Gotham City

4854 Palavras
Humm ciúmes no ar.. Espero que gostem. Boa leitura. Arizona Robbins P.O.V Acabei cancelando todos os meus compromissos para aquela sexta. Não estava com a menor cabeça para lidar com qualquer reunião aquele dia e por isso acabei passando todo o expediente dentro no laboratório de nanotecnologia da Robbins Corp. Grande parte do meu projeto principal já estava sendo testado, com resultados preliminares satisfatórios, o que me animava cada vez mais com a possibilidade de realmente existir ali um tratamento viável e seguro para Tim. Para aquele fim de semana, acabei levando diversos relatórios para analisar em casa, tentando assim me ocupar o suficiente para não pensar em como exatamente eu ficaria toda a semana sem Callie por perto. Trabalhar com uma assistente temporária seria tão estranho depois de tudo, já que na minha cabeça era quase impossível arrumar alguém tão boa profissional, quanto Srta. Torres era. Claro, também havia o fato implícito de que ninguém poderia ser ela, então eu não queria. Já na segunda-feira, durante o café da manhã, recebi uma mensagem de texto de Callie. Ela dizia bom dia, com um enorme lembrete sobre o almoço importante com os investidores de Dubai, que eu não podia nem sonhar em remarcar – aparentemente, Lexie a tinha deixado bem informada do que eu havia aprontando durante a sexta-feira com a sua ausência. E como era óbvio, eu sorri como uma i****a para o celular, antes de respondê-la de uma forma decente. Algumas horas depois já estava na minha sala, quando Lexie entrou no meu escritório sorrindo brilhantemente como se alguém estivesse distribuindo dinheiro na rua enquanto se aproximou de mim. Ela foi seguida por uma atraente loira de vinte e poucos anos que foi apresentada como Brittany Timber, minha nova assistente temporária. A coitada parecia uma adolescente tímida, o que quase me fez sentir pena dela, dada à minha enorme fama de chefe intragável. – É um prazer conhecer você, Srta. Timber. – Comentei sem levantar da minha mesa. – É um prazer conhecer você também, Mrs. Robbins – Respondeu hesitante, enquanto ela olhava para Lexie curiosa. Lexie olhou para minha mão estranhamente e de volta até mim antes de falar com Brittany. – Tudo bem. Bem, eu já tinha falado para você tudo o que Callie deixou para mim. Ali fora está a sua mesa. – Disse Lexie enquanto apontava para a mesa do outro lado da porta. Uma sensação estranha se apoderou de mim ao visualizar a imagem de alguém sentado ali que não fosse Calliope. Acenei para as duas e voltei a analisar os resultados da minha pesquisa, algo realmente importante. A pobre garota deveria desistir do emprego até o meio-dia eu suponho, ao se deparar com a carga de trabalho que ser minha assistente exigia. E foi o que aconteceu. Brittany pediu demissão antes do almoço, já que aparentemente, fui um pouco rude quando ela derramou café na minha mesa e conseguiu iniciar um pequeno incêndio no micro-ondas na copa. A última vez que eu a vi, ela estava em lágrimas correndo para fora da minha porta, lamentando algo sobre um ambiente de trabalho hostil. A culpa não era minha se ela era uma maldita incendiária que quase ateou fogo no meu andar. O segundo temporário chegou cerca de duas horas da tarde, sob a forma de um jovem chamado Cris, um rapaz magrelo com cara de estagiário de revista de moda. Ao menos ele não parecia prestes a ter um ataque e trazia o benefício real de não me lembrar em nada Callie Torres. Assim, eu focaria de alguma forma mais decente no trabalho sem ter alguém com a mesma cor de cabelo dela sentada perto de mim. E como foi com a garota incendiária, ele também não durou. Após um erro grosseiro onde ele conseguiu confundir os horários da minha agenda e me fez perder uma reunião com o grupo Wayne, acabou muito bem demitido por mim. A terceira não foi melhor. O nome dela era Kathy; ela falava demais, a roupa era muito apertada e o jeito que ela roía a tampa de sua caneta fazia ela parecer com um animal tentando livrar-se de uma armadilha. Não era nada como a maneira que Callie ficava pensativa segurando o fim de sua caneta entre os dentes, quando ela estava em um pensamento profundo. Isso era sutil e sexy, além de um movimento que eu achava adorável em vários aspectos enquanto a nova temporária era vulgar. Kathy acabou pedindo para sair na terça-feira à tarde. A semana continuou da mesma maneira, comigo passando por cinco assistentes diferentes até Lexie, provavelmente, desisti de pedir mais gente para o RH e acabar assumindo as funções de Callie. Eu ouvi o riso debochado de George O'Malley ao comentar o ocorrido, quando ele encontrou comigo durante o almoço com a Diretoria Financeira. Panaca. Ele nem sequer trabalhava perto de mim e queria dar opinião sobre como eu deveria não ser tão insuportável assim com os "pobres temporários". Eu só queria alguém minimamente competente, isso era pedir demais? E como não poderia ser menos óbvio, Callie se manteve bem informada sobre meu inferno com os temporários, através de Lexie, o que a havia feito trocar mais mensagens de texto comigo que o necessário sobre o trabalho. Não que eu estivesse reclamando. Até porque, o assunto de trabalho uma hora acabava e a conversa fluía para coisas triviais e engraçadas. E como uma Robbins jamais dispensa uma boa oportunidade, comecei a checar meu celular com uma rapidez absurda a cada notificação nova.Callie era além de divertida com alguns comentários, o que estava me arrancado risadas entre uma reunião e outra. Acabei me perguntando o que ela estava fazendo em Metrópoles, por mais de uma vez, já que pontualmente ela comentava sobre estar no meio de alguma atividade com a sua mãe, embora eu acabasse sempre desistindo de perguntar. Não queria pisar em falso e fazê-la não me responder mais. Também me irritava profundamente não saber se ela também trocava mensagens com Mike e se ela também ria com ele como dizia estar rindo comigo. Tínhamos conseguido chegar a um precário cessar-fogo no que diz respeito ao incidente das flores, e ela não tocou mais no assunto se iria sair ou não outra vez com ele. Eu brevemente considerei ligar para minha mãe e casualmente perguntar se ela sabia se eles já tinham saído, mas eu sabia que só iria incitar mais perguntas. Comecei a arrumar minha bagagem para o meu voo no domingo, depois do anoitecer, quando ouvi o meu telefone vibrar da cama ao lado da minha mala. Cheguei até ele e fui surpreendida por seu nome na notificação. Encontro você amanhã de manhã às 11:30. Terminal B perto das telas de chegada. Mande mensagem quando você pousar. Parei por um instante, percebendo que eu iria finalmente vê-la amanhã. Não se preocupe, eu irei. Boa noite ;) Meu estômago revirava tanto a cada mensagem trocada que eu me sentia como um total adolescente naquele momento. E como toda adolescente moderna, perguntei-me se ela iria demorar para responder, ou se era apropriado mandar mais de um emoticon. Voltei a reiniciar minha arrumação de malas ainda ansiosa demais. Quando meu telefone tocou novamente um minuto depois, eu estava olhando para ele com expectativa. De nada (y) Está tudo bem? -------- Um pouco cansada, mas nada que a minha cama não resolva ❣️ E você? Ri baixinho quando eu apertei enviar, eu queria dizer que queria ela na minha cama, mas não queria levar um belo emoticon de dedo do meio antes de dormir. Menos de um minuto depois, recebi outra mensagem. Um pouco depressiva por não ter mais a comida da minha mãe por perto ��mas vou superar. Ao menos Gotham está mais ensolarada que o normal. Enfim, vejo você amanhã. Configurei o alarme no meu telefone, coloquei no criado-mudo e sentei ao lado de minha bagagem na cama. Respondi que levaria meu biquíni para aproveitar o sol com ela, e respirando fundo, soltei o celular ao meu lado da cama. Deitei de uma vez. Se eu estava ansiosa para rever Callie em algumas horas? Bastante. Até demais na verdade. E mesmo sem ter como prever se aquilo daria certo em algum aspecto decidi ali, que já havia passado da hora de ser corajosa. Era hora de falar com Callie sobre tudo. Callie Torres P. O.V Repensei a minha decisão de visitar minha mãe em Metrópoles logo naquela semana, conforme havia planejado após conversar aquela noite com Meredith. O que me balançou foi o maldito pedido de desculpas de Ari no banheiro daquele restaurante, que até hoje não consegui explicar para Lexie porque sai com o lábio tão inchado de lá. Contudo, ao ver que o RH havia sido favorável levei a ciência para Mrs.Robbins e ela poderia não ter assinado, mas o fez. Talvez, ela soubesse tanto quanto eu que precisávamos de um momento afastadas se quiséssemos fazer aquela viagem "profissional" dar certo. Para tanto, eu não esperava que Mrs. Robbins se daria tão m*l com mais de 4 temporários diferentes e Lexie tivesse acabando por assumir meu posto, mesmo sem receber nada em troca. Minha amiga era a melhor pessoa, e eu prometi que a recompensaria quando voltasse. Até porque os dias com a minha mãe haviam sido ótimos, como geralmente eram. Eu havia montado a cavalo, ajudado minha mãe a cozinhar e conversado sobre as mais diversas questões. Se Mer também pudesse ter ido, teria sido ainda melhor, mas sua escala insana de plantão estava fora de folgas aquela semana, então fui apenas eu e Eliza, uma amiga. Jack, o novo namorado de mamãe também apareceu para um almoço e eu finalmente pude revê-lo. Ele continuava um cara legal. E até o momento em que minha mãe me deu um beijo de despedida, continuei me sentindo tão preparada quanto o possível para aquela viagem. Acabei indo de carro para Gotham, pela cidade ser absurdamente mais próxima de Smallville, que a própria Metrópoles. Não queria dar o braço a torcer tão fácil, mas eu estava nervosa como o inferno para enfrentar a Mrs. Robbins novamente, tanto que eu vinha no carro fazendo o meu melhor para tentar me concentrar, embora continuasse péssimo entender meus sentimentos confusos. Para começar eu acabei admitindo para mim mesma que havia voltado para casa de minha mãe para me esconder dos meus problemas. Além de também admitir que não havia funcionado. Pelo menos, não na parte que acabei trocando dezenas de mensagens com ela, falando de assuntos que já não tinham mais nada a ver com o trabalho. Era ridículo, e eu sabia disso. Tanto que eu havia até mesmo sonhado com ela, o que me deixava ainda pior, pois não foi uma só noite. Foi toda a semana. Eu me sentia uma i****a carente que acorda frustrada de manhã. Mas o que fazer, quando você começa a desperdiçar todo seu tempo ocioso pensando e pensando no que aquela pessoa está fazendo, querendo saber se ela estava tão confusa quanto eu, e tentando recolher cada pedaço de informação que eu poderia com Lexie sobre como as coisas estavam indo na Robbins Corp. Eu e minha amiga havíamos tido uma conversa interessante terça-feira, quando ela ligou e me informou sobre o estado da minha substituição. Eu ri histericamente escutando sobre a constante troca de temporárias. Claro que ela estava tendo dificuldades em manter alguém por perto. Ela era uma i****a que, praticamente, só eu suportava. Até porque eu já estava acostumada o suficiente com as oscilações de seu humor entre o normal e o péssimo, algo que honestamente já não me afetava mais. Eu sabia que era boa no meu trabalho e me orgulhava da minha capacidade de ser a única a conseguir sobreviver a Mrs. Robbins. Profissionalmente nosso relacionamento funcionava como um relógio, embora pessoalmente, fosse aquela confusão emocional toda. Ao menos estava sendo assim comigo. Pensei muitas vezes em nosso último dia juntas. Alguma coisa em nosso relacionamento tinha mudando, embora eu ainda não tivesse a certeza de como eu me sentia a respeito disso. Eu disse a ela que nosso relacionamento físico tinha acabado, e eu sabia que tinha que tentar manter isso em pé, embora nossa última reunião tivesse sido um tapa na minha cara, ao deixar claro que ficar do lado dela era como ter um barril de pólvora no colo. Enquanto eu fosse completamente honesta comigo mesma, eu sabia que estava com medo. Eu estava com medo de que esta mulher, que era totalmente errada para mim começasse a ter mais controle sobre meu corpo do que eu era capaz de resistir. --------------------------- Assim que cheguei na área de desembarque, tive comigo mesma uma conversa motivacional. Vamos lá, Callie, você pode fazer isso. Oh Deus, eu esperava que eu pudesse mesmo. As borboletas no meu estômago estavam fazendo hora extra e fiquei um pouco preocupada que eu pudesse vomitar nos seus sapatos caros. Seu avião havia se atrasado e era mais de duas da tarde quando ela finalmente pousou em Gotham. Duas horas e meia extras para pensar sobre tudo, não tinham feito nada quando o quesito era eu ficar mais calma. Respirei fundo, e fiquei na ponta dos dedos tentando ter uma visão melhor no meio da multidão, mas não a vi. Olhando para o meu telefone, eu reli sua última mensagem de texto. Quase no desembarque, vejo você em breve. Não que tivesse algo de fofo em suas palavras, eram só palavras normais, mas fizeram meu estômago se agitar da mesma forma. Nossas mensagens na noite passada tinham me deixando da mesma maneira. Principalmente, a que ela mencionava um biquíni, o que me deixou realmente animada com o pensamento nada puro. Não é que nós tenhamos dito nada de especial, eu apenas perguntei sobre a forma como o resto de sua semana tinha ido. Isso não seria considerado incomum em qualquer outro relacionamento, mas foi um fato completamente novo para nós duas. Talvez houvesse uma chance que nós pudéssemos realmente ter passado de uma animosidade constante a realmente o quê? Amigas? Empurrei meu sapato para frente e para trás, sem sair do lugar, querendo que minha mente mudasse de marcha e meus batimentos cardíacos acalmassem. Isso ia ser mais difícil do que eu pensava. Sem pensar, eu parei no meio do passo e me virei para a multidão que se aproximava. A emoção corria através de mim quando eu dei um passo à frente, procurando através do mar de rostos desconhecidos, meu corpo já respondendo a sua proximidade. Minha respiração ficou ofegante na minha garganta quando a vi, e p***a, ela estava tão gostosa. Controle a si mesma, Callie. Jesus. Eu tentei mais uma vez por meu corpo sob controle e olhei para cima novamente. p***a. Estou tão ferrada. Lá estava ela, parecendo mais sexy do que eu já tinha visto antes. Como isso era possível? E como diabos alguém pode ficar melhor em só uma semana? Seu cabelo estava completamente liso jogado sobre os ombros, mas aparentava um pouco de bagunça, como se ela tivesse dormido a viagem inteira. Não havia espelhos na classe executiva, ou ela chegava assim só para provocar todo o maldito aeroporto com toda aquela beleza? Eu não podia responder. Ela vestia uma calça preta, salto alto e um blusão branco com a gola da camisa jogada ao ombro deixando sua clavícula a mostra, aquilo era o meu fim. Eu nunca tive tara por clavículas na vida, mas absolutamente tudo nela era apelativo para mim. Também parecia cansada, com olheiras visíveis no rosto. Ela olhava para o chão, mas no momento que nossos olhos se encontraram, seu rosto formou o mais genuíno e lindo sorriso que eu já vi. E antes que eu pudesse impedi-lo senti meu próprio sorriso se espalhar lentamente no meu rosto em troca. Ok. Estávamos apenas sorrindo uma para a outra. Normal, certo? Não estrague tudo, disse para mim mesma quando ela parou na minha frente, um olhar um pouco mais tenso no rosto, enquanto nós duas esperamos uma a outra dizer alguma coisa. – Oi. – Comecei sem jeito, tentando aliviar um pouco da tensão entre nós. Cada parte de mim queria puxá-la logo para o banheiro feminino, mas de alguma forma eu duvidava que era a forma adequada para receber a sua chefe. – Um, oi. – Respondeu ela, com a testa ligeiramente franzida. Aquele encontro havia sido bem mais dramático na minha cabeça. Nós duas nos viramos, caminhando até a bagagem e senti arrepios se espalharem através de minha pele apenas estando perto dela. – Então... como foi o voo? – Perguntei. Isto era tão ridículo. Eu queria que ela quisesse apenas dizer algo bem e******o, e eu poderia voltar a gritar com ela. Isso era muito mais fácil de lidar. Ari pensou por um momento antes de responder: – Foi bastante agradável, assim que conseguimos sair de lá. – Paramos e esperamos, rodeados de pessoas animadas, mas a única coisa que notei foi o crescimento da tensão entre nós. Minutos se passaram em um silêncio extremamente desconfortável e eu estava um pouco mais aliviada quando vi sua valise preta da Louis Vuitton descendo no tapete rolante. Nós duas chegamos nela ao mesmo tempo e as nossas mãos se tocaram brevemente sobre a alça. Puxando minha mão para trás, olhei para ela e vi que ela estava me olhando. Meu estômago deu saltos com a familiar fome em seus olhos. Nós duas murmuramos desculpas e eu desviei o olhar rapidamente, mas não antes de notar o sorriso leve no seu rosto. Felizmente, era hora de pegar o carro alugado e rumamos para a garagem. Isso estava ficando cada vez mais esquisito. Seus olhos se arregalaram e um olhar de propagação de apreciação pura em seu rosto quando nos aproximamos do carro alugado, um Audi TT 2016. Ela gostava de dirigir - bem gostava de conduzir em alta velocidade seria uma descrição mais precisa - e sempre fiz questão de encomendar algo divertido para ela quando ela precisava de um carro alugado. – Uou, muito bem, Calliope. – Disse ela olhando para o modelo esportivo. – Lembre-me de lhe dar um aumento. Eu quase sufoquei com suas palavras e os meus olhos voaram para ela em choque. Arizona Robbins brincando durante uma viagem à negócios? Alguém chame os bombeiros. Ela encolheu os ombros em seguida, dando-me um olhar inocente e eu poderia tê-la matado. Ela estava gozando de mim. Pressionando o botão para liberar o porta-malas eu lhe dei um olhar reprovador enquanto a ajudava com as malas. Quando sentei no banco do passageiro notei que ela colocava meu álbum favorito do Beatles para tocar, o que me fez reprimir um sorriso. Eu queria cantarolar Eleanor Rigby, mas me limitei a procurar meu celular na bolsa. Como copiloto eficiente também ajustei o endereço no GPS, passando a analisar em minha agenda os compromissos que teríamos ainda naquele dia. Eu estava fazendo um ótimo trabalho de atriz fingindo ignorá-la, quando queria mesmo era estudar seu rosto. Eu queria chegar e tocá-la ligeiramente da linha do seu maxilar até sua clavícula exposta, e ordenar que ela encostasse o carro e me tocasse também. Todos esses pensamentos passaram pela minha mente, tornando impossível me concentrar nos horários na minha frente. O tempo de férias não havia diminuído o seu poder sobre mim em tudo. De alguma maneira a coisa se tornou mais forte. Com um suspiro, fechei minha agenda, passando a analisar a paisagem de um dos bairros centrais de Gotham City. Devíamos ter passado pelos mais diversos edifícios góticos e pessoas nas ruas, mas não vi nada. A única coisa que perfurava minha consciência era ela. Eu senti cada movimento, cada respiração. Seus dedos talentosos apertando ao redor do volante. O couro suspirando quando ela se mexia na cadeira. Seu perfume enchia o carro e tornou impossível lembrar o porquê eu precisava resistir a isso. Ela tinha me cercado completamente. Tentei voltar a pensar como ela havia me deixado magoada com o momento desconfortável com Lana Lang, mas a maldita pareceu notar algo e puxar assunto. Merda. Merda. Merda – Você está bem, Srta. Torres? O som de sua voz me assustou e eu virei para encontrar seus olhos azuis, brilhando pela luz, que fizeram meu estômago vibrar. – Nós chegamos. – Apontou para o hotel, e fiquei surpresa ao ver que eu ainda não tinha notado. – Está tudo bem? – Repetiu um tanto preocupada, e eu fui levada de volta ao presente. Não é que eu não estava ciente que ela poderia ser gentil, só era raro que ela fosse assim doce assim comigo. Aquela Ari eu não conhecia direito. – Sim. – Respondi rapidamente. – Só estou cansada. Acho que vou para o meu quarto tomar um banho e descansar mais cedo. A senhora devia fazer o mesmo, antes da recepção da conferência às 19 horas. – Hmm. – Murmurou para si mesma, continuando a olhar para mim. Eu vi seu olhar cintilando na minha boca, e Deus, eu queria que ela me beijasse. Aquilo era péssimo! Me concentrando nela, inclinei ligeiramente em meu assento, o couro macio da cadeira rangendo. Um zumbido de eletricidade passou entre nós, e seu olhar mais uma vez parou em meus lábios. Ela se inclinou para me encontrar, e eu podia sentir seu hálito quente contra a minha boca. Claro, alguém tinha de atrapalhar. Inferno! Acabei assustada no momento em que minha porta se abriu de repente e eu pulei para trás em minha cadeira, chocada ao ver o pé do manobrista do hotel lá. Limpando minha garganta e me sentindo mais um pouco embaraçada, saí do carro respirando o ar que não foi permeado por seu cheiro. Um dos carregadores levaram as malas, e Mrs. Robbins desculpou-se e foi atender um telefonema enquanto eu verificava sua reserva. O hotel era um dos cinco estrelas mais elogiado de Gotham e estava lotado com conferencistas da Robbins Corp e outras companhias. Só no saguão de entrada, vi vários rostos familiares de outras assistentes. Normalmente nessas viagens, nós sempre nos reuníamos para jantar ou visitar um clube na cidade, em grupo, o que era uma ótima ideia no fim das contas, já que a última coisa que eu precisava era ficar sozinha em meu quarto de hotel e fantasiar com Arizona Robbins no final corredor. Depois de receber a chave de Mrs. Robbins, me dirigi ao salão em busca dela. Quando eu olhava o grande salão fiquei surpresa de encontrá-la em pé ao lado de uma morena alta. Elas estavam próximas, a cabeça inclinada levemente enquanto ouvia alguma coisa que ela dizia. Seu corpo bloqueava seu rosto do meu ponto de vista, e os meus olhos se estreitaram quando notei sua mão chegar até seu punho e antebraço. Ela riu de algo que a outra disse e se afastou um pouco, permitindo-me ver melhor. A mulher em questão era incrivelmente bela, com os olhos pequenos e cabelo escuro. Arizona levantou o olhar e nossos olhos se encontraram do outro lado da sala. Franzindo uma sobrancelha para mim como se fosse um desafio, Ari olhou para a mulher sorrindo enquanto a mesma colocava algo na sua mão e dobrava seus dedos em torno dela. Um olhar estranho atravessou seu rosto quando ela inclinou a cabeça para examinar o objeto em sua mão. Você deve estar brincando comigo! A mulher apenas deu a chave do quarto para ela? Mas que inferno! Eu assisti um pouco mais, e então algo dentro de mim me deu um tapa. O pensamento dela olhando para alguém com a mesma intensidade que ela olhava para mim, a ideia de ela querer alguém da mesma forma, fazia meu estômago se retorcer com raiva. Eu disse a mim mesma repetidas vezes que eu ia ficar longe. Mas, neste momento, com a mão dela segurando a chave do quarto de outra, todo o meu senso de razão desapareceu. Tudo o que eu sentia era raiva, e desse jeito, cada vez mais um sentido de posse, que normalmente eu acharia um completo absurdo. Ela tinha o direito e a completa autonomia de sair com quem diabos ela quisesse, mas inferno, antes que eu pudesse me parar, eu estava me movendo através do salão até o lado dela. Eu coloquei minha mão em seu antebraço, e ela olhou para encontrar os meus olhos, uma expressão de surpresa e questionamento sobre o seu rosto. Eu sorri antes de voltar a olhar para a v***a distribuidora de chave: – Desculpe-me. – Disse em um ar descontraído. Eu internamente chorei de rir do olhar confuso que a desgraçada oferecedora-de-chaves-de-uma-figa deu. – Ari, querida, você está pronta para subirmos? Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu em choque. Eu nunca tinha visto ela parecer perder as palavras tão completamente. – Ari? – Perguntei mais uma vez e algo cintilou em seus olhos. Lentamente, o canto de sua boca levantou em um sorriso e os nossos olhares se encontraram por um momento. Algo se passou entre nós duas e senti tanto medo quanto excitação ao mesmo tempo. Voltando-se para a lambisgoia, Mrs. Robbins sorriu e falou com uma voz tão suave que enviou um tremor por mim. – Acho que não fui tão clara. – Ela disse, colocando a chave de volta em sua mão. – Como você pode ver, eu não vim sozinha. Um sentimento de euforia correu sobre mim com essas palavras, substituindo completamente o horror que deveria estar sentindo. Olhei para trás para ela vitoriosa; emocionada ao ver o olhar chocado e insultado em sua cara. Senti sua mão quente descansar em baixo das minhas costas quando ela nos levou para fora do salão. Quanto mais perto cheguei do elevador, mas a minha euforia foi substituída por outra coisa. Comecei a entrar em pânico quando percebi como eu tinha agido irracionalmente e inventado de marcar território bem no meio do hotel. Claramente, eu havia enlouquecido a p***a da cabeça. Meu coração estava disparado, o som do meu sangue corria pelas minhas bochechas e eu corei. Três outros casais se juntaram a nós no elevador, e pedi a Deus que eu pudesse chegar ao meu quarto antes de explodir de tão vermelha. Eu não podia acreditar no que eu tinha acabado de fazer. Que diabos aconteceu com a tentativa de ficar longe dela? Olhei para cima e a vi vestindo um sorriso triunfante, e fui novamente preenchida com o resto da raiva por toda a situação. Eu respirei fundo e tentei me lembrar que foi por isso que eu precisava me afastar. O que aconteceu lá embaixo estava completamente fora da minha personalidade. Eu tinha cruzado completamente o último risco de profissionalismo que existe entre nós duas. Eu queria gritar com ela, machucá-la e enfurecê-la como ela fez comigo, mas foi ficando cada vez mais difícil encontrar à raiva habitual que eu sentia dela. No lugar havia algo borbulhante e que me deixava fora do controle. Parecia muito com paixão, daquelas bem perigosas. Subimos em um silêncio tenso, até que o último casal saiu, nos deixando sozinhas. Tentei me dizer para esperar, poucos minutos a mais e eu estaria a salvo, mas a luta havia terminado antes de começar. Eu não queria ela com ninguém, e esse sentimento foi tão avassalador que me tirou o fôlego. Eu queria ela em cada parte do meu corpo. Eu precisava dela. Meu corpo reagiu por instinto. Agarrei a camisa dela me aproximando, empurrando-a contra a parede do elevador, e puxei sua boca para a minha. O ar deixou seus pulmões quando o meu corpo se chocou contra o dela. Ela congelou momentaneamente gemendo profundamente e fundindo contra meus lábios. Cada segundo que eu estive longe dela entrou em erupção em um beijo. O desejo e a dor que eu sentia foi refletido em cada varredura da sua língua e escovação de seus lábios. Eu dei um passo à frente querendo estar mais perto. Mas nunca era o suficiente. Seus braços foram ao meu redor e, finalmente, um alarme soou na minha cabeça. Eu não podia fazer isso. Merda. O elevador parou e eu me empurrei. O que eu estava fazendo? Eu prometi a mim mesma que iria tentar ficar longe e ser profissional. Em vez disso atirei nela no primeiro momento que estávamos realmente sozinhas. Onde estava o meu amor próprio? Ela olhou para mim, a confusão estragando suas lindas feições enquanto ela respirava ofegante, certamente vendo o pânico nos meus olhos. Eu tinha que fugir. – Eu prometi a mim mesma que não faria isso. – Disse gemendo mais para mim do que para ela. E antes que minha resistência pudesse desmoronar completamente, me virei, correndo para fora do elevador. – Onde diabos você vai? – Ela gritou atrás de mim. – Não posso falar agora. – Gritei de volta. Definitivamente o corredor daquele andar não era o local apropriado para discutir aquilo. Ouvi seus passos atrás de mim e sabia que aquele era um problema sem solução. Eu não podia fugir dela para sempre. Nem queria fugir. Contudo, ao mesmo tempo, também não queria sentir toda aquela paixão.
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