Mais um trovão. Me assustei e me sentei na cama gritando.
- Hina? - Ouvi a voz de Sabina. Ela ligou o abajur. - Está tudo bem? - Assenti, mas outro raio seguindo do trovão me fez gritar de susto novamente. Sabina se levantou e se sentou ao meu lado, me pedindo espaço e assim eu dei. Ela se deitou e eu me deitei ao lado dela. - Calma... Os trovões não vão te m***r, talvez os raios, mas isso se você atraí-los pra você. - Outro trovão alto e eu me encolhi nos braços dela. - Abre os olhos... - Ela disse, eu neguei. - Vamos... Confia em mim. - Abri um olho e vi um raio, fechei novamente. - Hina... Sempre que você ver um raio, você começa a contar, e para após ouvir o trovão, quanto mais segundos levar, mais longe ele está, vamos? - Assenti. - Quer abrir o olho? - Neguei. -Okay... Eu olho pra você. - Esperamos um pouco. - Um clarão... 1...
- 2... 3... 4... 5... 6... 7... 8... 9... 10... - Ouvi um trovão e Sabina me apertou mais forte.
- Está tudo bem... Outro clarão. 1...
- 2... 3... 4... 5... 6... 7... 8... 9... 10... 11... 12... 13... 14... 15... - Outro trovão, dessa vez mais baixo. - Está passando. - Senti a risada dela em minha cabeça.
- Está sim... - Ela fez carinho no meu cabelo e cantarolou, esqueci de contar e tão logo adormeci.
As noites chuvosas agora não é a mesma coisa, Sabina sempre me acalmava e fazia de tudo para que eu não me assustasse durante a noite. Eu não dormia em meu quarto desde, eu não conseguia, ele estava intacto, minha cama e a dela arrumadas, groot no mesmo lugar, Sofya deixando tudo arrumado sempre para o dia que ela voltaria.
- 1... 2... 3... - Josh bateu palmas nos preparando para a dança. Os passos eram rápidos, mas nada difícil para nós que já treinávamos há 1 semana. - Legal. Okay galera, por hoje é só... - Diz ele.
- Sofya. Hina... - Joalin, irmã de Josh nos chama. Ela parecia agitada. Durante esse período nós ficamos mais próximas dela. Ela era uma pessoa especial e muito parecida com a Sabina. - Eu fiquei sabendo sobre a Sabina. - Encarei Sofya. - Eu sinto muito... - Sofya abaixou o olhar.
- Obrigada... - Agradeci já puxando a Sofya.
- Não, esperem... – Ela nos para. - Falei com a Sina. Ela está no hospital... - Ela começou. - O que acha de sairmos um pouco? Nós três e o Krystian? Assim vocês me falam mais sobre ela. - Ela tenta. - Quero conhecê-la. - Eu e Sofya nos encaramos e assentimos, que m*l iria ter?
Joalin e Krystian eram pessoas maravilhosas e nos fizeram rir e nós esquecemos por um momento a tristeza que nos consumia há algum tempo.
Por isso nós nos apegamos demais a Joalin. Depois do acidente da Sabina, eu só vi a Sofya se abrir com ela, era como se a loira fosse a própria Sabina.
Com o tempo Joalin passou a ir mais ao hospital, ela conversava com a Sabina e ficava lá na hora do almoço, o que era bom, se a Sabina estivesse ouvindo, ela não ficaria sozinha.
. . .
Eu estava na faculdade, sentada no pátio com fones no ouvido e rabiscando um desenho no caderno quando alguém se aproximou e acenou para mim. Tirei meus fones e encarei a garota ao meu lado.
- Hina, certo? - Assenti com o cenho franzido. - Sou a Shivani. - Ela estendeu a mão para mim.
- Oi. - Disse hesitante.
- Você é da irmandade da Sofya, certo? - Franzi a testa, mas não respondi e ela nem ao menos esperou a resposta, parecia nervosa e ansiosa. - Será que você pode dizer para ela que eu gostaria de falar com ela? - E então eu sorri.
- Você gosta dela? - Percebi que Shivani ficou com vergonha, abaixando o olhar e levando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.
- Acho ela fofa, mas tenho medo de, sei lá... Tentar me aproximar. Ela parece ser difícil.
- E ela é... - Digo. - Mas irei falar de você para ela. - Afirmei sorrindo e ela sorriu também.
- Legal... - Diz ela ainda nervosa. - Obrigada.
- De nada... - Ela ainda ficou sem reação por um tempo antes de se virar e sair, me deixando sozinha novamente.
. . .
Já era noite e era a vez da Yoon ficar com a Sabina no hospital. Sofya não estava muito bem por Heyoon ter dito que Sabina pode não acordar e o jantar aquela noite estava mais silencioso que o normal.
- Sofya... - Começa Diarra. - Nós estávamos pensando, mas não acha melhor ir à um psicólogo? - Eu e Any nos encaramos rapidamente. Pelo visto apenas a Sina e a Diarra conversaram sobre, e talvez a Heyoon. Sofya franziu a testa.
- Por qual motivo? - Diarra e Sina se encaram.
- Você sabe que existe a possibilidade de... - Antes de Diarra terminar a Sofya ia se levantar, mas eu me levantei também.
- Não. - Todas elas me encararam sem entender. - Eu também sinto falta dela e eu desejo de todo o coração que ela acorde, mas o médico disse que apesar das poucas melhoras, ela não está tendo um progresso positivo... - Ela não saiu, talvez chocada por minha reação autoritária. - Sabemos que existe a possibilidade dela não acordar nesse mês que o doutor nos deu, e dói, dói muito, mas temos que aprender a viver sem ela caso ela seja deportada e você... - Apontei o dedo indicador pra ela. - Sabe que isso pode acontecer. Ninguém pediu minha opinião, mas para o seu próprio bem, acho melhor você escutar as meninas e ir buscar um psicólogo. - Ela me ignorou e saiu da cozinha, me sentei.
- Você fez bem, Hina. - Diz Sina.
Me senti m*l pela forma como falei com a Sofya. Ela era muito apegada a Sabina.
Após o jantar eu subi as escadas, Sofya estava em meu antigo quarto, na cama da Sabina.
- Eu sei que ela pode não acordar... - Diz ela ao perceber minha presença. - Mas... - Ela soluçou. - Dizem que a gente atrai o que fala, não é? - Ela fungou, entrei em meu quarto pela primeira vez em meses. - Eu não sei o que vou fazer se ela se for... - Abracei a Sofya e ficamos assim por alguns minutos.
- Seguir em frente. - Falei depois de muito tempo. - Se a Sabina pudesse nos falar algo... Ela falaria isso, para seguirmos em frente. - Sofya me encara. - É difícil, eu sei... - Suspirei. - Mas é o que temos que fazer. - Ela assentiu voltando a chorar.
- Se você não quiser ir ao psicólogo, você poderia conversar com a Joalin pelo menos...
- Ela me lembra a Sabi... De um jeito diferente. - Hina sorri.
- Sim... Você confia nela? - Indaguei.
- Sim... É uma boa ideia. – Ela suspirou. – Obrigada, Hina.
- Sei que não é um bom momento... Mas uma garota da faculdade e que dá aulas na academia de dança disse que te acha fofa... Você podia falar com ela também. - Falei sorrindo, Sofya franziu a testa. - Ela falou comigo hoje... Porque não dá uma chance? - Sofya ponderou a ideia.
- Pode ser... Sabe a faixa etária pra qual ela dá aula? - Neguei.
- Mas se eu vê-la na faculdade, falo que pode ir falar com você sem medo. - Sofya sorri e me abraça.
- Pela Sabi... - Suspirei entendendo o que ela quis dizer. Ela iria seguir em frente.
- Pela Sabi. - Algum tempo depois Sofya me agradeceu e foi para o quarto, falei para ela que logo iria e fiquei ali, não sei quanto tempo demorou para que chovesse, com raios e trovões.
- 1... 2... 3... - Comecei a contar quando vi o primeiro raio clarear a noite chuvosa.