Capítulo 2

2292 Palavras
Marco Hernandes Albânia - 2016 O navio que estou começa lentamente a se aproximar da costa de Durres, na Albânia. O clima está quente, diferente de onde venho da minha última negociação. Mas estou acostumado com essas mudanças, nunca fui de passar mais que alguns dias em um mesmo lugar, não com tantos torcendo para eu dar apenas um mínimo deslize para por suas mãos em mim. Porém, isso não é tão simples, ou fácil como eles pensam. Desde quando entrei nesse negócio sabia dos riscos, sabia que minha cabeça seria colocada a prêmio. Mas, quando não se têm nada a perder... isso se torna apenas míseros detalhes! Esse país já havia sido traçado por mim, em passagem para uma grande negociação que deverá acontecer hoje. Mas nada aqui me atraí, nem mesmo a alta quantia que aquele filho da p**a pretende me pagar pelos meus armamentos. Aqui é realmente como regressar, principalmente considerando que os albaneses não são confiáveis, e um deles principalmente... Vicent! Ele é o motivo de minha visita, o Don da máfia albanesa e um total cretino. Traficante de mulheres, assassino, estuprador, e sádico total. Ele havia solicitado uma alta quantidade de armas, já que havia perdido sua aliança com os seus contatos da Sérvia. O que automaticamente ele identificou como um contrato de guerra, e os sérvios pela sua vez também me procuraram, com as mesmas intenções. Contudo, se tem uma coisa que aprendi nesse mundo, é que não se escolhe um lado. Aquele que pagar mais leva a maior quantidade de armas, e que eles resolvam seus próprios problemas. De preferência, que se matem! — Estamos chegando Sr. Hernandes! — meu segurança anuncia, um pouco distante. — Ótimo, quero sair desse país de merda ainda hoje! — digo sem olhá-lo, apenas mirando o drink em meu copo. Levanto-me da poltrona em que estava, indo em direção a grande janela da cabine. Olhando que já falta apenas poucos metros para a costa, vendo também o local totalmente fechado. Não correria o risco de vim em horário comercial, e como já havia combinado com Vicent antes, eu daria as cartadas. Ele pode ser o líder de seu povo, de suas crenças e vidas, mas comigo as coisas funcionavam como eu ditava. Não aceitaria um desgraçado qualquer, me dizendo como será ou não o nosso acordo! ━━━━◈✙◈━━━━ Após desembarcarmos nos dirigimos aos veículos e logo seguimos ao local marcado, olho em meu relógio de pulso vendo que chegaremos bem a tempo, e como havia traçado com os meus seguranças, eles estariam atentos a tudo. Qualquer tentativa de uma intervenção, a ordem é para matar... sem hesitar! Acomodo-me no banco do carro olhando para janela, vendo as ruas cinzentas e as pessoas que parecem mais monótonas e robóticas que tudo. Todos escravos de um sistema maior, um sistema que não é provindo de um governo. E sim de um homem c***l, que não hesitaria em matá-los de uma só vez, se assim quisesse! Muitas pessoas pensam que sabem de tudo, que sabem como o mundo funciona e estão protegidos por homens fardados. Mas, nós sabemos muito bem que não é bem assim, todos muitas vezes podem estar ajudando o submundo a crescer, sem nem mesmo perceber. Isso foi o que eu vivi, por isso sei bem que a "inocência" de alguém é algo que homens como eu, adoraria por suas mãos. Apenas para quebrá-la, e mostrar como a vida realmente funciona! Você sempre será uma peça de um jogo maior, cabe apenas escolher sabiamente sua jogada. O carro após um longo percurso de estrada, chega a mansão de Vicent, ou uma delas. Sei que esse lugar é usado para suas negociações, e que aqui ele tem sua "peças raras", como gosta de apelidar o seu jogo de tráfico humano. O veículo para e logo um dos homens abre a porta para mim, desço e olho em volta. Vendo a enorme quantidade de seus capangas espalhados por todo local, a mansão parece aquelas casas rústicas, que são muitas vezes florais, decoradas, e bonitas por fora. Mas, por dentro... esconde muitos segredos e atos, que qualquer um ser humano repudiaria só de pensar! — Marco Hernandes... - Vicent anuncia, passando pela porta principal que fora aberta por seus capangas - Enfim chegou! O olho enquanto acendo um cigarro, meus seguranças me seguem enquanto caminho calmamente mais à frente, me aproximando de onde ele está. — Vicent. - o cumprimento friamente, acenando com a cabeça. — Como foi sua viagem? Espero que tenha sido formidável. — não o respondo, apenas observo sua mão esquerda, qual está com uma faixa suja de sangue enrolada. — Vamos direto ao assunto. — digo e ele ergue uma sobrancelha, dando um sorriso e deixando que um de seus dentes de ouro ficassem visíveis. — Vamos sim, vamos entrar! — ele faz um gesto com as mãos e seus capangas se afastam um pouco, os meus seguranças me acompanham enquanto adentro a mansão, ficando apenas alguns ao lado de fora. Seguimos calmamente pelo corredor extenso do local, logo chegamos a uma grande sala principal onde Vicent toma o seu lugar. Um dos seus capangas fecha as portas, ele aponta para uma poltrona a sua frente e me olha. — Sente-se, temos muito do que tratar. — Não, não temos. O acordo é apenas um, e os armamentos estão sobre as minhas ordens para a entrega. — respondo-o, ele fica em silêncio por um segundo. Até que enfim, estala os seus dedos fazendo que uma garota apareça de outra porta, segurando uma grande bandeja com bebidas e copos nela. Ela caminha com os seus olhos para o chão, enquanto faz percebo o seu medo. Principalmente quando os copos começam a tremer, juntamente com suas mãos. Ela não parecia ter mais de 18 anos, seu corpo magro e seu rosto acanhando indicavam ainda menos que isso. — Aceita uma bebida Marco? - mantenho meu olhar firmemente, e novamente não o respondo - Sabe, quando me disse que queria os $300 mil dólares americanos eu realmente supus que fosse uma brincadeira. Mas me diga Marco, eu encontrei pessoas que teriam as armas por um valor melhor... por que pagaria tanto em algo? Ergo minha sobrancelha e não demonstro nenhum resquício emoção, eu imaginava que esse filho da p**a iria querer jogar comigo. Mas, ele ainda não percebeu que esse caminho comigo não irá ser viável. A jovem garota lhe serve uma grande dose de bebida, e quando ele coloca a mão embaixo do pano de seu vestido ela fecha os olhos com força. — Avisei minhas condições, não me importo com as pessoas que você encontrou com outras ofertas de armas. O meu valor é um, se não aceita tudo isso é uma perda de tempo... — me aproximo um pouco mais da sua mesa, ele segue me olhando nos olhos enquanto sua mão vasculha o corpo da jovem — E tempo Vicent, é dinheiro. Se me chamou aqui para desperdiçar o meu... terá que se preocupar com outros além dos sérvios! Ele para de alisar entre as pernas da garota, me olhando e estreitando os olhos. Até mesmo a jovem parece não entender, pois, olha entre nós dois com um olhar de medo. Vicent coloca as mãos sob a mesa e se levanta lentamente, pelo canto dos olhos vejo seus homens dar um passo em minha direção, mas logo os meus seguranças os intervem. — Tudo bem, aliás... estamos aqui para fechar um negócio! — sussurra, voltando a se sentar e empurrando a garota rudemente, ela rapidamente sai pela porta consertando suas vestes. — Que bom que estamos esclarecidos. — afirmo e ele concorda com a cabeça. — Realmente é um homem direto, gosto disso. E também não arriscaria que os meus inimigos peguem as suas armas, não para usá-las contra nós! — mantenho meu olhar enquanto ele acena com a mão, logo um capanga traz uma maleta e entrega ao meu segurança — Ai está a metade do dinheiro, a outra metade será entregue quando as armas chegarem! Fecho minhas mãos em punhos, esse velho desgraçado deve pensar que sou um dos idiotas qual faz seus negócios sujos. Trinco meu dente e o encaro, mas quando ia respondê-lo a porta principal da sala se abre brutalmente, revelando uma mulher alta e loira, ela tinha um vestido justo bem decotado, mas o principal... um olhar de pânico! — Don Vicent, ela fugiu... — vejo-a engolir suas palavras, ao perceber todos a olhando, principalmente Vicent, que lhe lança um olhar de fúria. — Quem pensa que é para entrar assim? Principalmente durante uma reunião minha? — ele grita. — Perdão, por favor... apenas... achei que precisava saber... — sussurra ofegante com os olhos no chão. Vicent se levanta e caminha em direção a mulher, pegando em seu cabelo rudemente, fazendo-a fechar os olhos enquanto geme de dor. — Quem fugiu dessa vez? — ela hesita, ele sacode sua mão e ela abre os olhos, olhando em desespero para ele enquanto sussurra algo baixo. — Vá atrás, dela. Encontre-a ou matarei você, isso é sua culpa sua p**a! Diz empurrando-a, ela conserta o cabelo rapidamente e enquanto ele caminha em direção da sua poltrona ela sussurra: — Já... já encontramos ela! Mas, ela se feriu enquanto era escoltada de volta. — ele para, e olha-lhe com um olhar em fúria. Já com minha paciência no limite dou mais um passo a frente, consertando o meu terno e pegando um cigarro no bolso logo em seguida. — Quer saber Vicent, parece que tem assuntos que precisam de sua atenção. — começo e ele me olha — Não há mais nada para tratar com você, estamos saindo! Ele ergue uma mão como se fosse me impedir, meu segurança a abaixa por impulso. Os capangas de Vicent se aproximam, mas ele os impedi. — Espere Marco, tenho interesse nas armas. Preciso delas como combinamos... — Você não está cumprindo o seu acordo, não me interessa mais. — passo por ele e um dos meus seguranças abre a porta — Eu lhe dou os $300 mil dólares americanos! - tenta rebater. — Nem se me pagasse $500 eu aceitaria, não temos um acordo... não mais! Começo a caminha pela saída, ele sussurra algo no ouvido da mulher loira que sai correndo, em seguida vem em minha direção, impedido apenas por meus seguranças para que não se aproximasse mais. — Marco, sei que tanto quanto você que ninguém ofereceria uma quantia tão alto por esse carregamento. Vamos voltar aos negócios!— no mesmo instante paro e me viro, olhando-o e dando uma longa tragada em meu cigarro. — Talvez, mas... Um contato meu na Sérvia me ofereceu uma boa quantia, quem sabe quanto estaram dispostos a pagar para cobrir sua mera oferta! - vejo o rosto enrugado dele se torcer de ódio, assim como sua expressão se tornar sombria. — Você se arrependerá, se sair desses portões sem um acordo comigo! - ele me ameaça, como se estivesse em posição para isso. — O que vai fazer, me matar? - começo e ele engole em seco - Muitos já tentaram, pode fazer o mesmo. Viro-me e saio, escutando ele protestar e xingar em diversas línguas. Caminho calmamente e assim que saio os meus seguranças trazem os nossos carros, ainda conseguia ouvir a voz daquele filho da p**a não muito distate. Mas, algo chama minha atenção enquanto meu segurança abre a porta para mim. Aquela mulher loira e mais dois homens passam por uma entrada não muito longe de onde estou, mas o que me chamou atenção foi a jovem morena que está entre eles. Ela tem uma corda amarrada em suas mãos, prendendo-a e era possivel vê como estava com um ferimento em sua cintura enquanto anda com mais dificuldade. A mulher loira a ajuda, mas não parece que ela estava feliz com aquilo. Foi então que a jovem morena ergue seu rosto, revelando sua pele rosada das bochechas, seus lábios carnudos e um olhar forte. Ela olha em minha direção por uns instantes, e apesar de seu olhar transmitir um ódio, aquilo me intrigou muito. Ela não parece ter mais de 16 anos, e apesar de seu rosto transmitir uma pouca idade, suas curvas e roupa que usa dizem o contrário. O vestido rendado na altura das coxas, desenha bem seu quadril. Pisco algumas vezes desviando meus olhos, entrando no carro e fechando a porta. Sem entender por qual motivo fiquei encarando aquela menina, ela provavelmente é uma das escravas de Vicent, e isso está fora de meus pensamenteos. O que mais preciso é ir embora desse fim de mundo, principalmente depois desse desgraçado me fazer perder meu tempo aqui. Eu deveria matá-lo, esquartejálo ou muito pior. Mas não posso perder meu tempo, e além de tudo, por mais que eu tenha o desafiado não duvido do seu poder de fogo. Não aqui, em seu território! O que menos preciso agora é de uma nova guerra, mesmo que não hesitasse se uma viesse contra mim! — Vamos sair dessa merda de lugar! - ordeno e meu segurança liga o veículo. Enquanto o carro se afasta olho pela janela, vendo-a sendo puxada pelas cordas em seus punhos, aquela mesma garota. Ela n**a com a cabeça, e ainda era possível vê as lágrimas que caem em seu belo rosto, mas... Quando novamente ela vira o rosto olhando para o meu carro eu percebi, ela parecia pedir socorro. Parecia que esperava por uma saída, aquele olhar que vi chegar até mim, mesmo através do vidro escuro do carro. Ela parecia saber que eu à olhava, que via o seu olhar de desespero enquanto era levada. Aquele olhar que irá me atormentar, não tenho dúvidas alguma!
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