Capítulo 1

1138 Palavras
Catarina - 4 anos depois Você pode associar quando algo de bom acontece na sua vida como obra do destino, mas quando algo muito r**m acontece, com o que você associa? Eu não posso aceitar que eu estava destinada a passar por tudo o que passei, é simplesmente doentio pensar que o destino de alguém pudesse ser uma sequência de eventos traumáticos, onde nenhum resquício de felicidade pudesse aflorar. Prefiro pensar que o destino não passa de algo que o ser humano criou, para justificar as coisas boas que aconteceram em suas vidas, porque seria muito c***l que o meu destino fosse viver em um ciclo infernal de sofrimento e angústia! Quando cheguei aqui eu tinha sonhos, tinha esperanças e até mesmo uma ansiedade em querer ser uma boa menina. Em receber o que me seria ensinado e assim, voltar para meu lar com oportunidades maiores das qual imaginava. Isso parece tão distante agora, parece quase inalcançável! Eu cai de paraquedas em uma linha de tráfico humano, mas não seria uma qualquer, eu estava nas mãos de Vicent. O líder da máfia albanesa, um homem que tudo que toca, olha e se aproxima... destrói! Ele se tornaria meu algoz, pois desde o momento em que aquele avião aterrissou na Albânia há quatro anos, eu estaria presa e condenada ao seu mundo perverso! No momento em que ele me viu pela primeira vez, eu chorava e implorava para me libertar. Para que me deixasse partir e ir de volta ao Brasil, cuidar de minha mãe. Que não ouço a sua voz desde meus 12 anos! Lembro-me do sorriso em que ele me dava em resposta, de como prometeu destruir cada gota de esperança que habitasse meu peito. Eu era apenas uma criança, uma criança pobre e tola! E ele, se alimentou disso também! ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ Penteio o meu cabelo calmamente enquanto olho no espelho da minha cela, um local sujo e escuro onde apenas tinha o básico de higiene e alguns itens para me manter arrumada. Anastácia havia se dado o trabalho de me arrumar tudo isso, ela se mostrava alguém não tão diferente de Vicent. Desde que cheguei aqui ela se dirigiu a mim apenas para me ensinar sua submissão, me ensinar a obedecer e de forma alguma tentar fugir. Algo que não me sai muito bem, principalmente por contar as inúmeras tentativas fracassadas que tive durante esses 4 anos. E pior que tudo isso, era os castigos que recebia como resultado! Mas eu não conseguia, eu simplesmente me neguei a aceitar que minha vida realmente acabaria aqui, como uma indigente em um país bem distante ao meu! Assim que termino de prender meu cabelo em um coque alto, coloco um casaco em volta do meu corpo e sigo em direção a porta. TOC TOC — Abre, vou sair agora! - digo alto enquanto bato na porta de aço. Logo em seguida um dos capangas de Vicent abre e me olha de cima a baixo, maldito seja. Sei que na primeira oportunidade que tivesse ele tentaria algo, não apenas ele mais todos aqui. Se não fosse pelo próprio chefe, o qual deu a ordem de que ninguém poderia me tocar... apenas ele! — Anastácia não chegou ainda, fique em seu canto brasileira. — diz em um tom de ameaça, ergo uma sobrancelha e n**o com a cabeça, sem fraquejar o meu olhar. — Não, ela mandou que a aguardasse na sala de seleção! Digo passando pela porta, mas ele coloca o braço me impedindo de sair totalmente. — Eu já disse. — Eu também, ou preciso avisar ao seu chefe que você está me impedindo de acatar uma de suas ordens? — no mesmo instante ele estreita os olhos, mantenho meu olhar aguardando a sua resposta. — Se me causar problemas, eu acabo com você... não pense que será favorita dele para sempre! - diz com os dentes trincados -Pode ir! Respiro fundo e passo por ele, seguindo pelo grande corredor da mansão. Depois de algum tempo nesse inferno, eu pude conquistar ao menos algo. O idioma deles, e um terço da sua confiança. Pelo menos desde minha última tentativa de fuga, há uns seis meses, Anastácia conseguiu que eu pudesse ajudá-la em algo. Faríamos a seleção das novas meninas juntas! Ela iria na sua função de trazê-las, e separaríamos onde cada uma delas ficariam até estar completamente prontas. Para serem leiloadas, traficadas, mortas, ou tudo que consiga ser pior que isso. Um verdadeiro inferno com certeza, mas eu aceitei tudo isso por uma razão... e hoje enfim poderei usar isso! Por mais que eu tenha passado um inferno, e ainda passe hoje. Eu tenho uma promessa para cumprir, uma promessa a minha mãe. Eu prometi voltar para casa, e pretendo cumprir essas palavras! Mesmo que isso me custe mais algumas cicatrizes, mais algumas marcas. O meu interior já foi estragado, mas minha esperança e minha fé não... não totalmente! ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ ❀~✿ Chego a sala principal e confirmo que está vazia, logo me dirijo até as gavetas onde já havia deixado algo que precisarei hoje. Abro-a e pego aquela bolsa de mão de Anastácia, com um mapa, uma quantia em dinheiro e o principal... a chave de um dos carros! Olho ao redor para confirmar que ninguém me observe, e assim que faço pego tudo. Seguindo então para a cozinha, passando por alguns empregados tentando ao máximo disfarçar o meu nervosismo. Principalmente quando em meu caminho alguns dos capangas de Vicent me olham com uma sobrancelha erguida, mas eles não dizem nada. Todos aqui sabe que nenhuma das garotas podem andar pela casa sem autorização, e tentar impedir isso seria ir contra a vontade do seu próprio chefe. Vicent os mataria por muito menos, e eles sabem disso! Por mais que eu queira ajudar inúmeras das meninas, que assim como eu chegaram aqui nesse inferno sendo expostas a um mundo sombrio. Eu preciso conseguir sair primeiramente, porque mesmo que eu tenha conseguido alguns "benefícios", não posso usar de nenhum deles para ajudá-las. Não agora! Preciso primeiramente sair, ter provas do endereço que estou, e só enfim poderei ajudar a tirá-las daqui. Preciso aproveitar a oportunidade que tenho, Anastácia está fora com a maioria dos seguranças. E Vicente não aparece há dois dias, algo que é muito raro de se acontecer. Ainda mais que apenas aqui, nesse inferno ele pode satisfazer seus demônios. Algo que ele mesmo faz questão de me lembrar, principalmente quando me escolhe para isso! Mas é hora de dar um basta, eu não posso admitir mais que passarei por tudo isso. Nem eu e nem aquelas pobres meninas, eu não desistirei até que esteja bem longe desse inferno. Mesmo que isso custasse a minha vida!!
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