Narrado por Hero Green A luz da manhã começava a se infiltrar pela mansão, como se o sol tivesse receio de acordar os fantasmas que moravam ali dentro. Cada raio atravessava as frestas da cortina com suavidade, mas em mim tudo era ruído. A guerra, os nomes que eu ainda precisava apagar, o gosto de sangue na garganta. Mas naquela manhã, eu decidi ser só um homem. Desci em silêncio, vestindo uma camisa branca com os botões abertos até o peito. A casa dormia os seguranças espalhados nas laterais da propriedade, atentos a tudo. Mas ali dentro… só o som dos meus passos. Não chamei a cozinheira. Não queria testemunhas, nem atalhos. Preparei o café com minhas próprias mãos. Lavei as frutas, cortei com calma. Passei manteiga nas torradas, espremi as laranjas com força até sentir meus dedos doer

