Because I fell in love with you

3230 Palavras
A música do capítulo é End of All Days, do 30 Seconds to Mars. x.x.x I'm tired of waiting Estou cansado de esperar For the end of all days Pelo fim de todos os dias The prophets are preaching Os profetas estão pregando That the gods are needing praise Que os deuses precisam de louvor O sacerdote Jeffrey Dean Morgan havia terminado a missa da manhã e, novamente, Harry saiu às pressas até o hospital para ficar com o tal amigo Louis. Padre Morgan sabia o quanto seu pupilo havia se apegado ao filho de Johannah, mas realmente aquela semana estava sendo um pouco estranha. Harry praticamente não falava de outra coisa. Jeffrey respirou fundo, tinha experiência suficiente pra saber o que o padre provavelmente não estava percebendo: que estava se envolvendo um pouco demais com o pianista. Notou as mudanças nele, mudanças de rotina inclusive e o quanto havia deixado algumas de suas tarefas da igreja de lado. A sacristia estava vazia e o sacerdote olhou a batina de Harry pendurada de qualquer jeito no cabide, indicando que ele realmente saiu com pressa. Quando o conheceu, Jeffrey viu nele algo raro entre os padres da sua idade: vocação. Era verdadeira sua vontade de servir à religião, a Deus e dedicar sua vida a levar a palavra às pessoas. Harry era disciplinado e, apesar de ser muito bonito, nunca houve incidentes que dessem algum tipo de trabalho ao sacerdote. Quando havia sido informado que um padre tão jovem estava sendo encaminhado para sua paróquia, Jeffrey sentiu certa preocupação quanto àquilo. Padres jovens sempre dão trabalho. Ainda não sabem direito o que querem. Mas Harry sabia e Jeffrey na época ficou seguro com ele. Os fiéis o apreciavam e, contrariando o que sempre acontecia, as mulheres mais velhas também o aprovavam. O que não deixava de ser raro também, as beatas não gostavam de padres muito jovens, não confiavam na pouca idade para estar em meio aquela área de tantas restrições. Na época, lembrou-se que Harry havia feito um discurso na missa sobre os julgadores sociais. Certo, naquele momento Jeffrey achou que ele seria um rebelde. Riu pra si mesmo quando se lembrou da situação. O padre sempre tinha uma pergunta, um questionamento filosófico e, ainda, gostava de ressaltar tudo que lia na Bíblia e achava que não fazia sentido. Por sorte, ele parou com isso com o tempo. O sacerdote olhou pela janela e uma chuva fina começava a cair. O resto da tarde logo iria embora junto com o sol e, dessa vez, ele estava começando a se preocupar com Harry e sua pouca experiência de vida para lidar com as pessoas. The headlights are coming Os faróis estão chegando Showing me the way Me mostrando o caminho The serpents are singing As serpentes estão cantando A song that's meant to save Uma música que está destinada a salvar XxX — Eu já ouvi falar dessa garota! – Louis riu enquanto continuava uma conversa com Harry. Animados, ambos, falando sem parar. Nem parecia que o mais baixo tinha acabado de ter um ataque cardíaco e quase morrido no dia anterior. — Me senti extremamente tentado a responder as perguntas dela naquele dia. – Harry sorria, sentado aos pés da cama de Louis, que tinha acabado de comer um lanche leve com um chá e alguns biscoitos que ele experimentou e gostou, mas Louis apenas ficava repetindo que tinha 'gosto de hospital'. — E você respondeu? – Ele perguntou enquanto conversavam sobre um diário virtual na internet com vídeos de uma romena chamada Cristina Rad que, em um de seus vídeos, fez perguntas sobre as contradições das religiões. — Não. – Harry respondeu ainda sorrindo dando de ombros. – Pra que eu iria? A garota me pareceu ter uma opinião formada e, mais, pareceu estar convicta e ser uma pessoa feliz não sendo religiosa. — Você é estranho, sabia? – Louis controlou o riso para não gargalhar. – Todo mundo parece saber que você é um padre, menos você. — Não, Lou, não é isso. – O padre sorriu mostrando as covinhas. – Acho que as pessoas estão rotulando demais a igreja, também não é bem assim. — E como é então? – Louis perguntou e se ajeitou-se na cama, arrumando o travesseiro nas costas, sentando-se de maneira mais confortável. – Responda pra mim as perguntas dela. — Ok. – Harry foi quem se ajeitou aos pés do outro agora, pensou e respirou fundo por um segundo. – Eu não lembro agora muito bem como eram as perguntas que a garota faz no vídeo, mas acho que dá pra ter uma noção, tenho uma boa memória. – Ele riu e Louis realmente estava pronto para ouvir. – Primeiro, se não me engano, ela perguntou sobre ser feliz no Paraíso. — É, é o que acontece comigo. – Tomlinson comentou. – Minha mãe é devota, mas eu não sou, então eu irei pro inferno e ela não. Presumimos que ela sinta minha falta "lá em cima". – Ele riu fazendo o padre sorrir também. — Exato, mas se partirmos disso, a garota estava afirmando que almas tem uma percepção sensorial igual ao corpo, e já por aí podemos ver que isso não é verdade. – Harry começou a responder calmo. – Quer dizer, presumir que almas reconheçam quem está no céu e quem não está é um pouco... humano demais, não acha? — Pode ser. – Louis respondeu um pouco incerto. – Manter laços de amizade e família também são características humanas corpóreas. – acrescentou e Harry assentiu com a cabeça. — E isso não tem a ver com Deus. Tem haver com humanidade. A Bíblia é a palavra de Deus, mas ainda assim foi escrita por homens e traduzida por eles também. – Harry disse calmo, mas num tom filosófico. — Está admitindo que a Bíblia é falha? – Louis desafiou. — Estou admitindo que o homem é falho. – O padre sorriu só de olhar a expressão desafiadora a sua frente. – As interpretações da Palavra do Senhor ao longo dos séculos foram distorcidas. — Devo estar sob efeito de remédios e estou alucinando! – O mais baixo passou as mãos pelos olhos e Harry riu. – Você não deveria estar falando essas coisas! — E por que não? – Ele ainda ria, produzindo aquele som gracioso. — Porque você é padre, tem que "vestir a camisa" da empresa! Defender sua religião, dizer às pessoas que é uma coisa boa, que elas devem fazer parte... Desde que o conheci, você faz o oposto comigo. — Não fui eu que fiz o oposto. – Harry respondeu mais sério. – Olhe pra você, Louis. Está rindo, com consequências severas, mas saiu pra correr... Saiu de casa... – Conforme Harry falava, Louis baixava os olhos ligeiramente sem graça. – Acho que o que eu fiz foi exatamente o propósito da religião: melhorar as pessoas. Tomlinson voltou a encarar um Harry sorridente. Aquele homem se tornava mais incrível para ele a cada dia que passava. Até aquela roupa de padre ficava bem nele! Louis respirou fundo e achou que se tinha alguma chance dele não ir para o inferno, acabou com ela no momento em que pensou que Harry ficava sexy vestido com aquela roupa preta. The desert is calling O deserto está chamando The emptiness of space O vazio do espaço The hunger of a lion A fome de um leão Is written on your face Está escrito em seu rosto — Louis? – O moreno alto o chamou uma vez que ele tinha simplesmente ficado em silêncio apenas o encarando, ainda que seus olhos revelassem um tom de insegurança. — Toquei piano também. – Tomlinson disse com um sorriso tímido. — O que? – Harry arregalou os olhos e parecia abrir um sorriso ainda maior. – Não acredito! Quando? — Na noite anterior que saí pra correr. – Louis respirou fundo. – Não sabia o quanto tinha sentido falta. — Quando vai tocar pra mim? Quero ouvir! – O padre agora parecia uma criança empolgada porque descobriu que iria conhecer a Disney. — Você quer? – Louis sentiu uma alegria interior ao perceber que a notícia havia provocado tanta animação no padre. — É lógico! Assim que você sair daqui. Combinado? – Harry levantou-se de onde estava e sentou-se ao lado de Louis e dessa vez, mais perto. — Claro. – Ele respondeu quase num sussurro e sentiu sua respiração acelerar um pouco. Ele não sabia mais o que dizer, queria apenas ficar ali, olhando Harry sorrindo pra ele, dizendo apenas com o olhar que tudo ia ficar bem, que o resto do mundo não precisava nem existir e... — Com licença. – Doutor Liam Payne o tirou de seus devaneios quando abriu a porta. — Pode entrar. – Louis respondeu após um breve suspiro ao ver o homem parado com a porta entreaberta. — Como está, padre? – Liam cumprimentou Harry que se levantou educadamente lhe estendendo a mão. Louis olhou a cena e achou que talvez merecesse uma foto, com a devida legenda "ciência e religião fizeram as pazes". Sorriu para si mesmo logo depois que percebeu que ainda parecia precisar de séculos para se ver uma coisa como aquela. — Tudo ótimo, doutor. – Harry respondeu simpático e logo voltou para perto do outro. — Louis, como se sente hoje? – O médico voltou-se para o paciente. – Dores? Dificuldades para respirar? — Não, me sinto bem. – Ele respondeu sincero. – Só quero ir pra casa. — Você irá, não se preocupe. – Liam sorriu e fingiu que falava com uma criança. – Sente fome? Cansaço? – sentou-se ao lado oposto da cama de Louis de onde Harry estava. — Estou bem. – respondeu novamente sincero, mas olhando o padre dessa vez. Liam olhou de canto a cena e segurou a vontade de rir. — Senhor Tomlinson, quero saber se vai fazer o tratamento. – Doutor Payne foi direto ao ponto. – Não vai curá-lo, mas vai lhe dar mais tempo. Sei que o doutor Horan já lhe deixou a par disso da primeira vez que foi ao consultório dele e que o senhor não quis. Mas acho que as coisas mudaram, não é mesmo? – O médico terminou a frase olhando Harry. — Claro que sim. – O padre respondeu antes que o mais baixo pudesse se manifestar. – Vai fazer o que estiver ao alcance, não é mesmo, Lou? – Ele olhou o outro com expectativa, mas o próprio Louis não sabia bem o que dizer. — Quanto tempo? – Ele perguntou ao médico depois de suspirar fundo. — Não temos como prever. – Liam foi sincero. – Temos que levar em conta seu ataque cardíaco de ontem e o tempo em que ficou sem se tratar. Precisaremos de novas tomografias e raios x pra ver como está seu coração. Louis deitou a cabeça no travesseiro e tudo era um pesadelo novamente. Lembrou-se de como se sentiu quando doutor Niall lhe disse que seus dias estavam contados e não tinha nada que a medicina pudesse fazer a respeito. — Certo. – Tomlinson respondeu mais desanimado do que o normal, mas Harry simplesmente sorriu de novo. — Preciso que fique com a coluna reta e o peito nu. – Liam tirou o estetoscópio que tinha no pescoço e passou a examiná-lo. Louis ajeitou-se na cama e tirou as vestes que cobriam seu peito e ombros. – Respire fundo. – Liam pediu e Louis o fez. – De novo. – Ele obedeceu novamente enquanto o médico ouvia o coração de Louis trabalhar normalmente com seus pulmões. Louis olhou para Harry um pouco preocupado. O moreno alto instintivamente segurou na sua mão e, Liam automaticamente ouviu o coração de Louis bater mais rápido, ele encarou o homem que permanecia com a mesma cara de paisagem só que agora segurava na mão do padre. Doutor Payne segurou o riso e apenas confirmou o que já sabia. — Seu coração está normal, senhor Tomlinson. – Ele sorria ao dar a notícia. – Na realidade, melhor do que a gente pensa. – Ele concluiu e passou a olhar o padre. Pensou que claramente o moreno não tinha entendido do que ele estava falando. — Então posso ir pra casa? – Louis voltava a vestir-se e se encostar no travesseiro às suas costas. — Amanhã, tudo bem? Não vamos arriscar. – Liam preparava-se para se retirar do quarto. – Mais tarde a enfermeira virá tirar sua pressão e trazer alguns remédios, estamos entendidos? — Claro. – Ele respondeu e suspirou. Payne deixou o quarto e Harry percebeu que Louis havia ficado ligeiramente triste. — Ei... – O padre começou e Louis olhou pra ele. – São boas notícias, certo? — Eu acho. – respondeu incerto. – Quer dizer, eu sei o que você vai falar... Que poderia ser pior e tal, que eu poderia já estar morto, que é realmente uma sorte... — Eu acho que você deveria tirar algo de positivo nisso. Pense... Quem sabe fazer coisas que sempre quis e antes tinha todas as desculpas pra não fazer... – Harry dizia tentando reanimá-lo. – Uma viagem? Um show de algum músico que você goste? Conhecer alguém...? — Claro. – Louis riu irônico. – Ótimo momento pra 'conhecer alguém' e depois contar a ele que vou morrer logo. — LOUIS! – O padre chamou a atenção do outro. — Mas é verdade. – Ele suspirou e fez uma pausa. Olhou nos olhos de Harry e percebeu que ele não queria conhecer ninguém, ele já havia conhecido. E parecia que o maior problema dele não era mais o fato de Harry ser padre. Ele não tinha mais tempo. – E pensar que você tem a vida toda e vai passar sozinho. A maniac Messiah Um Messias maníaco Destruction is his game Destruição é seu jogo A beautiful liar Uma linda mentira Love for him is pain Amor para ele é dor — Não estou sozinho. – Harry franziu o cenho. – E não vamos ter essa conversa sobre você não gostar de eu ser padre de novo, certo? — Certo. – Louis respondeu rápido demais. Harry o observou com o canto dos olhos, não era típico que Louis acatasse as coisas assim tão facilmente. — Quer dizer... – O padre recomeçou e Tomlinson engoliu a seco. – Por que exatamente você se incomoda? — Não me incomodo. – Louis tentou um ar de indiferença. – É a sua vida, suas escolhas. Certo? — É. – Harry não tirava os olhos do mais baixo a sua frente que não correspondia. O padre fingiu engolir a resposta dele — Com licença. – Duas batidas na porta e uma enfermeira apareceu, um pouco tímida. – Seu remédio, senhor. Ele assentiu com a cabeça e a moça entrou. Harry se afastou da cama para dar espaço para a enfermeira, que checou a pressão de Louis, lhe entregou alguns remédios e retirou um dos soros que ele tinha em um dos braços. — Sua mãe ligou e pediu pra avisar que assim que terminar a aula, ela vem pro hospital pra passar a noite. – A enfermeira disse formalmente. — Certo. – Louis respondeu enquanto mexia o braço agora sem o soro, estava um pouco dormente. — Doutor Horan também virá daqui a pouco. – A moça complementou. – O senhor estará liberado amanhã após algumas radiografias. Ele assentiu com a cabeça e a enfermeira se retirou. Olhou ao redor da cama e percebeu que Harry não estava mais ali. O moreno estava na janela do quarto, olhando para fora, percebendo que estava chovendo. Louis não podia ver o rosto do outro, mas apostaria o que lhe restava de vida que o padre estava triste. Era a primeira vez desde que o conhecera que o vira daquele jeito. The temples are now burning Os tempos estão queimando Our faith caught up in flames Nossa fé apanhados em chamas I need a new direction Preciso de uma nova direção 'Cause I have lost my way Porque perdi o meu caminho — Ei. – Louis chamou por ele e, Harry voltou-se na sua direção. – O que foi? — Nada. – Harry forçou um sorriso e voltou a aproximar-se da cama. – O que a enfermeira disse? Você está bem? — Por que está assim? – Louis parecia 'estudar' o padre, sequer prestou atenção no que ele disse. – Falei alguma coisa errada? — Mas é claro que não, de onde tirou isso? – Harry respondeu um pouco sem graça. — Você é um péssimo mentiroso. – Louis achou até graça do jeito um pouco amador do padre. Provavelmente não estava acostumado a fazer aquilo. Harry riu sem graça e voltou pra perto do mais baixo. Tomlinson apenas observou o jeito um pouco acanhado que Harry de repente tinha ficado. Logo ele, que era até um pouco invasivo no olhar, agora pareceu com receio de chegar perto. — Posso te fazer uma pergunta um tanto quanto pessoal e perturbadora? – Louis falou quase num sussurro. O tom ligeiramente mais grave e rouco. — Claro. – Harry sentiu um frio lhe correr pela espinha só pela forma com que ele perguntou. Parecia quase um verdadeiro confessionário para ele agora. — Já se apaixonou? Harry ficou calado por alguns instantes. Na realidade, nunca tinham perguntado isso a ele, nem ele, como homem, havia parado pra pensar no assunto. Não é como se ele soubesse como era sentir-se amando outra pessoa com outras intenções que não fossem de amor fraternal, mas ele já ouvira e lera muitas histórias a respeito e tinha alguma noção de como era. As tais 'borboletas no estômago', as mãos suando frio, coração disparado... Mas ele realmente nunca tinha se sentido daquela forma com ninguém. — Não. – Ele respondeu sincero, como se admitisse pra sua mãe que quebrou o vaso da sala. — Nunca? – Louis parecia um pouco incrédulo. – Esse lance de celibato é... sério? — Muito sério. – O padre respondeu mais sem graça ainda. — Então quer dizer que você nunca... – Louis o viu corar. – Nenhuma vez? — Não. – ele respondeu sincero com um sorriso sem graça. — Nenhum beijo na boca? – Quem visse poderia até jurar que Louis estava até se divertindo. Harry fez que não com a cabeça – Isso não pode ser sério! – Ele riu agora. – Como assim, cara? Nunca sentiu vontade? — Eu fiz uma escolha, Louis, e mantive minha palavra. – Harry parecia agora defender-se apesar de estar sorrindo tímido. — Isso não responde minha pergunta. – Tomlinson segurou o riso. – Sentiu ou não? — Não, estou bem. – Harry respondeu mais pra si mesmo do que para o amigo. — Não sabe o que está perdendo. – Louis respondeu mais sério depois de um longo suspiro, até que Harry teve coragem de encará-lo. – Ou melhor, provavelmente sabe... — Eu beijei a minha prima no meu aniversário de cinco anos. – Ele disse e Louis gargalhou dessa vez. – Mas provavelmente não conta... – Ele sorriu, ao menos o outro parecia melhor. — Você é inacreditável. – Ele respondeu e o bom humor da conversa havia se restaurado. All we need is faith Tudo o que precisamos é fé Faith is all we need Fé é tudo o que precisamos.
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