Clarice imaginou que depois do que viu naquele quarto de hotel estaria sofrendo por Henrique, mas foi completamente ao contrário. Ela se sentia magoada e enganada sim, mas não imaginava que doeria bem mais do que estava doendo.
Talvez se não tivesse encontrado Ricardo ela estivesse naquele momento jogada em sua cama e derramando todas as lágrimas que tinha direito, mas ele a ajudou a se livrar daquele sentimento, ele foi o ombro amigo que ela necessitava naquele momento.
Ela tomou um banho e já estava pronta para deitar e dormir quando Camila bateu na porta de seu quarto bastante assustada.
— Camila, o que aconteceu? Você está bem? — Ela perguntou assustada.
— Eu que te pergunto se você está bem? — Disse Camila com cara de assustada.
— Sim, eu estou ótima, mas o que você está fazendo aqui? Depois do aniversário, você não ia dormir na casa do Leo hoje? — Indagou.
— Sim, eu ia, mas quando vi as últimas notícias vim correndo pra casa ver como você está. — Respondeu.
— Você se preocupou a toa, sua boba, eu estou bem. Fui eu que pedi para uma pessoa jogar aquelas fotos e vídeos na internet. — Revelou.
— E você diz isso com essa calmaria toda? — Perguntou incrédula.
— O que ia adiantar eu estar chorando por aquele maldito, depois dele me dizer coisas horríveis? — Perguntou, deixando Camila bem mais surpresa.
— Como? Você o viu depois daqueles vídeos? — Perguntou, vendo-a sentar-se em sua cama com uma tranquilidade que Camila desconhecia, aquela não era a Clarice que ela conhecia.
— Eu fui até o hotel, eu entrei no quarto que ele e aquela vagabunda estavam e o pior de tudo foi flagrar os dois no banheiro enquanto ela pagava um boquete pra ele. — Camila sentou-se rapidamente, ela estava em choque, não conseguia acreditar que a amiga tinha vivido tudo aquilo em apenas poucas horas.
— O que você está me contando é verdade? — Clarice assentiu.
— Claro que é. Você acha mesmo que eu iria mentir sobre isso? — Perguntou.
— Claro que não, você não sabe mentir e nem inventar uma história como essas. — Respondeu.
— Obrigada por me chamar de i****a assim, Camila. — Disse.
— Desculpa, Clarinha. Mas eu não consigo imaginar você vendo tudo isso e não agir como uma criança. — A fala de Camila magoou Clarice, no entanto ela não demonstrou.
— Ele me disse coisas horríveis, falou tudo que não gostava em mim e o motivo do sumiço dele. Me lembrou o quanto eu sou mimada, fútil, infantil e sem conteúdo. Então como uma menina mimada eu destruí o quarto que ele estava, tratei de dar um fim nas roupas deles e com a ajuda de uma pessoa que não me acha fútil, nem infantil e muito menos sem conteúdo, joguei tudo isso na rede e foi a melhor vingança que eu poderia ter feito. — Falou, sentindo um aperto no coração. Era triste saber que todos ao seu redor tinham o mesmo pensamento sobre ela.
— Eu sempre lhe disse que o Henrique não era a pessoa que você achava que ele era, mas decidiu seguir com o namoro e acreditando que teria o melhor casamento do mundo por ele ser um bom partido. Desculpe, mas você foi avisada, passar por isso é resultado de suas escolhas. — Camila disse e claro que Clarice estava acostumada com a sinceridade dela, mas doía ouvir aquilo.
— É, você sempre tentou me alertar sobre ele, porém fui uma tonta e acreditei que estava vivendo o melhor romance do mundo. Mas está tudo bem, eu descobri quem ele era antes de me envolver em um casamento com aquele babaca. — Disse.
— Você não está preocupada com o que todo esse escândalo pode trazer para sua vida? — Clarice negou. Ela não se importava e estava preparada para o que viesse, mesmo que não soubesse como enfrentar todas as consequências que aquele escândalo traria. Camila tocou a testa dela. — Você está doente? — Clarice sorriu.
— Não, eu estou muito bem. Por que está agindo assim? — Perguntou.
— Eu quem tenho que te perguntar o que deu em você para esta agindo dessa forma?
— Um amigo me disse que o Henrique não merecia minhas lágrimas e que eu não tinha que sofrer por causa dele.
— Um amigo? Esse amigo foi o mesmo que te ajudou a divulgar essas fotos? — Ela assentiu. — E você tem certeza que pode confiar nele? — Indagou.
— Tenho, ele foi a única pessoa que disse que eu não precisava mudar quem eu sou para agradar os outros. Ele não me acha uma pessoa sem conteúdo e ao contrário de vocês, ele acredita em mim e me aconselhou a voltar a estudar e estudar o que eu escolhi fazer, o que me faz bem. — Camila sentiu que ela estava magoada não só com Henrique, mas com todas as pessoas que eram mais íntimas com ela.
— Pelo jeito você e esse seu novo amigo conversaram muito. Vai me dizer quem é a pessoa? — Camila perguntou com curiosidade.
— Eu não sei se devo, você vai começar a dar os seus sermões. — Disse.
— Eu conheço a pessoa? — Clarice negou.
— Não pessoalmente. — Camila já desconfiou quem era.
— Não me diga que é o mesmo que te trouxe pra casa quando você brigou com o Henrique na agência? — Ela assentiu.
— Ricardo Bozaski tornou-se seu amigo? — Perguntou incrédula.
— Sim, por coincidência ele estava no hotel em um jantar de negócios e como fui até o hotel de táxi, ele me deu uma carona novamente e com a ajuda dele fiz tudo aquilo que você viu e tudo que te contei. — Respondeu.
— Eu não consigo acreditar que um homem como o Ricardo, que aparenta ser um homem sério e sem tempo pra nada tenha se prontificado a te ajudar assim, sem nada em troca e ainda te aconselhou, sem falar que viraram amigo. — Respondeu. Clarice ficou pensativa, então ela achava que um homem como o Ricardo não poderia ser o seu amigo.
— Como ele mesmo disse, seus compromissos são durante o dia, a noite ele está sempre livre, não é o tipo de homem que trabalha durante a noite. — Sorriu.
— Agora entendi o motivo de você não está chorando pelo Henrique. Já teve o consolo que precisava. — Disse.
— Entendeu? Consolo que eu precisava? Do que estava falando, Camila? — Ela negou.
— Esquece o que eu disse. Mas me responde uma coisa: você vai viajar para comemorar o seu aniversário com aquelas duas lá, depois de tudo isso? — Perguntou.
— Claro, depois de amanhã viajo para Cancun e queria muito que você estivesse comigo. Vai ser o meu primeiro aniversário que passamos separadas. — Disse.
— Eu já expliquei o motivo de não ir com você, espero que entenda e não fique chateada comigo. — Pediu.
— Eu não vou, eu sei que a sua faculdade é importante pra você, afinal é o seu futuro. Queria ter um objetivo assim também, mas infelizmente eu não sou assim como você. — Clarice disse.
— Ainda dá tempo de mudar quem você é e encontrar um objetivo que não envolva esse mundo midiático, nunca é tarde para mudar. — Respondeu.
— Eu não quero mudar, Camila. Quero continuar sendo a pessoa que eu sempre fui, porém, eu quero ter algo que eu possa me orgulhar, entendeu. — Falou.
— Eu não sei onde você pode se orgulhar nesse mundo da moda, se quer se orgulhar de você mesma, tente fazer algo que tenha conteúdo de verdade. — Clarice não queria prolongar aquela conversa, ela não ia mudar o que ela queria fazer. Mas queria que estudar moda se tornasse algo prazeroso para ela.
— Eu vou pensar no que você disse. — Falou, encerrando aquela conversa. — Vai dormir aqui comigo? — Perguntou.
— Não, vou para o meu quarto. — Falou. — Se precisar de alguma coisa é só ir até lá. Boa noite! — Falou, tentando esboçar um sorriso de conforto para ela.
— Pode ficar tranquila, tenho certeza que vou dormir bem. Tenha uma boa noite! — Respondeu.
Clarice não queria ouvir aquelas palavras de sua amiga, esperava que ela lhe incentivasse a fazer o que lhe fazia bem, assim como Ricardo tinha feito, ele sim tinha lhe falado palavras de conforto.
Ela caminhou até a sacada de seu quarto e encarou o céu, a lua estava linda no céu e brilhava intensamente.
— Eu não sou uma pessoa fútil, talvez seja um pouco mimada e não sou uma mulher sem conteúdo, as pessoas que não conseguem me entender e não aceitam os meus gostos. Mas a partir de hoje, sob a luz dessa lua tão linda, prometo para mim mesma que ninguém vai interferir nas minhas decisões, que serei a dona da minha própria vida e não serei mais ingênua como antes. — Disse para si mesma.