Catarina
Meus lábios tremem, uma lágrima rolava meu rosto, mas, estranhamente ele ergue sua mão e recolhe ela com a ponta de seus dedos. Logo em seguida coloca uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha!
Eu o reconhecia, nunca esqueceria esse olhar... era aquele homem que eu vira na mansão de Vicente! Ele tinha mais barba, seus cabelos estavam da mesma forma, bem penteados e com alguns fios caindo sob seu rosto. Seu olhar estava ainda mais escuro, e ele em momento algum piscou desde o momento em que me virei!
— Você... — sussurro, ainda me custando a acreditar que o via novamente. E dessa vez, bem diante de mim!
— Ei, você não deveria ter feito isso gringa! — meus olhos vão além dele, vendo aquela mulher rude qual me obrigou agora pouco a me arrumar, me obrigando a estar pronta para quando o seu chefe chegasse. — Desculpe Sr. Hernandes, essa garota fez uma besteira maior do que imagina.
Volto a olhar para o homem a minha frente, sem me importar em demonstrar quão estava assustada com essa situação, ele parecia que em momento algum havia desviado seus olhos de mim, a mulher para bem próximo e cruza os braços.
— Vamos, ele já chegou. E você tem muito que se explicar!
— Qual o seu nome? — a voz dele faz meu corpo estremecer, engulo em seco e logo digo:
— Catarina. — ele ergue uma sobrancelha, mas a mulher se aproxima ainda mais e alcança o meu braço, me puxando e afastando dele.
Por um breve segundo eu não sabia explicar o que enxerguei ao olhar os olhos dele, mas, senti que pela primeira vez um homem não estava me olhando como um animal, era como se ele realmente estivesse tentando enxergar através de meus olhos. Ele parecia tentar me desvendar, tentar entender o motivo de que aquela lágrima e cena que acontecera bem agora a sua frente, ao menos... foi o que eu por um segundo senti!
Enquanto sou levada pela mulher não protesto, não tento me soltar, apenas mantive minhas sobrancelhas franzidas enquanto caminhamos. Até que, atrevo-me a olhar para trás. Virando um pouco e o vendo por cima de meu ombro, ele me encarava seriamente, o cigarro queimava na ponta de seus dedos, mas... nem mesmo para levá-lo aos seus lábios ele parecia ter reação!
Esse homem parece ser perigoso, e se novamente nossos caminhos se cruzam em situações como essas pode não ser atoa. Mas, não posso apenas confiar nisso!
Além disso, talvez ele não seja diferente de Vicent, e desse homem que agora me prendia aqui!
Independente do que eu vira em seus olhos, creio que é apenas uma reação por me sentir tão vulnerável como estou novamente!
Viro-me e baixo minha cabeça, voltando a caminhar e seguir meu caminho com aquela mulher. Ainda tentando me manter novamente firme, encontrar uma saída, e o mais importante... pedindo perdão a Deus mentalmente, por ceder a vontade de me matar, mesmo que por alguns instantes e quase conseguiria. Se não fosse aquele homem!
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MARCO
Ela gradualmente some de minhas vistas, eu não tinha dúvidas. Era aquela garota, a mesma que se prendeu em minha mente por tantos anos, e agora que novamente ele ressurge em meu caminho só posso confirmar uma coisa. Ela nunca havia deixado minha mente, apenas ocupou em silêncio o que um dia eu nem acreditei que pulsava mais.
Respiro fundo e caminho de volta aquela sala de escritório, meu segurança abre a porta e rapidamente me dirijo a mesa de bebidas, servindo três doses em copos diferentes, sem esperar mais os viro e engulo aquele líquido áspero.
— Isso significa que estamos comemorando então? — ouço a voz de Dante, me viro e o vejo entrando na sala com mais dois dos seus seguranças. — Desculpe por fazê-lo esperar, mas é preciso manter a ordem pessoalmente de vez em quando!
Continuo servindo mais uma dose da bebida enquanto sua voz se aproxima, ainda me custando a acreditar que ela estava aqui. E, porquê!
— Vamos começar então. — digo assim que o líquido desce em minha garganta.
— Trouxe o pagamento pelas armas, está tudo aqui. — ele aponta para os seus seguranças, os quais carregam duas grandes maletas pretas — A vista, como solicitou!
— Na verdade, houve uma mudança. — ele franziu as sobrancelhas — Os militares têm um cão de guarda, quero que certifique que ele seja morto.
— Isso não será um problema, até imagino quem seja... Heitor Fonseca. Esse filho da p**a tem causado muitos problemas! — dou de ombros e acendo um cigarro.
— O pagamento será quitado se a morte dele for concluída, e quero que seja feita lentamente! — ele arregala os olhos e concorda com a cabeça rapidamente.
— Considere feito, tem certeza que todo o pagamento será quitado por isso?
Sopro a fumaça para longe, em seguida estreito meus olhos para Dante e digo:
— Mais uma coisa, a garota que está mantendo aqui... quem é ela? — ele faz uma expressão pensativa, mas logo parece entender bem de quem falo.
— A branquinha? É uma longa história, creio que não irá se interessar por essas coisas! — dou mais um trago no meu cigarro, ainda estreitando os meus olhos para ele.
— Está enganado, quero que me conte o que sabe dela. Se me interessa ou não, eu decido! — ele fica sério, não parecendo gostar do rumo que essa reunião está seguindo.
— Tudo bem, sei pouco sobre ela, mas vou contar tudo! — o seu tom é frio, percebo que ele não queria me contar o que quero saber.
Talvez tenha um próprio interesse naquela garota, algo que eu logo confirmo assim que começa a me contar seus motivos de trazê-la até esse lugar. Ela estava em fuga, tenho certeza que fugia de Vicent e seu exército albanês, pela quantia que levava e os documentos também, ela provavelmente estava com intenção de chegar a algum lugar, e esse homem a minha frente havia interrompido isso.
— Você tocou nela? — ele engole as palavras, arregalando os olhos parecendo surpreso — Tocou naquela garota? Qual deixou nítido que está aqui, contra sua vontade!
— Não, não toquei nela. — ele engole em seco, sua expressão se torna tensa.
— Ótimo. — levanto da poltrona e continuo — Por que vou te dizer o que eu quero, e você não tem a opção de recusar!