Minúsculo

1046 Palavras
Henzo respirou fundo, a paciência pendurada por um fio. — Tudo bem, Sol. — disse, levantando-se com cuidado. — Preciso sair agora, mas eu volto… e aí conversamos. Sol não perdeu tempo com palavras. Apenas fez um leve aceno com a cabeça, sem nem direcionar o olhar a ele. Henzo a encarou por alguns segundos, esperando… qualquer reação. Mas não veio. Ela estava perfeitamente tranquila — e isso doía mais do que uma discussão. Ele saiu. Algumas horas se passaram. Henzoligou no hotel, queria convencer Sol pelo telefone, talvez fosse mais fácil. Ele ligou. Uma vez. Duas. Cinco. Nada. Sol não atendia, não respondia. O peito dele apertou num misto de, frustração e…ciúmes ? Talvez. Ele não suportou a falta de respostas e ligou para um dos seguranças. — Onde ela está?! — rosnou, o autoritarismo voltando à tona. Do outro lado, o segurança respondeu com cautela: — Senhora Sol está na área da piscina, senhor. Antes que Henzo pudesse reagir, o segurança enviou um curto vídeo para seu celular. Henzo clicou. E quase perdeu o ar. Sol estava deitada na espreguiçadeira, óculos escuros, pele morena impecável, os cabelos molhados colados às costas. Mas o que destruiu Henzo foi o biquíni branco — um contraste perfeito com a pele dela — e a calcinha minúscula, que deixava quase nada para a imaginação. A câmera captou o momento exato em que Sol virou o corpo, o biquíni puxando perigosamente na curva da cintura, fazendo alguns homens ao redor desviarem o olhar… ou encararem demais. Henzo sentiu o sangue ferver. — Filha da… Um impulso selvagem tomou conta dele. Ciúmes. Possessividade. Loucura. Sol o provocava sem nem estar olhando para ele. E Henzo percebeu que, se continuasse assim, ele perderia completamente o controle. Porque ver outros homens desejando o que era dele…isso ele não sabia lidar. O vídeo m*l havia terminado e Henzo já estava em pé, coração batendo no pescoço. Ele não pensou. Não respirou. Apenas saiu. Pegou o carro como se estivesse indo para a guerra. Acelerou com violência. Nem se deu ao trabalho de se despedir de quem conversava antes pelo telefone. Ele só via uma imagem na mente: Sol, quase nüa, sendo devorada pelos olhos de desconhecidos. O trajeto parecia interminável, mas finalmente o hotel surgiu diante dele. Henzo jogou as chaves para o manobrista e entrou como um furacão, ignorando elevador, recepção, qualquer protocolo. Cada passo aumentava o incêndio dentro dele. Quando atravessou as portas de vidro da área da piscina… Havia música. Risadas. E dezenas de olhares… todos nela. Sol estava cochilando, completamente à vontade sob o sol, como uma tentação viva. O óculos escorregando um pouco no nariz, os lábios relaxados, o biquíni branco brilhando contra a pele dourada… E homens olhando. Muitos. Henzo não precisou pensar em nada. Ele caminhou rápido, pegou uma toalha branca e jogou em cima dela, cobrindo-a às pressas. — O quê…? — Sol abriu os olhos assustada, sem entender. Antes que pudesse reagir, Henzo a puxou pela cintura, erguendo-a como se fosse leve demais — um braço dela caiu sobre o ombro dele, o outro tentando recuperar equilíbrio, mas ele nem deu tempo. — Henzo! — ela gritou, completamente indignada. — Tá ficando louco?! Ele continuou andando, atravessando a piscina inteira com ela no colo e sobre as costas, como se fosse um troféu em fuga. Os olhares agora eram de choque. A música? Ninguém mais ouvia. Sol socou o ombro dele, irritada, mas o coração — ah, o coração — batia forte demais. Henzo rosnou baixo, a voz carregada de uma verdade que nem ele queria admitir: — Louco?! — ele cuspiu as palavras pelo ar. — Louca é você… que tá me deixando completamente enlouquecido! Sol ficou sem palavras por um segundo, sentindo o corpo inteiro arrepiar — raiva, adrenalina e aquele maldito desejo que surgia sempre que ele perdia o controle. Mas ela era Sol. E Sol não entregava terreno tão fácil. — Me solta agora, Henzo! — ela reclamou, segurando a toalha para não mostrar mais do que já tinha mostrado. Ele parou diante do elevador, ainda a segurando firme. — Você vai comigo. — sentenciou. — Acabou o show. Sol apertou os olhos, o queixo erguido, pronta para incendiar o mundo: — O show começa quando eu quero. E termina quando eu decido. Henzo respirou fundo, a mandíbula trincada… Mas as mãos não tremiam. Ele sabia: ela estava provocando. E ele estava longe de recuar. Sol aproveitou o momento em que ele a colocou no chão — talvez achando que ela finalmente iria se acalmar — e deu um passo para trás. Depois outro. E, quando ele percebeu, ela já estava subindo os degraus que levavam de volta à área da piscina. Henzo estreitou os olhos. — Sol… — a voz dele veio baixa, grave, um aviso. Mas ela fingiu não ouvir. Deu mais dois passos, o cabelo caindo pelas costas, o biquíni ainda por baixo da toalha, o que só o deixava mais fora de si. — Nem ouse — ele alertou, já avançando. Sol virou o rosto por cima do ombro, o olhar faiscando, um meio sorriso nos lábios. — Ousei. E foi o suficiente. Em dois passos ele já estava atrás dela. A mão grande segurou sua cintura com firmeza, e ela girou de repente, o corpo colidindo no dele. Ficaram ali — frente a frente, tão colados que o ar pareceu desaparecer entre os dois. A respiração de Henzo estava pesada, o peito subindo e descendo contra o dela. Sol sentia o coração bater descompassado, o hálito quente dele tocando o seu rosto. Por um segundo, ninguém disse nada. Só o som da respiração deles, misturada, como se o silêncio gritasse. Henzo baixou o olhar, os olhos escurecidos, fixos nos lábios dela. — Você adora me provocar, não é? — murmurou, a voz rouca. Sol ergueu o queixo, o olhar firme, mesmo com o corpo tremendo. — Eu adoro te lembrar que você não manda em mim. Passavam algumas mulheres cochichando, os olhos arregalados com a cena que acabavam de presenciar. Henzo ignorou todas. Segurou Sol pelo braço e a conduziu firme, sem violência, mas com uma autoridade impossível de questionar. Atravessaram o corredor. O silêncio entre eles era um campo de batalha prestes a explodir.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR