Ainda naquele dia, um pouco mais tarde, Henzo entrou no quarto com o ar habitual de comando, os passos firmes ecoando pelo espaço. Ele parou perto da cômoda, cruzou os braços e olhou para Sol com aquela expressão que misturava autoridade e paciência limitada.
— Sol, — disse, a voz firme, — teremos um jantar de negócios hoje à noite. Quero que você se arrume. Coloque um vestido elegante. Nada de exageros, mas nada de discreto demais. — Ele fez uma pausa, avaliando cada reação dela. — Esse jantar é importante. Quero que todos lembrem quem sou, que agora sou um homem casado e que você é minha esposa ou melhor, pertencente.
Sol arqueou uma sobrancelha, inclinando a cabeça, com aquele sorriso contido e provocador nos lábios.
— E eu tenho alguma escolha, ou apenas obedeço, meu querido Henzo? — perguntou, a voz carregada de ironia.
Henzo deu um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse a presença dele, sem tocá-la ainda.
— Você obedece, mas não por medo — disse ele, o olhar firme. — Obedece porque eu exijo. Elegância é parte do nosso jogo na máfia, porque exala pode. Você entende a diferença entre poder e aparência?
Sol riu baixinho, quase um sussurro, enquanto se aproximava do espelho.
— Entendo, sim… mas isso não significa que vou me comportar como todo mundo espera — disse, escolhendo mentalmente o vestido que seria ousado o suficiente para marcar presença, mas ainda dentro do conceito de “elegante” que ele exigia.
Henzo apenas estreitou os olhos, cruzando os braços novamente. O canto da boca dele quase denunciava que estava dividido entre a irritação e a admiração.
— Ótimo, então. Tome um banho, se arrume e vamos. Quero que seja impecável. — Ele deu um passo para trás e deixou o quarto, o som de seus passos desaparecendo pelo corredor.
Sol respirou fundo, um sorriso de desafio se formando. — Impecável, mas à minha maneira… — murmurou, já sentindo a adrenalina de provocar Henzo mesmo antes de sair para o jantar.
Quando Sol saiu do banheiro, o vapor ainda se agarrava à sua pele quente, e o perfume adocicado pairava pelo quarto. O vestido que escolheu era ousado: justo, de cor marcante, destacando cada curva sem pedir licença. O decote revelava, mas não escancarava; a f***a lateral deixava suas pernas à mostra em movimentos sutis. O salto fino a alongava, dando leveza aos passos enquanto ela ajeitava os cabelos soltos, levemente ondulados. Os brincos grandes refletiam a luz do lustre, e cada detalhe parecia planejado para ser lembrado.
Henzo, sentado na poltrona com a taça de vinho na mão, franziu a testa, olhando para o relógio e depois para porta do quarto. A paciência acabava:
— Sol, anda! — ele gritou, a voz firme, quase ríspida. — Vamos nos atrasar!
Ela abriu a porta e girou sobre os saltos, um sorriso de deboche nos lábios:
— Estou pronta, marido. Mas não é da sua conta quanto tempo eu levo.
Henzo se levantou, o corpo rígido, a postura dominadora. Ele se aproximou, sem tirar os olhos dela:
— Um homem, quando tem uma esposa, tem prestígio. — a voz dele carregava autoridade. — E quanto mais todos acharem que você é submissa, mais respeito eu ganho. Com você… é diferente, Sol. Você não é só minha esposa. É minha pertencente. E essa noite, eles vão ver isso.
Ela arqueou uma sobrancelha, inclinando a cabeça com ironia:
— Sua pertencente, é? Então espero que todos saibam que não foi por vontade própria que estou aqui.
Henzo não disse nada. Ele apenas a observou enquanto ela terminava de ajeitar o vestido, os cabelos e a maquiagem impecável. Quando finalmente ela se virou para sair, ele engoliu seco, mantendo a postura dura, mas por dentro o impacto da beleza dela era inegável. Ela estava perfeita, radiante e absolutamente confiante, e por um instante ele se pegou medindo o efeito que aquilo causaria nos outros e sentiu ciúmes.
— Então vamos — ele disse, tentando soar firme, mas acelerando o passo ao lado dela. — Ninguém precisa perceber que você me tira do sério, mas todos vão perceber que você já tem dono.
Sol deu um sorriso contido, ainda provocadora, e seguiu para a saída, segurando a bolsa com uma mão, o outro braço livre para gesticular como quisesse. O ar ao redor dela parecia carregado de audácia e elegância. Henzo ajustou o paletó, controlando cada músculo, e manteve o olhar fixo nela, guiando-a, impondo território sem precisar de palavras além do necessário.
Assim que Henzo abriu a porta do quarto e deu passagem para Sol, percebeu que seu pressentimento se confirmava. Bastou que ela atravessasse o corredor para os primeiros olhares se virarem em direção a ela, como se a atmosfera tivesse mudado com a presença dela. O vestido justo, o salto marcante, os cabelos soltos balançando a cada passo — tudo nela gritava ousadia, confiança e uma beleza difícil de ignorar.
Henzo caminhava ao lado, a postura ereta, olhar frio, tentando transmitir naturalidade, mas por dentro sentia o peso daquela cena. Ele sabia que todos olhariam, mas não havia se preparado para o impacto coletivo. Era como se cada olhar masculino fosse uma afronta, como se cada sussurro fosse um desafio à autoridade dele.
A mandíbula dele se contraiu, e a mão que segurava o celular no bolso do paletó apertou com força. Quando chegaram ao saguão do hotel, um grupo de executivos que conversava perto do bar parou por alguns segundos, sem sequer disfarçar a curiosidade. Os olhares eram diretos, famintos.
Henzo respirou fundo, mas o incômodo crescia. Sentiu o colarinho da camisa apertar de repente, como se o ar ficasse pesado, e instintivamente levou a mão à gravata, afrouxando o nó com um movimento rápido e quase imperceptível. Mas Sol percebeu.
Ela percebeu e sorriu — um sorriso de canto, irônico, carregado de desafio.
Henzo a guiou até a saída, a mão pousada nas costas dela em um toque firme e possessiv0. Por fora, mantinha a imagem do homem no controle, seguro de si. Mas por dentro, um incômodo ardia: o ciúme. Ele sabia que aquela noite seria longa, porque não havia a menor chance de Sol passar despercebida.
E ela sabia disso. Cada passo que dava parecia calculado para atiçar o fogo que Henzo tentava sufocar dentro do peito.