bc

A Enteada do Dono do Morro

book_age18+
0
SEGUIR
1K
LER
badboy
sérieux
escritório/local de trabalho
like
intro-logo
Sinopse

Malu acabou de completar dezoito anos e carrega uma mágoa enorme da mãe, Mariana, por ter sido criada pela avó enquanto ela seguia a própria vida.Depois de anos aguentando as rebeldias da neta, a avó chega ao limite e obriga Mariana a trazer a filha para morar no morro.Malu chega disposta a transformar a vida da mãe em um inferno. Rebelde, provocadora e sem medo de ninguém, ela não demora a bater de frente com Henrique, o temido Rico, dono do morro.Aos 45 anos, ele está acostumado a ser respeitado e obedecido, até Malu aparecer.Entre provocações, brigas e uma atração que nenhum dos dois esperava sentir, a diferença de 27 anos se torna o menor dos problemas. Ela tem 18 e ele tem 45. E talvez algumas pessoas simplesmente sejam perigosas demais para serem desejadas.

chap-preview
Pré-visualização gratuita
01
01 — Malu Narrando Eu nunca tive uma infância r**m, muito pelo contrário. Se alguém me perguntasse o que me faltou quando eu era criança, eu provavelmente responderia que nada. Nossa família nunca foi de passar aperto. Sempre tivemos uma condição de vida bem maneira. Minha mãe, Mariana, sempre foi uma mulher muito dedicada ao trabalho, correta, e garantia que não faltasse absolutamente nada dentro de casa. Roupas de marca, os melhores brinquedos, celular do ano assim que fiquei mais velha, festas de aniversário, viagens de férias com a minha avó, comida farta na mesa e tudo aquilo que uma criança poderia desejar. Nós morávamos juntas: eu, minha mãe e minha avó. Uma dinâmica que parecia perfeita e estruturada. O problema começou quando o Henrique entrou na jogada. Quando a minha mãe conheceu aquele homem e decidiu largar a nossa rotina para ir morar com ele no morro, a estrutura da nossa casa ruiu. Em vez de me levar junto, minha mãe simplesmente me deixou para trás, sob os cuidados da minha avó. A vida confortável continuou, a casa espaçosa longe da comunidade continuou sendo o meu lar, mas a presença da minha mãe virou fumaça. Dinheiro nunca foi o problema. Amor da minha avó também não. O único problema era que, a partir daquele dia, quando eu pensava na palavra “mãe”, a minha mente nunca mais conseguiu associar a uma presença real. Não havia um abraço apertado na memória, nem o cheiro do perfume dela no meu travesseiro ao deitar. Eu passei a lembrar de dinheiro. Das notificações do aplicativo do banco caindo na tela do meu celular. Desde que ela juntou as trouxas e subiu a favela com o Rico, quem me criou, educou e segurou minha mão foi a minha avó. Cresci sendo praticamente a filha única e o centro do universo daquela velhinha. Minha avó fazia tudo por mim. Absolutamente tudo. Levava para a escola de manhã bem cedo, buscava no final da tarde, fazia minhas comidas favoritas, sentava comigo na mesa da cozinha para ajudar nas tarefas, ia a todas as reuniões de pais sem faltar a uma só, cuidava de mim com chá e compressa fria quando eu ficava doente e ainda tinha uma paciência infinita para ouvir todas as minhas reclamações bobas. E a minha mãe? Minha mãe pagava a conta. Era quase como se ela pagasse uma mensalidade bem alta, uma espécie de pensão corporativa para a minha avó continuar me criando no lugar dela, sem que eu virasse um fardo para a nova vida que ela escolheu viver ao lado do dono do morro. E o pior é que, na minha inocência de criança, eu nem enxergava o absurdo disso. Quando eu queria alguma coisa, o caminho era simples e rápido. Bastava pegar o telefone e mandar uma mensagem. — Mãe, eu vi uma Melissa linda na vitrine do shopping hoje. — Qual, filha? Eu tirava uma foto e mandava. — Essa aqui, rosa pastel. — Quanto é? Eu falava o preço e, minutos depois, sem nem uma pergunta a mais, o Pix estava na conta da minha avó. Problema resolvido. Pedido atendido. Quando eu tinha vontade de comer McDonald’s em uma terça-feira qualquer, era a mesma coisa. — Mãe, quero McDonald’s. — Pede o combo que você quiser pelo aplicativo, escolhe a sobremesa também. E eu pedia. Quando o meu celular começava a travar, um modelo novo e lacrado chegava em uma caixa na semana seguinte. Quando cismava com uma roupa cara, ela comprava. Quando queria algo ainda mais absurdo para a minha idade, minha mãe nunca fazia questão de dizer não, de impor um limite ou de me ensinar o valor do esforço. Talvez porque mandar transferências bancárias fosse a maneira mais fácil, rápida e anestésica que ela tinha encontrado de diminuir a própria culpa por ter saído da nossa casa e me largado para trás. Eu não sei. Na época, eu só achava a dinâmica ótima. Eu era uma criança mimada? Provavelmente. Bastante, até. Mas também não fui eu quem escolheu essa criação. Não fui eu quem me ensinou a acreditar que qualquer buraco no peito ou qualquer ausência podia ser tampada passando um cartão de crédito sem limite. Até os meus aniversários eram orquestrados assim, à distância. Quando eu tinha uns dez anos, me deu na telha que eu queria uma festa do pijama. Não queria salão de festas tradicional nem buffet infantil. Eu queria minhas amigas de escola dormindo na casa da minha avó, com cabaninhas coloridas, colchões espalhados pelo quarto, luzinhas pisca-pisca, filmes e aquelas mesas gigantes cheias de doces personalizados. Contei para a minha mãe por áudio. No mesmo dia, ela resolveu tudo com uma única ligação. Uma empresa especializada em eventos de luxo foi contratada para montar a estrutura inteira. Quando minhas amigas chegaram no fim da tarde, a sala da minha avó parecia o cenário de um filme. Tinha uma cabaninha impecável para cada garota, almofadas aveludadas, cordões de luzes quentes, potes infinitos de pipoca gourmet e sacolas de lembrancinhas caras. Eu fiquei encantada, deslumbrada com tudo aquilo. E a minha mãe nem sequer apareceu para ver a minha cara de felicidade. Ela mandou tudo: a empresa, a comida, os presentes. Como sempre fez desde que foi morar com o Henrique. E eu aceitei sorrindo, porque criança não entende o conceito abstrato da ausência. Criança só entende a dor da falta quando cresce. Na infância, a gente só entende presença. E eu tinha a minha avó. Era ela quem acordava de madrugada para ver se eu estava coberta. Era ela quem segurava a minha mão gelada quando dava tempestade. Era ela quem sentava na primeira fileira das minhas apresentações cafonas da escola, filmando tudo com o celular trêmulo e os olhos cheios d'água. Era ela quem sabia de cor o meu sabor favorito de sorvete. Era ela quem olhava no meu olho e sabia exatamente quando eu estava mentindo para não tomar bronca. Minha mãe aparecia como um cometa. De vez em quando. Às vezes, nos fins de semana, eu ia até o morro para a casa dela. Passava uma tarde. Duas, três horas, no máximo. Ela me buscava de carro, a gente conversava sobre coisas superficiais, eu mostrava o tênis novo que ela tinha me dado, ela perguntava se as minhas notas continuavam boas e depois me mandava de volta para a segurança da casa da minha avó. E eu nunca reclamei. Nunca dei um piu. Pelo menos não enquanto era uma criança ingênua. O Henrique também aparecia de relance em algumas dessas visitas rápidas. Eu sabia quem ele era porque a minha mãe sempre citava o nome dele com um tom quase reverencioso. O homem por quem ela tinha largado a nossa vida. O homem que todo mundo respeitava e temia. O homem que, anos mais tarde, eu descobriria ser a autoridade máxima daquele lugar, conhecido por todos apenas pelo apelido pesado de Rico. Quando eu era criança, porém, ele era apenas a figura alta, severa e de poucas palavras que circulava pela casa. Um estranho na minha rotina. Nada além disso. Eu era pequena demais para prestar atenção nos detalhes dele, e ele um homem feito, focado em negócios perigosos nunca teve motivo algum para prestar atenção na filha da mulher dele. Eu entrava na casa deles, comia algum lanche caro, mexia no celular, assistia televisão na sala de estar e, poucas horas depois, voltava para o meu mundo. Minha vida se resumia a isso. Minha mãe existia. Ela estava viva, respirando, postando fotos, gastando dinheiro. Só não estava na minha vida. E foi exatamente aí que o veneno começou a se espalhar. Porque quando você cresce tendo absolutamente tudo o que o dinheiro pode comprar, você demora um tempo para entender que existe uma única coisa na vida que valor nenhum na conta bancária consegue pagar: presença. Afeto real. Consideração. Eu só comecei a sacar a gravidade disso quando fui virando adolescente. Quando passei a reparar que minhas amigas de colégio passavam o intervalo inteiro reclamando das próprias mães por coisas que, para mim, pareciam o maior privilégio do mundo. “Nossa, minha mãe é muito chata, me acordou cedo no domingo para arrumar o quarto.” “Minha mãe brigou comigo só porque cheguei vinte minutos atrasada da rua.” “Minha mãe não deixou eu ir para a festa no sábado, disse que é perigoso.” No início, eu ouvia aquilo e achava engraçado. Até o dia em que o riso deu lugar a uma inveja profunda e ácida. Porque elas tinham mães de verdade para poder reclamar. Mães que se importavam a ponto de chatear, de impor limites, de se preocupar. Eu só tinha uma patrocinadora. Uma mulher que me mandava dinheiro para não ter que lidar com a minha rotina. E foi exatamente naquele contraste que nasceu a raiva. Uma raiva que passou anos adormecida, guardada a chaves no fundo do peito, disfarçada por roupas caras e sorrisos debochados. Hoje eu completava dezoito anos. A maioridade finalmente tinha chegado, e com ela, a certeza de que alguma coisa dentro de mim estava prestes a explodir. Eu ainda não sabia dos detalhes, mas a minha avó já tinha chegado ao limite absoluto da paciência. Cansada das minhas saídas sem dar satisfação, da minha boca afiada, das minhas respostas atravessadas e do meu desinteresse total por regras, ela finalmente dobrou os joelhos. E quando ela pegasse o telefone para ligar para a minha mãe naquela manhã, desesperada, dizendo que não conseguia mais me segurar dentro de casa, eu não fazia ideia de que aquele telefonema seria o estopim de tudo. Aquele desabafo iria me arremessar de volta para a vida da mulher que me deixou para trás para viver no morro. Minha mãe finalmente teria a filha que largou no mundo. E eu? Ah, eu estava mais do que pronta para voltar. Não para reconstruir laços, mas para fazê-la engolir, gota a gota, cada pedaço daquela ausência que ela achou que podia compensar com transferências bancárias.

editor-pick
Dreame-Escolha do editor

bc

Unscentable

read
2.0M
bc

He's an Alpha: She doesn't Care

read
822.4K
bc

Claimed by the Biker Giant

read
2.1M
bc

Holiday Hockey Tale: The Icebreaker's Impasse

read
1.0M
bc

A Warrior's Second Chance

read
380.0K
bc

Not just, the Beta

read
360.7K
bc

The Broken Wolf

read
1.2M

Digitalize para baixar o aplicativo

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook