Chapter 11 - Sofya

1301 Palavras
- Oi, você é nova aqui não é? Como se chama? - Perguntou uma menina alta, com cabelos longos e pretos e lindos olhos castanhos. - So... Sofya. - Oi Sosofya. - Ela fez graça. - Me chamo Sabina, bem-vinda ao programa. - Sorri, de alguma maneira aquela garota me alegrou. Eu estava assustada por estar em um país novo e estar sozinha, mas de alguma forma aquela primeira pessoa falando comigo me acalmou e melhorou meu dia. . . . - Joalin? - Chamei ela quando ela terminou suas aulas. - Oi Sofya, o que houve? - Perguntou ela preocupada. - Algo com a Sabina? - Ela estranhamente estava mais preocupada com o estado da Sabina ultimamente. - Ahm... Não. - Digo. - É que... A Shivani. Me chamou pra sair. - Falei pausadamente. Joalin sorriu. - Ah que fofo! - Ela comenta, em seguida franziu a testa. - Você é hetero? - Não. - Respondi. - Mas é que... Eu tenho medo. - Do quê? - Ela perguntou puxando meu braço para nos sentarmos em um sofá que havia ali perto. - As meninas da irmandade falaram que irão procurar um psicólogo pra mim por causa do estado da Sabina, a Shivani parece ser uma pessoa legal, não quero acabar falando de mais sobre a Sabina ou sobre o que estou passando e assustar ela. - Joalin suspirou. - Minha opinião: Eu acho que deve sim aceitar sair, acho que a Sabina iria gostar disso. - Ela desvia o olhar rapidamente. - Você acha? - Ela assentiu. - Claro que sim. Pelo que vocês já me contaram, consigo imaginá-la te incentivando e falando: vai que é tua, Sosofya. - Franzi a testa. - Só a Sabina me chamava assim. Como sabe desse apelido? - Ela arregalou os olhos como tivesse dito algo que não devia e em seguida sorriu nervosa. - Acho que ouvi alguém te chamar assim... - Eu iria falar que ninguém nunca me chamou assim, mas ela me interrompeu. - Mas você está perdendo o foco. Acho que você deve sair com a Shivani. . . . E eu aceitei o conselho da Joalin. Shivani era uma pessoa interessante. Ela conversava sobre coisas interessantes. Ela se tornou uma grande amiga e me apoiou em tudo, queria saber mais sobre a Sabina e me incentivou à ir ao psicólogo, Shivani foi uma pessoa maravilhosa na minha vida. - Elas querem que eu procure ajuda psicológica. - Disse em nosso encontro. Estávamos no Starbucks. - Bom... A julgar o tanto que você é apegada à Sabina, acho uma boa ideia. - Diz ela. - E você precisa estar bem quando ela acordar. - Você acredita que ela irá acordar? - Shivani franziu a testa. - Claro que sim... Ela vai acordar e tudo isso vai passar. - Ela suspira desviando o olhar. - De uma forma ou de outra. - Então acha que devo procurar um psicólogo? - Ela assentiu. - Sim, mas é só minha opinião, ok? Se você não quiser... - Ela dá de ombros. - Te apoiarei mesmo assim. . . . Demorei à decidir, mas após muito pensar, procurei uma psicóloga e Shivani me acompanhava em todas as sessões, ficava na sala de espera, mas ainda assim estava ali. Minha psicóloga me preparava para uma possível partida da Sabina, eu sentia isso, de uma forma indiscreta ela o fazia e, de alguma forma, estava funcionando. Agradeci a minha psicóloga por mais uma sessão e me encontrei com a Shivani na recepção. - Como foi? - Ela pergunta pondo sua bolsa no ombro. Dei de ombros. - Você parece mais triste que o normal. - Ela falou. Suspirei. - Uma semana... - Diz ela. - Só temos mais uma semana. - Engoli em seco. Shivani me olha com compaixão e me abraça. - A doutora disse que eu tenho que começar a me despedir e parar de ir ao hospital... Mas eu não consigo. Eu preciso dela. - Shivani segura a minha mão. - Eu sei que eu não sou ela, mas estou aqui com você e por você. - A encarei. - Obrigada, Shivani. - De nada. Bom... Eu não sei onde que essa psicóloga se formou, mas ela está errada. - Ela se levanta. - Vamos ao hospital. Já passou da hora de você me apresentar para a Sabina. - Ri. Fomos ao hospital cantando músicas altas, fazendo duetos, se remexendo no banco e rindo bastante. Shivani era muito especial para mim, e eu tinha que parar de me apegar tão rápido as pessoas, esse provavelmente era meu maior defeito. Quando ainda estava em dúvidas sobre o que sentia pela Shivani, procurei por Joalin, ela disse que o que sentíamos era puro e que eu deveria tentar. Acho que a Sabina diria o mesmo. - Hey, Sabi... - Digo entrando na sala. - Essa é a Shivani. - Shivani se aproxima da maca. - Hey, Sabina... - Ouvi falar muitas coisas boas de você. - Diz sorrindo. - Sinto como se já te conhecesse. - Ri. - Ela é minha namorada. Já te falei sobre ela. - Parei e encarei a Shivani. - Acha que ela está me ouvindo? - Shivani encarou Sabina por alguns segundos. - Sim... E nem ouse perder as esperanças... Ela vai voltar para você, Sofya. - Me sentei ao lado dela na maca. - Todos já perderam a esperança, Shiv. Eles têm medo do que pode acontecer comigo quando a Sabi for embora. - Quando? - Desviei o olhar. - Você perdeu suas esperanças também? - Não... - Falo insegura. - Eu não sei. Eu só quero ela de volta. - Shivani me abraçou e beijou minha testa e assim ficamos até o horário que tivemos que ir. . . . Estávamos na irmandade. Todos apreensivos, acabou o prazo, Sabina não havia acordado, não havia mais esperança. Heyoon ligou para Sina e com lágrimas nos olhos ela nos disse o que aconteceu. Tínhamos que ir ao hospital, ao menos nos despedir. Achei que seria fácil, afinal, parecia que o trabalho com o psicólogo estava tendo algum efeito. Um doce engano. Ao ver os médicos tentando levá-la, meu coração se despedaçou e se Heyoon não tivesse me segurado, eu com toda certeza avançaria na equipe médica. Todos os momentos com a Sabina passando em minha cabeça e agora ela iria embora e provavelmente morreria, os seus pais logo assinaram o documento e iria autorizar a desligar as máquinas e talvez fosse melhor assim. A Sabina poderia estar sofrendo muito mais do que nós. Era triste, mas aquilo tinha que acontecer. Ela tinha que ir. E então o Natal, Páscoa, Ação de Graças, 4 de Julho, meu aniversário... Nenhuma data comemorativa seria a mesma, não teríamos mais a Sabina para nos alegrar, meu aniversário não seria mais comemorado, afinal, como eu poderia comemorar daquela maneira? Não teria mais graça e seria errado, 23 de Outubro jamais seria o mesmo. Por um momento, odiei a Sabina, ela havia roubado nossos corações e agora... Havia levado uma parte nossa com ela. Mas logo passou, como eu iria odiar uma pessoa que havia feito um bem enorme para todos durante sua breve vida? Era impossível de se odiar a Sabina. Às vezes a gente gostaria de acertar ela com um tijolo, mas quem nunca? Naquele momento eu desejei que ela acordasse, perguntasse com aquela voz rouca de sono o que estava acontecendo, mas não aconteceu. Então eu desejei que eu acordasse daquele pesadelo, que fosse tudo um sonho r**m e que ao acordar a Sabina estaria na cozinha ou se preparando para a faculdade, ou ainda, dormindo, descansando depois de uma semana puxada e corrida. Eu desejei aquilo do fundo do meu coração, mas não funcionou. Ela não acordou. Ela não acordaria. Acabou.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR