Henzo franziu a testa, tentando lembrar de alguma conversa em que ela realmente participou, mas não encontrou nada. Então, desconfiado, soltou a frase que vinha na ponta da língua:
— Sol... não me diga que...
Ela interrompeu com um sorriso largo, os olhos brilhando de malícia:
— Acrescentei camarão no cardápio. Sabe, pra dar um toque especial, um sabor único.
Henzo ficou em silêncio por um instante, a expressão congelada no rosto. Depois, com aquela voz grave e seca que só ele tinha, rebateu:
— Sol, eu tenho alergia a camarão.
Ela inclinou a cabeça, fingindo um ar de falsa inocência, e com a mesma voz firme, devolveu:
— Eu sei. Por isso que mandei acrescentar. Achei que um pouquinho de risco deixaria a noite mais... interessante.
— Você vai me matar, Sol. Mas antes, eu vou te matar primeiro.
Ela deu um tapinha no braço dele, quase carinhoso.
— Vai tentando. Mas enquanto isso, vou aproveitar meu banquete... com camarão.
Henzo passou o braço por cima das costas dela, puxando-a para perto.
— Sabe que não importa o quanto você me provoque, você agora me pertence, mesmo dizendo que não é de ninguém, que não pertence a ninguém.
Sol sorriu para ele, o brilho de desafio nos olhos.
— E eu serei a mulher que não deixa você esquecer disso.
A tensão virou quase um fio elétrico entre eles.
Henzo tentou ser forte. Respirava fundo, tentava controlar a garganta que já queimava, segurava a tosse que insistia em escapar. Tudo para não dar o gosto a Sol, que estava ali, parada, assistindo à cena com aquele sorriso torto que só ela sabia fazer.
— Você tá bem? — perguntou ela, fingindo preocupação, mas os olhos brilhavam de malícia.
Ele lançou um olhar que era metade súplica, metade ameaça.
— Bem? Estou ficando vermelho como pimenta, Sol! E não é pelo calor do salão, sua desgraçada!
Ela riu, o tipo de riso que provoca sem culpa, e aproximou o rosto do dele, sussurrando:
— Ah, não me culpe, amor. Você pediu para eu escolher o buffet. Camarão, lembra? Um clássico. Eu só cumpri meu papel.
Henzo levantou as mãos para o céu, meio desesperado.
— Clássico? Clássico é me mandar para o hospital na minha própria festa! Eu que banquei esse circo todo aqui.
Sol cruzou os braços, cheia de pose.
— E eu que não queria perder o show. Você, todo pomposo, sendo derrotado por um prato. Coisa triste de se ver.
Ele fez um esforço para não tossir, mas a tosse foi mais forte. Ela sacudiu a cabeça, divertida.
— Tá vendo? Agora precisa de socorro. Acho que vou ficar com ciúmes do camarão.
Henzo, em desespero, quase gritou:
— Vai me ajudar ou quer ver eu morrer aqui no seu casamento?
Sol deu um passo para trás, fazendo cara de inocente.
— Ah, você exagera. Mas tudo bem, vou te acompanhar. Só não me peça para chorar caso você morrä.
Ele revirou os olhos, já sem fôlego.
— Maldita seja, você é uma desgraçadä de todas as formas.
Henzo, com o rosto avermelhado e a respiração ofegante, ergueu a mão com dificuldade para chamar a atenção dos convidados no salão. O murmúrio foi diminuindo até que o silêncio tomou conta do ambiente.
— Atenção — sua voz saiu rouca, quase forçada. — Preciso me retirar da festa por motivos de saúde. Está tudo sob controle. Quero que continuem a celebração sem mim e… sem a noiva por enquanto.
Sol, ao lado dele, colocou a mão no peito, mostrando uma preocupação teatral. Olhou para Henzo com olhos arregalados e disse em voz alta para os convidados:
— Henzo, você está mesmo m*l? Precisa descansar, não tente forçar.
Ela se virou para o público, mantendo uma expressão de noiva dedicada, sem deixar que ninguém perceba que ela tinha algo a ver com aquilo.
Henzo lançou um olhar pesado para ela, sua voz mais baixa, quase um suspiro de frustração:
— Não posso ficar aqui, e você vem comigo. Não quero que comecem a inventar histórias por minha ausência.
Sol, com a voz macia, respondeu perto do ouvido dele, só para ele ouvir:
— Claro que vou. Afinal, não perderia a chance de cuidar do meu maridinho… e de ver você se acabar.
Henzo apertou os olhos, sentindo o calor aumentar, e retrucou sem paciência:
— Não vou morr£r. Você vai ter que me aguentar por muito tempo ainda.
Ela deu um suspiro dramático, fingindo pesar.
— Que pena… seria o melhor presente de casamento que eu poderia ganhar.
Sem deixar o jogo de provocação morrer, os dois caminharam para fora do salão, prontos para encarar a próxima etapa dessa noite caótica, mantendo a imagem perfeita diante dos olhares atentos dos convidados.
Enquanto Henzo e Sol saíam do salão, Violeta e Madaleine trocaram olhares trocados, cheios de certeza.
— Você viu a cara dele? — murmurou Madaleine, baixinho, mas com um sorriso desconfiado.
— Tinha dedo da Sol nessa história, não tenha dúvida — respondeu Violeta, baixinho para que Maurice não ouvisse.
Madaleine balançou a cabeça, demonstrando preocupação, mas também divertimento.
— Essa garota adora uma confusão. Se não fosse pelo casamento, eu até diria que ela está curtindo o show.
— Curtindo? — riu Violeta — Ela não só está curtindo, como está armando tudo para ele pirar de vez.
Ambas ficaram em silêncio por um momento, observando Henzo ser levado às pressas para fora. Madaleine apertou os lábios, preocupada, mas sem deixar de pensar que a filha já mostrava que não era uma adversária qualquer.
— Esse casamento vai ser um inferno, Violeta.
— E olha que m*l começou.
No hospital, Henzo é rapidamente atendido por uma equipe preparada para casos de alergia grave. Ele estava pálido, com a respiração pesada, enquanto os médicos administram medicamentos e monitoram seus sinais vitais.
Sol, ao lado, senta numa cadeira perto da maca, fingindo estar absorta no celular. Seus dedos deslizam pela tela com aparente desinteresse, enquanto seus olhos observam Henzo de soslaio, um leve sorriso brincando nos lábios.
De vez em quando, ela levanta o olhar para a equipe médica, fazendo uma expressão preocupada — o suficiente para que ninguém duvide de sua preocupação, mas sem perder aquele toque sutil de provocação.
Henzo, entre tosses e suspiros, lança-lhe um olhar irritado, assim que os médicos saem da sala o deixando recebendo a medicação no soro.
— Não fica aí fingindo que está distraída. Não adianta. Eu sei que você está achando isso hilário.
Sol dá uma risadinha abafada, sem desviar o olhar do celular.
— Eu? Jamais. Estou só tentando me distrair. Você sabe, para não pirar junto.
Ele aperta o braço dela, ainda meio fraco.
— Você vai me pagar caro por isso.
Ela sorri, puxando o braço.
— Isso se você não morr£r primeiro, querido.
Henzo balança a cabeça, resignado, enquanto observa o soro. Sol volta a olhar para o celular, fingindo mexer nas redes sociais, mas seus olhos brilham com aquela mistura de diversão e desafio.