Mais Desafio

1112 Palavras
Henzo inclinou-se para a frente, apoiando os braços sobre a mesa. Seus dedos ergueram devagar a manga da camisa, revelando a tatuagem que só os que conheciam a máfia ousavam reconhecer. Símbolo gravado em sangue e ferro. O silêncio tomou o ar. Os homens, que até segundos antes exalavam arrogância, empalideceram. — E-entenda… estávamos apenas brincando. — gaguejou o mais ousado, recuando um passo. Henzo gargalhou, profundo e ameaçador, o som que gelava até os ossos. — Brincando? Então vamos brincar. Como minha pertencente descobriu a farsa de vocês, nada mais justo que ela escolha a brincadeira. Sol, até então quieta, inclinou-se para o lado de Henzo e arqueou a sobrancelha, maliciosa. — Sério, marido? Posso mesmo escolher? Henzo sorriu de volta, os olhos faiscando. — Faça as honras. Sol ajeitou-se na cadeira, cruzou as pernas com calma e disse num tom cortante, carregado de doçura venenosa: — Quero que libertem as mulheres. Agora. — fez uma pausa, os olhos estreitando-se com prazer. — E quanto a eles… deixem que os cães se divirtam. Henzo soltou outra gargalhada sombria, satisfeito. — Ótima escolha, minha esposa. Henzo inclinou-se de leve na cadeira, o olhar frio e satisfeito percorrendo cada rosto diante dele. O silêncio pesou, cortado apenas pelo som de respirações tensas. — Ouviram? — ele disse, a voz arrastada e carregada de ironia. — Minha pertencente já decidiu. Os homens se entreolharam, alguns tentando esconder o pânico, outros já suando frio. O que antes tinha exigido a assinatura abriu a boca, mas não conseguiu formular palavra — a garganta seca parecia ter travado tudo. Sol, ainda com o sorriso de quem saboreava a própria vitória, completou: — Soltem as mulheres agora. Uma por uma. Sem demora. Dois seguranças de Henzo avançaram, abrindo espaço para as mulheres saírem. Algumas delas choravam, outras corriam como se tivessem acabado de recuperar a própria vida. Henzo voltou a falar, o tom baixo, mas pesado como sentença: — Vocês escolheram brincar com a cobra e acharam que não seriam picados. Sol, caminhando até o lado dele, passou o dedo levemente sobre a mesa como se marcasse território. Então, olhando diretamente para os homens, disse: — Aos cães, marido. Eles entenderão a linguagem melhor do que nós. Um dos homens, ainda pálido, tentou recuperar a voz: — T-temos um acordo, Henzo. Cinquenta por cento é seu. Henzo o encarou com frieza, o sorriso já desaparecido dos lábios. — Cinquenta? — a voz grave e arrastada ecoou como ameaça. — Esse foi o acordo que vocês tentaram me empurrar com fraude. Agora, eu quero noventa por cento. Os homens se agitaram, murmurando entre si, o medo estampado no rosto. O mais velho deles pigarreou e rebateu, tentando parecer firme: — Noventa é impossível… Setenta. Henzo sustentou o olhar, deixando o silêncio pesar sobre todos, até que por fim ergueu levemente o queixo. — Fechado. — disse seco, como quem decide o destino de alguém com um estalar de dedos. Um dos homens estalou discretamente os dedos e cochichou no ouvido do parceiro ao lado. Dois minutos depois, o homem retornou com um novo contrato já redigido, suando frio. Henzo tomou a caneta, leu em silêncio e, sem pressa, assinou com firmeza. Deixou a caneta sobre a mesa e sorriu gelado. — Ótimo negócio. Levantou-se com calma, puxando Sol pela mão. Ela se ergueu com a mesma postura imponente de sempre, olhando uma última vez para os homens, que desviaram o olhar como covardes. Sem dizer mais nada, Henzo guiou Sol até a saída. O som dos saltos dela ecoou pelo salão, cada passo como uma sentença. Os homens permaneceram paralisados na mesa, alguns tentando disfarçar o pavor. Mas todos sabiam. Não teriam chance. Aquele contrato era apenas o verniz. A sentença já estava dada. Ainda naquela noite, os cães seriam soltos. E as gargalhadas sombrias de Henzo ecoariam em suas últimas memórias. O carro parou em frente ao hotel. Henzo olhou firme para Sol. — Preciso resolver isso antes que aqueles homens virem inimigos. Sol não retrucou, apenas abriu a porta e desceu em silêncio. O olhar dela era pesado, mas ao mesmo tempo sereno, como se entendesse que não podia interferir. Entrou no hotel sem se virar para trás. Henzo respirou fundo e seguiu sozinho. O carro rodou alguns quilômetros até chegar a um galpão discreto na zona afastada. Quando entrou, percebeu que os homens do restaurante — os mesmos que haviam lhe pressionado horas antes — já estavam ali, alinhados, mas desta vez em situação bem diferente. Haviam sido capturados de forma silenciosa, sem alarde, e agora estavam sob domínio. Henzo caminhou pelo espaço amplo, iluminado apenas por lâmpadas penduradas. O silêncio pesado denunciava a tensão. Ele sabia que precisava resolver aquilo sem transformá-los em inimigos, mas também sem mostrar fraqueza. Henzo estalou os dedos. O som ecoou, seco, e logo foi seguido pelo latido feroz vindo do fundo do galpão. Portas se abriram e os cães avançaram, olhos brilhando, dentes à mostra. Os homens tentaram recuar, mas a própria sombra da máfia francesa os encurralava. Henzo não tirava os olhos deles, observando com calma a cena se desenrolar. — Nunca se esqueçam — ele disse, baixo, quase como um sussurro, mas audível o bastante para que o terror fosse gravado na mente deles —, aqui não é sobre assinatura. É sobre sobrevivência. E sobre aprender a nunca brincar com o que não se pode domar. Henzo voltou para o hotel como se nada tivesse acontecido. O relógio já passava da meia-noite, o silêncio dos corredores era pesado, mas dentro do quarto a luz suave ainda iluminava Sol, sentada na beira da cama, ainda desperta. Ela não perguntou nada. Não precisava. Sabia exatamente como as coisas na máfia eram encerradas — e sabia que os homens que haviam tentado enganar Henzo não veriam a próxima manhã. Henzo tirou o paletó com calma, jogando-o sobre a poltrona. — Pensei que estivesse dormindo. Sol o encarou, os olhos escuros e intensos. — Eu tentei ligar pra minha mãe no telefone do hotel e não consegui. Depois tentei falar com Violeta do meu celular, e também não deu. Estamos sem sinal? Henzo se sentou no sofá, descruzou os punhos e falou baixo, mas com firmeza: — Não. Eu que te proibi. Você só fala com elas na minha presença. Assim, não arma nada pelas minhas costas. Sol arregalou levemente os olhos, surpresa com a ousadia dele, mas logo estreitou o olhar em fúria contida. — Como é que é? Henzo a encarou de volta, impassível, a sombra de um sorriso frio nos lábios. — O que você ouviu. É minha pertencente, Sol. E faz somente o que eu quero.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR