Enquanto Henzo recebe os últimos cuidados no hospital, a festa continua sem ele. A música suave e as taças tilintando seguem, mas ninguém consegue realmente se envolver: todos sabem que o noivo está hospitalizado.
Henzo, que havia investido uma pequena fortuna para impressionar os anfitriões e conselheiros da máfia, observa de longe, frustrado. Não pode desfrutar graças a Sol — a festa havia sido planejado para causar impacto, mas a realidade tomou outro rumo: ele não conseguiu aproveitar nada. A noite inteira se arrastou com alergia.
Enquanto isso, Sol permanece ao lado de Henzo, obrigatória e estrategicamente. Ela não deixa transparecer que tem culpa no que aconteceu; sua expressão de preocupação é convincente, mas o brilho nos olhos denuncia prazer silencioso pela vitória momentânea.
Henzo, fraco e ainda resfolegando, lança-lhe olhares carregados de frustração. Cada gesto dela, cada sorriso contido, é um lembrete silencioso de que ele está completamente à mercê da provocação dela.
— Você deveria ter ficado na festa, afinal é a noiva sortuda.
Ela arqueia uma sobrancelha, fingindo pesar:
— É meu dever de noiva… e de amiga? — provoca, com um leve sorriso de malícia.
Ele revira os olhos, tentando não perder a compostura:
— Amiga? — sua voz é uma mistura de indignação e exasperação. — Você quase me matou, Sol.
— E você ainda vai ter que me aturar e como ficou apenas no quase, sua missão agora, daqui para frente, vai ser tentar sobreviver querido subchefe — ela responde, divertida, sem perder o controle da situação.
Enquanto o soro termina e os médicos fazem os últimos ajustes, Sol permanece ali, implacável. Ela sabe que, por mais que a festa tenha sido planejada para impressionar, a verdadeira vitória da noite é dela: ter colocado Henzo em seu lugar — mesmo que isso custasse uma ida emergencial ao hospital.
Henzo a observa impotente, consciente de que, por mais que tenha gastado uma fortuna, o show real não estava acontecendo na pista de dança ou na mesa do buffet… mas naquele quarto, entre a provocadora noiva , e que ele era apenas um enfraquecido, numa batalha silenciosa que agora precisaria sobreviver.
Finalmente, quando o médico libera Henzo, ele se levanta com cuidado, apoiando-se na mão firme de Sol. Ela não demonstra cansaço, mas mantém os olhos atentos a cada passo dele. O trajeto de volta para casa é silencioso, exceto pelo leve resfolegar de Henzo e o ocasional suspiro de Sol, que mantém a postura de acompanhante nada preocupada — seus olhos brilham de diversão.
Ao entrarem no apartamento de Henzo, Sol observa cada detalhe sem comentar nada. É um espaço amplo, muito maior do que ela imaginava, com uma decoração que equilibra discrição e sofisticação. As paredes em tons neutros contrastam com móveis de linhas modernas, e objetos de arte espalhados cuidadosamente indicam bom gosto e bom senso estético. Apesar de não dizer nada, Sol sente a imponência do lugar — e, de alguma forma, também sente o peso do homem que ali habita.
Henzo se apoia no sofá, ainda um pouco tonto, enquanto Sol circula discretamente pelo ambiente. Ela toca de leve em algumas superfícies, observa a luz entrando pelas janelas amplas, e respira fundo.
— Impressionante — murmura ela, mais para si mesma do que para ele.
Henzo ergue os olhos, franzindo a testa:
— Está admirando meu apartamento, ou só tentando achar algum defeito?
Ela sorri, sem se virar totalmente para ele:
— Não estou dizendo nada…. Tudo no seu lugar, discreto, sofisticado… mas não vejo nada que me faça sentir i********e.
Ele a encara, um fio de exasperação na voz:
— Então, talvez você precise se acostumar. Aqui é meu território e seu novo lar, agora.
— Oh, que surpresa — ela murmura, arqueando uma sobrancelha — território do marido doente, que eu quase mandei para a Terra dos pés juntos.
Ele rosna baixinho, irritado, mas ainda fraco:
— Você não cansa de provocar, não é?
— Cansa? Jamais. Mas alguém precisa manter o clima interessante.
Ela finalmente se aproxima, encostando na lateral do sofá, mas mantendo distância. Observa cada detalhe, cada canto da sala, absorvendo o espaço sem perder aquele ar de desafio. Para Sol, ali não era apenas um apartamento; era um novo campo de batalha, onde ela precisava aprender a se posicionar — sem nunca ceder.
Henzo, sentado, a observa com olhos penetrantes, tentando calcular se aquela mulher será mais aliada ou inimiga naquele território que até então era exclusivamente dele.
O silêncio entre os dois é pesado, carregado de tensão e provocações não ditas, mas nenhum dos dois se atreve a ceder.
Sol finalmente quebra o silêncio, a voz firme, os olhos fixos em Henzo:
— E… onde é o meu quarto?
Henzo a encara por um instante, a expressão fechada, e responde, sem perder o tom autoritário:
— Eu vou te levar.
Ela cruza os braços, inclinando o queixo, desafiadora:
— Não precisa. Eu sei me virar sozinha. Só me diga.
Henzo a observa com olhos penetrantes, avaliando a ousadia dela, mas a voz não perde firmeza:
— Muito bem… mas lembra, você não se esquece de nada, Sol.
Ela sorri de canto, arqueando uma sobrancelha:
— Não me esqueço, não. Afinal, eu fugi do Dom da máfia… mas, precisamente, fui eu quem fugiu de você.
Ele franze a testa, surpreso, mas tenta manter o controle:
— Você sabia o que estava fazendo.
— Claro que sabia — responde ela, quase provocativa, caminhando lentamente pelo corredor — afinal, era você quem deveria proteger o dom, e falhou miseravelmente.
Henzo aperta os punhos, a respiração mais pesada, enquanto ela continua, cada palavra um soco silencioso:
— Isso significa que a sua segurança falhou. Será que eu deveria questionar o conselho? Por que me puniram, se na verdade o punido deveria ser você?
Henzo a observa, a tensão percorrendo todo o corpo. Ela está ali, provocando, desafiando, testando os limites dele, e mesmo assim, ele não recua. O silêncio que se segue é pesado, carregado de disputas veladas, cada palavra de Sol como lâmina, cada olhar dele como aviso: a guerra entre eles ainda está apenas começando.
__ Vem, vou te mostrar o caminho do seu quarto.
__ Eu já disse que não precisa.
Henzo acompanha Sol pelo corredor do apartamento. Ela sobe as escadas, passos firmes, como se o terreno já fosse todo seu. Ele caminha ao lado, o olhar fixo nela, tentando impor presença mesmo depois da noite caótica.
— O seu quarto fica ali, no final do corredor — diz ele, apontando, sem precisar se aproximar demais.
Sol não olha para ele, continua subindo com a postura ereta, braços cruzados.
— Sol — Henzo chama, firme, quase um aviso — o conselho certamente não me questionará por não ter tocado em você. Sabe que eu estava no hospital, mas… amanhã, Sol amanhã, eu vou reivindicar o que é meu.
Ela para por um instante, ainda sem se virar, os olhos fixos à frente, e a voz carregada de desafio sai firme:
— Você não vai me tocar, Henzo.
Ele franze a testa, surpreso com a audácia, e ela completa, sem hesitar, olhando agora diretamente para ele:
— Sol, me diz qual a parte que você ainda não entendeu que agora é minha pertencente? Você será minha, é minha.
Sol respira fundo, a tensão evidente em cada músculo. Por um momento, nada se mexe — o silêncio é carregado, cheio de eletricidade. Eles sabem que o jogo de poder está apenas começando, e que nem o casamento nem o apartamento podem mudar o fato: nenhum dos dois vai ceder facilmente.
Mas no fundo, Sol conhecia todas as regras da máfia, entre elas como deve funcionar o casamento.