Narrado por Juliana Ximenes O som da taça se estilhaçando no piso frio me fez despertar do transe. A bebida escorria pelo mármore branco como se fosse sangue. Meus dedos tremiam. O vinho não tinha mais gosto, apenas lembranças. E todas elas agora cheiravam a pólvora, morte e vingança. Na televisão, todos os canais repetiam a mesma notícia com tons cada vez mais alarmistas: Mário Satins, juiz criminal de Milão, é encontrado morto em seu gabinete. Um bilhete anônimo estava sobre o corpo com os dizeres: “A verdadeira justiça não usa toga. Ela escorre em vermelho.” Eu conhecia aquela caligrafia. Não precisava de assinatura. Nenhuma. Era Hero Green. Ele descobriu. E agora… agora era tarde demais pra fugir. Fui até a estante como uma sombra. Meus dedos afastaram os livros com precisão,

