. Não me lembrava como era me sentir tão segura como estava agora, talvez fosse um erro pensar dessa forma. Mas é exatamente assim que via as coisas! Por mais que Marco se negasse, eu sabia que ele não me faria m*l, e sentia que ao seu lado estava mais segura do que se estivesse contando apenas comigo mesma! Eu posso enxergar a sua escuridão, mas isso não me afastará. Sei que no fundo ainda deve ter uma luz em sua alma, talvez ele apenas não enxergue isso! Coloco uma mecha de cabelo atrás de minha orelha enquanto respiro fundo, já era pouco mais de 2:00 da manhã. Eu não conseguia nem sequer me mover, apenas continuava olhando por essa grande janela, eu estava esperando pelo seu retorno. Esperando que ele e os seus carros passassem por aquele portão! Ele me prometeu que voltaria, que eu estava segura mesmo com sua partida. Mas, isso não foi o suficiente para aquietar minha mente, eu sabia que ele foi resolver algo perigoso, provavelmente tudo que faça envolve isso. Entretanto, minha mente estava em alerta, parece que algo não estava certo, algo que não sei explicar o que é! Seguro o meu antebraço fortemente, ansiosa e totalmente nervosa com toda essa situação, e ainda mais com a chuva de pensamentos que caíam sobre mim. — Apenas volte Marco... — sussurro a mim mesma, em seguida me sento na poltrona perto da janela, abraçando os meus joelhos enquanto continuo olhando para aqueles portões. Eu não deveria me sentir dessa forma, tinha total ciência sobre isso. Mas, a ideia de que algo pudesse acontecer, algo que novamente me deixasse totalmente sozinha e sem saber como continuar, me causava arrepios. Respiro fundo e lentamente fecho meus olhos, começo uma oração silenciosa para que Deus o guie, para que não deixe nada de r**m acontecer com ele. Embora Marco em diversos momentos fora arrogante, bruto e frio comigo, eu carrego a esperança de que ainda não seja o fim para ele. Sei que isso é seu mecanismo de defesa, o qual quer afastar tudo e todos, mas posso ajudá-lo sei disso! Sei que ele deve ter suas próprias marcas, e em algum momento pretendo descobrir isso. Descobrir o que o transformou em quem é hoje, o que lhe foi infligido, e assim poder ajudá-lo a recuperar algo que foi quebrado... seu coração! Sei que ainda tem um, e mesmo que eu não seja a pessoa completamente certa para essa tarefa, ajudarei a se encontrar. É o mínimo que poderia fazer após tudo! ──────❁────── — Devia se afastar de mim... — abro meus olhos lentamente, meu corpo ainda estava encolhido naquela poltrona, e tenho certeza que cochilei em algum momento. Por um instante achei ter escutado algo, e pude confirmar esse pensamento quando levo meu olhar para a porta do quarto, vendo alguém me olhando na escuridão dela. Eu sabia quem era, sabia que ele estava ali, mas por instante hesitei. Principalmente quando tudo que enxerguei era o que ele mais usara para me afastar, ele maneja aquela escuridão, e pela primeira vez desde que estive ao seu lado, me fez estremecer de medo! — Você... — gaguejo — Você voltou! — ele fica em silêncio, seus olhos brilhavam em meio aquela escuridão. — Sim. — ele começa a dar alguns passos, respiro fundo enquanto tento manter a calma. — Por que está me olhando assim? — sussurro, mas tenho certeza que ele ouviu — Marco? — Catarina, estamos enfrentando algo muito maior do que imagina. — diz friamente equanto para bem próximo, fico olhando para ele. Sua camiseta social estava com as mangas encolhidas até acima do cotovelo, e pude jurar que vi gotas de sangue espalhada nela. As tatuagens dele também ficam visíveis para mim, e o líquido manchado sobre sua pele confirma meu pensamento, ele estava com sangue espalhado por seu corpo. Só não tive certeza se era seu, ou de outra pessoa. Acredito que seja a segunda opção! — Estamos? O que aconteceu? — ele me olha friamente, e seu olhar é totalmente diferente do qual vi quando se despediu de mim mais cedo. — Marco? — Me diga Catarina, está disposta a ficar ao lado de um monstro para fugir de outro? — franzi minhas sobrancelhas, me levanto da poltrona lentamente e fico bem a sua frente. — Por que está dizendo essas coisas? — Porque é a verdade, mas preciso saber se realmente está disposta a isso! — respiro fundo, sabia que novamente eu falava com aquele lado sombrio dele, um qual não tem receio em me magoar. — Marco, estamos juntos nisso. Eu não queria te envolver, mas não posso negar que preciso de sua ajuda! — ele dá outro passo, ficando ainda mais perto, o suficiente para que seu hálito banhasse minha face. — Pessoas querem me matar, o albanês não é o único problema aqui. — E qual seria mais? — pude jurar que sua mão se ergueu, mas ele a abaixou novamente como se hesitasse. — Aumentei as buscas por sua mãe, mas talvez esse não seja o momento certo para reencontrá-la! — engulo em seco o olhando no fundo dos olhos — Isso pode ser mais arriscado, e a colocaria em riscos. — Não quero isso! — respondo rapidamente — Não quero que ela corra riscos por minha culpa, o que devemos fazer? — ele ergue uma sobrancelha, embora seu olhar permaneça frio. — Enfretarei tudo, matarei todos eles. — engulo em seco — Só assim você poderá ser livre! — Mas... você pode... — murmuro baixo. — Eles também! — completa, provavelmente imaginando o que eu diria — A intenção é me certificar que eles morram, se me custaria a droga de vida que levo... que m*l teria nisso? — Não diga isso, por favor! — respiro fundo, e mesmo que meus instintos me alertassem para não fazer o que eu pensava, não me contive. O abraço fortemente no mesmo instante, sinto seu corpo enrijecer assim que faço, mas não me importo. Apenas afundo meu rosto em seu peito enquanto o abraço ainda mais forte, ele não devolve aquilo, mas não esperava que o fizesse. — Não quero que corra riscos por mim Marco... — murmuro com meus lábios pressionados na sua roupa — Não quero que se machuque! — Por isso estava dormindo ali? Por que tinha medo que eu me machucasse hoje? — sua voz parece mais suave, embora seu corpo ainda continue rígido em meus braços. — Eu... — ergo minha cabeça, enfim encontrando os seus olhos negros — Eu tinha medo que você não voltasse, que fosse morto! — o vejo engolindo em seco, seu olhar frio parece se estreitar por um instante. — Tive medo por você... — sussurro por fim, e enfim sinto um de seus braços passar por meu ombro enquanto ele ainda me olha. — Eu te prometi que voltaria. — concordo com a cabeça. — Mas, eu sabia que faria algo perigoso... — Eu sempre faço isso Catarina, como agora mesmo. — fico um tanto confusa, ainda mais quando a outra mão dele se ergue e toca meu rosto. Ele me beijaria? É isso? E se sim, por que apenas não recuo? Por que minha mente projeta esses pensamentos, e eu apenas fico aguardando para vê? — Você fez o que foi fazer? — o polegar dele continua circulando minha bochecha, seus olhos vão e vêm por todo meu rosto, assim como sua respiração quente o aquece. — Resolvi outra coisa, mas não precisa se preocupar com isso. — passo a língua sob meus lábios, ele segue o movimento com seu olhar. — Isso seria completamente errado... — sussurra. — Isso o quê? — eu esperava uma resposta, mas apenas obtive seu silêncio, seu olhar estava em minha boca, e eu sabia que não falávamos mais de outra coisa. — Deveria ficar longe, mesmo que eu te garanta que nada possa te alcançar. Não é uma garantia, não sobre mim! — Eu... — ergo minha mão, e com cautela coloco-a sob seu rosto — Eu não quero me afastar Marco, conheço a maldade na pele. E quando olho para você, eu não sinto isso! — Então, o que você sente? — os seus olhos voltam aos meus, por mais que estivessem um tanto sombrios, eu não hesito. — Me sinto segura, e não vou te deixar sozinho! — ele fecha os olhos, seu maxilar se tranca por um instante e eu já imaginava inúmeras palavras que ele poderia usar para me responder, palavras que provavelmente iriam me magoar. Mas, aconteceu completamente o contrário. Marco abaixa um pouco sua cabeça, pressionando sua testa a minha, quando seus olhos se abrem e se encontram aos meus vejo uma grande confusão passar neles, suas sobrancelhas se franzem por um instante, entretanto não houve tempo para mais nada. Senti seus lábios se pressionarem aos meus, fecho meus olhos no mesmo instante, seus lábios carnudos caíam como uma cobertura perfeita aos meus. Minha mão vai até sua nuca, e quando a sua alcança a minha abro minha boca o convidando ainda mais. Senti sua língua quente passar por ela e vir de encontro a minha, elas se chocam uma a outra perfeitamente, e quando nossos gostos se espalham pude jurar que um gemido escapou de seus lábios. Era um beijo completamente lento, sua língua se misturava lentamente a minha. Cada volta e sugada dada era mais profunda que a anterior, enquanto uma de suas mãos segura e puxa um pouco o cabelo de minha nuca a outra aperta a minha cintura. Eu sei que deveria recuar, deveria impedir aquilo de estar novamente acontecendo, mas eu não queria isso. Não queria que aquele beijo acabasse, não um beijo que eu realmente queria como este. Era totalmente diferente fazer isso por querer, por sentir meu corpo simplesmente seder dessa forma, e por mais que novamente a razão estivesse gritando em meu ouvido, eu apenas queria sentir isso! — Não... — ele sussurra entre o beijo, parecia estar em guerra consigo mesmo. Entretanto, aquele momento de protesto não durou, logo ele continou enfiando sua língua em minha boca, se saboriando de mim enquanto eu fazia o mesmo dele. Meus lábios começavam a doer, sentia até mesmo um gosto metálico de sangue. Minha boca precisava de um tempo, mas eu não queria isso. Eu me sentia fazendo isso pela primeira vez, e simplesmente não queria parar! Mas, Marco começa a afastar seu rosto, embora seus lábios vão indo lentamente para longe, eu ainda tentava o impedir. Segurando ainda mais forte em sua nuca, ficando até mesmo na ponta de meus pés também. Só que de nada adiantou, ele realmente deixara minha boca e sua mão agora apenas segura meu pulso, retirando minha mão de sua nuca. — Pare. — abro meus olhos, ele já me olhava e estava completamente sério — Isso... não deve acontecer! — Mas... — Apenas temos que parar! — respiro fundo, ele solta o meu pulso mas não deixo que se afaste, continuo mantendo minha outra mão em volta do seu corpo. — Eu fiz isso errado, é isso? — ele fecha os olhos parecendo respirar fundo, quando os abre diz: — Não, mas eu não sou um homem que deve querer dessa forma. — respiro fundo novamente — Eu te disse que te manteria segura, te ajudaria... — Então? — Não é assim que estaria fazendo, só pioraria tudo para você dessa forma! — ele desvia os olhos por um instante. — Eu nunca quis fazer isso... — ele volta a me olhar — Beijar! Não antes, e só fiz agora porque eu realmente quis... — Você não fez, fui eu. Mas, vou me controlar nisso! — ele me interrompe. — E se eu dissesse que queria novamente? O quê você me diria? — a pergunta parece pegá-lo de surpresa, enfim outra rara emoção parece passar em seu olhar frio. — Eu direi não! — tiro meu braço, me afastando um pouco lentamente. — Tudo bem. Ele passa por mim, indo até a janela e parando bem em frente dela. Olhando para fora em silêncio, se mantendo de costas para mim. Respiro fundo e caminho lentamente até a cama, lentamente me deito nela enquanto aquele silêncio sombrio caía sobre nós. Aquele igual da outra vez que fizemos isto, a única diferença era que ele não havia saído e me ignorado logo após me beijar. Mas, se mantendo naquela janela em silêncio, era quase a mesma coisa! Enquanto cubro um pouco meu corpo observo seu ombro subir e descer pesadamente, ele parecia respirar fundo inúmeras vezes. Eu poderia dizer algo, mas não acho que serviria de nada. Toda vez era a mesma coisa, toda vez que eu sentia me aproximar um passo dele, ao mesmo tempo sentia que ele se afastava dois. Isso era completamente confuso, eu não tinha tempo de raciocinar sobre meus atos e emoções, por que ficava buscando explicações para os dele! — Seja lá o que carrega consigo Marco... — sussurro, ele apenas vira um pouco do seu rosto mas permanece sem me olhar — Deveria ser mais compreensivo sobre você, e não permitir que isso o consuma completamente. Ele apenas fica em silêncio, o olho por mais um longo momento mas sabia que não teria nenhuma resposta dele. Então viro para o lado oposto, dando as costas para ele e por fim completando: — Estou aqui com você, e mesmo que não seja dessa forma... eu confio em você, queria que apenas confiasse em mim também! Concluo fechando meus olhos lentamente, uma lágrima involuntária simplesmente rola pelo canto de minha bochecha, eu não queria liberá-la e não sentia motivos verdadeiros para isso. Mas, ela simplesmente caíu! Antes que eu erguesse uma mão para alcançá-la e enxugá-la sinto um peso sob a cama, embora eu não me virasse para olhar aquilo foi cada vez mais ficando pesado. Até que por fim senti uma mão tocar meu cabelo, o colocando atrás de minha orelha lentamente. Ele havia se deitado ao meu lado? Isso foi pelo que eu te disse, ou apenas era um mero momento? — Pare de usar minha palavra contra mim, preciso me manter longe de você... — não sabia ao certo se realmente havia escutado aquilo ou apenas tinha imaginado, mas seja como for, não me virei para olhá-lo, não me afastei de seu toque em meu cabelo, ou pedi esperei mais. Apenas mantive meus olhos fechados, e mesmo que a curiosidade de saber se ele continuaria aqui, ao meu lado estivesse em minha mente... apenas permiti minha mente de ir lentamente sendo envolvida ao sono. Ele não estava afim de se abrir comigo, nem em diálogo, e muito menos de outra forma. Não sei se um dia consiguirei algo dele, algo como até mesmo respostas de si mesmo. Novamente me via perdida em mil e um pensamentos, suposições, e a única certeza que eu tinha é que nenhuma delas estava completamente certa. Ou errada! Poderia mesmo em meio a todo o inferno que me perseguia, cercava e ameaçava, estar apenas preocupada com isso? Quando foi que tudo mudou? Quando foi que as prioridades apenas mudaram? Meu foco era chegar em segurança ao meu antigo lar, mas já que isso esteja perto e distânte ao mesmo tempo, o que será de mim ao lado de Marco? Alguém que se aproxima e afasta na mesma intensidade, um homem que pode me magoar tão facilmente quanto pode me passar uma enorme segurança em seus braços. Isso é errado, e mesmo que minha mente e ele repetisse isso... algo em mim ainda se negava a aceitar, o que seria?
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