(POV JÚLIA MONTSERRAT) O cheiro do café fresco lutava contra algo metálico e ácido que parecia emanar da pele de Gabriel. As malas já estavam encostadas no hall de entrada. O ritual anual. A viagem para a ilha que sempre foi o nosso refúgio, o momento em que deixávamos o peso da alcateia para trás. Mas, desta vez, o peso parecia estar esmagando o meu Alfa. Gabriel tentava sorrir para os meninos, mas o brilho azul elétrico dos seus olhos estava turvo, como uma lâmpada prestes a queimar. — Gabriel... — minha voz saiu baixa, cortando o som alegre dos talheres. Ele ergueu o olhar. O esforço que ele fazia para manter a postura de Alfa me partia o coração. — Eu vi o piche n***o sair do seu nariz ontem à noite. Você tossiu aquela coisa... o que foi aquilo? O silêncio caiu sobre a mesa. G

