Capítulo 31

2171 Palavras
Catarina  Não sei ao certo em qual momento o sono venceu, apenas sei que fui envolvida por ele. Adormeci profundamente, mas isso não durou muito tempo. Aquelas cenas se repetiam em minha mente, e o que deveria ser algo para me acalmar... se tona mais um dos inúmeros pesadelos que me atormentara. Fui despertando lentamente, mas quando abri meus olhos, ainda estava escuro. Ainda era noite, uma fria e sombria. Uma que além dos pensamentos do meu passado que me perseguem, eu me via sobre uma montanha-russa de sentimentos. Principalmente por uma razão, Marco! Ele faz questão de me causar isso, pois é rude, arrogante, e frio. Mas, ao mesmo tempo... é totalmente intenso, se aproxima e por um mero instante parece demonstrar algo em seu olhar! Se ao menos ele se abrisse mais, se ao menos ele não se fechasse tanto em seu próprio subconsciente... eu poderia enfim entendê-lo. Eu sei que esconde algo, e tenho total certeza que isso é a maior causa de ser quem é hoje! Respiro fundo e me estico um pouco na cama, mas... enrijeço ao sentir algo, na verdade era alguém! Ele estava aqui? Após tudo que me disse, e o que aconteceu ontem ele realmente estava aqui? Em busca das respostas viro meu rosto um pouco, apenas para olhar sob meu ombro. E confirmo algo que minha mente já afirmara, ele estava ao meu lado, seus olhos estavam fechados e sua respiração pesada indica que dorme pesadamente. Viro-me lentamente, com receio de despertá-lo. Mas assim que fico completamente de frente com ele, observo os traços do seu rosto, aquela camisa que vestia não estava em seu corpo. Seus fios loiros caem um pouco sobre o seu rosto, ele é um homem lindo. Mas, essa beleza que ele tem é ocultada quando aquele modo sombrio domina seu rosto, eu já vi... e não é algo que pude dizer que não me assustou! Minha consciência grita para mim, mandando eu me afastar e parar de encontrar a bondade. Entretanto, apenas ergo uma mão e lentamente a aproximo de seu rosto, quando estava prestes a tocá-lo hesito. Mas, logo não me contive mais, e quando finalmente meus dedos tocaram seu belo rosto, senti um arrepio se espalhar por mim! Ele se mexe um pouco, mas não abre os olhos. Mantenho meu olhar seriamente, tentando entender como alguém pode aparentar tanto ódio, como pode transparecer isso e em outro instante passar um sentimento tão puro como... a segurança que sinto! — Eu só queria te entender... — sussurro — Entender o que te tornou assim... No mesmo instante os seus olhos se abrem, ele realmente dormia? Ou apenas estava me observando, mesmo com seus olhos fechados? Isso é possível? Ele mantém aquele olhar indecifrável, mantém seu rosto sem expressão alguma. Minha mão ainda toca o seu rosto, e enquanto o olho no fundo dos olhos continuo: — Você não está sozinho, eu já encarei muito nessa vida e às vezes me sinto totalmente esgotada. Mas, eu sinto que podemos ter algo em comum Marco... — minha voz é baixa, e ele continua olhando em todo meu rosto. — Eu estou aqui, e quero que confie em mim! — seu olhar volta ao meu, como se procurasse a veracidade do que acabo de dizer. Eu não esperei uma resposta dele, e sei que provavelmente ela não viria. Das outras vezes foi assim, mas tinha algo diferente agora, algo estava mudando nele. Porque ao invés de se afastar como sempre fez, ele puxou meu corpo para mais perto, sua perna é colocada sobre a minha, e seu olhar não deixa o meu em nenhum momento. — Você não desistirá nunca, não é? — apesar da pergunta, a sua voz não saíra rude para mim. — Não Marco, não até você poder enxergar o que eu vejo! — a mão dele se ergue, e quando a ponta de seus dedos tocam minha têmpora tirando alguns fios que caíam sob meu rosto. — Já conversamos sobre isso, já te explique que nada de bom é encontrado em um homem como eu! — Marco... — Me escute. — me interrompe, antes mesmo que eu pudesse intervir — Eu já fiz coisas que me condenaram, e nem mesmo isso que carrega com você... essa fé na bondade, conseguiria reverter isso! — mantenho o meu olhar no dele, que estão escuros e brilhantes. — Está aqui, praticamente presa ao meu lado. E não deveria criar essas fantasias em sua mente, pare de buscar o impossível! — Não! — respondo de imediato — Nunca parei de ter isso comigo... — Pois deveria, as vezes buscar um lado bom em tudo é perigoso! — seus dedos contornam o meu queixo, e por sua vez se aproximam dos meus lábios. — Algumas pessoas não carregam mais a bondade em si, e essa é a minha realidade! No mesmo segundo afasto um pouco meu rosto de seu toque, pude vê suas sobrancelhas se franzindo quando me ergui um pouco da cama. Novamente aquela voz pairava em minha cabeça, aquela que me adverte sempre que pretendo tomar uma decisão errada. Mas, apenas fui lentamente ao colo dele. Ficando sentada sobre seu corpo, e o olhando daquele ângulo. Marco não demonstrava nada em seu rosto, entretanto seu olhar estava tão escuro quando aquela noite. Coloco minhas mãos sobre seu peitoral, a camiseta longa dele e um short de dormir é apenas o que cobre o meu corpo, enquanto ele veste apenas aquela bermuda social. Senti meu corpo estremecer, e foi exatamente quando ele colocou uma mão de cada lado da minha cintura que isso aumentou! — Não acredito no que diz Marco... — sussurro — Eu não vejo esse monstro que diz ser! — o olhar dele se estreita um pouco, e pude jurar que senti algo pulsar entre nós. Mas, em um único movimento Marco me vira agilmente, dessa vez ficando sobre mim e mantendo meus pulsos sobre minha cabeça enquanto me fitava no fundo dos olhos. — Não sentir medo de mim não significa inteligência, isso é uma total burrice! — diz com seu rosto a poucos centímetros do meu, seu olhar fita meus lábios. — Eu não sinto medo... ainda não sei o que é isso na verdade... — ele franziu as sobrancelhas, seu olhar volta ao meu. — Isso o quê? — suas mãos ainda mantêm meus punhos sobre minha cabeça, me sentia rendida e presa a ele. — O que eu sinto... por você! — ele fica sem expressão, mas decido não recuar. Até mesmo por que não acredito que isso seja possível, não depois de tais palavras minhas! — Não costumo me aproximar de ninguém, e ninguém em seu juízo normal iria desejar algo desse tipo comigo. — suas mãos apertam um pouco mais forte os meus pulsos — O que realmente está fazendo Catarina? — Eu... — gaguejo, ele aproxima mais seu rosto — Eu achei que não tinha mais controle sobre mim, e quando estou perto de você... só quero que se abra! Quero realmente entendê-lo! — E o que mais? — a voz dele sai como um rosnado, seus lábios roçam levemente os meus. — E... — respiro fundo — E quero que me beije! — ele pisca algumas vezes, e novamente vejo um traço rapidamente de uma expressão. Mas, acatando o que eu lhe pedira, Marco uniu nossos lábios no mesmo segundo. Suas mãos ainda apertam os meus pulsos sobre minha cabeça, enquanto lentamente a sua língua vem de encontro a minha. Assim que acontece pude jurar que ouvi um rosnado, mas mantenho meus olhos fechados enquanto sinto aquela boca sedenta e faminta. Minha cabeça se gira lentamente, se ajustando a cada investida de sua língua na minha, permitindo e se entregando mais a cada movimento em que ele a sugava! — Uhh... — gemi entre aquele beijo, gemi sentindo meus lábios incharem e ficar levemente doloridos. Em um movimento ele nos gira novamente, me deixando sobre seu corpo e soltando meus pulsos na sequência. Suas mãos descansam sobre meu quadril, e a cada volta em nossas línguas fazem juntas ele me aperta ainda mais. Seguro em sua nuca enquanto invisto ainda mais na entrega, lhe dando um maior espaço em minha boca. Marco aproveita isso, sugando, mordiscando, e pressionando mais seu corpo ao meu. — Não devíamos fazer isso... — sussurra em meio ao nosso beijo — Essa aproximação... Sua testa fica pressionada a minha, quando abro um pouco meus olhos percebo que ele não abre os seus. Parecendo tentar dizer essas palavras para si mesmo, como se tentasse si convencer e assim parar! — Eu nunca senti vontade para isso, mas quando me beija... eu só quero mais! — afirmo, e sem esperar mais volto a ligar nossas bocas, Marco rosna enquanto retribui aquele beijo, mas... Suas mãos na minha cintura começa a subir, subindo e levando aquela camiseta que envolve o meu corpo. No mesmo segundo estremeço, e no impulso quebro nosso beijo. Ele abre os olhos, parecendo não entender o que estava acontecendo. Apesar de ter o beijo quebrado, a sua mão volta a subir e leva mais um pouco do tecido. Solto sua nuca e baixo aquele pano, sentia meus olhos queimarem e ficar molhados gradualmente. — Ei. — sussurra, apenas desvio meu olhar enquanto sentia o peso daquelas marcas em mim. — Catarina, fale comigo! — Desculpa... — no mesmo instante que digo ele alcança meu rosto com suas mãos, virando para que eu o olhasse. Aquela distância que eu havia colocado é quebrada, quando ele me puxa e pela primeira vez desde que estive ao seu lado... me envolve em seus braços! Minha cabeça descansa sobre seu peito, e seu queixo se apoia nela. Fechei meus olhos e aquelas lágrimas que beiravam, enfim caíram! — Des... Desculpa... — gaguejo, Marco me aperta com força em seu peito. — Não se desculpe, eu não posso imaginar o que tem em sua cabeça. — meu queixo treme, ele continua — Mas acredito que seja aquele inferno qual passou, e tudo bem... Ele me afasta um pouco do seu corpo, abro meus olhos e miro nos dele. Que estavam escuros e frios, carregando aquela escuridão que tanto o cerca! — Nada mais pode alcançá-la! — Você... — engulo em seco — Você promete? — Nunca mais você será condenada aquilo, e sim... isso é uma promessa! — ele não hesitou em sua resposta, e assim que me deu seus dedos recolheram aquelas lágrimas que caíam. — Eu não sou um homem que deveria te dar esperanças de proteção, mas eu garanto... — o dedo dele ergue mais meu queixo, deixando que eu o olhasse no fundo dos seus olhos enquanto continua: — Nenhum deles, em nenhuma hipótese, em situação alguma, colocará as mãos em você novamente. Terão que passar por mim antes! — selando suas palavras ele alcança minha boca, mas eu senti um beijo diferente ser depositado. Foi um beijo de lábios fechados, um que depois de suas palavras apenas me deram aquela certeza e confiança no que diz. Quando ele afasta sua boca me olha no fundo dos olhos, e por fim diz: — Não vamos pensar em avançar, mas... eu quero provar dos seus lábios novamente! Podemos fazer isso? Ele realmente parecia ter outra personalidade nesse instante, diferente daquele homem que em diversos momentos, e com algumas palavras já havia me magoado. Ele vestia um olhar protetor, tinha gestos protetores, e por fim estava me pedindo permissão para poder me beijar! Eu queria isso, e por mais que tudo que passei me cause esses efeitos, de torturas, de dor, e medo de alguém enxergar o quão meu corpo foi destruído... eu realmente não queria que Marco parasse! — Sim, podemos! — ele assentiu, em seguida pressionou seus lábios no topo de minha cabeça. — Agora descanse, vamos fazer algo juntos amanhã! — diz voltando a se deitar e me levando junto, seus lábios não se separam da minha cabeça, e passo minha perna por cima de sua cintura. Mesmo que senti algo totalmente duro enquanto fiz, apenas sedi ao seu pedido. — Faremos algo? — Sim, mas quero que esteja bem para isso. Descanse! — me aperta ainda mais em seu peito, fecho meus olhos enquanto respiro fundo e sinto aquele aroma madeirado de seu perfume. — Obrigado Marco, por apenas me entender. — sinto as suas mãos se entrelaçando em meus cabelos, e enquanto ele o acaricia continuo: — Obrigado por me dar proteção! Senti seu corpo enrijecer por um instante, mas aquilo se dissipou quando novamente senti seus lábios depositando um beijo no topo de minha cabeça. Em meio a aquele abraço, em meio aquele sentimento de proteção a beira do caos, meu corpo relaxara completamente, e na sequência o sono começava a vencer. Entretanto, pude jurar que após os minutos que ele permaneceu em silêncio, ouvi sua voz sussurrar: — Eu estaria sedendo e perdendo o controle... mas não posso imaginar alguém te ferindo novamente. Essa guerra agora é minha!
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