VIRGINDADE LEILOADA

1542 Palavras
LUIZA Eu sai do quarto e sinceramente não sei como consegui andar por aquele corredor. Minhas pernas não paravam de tremer e as lágrimas jorravam do meu rosto. Além de saber que o dono desse lugar é um traficante perigoso, hoje descobri que vários policiais estão envolvidos nesse esquema. *** Quando cheguei próximo ao palco, o Chefe viu que eu estava chorando e claro, não gostou nem um pouco. — Alguém da um lenço ou guardanapo para essa garota limpar o rosto — no seu rosto continha irritação e desdém. A Bruna me entregou um guardanapo e me ajudou a limpar o rosto e a maquiagem. Eu respirei bem fundo algumas vezes para controlar a vontade de chorar e a falta de ar que voltava a me atormentar. O Chefe, já sem paciência, me puxou pelo braço e me levou para o meio do palco. — Se inventar alguma gracinha vai ter consequência. Coloca um sorriso nessa cara que você não está indo para a forca. Era exatamente assim que eu me sentia, como se eu estivesse indo para a forca. Confesso que quando estava no palco eu pensei em pegar o microfone e pedir ajuda, mas sabia que ali só tinham homens nojentos que concordavam com toda aquela atrocidade. Eu sabia que se abrisse minha boca, eles me matariam e eu tinha que viver para tentar ser feliz, como minha mãe pediu. O Chefe se colocou ao meu lado, se aproximou do microfone e começou o leilão. — É com grande satisfação que vamos dar início ao nosso leilão. Essa é a nossa lindíssima Barbie. Ela veio do Rio Grande do Sul, tem dezoito aninhos e é virgem. Isso mesmo meus caros, VIRGEM! Um verdadeiro bilhete premiado. Os demais atributos que não são poucos, estão bem diante dos olhos de vocês. Os lances começarão com mil reais. Eu simplesmente não conseguia parar de tremer, minha boca estava seca e eu me segurava com todas as minhas forças para não chorar. Aquilo tudo era um absurdo e eu nunca me senti tão humilhada e tão reduzida a zero. [...] FELIPE Eu entrei naquela boate e fiquei em uma mesa com um sofá lá no fundo, próximo ao bar, como de costume. As vezes eu escolhia uma das garotas e levava para um dos quartos e as vezes eu só ficava ali bebendo meu whisky, torcendo para que ninguém me incomodasse. Eu nunca repetia uma garota, não queria saber o nome delas e nem falava o meu nome. Não beijava na boca, mas sempre deixava um bom agrado em dinheiro, além do pagamento do programa. Hoje eu optei por não escolher nenhuma garota, preferi ficar na mesa só bebendo o meu whisky escocês, até que comecei a perceber uma movimentação diferente no palco. "Que m***a é essa?" "Isso é um leilão?" "Que porr@ é essa? Estão leiloando a virgindade de uma mulher?" A princípio achei meio tosco, não dei muita atenção e continuei ali, indiferente, tomando os primeiros goles da minha bebida que desciam rasgando. Até que instintivamente eu olhei para o palco com mais atenção e vi que a garota ao lado do homem que anunciava o leilão, uma loira de cabelos bem compridos, vestida de forma bem sensual, parecia apavorada e mesmo de longe pude constatar que seu corpo tremia. — Mil e cem — gritou um primeiro homem levantando a sua mão. — Mil e cem reais. Quem dá mais? Quem dá mais? — o cara no microfone falava com euforia incentivando os demais clientes. — Mil e duzentos — um segundo homem gritou levantando o seu dedo. — Mil e duzentos reais. Quem dá mais? Quem dá mais? Não sei o motivo, mas me senti na obrigação de não deixar que aquela mulher fosse parar nas mãos de algum daqueles homens. — Dois mil reais — gritei fazendo alguns olhares se voltarem para mim. — Dois mil reais. Quem dá mais? Quem dá mais? Um outro homem que parecia bem disposto a ficar com aquela garota gritou eufórico: — Cinco mil. — Eu ouvi cinco mil reais? Quem dá mais? Quem dá mais? Quem dá mais? — o homem no palco falava cada vez mais entusiasmado. — Seis mil reais — o primeiro homem que havia dado o lance voltou para a disputa. — Seis mil reais. Quem dá mais? Quem dá mais? — Oito mil — gritou um homem que já havia dado um lance. — Uau! — o cara no palco gritou eufórico. — Oito mil reais. Quem dá mais? Quem dá mais? Eu já impaciente e querendo acabar de uma vez por todas com toda aquela merd@, dei um lance mais alto. Não importava o valor, aquela garota não iria para o quarto com nenhum daqueles homens. — Vinte mil reais — gritei e senti vários olhos perplexos olhando na minha direção. — Eu ouvi bem? O cavalheiro ali ofereceu vinte mil reais? — o sorriso do homem no palco ia de orelha a orelha. — Vinte mil reais, meus caros. Quem dá mais? Quem dá mais? Ninguém se pronunciou e eu me senti aliviado. O tormento daquela garota estava próximo do fim. — Dôle uma — o homem no microfone falou, olhando em direção a cada uma das mesas. — Dôle duas — ele esperou mais alguns segundos. — Dôle três. Ainda não sei bem o porquê de eu ter feito isso, mas estou feliz por ter conseguido. Ela parecia muito apavorada. — Cidadão de blazer ali próximo ao bar, ela é toda sua — o homem no microfone falou apontando para a garota ao seu lado. Eu fui até o palco busca-la e estendi a minha mão. Ela parecia ponderar. Era visível que ela não queria segurar a minha mão. De perto dava para ver de forma mais evidente o pavor em seus olhos e os seus lábios faziam uma linha reta. — Não invente nenhuma gracinha — pude escutar quando o homem que orquestrou o leilão falou as ameaças no ouvido dela com um sorriso fingido no rosto. Ela enfim segurou a minha mão, que permanecia estendida e pude constatar que a sua mão estava suada, gelada e tremendo muito. Nós fomos andando em direção a um dos quartos. No corredor eu percebi que ela me olhava de esguelha. Ao entrar no quarto eu me sentei e falei que ela fizesse o mesmo. De repente ela começou a ficar muito ofegante, parecia uma crise de asma. — Posso fazer alguma coisa por você? Quer um pouco de água? — perguntei. Ela só balançou a cabeça negando. Parecia que aquela falta de ar estava se intensificando. Não demorou para ela começar a chorar e eu fiquei sem saber o que fazer. Perguntei se ela queria que a levasse ao hospital e ela só balançou a cabeça negando mais uma vez. Eu fiquei ali parado próximo a ela e após alguns minutos notei sua respiração ofegante e desregulada voltando ao normal. — Me desculpa! — ela falou de cabeça baixa sem olhar nos meus olhos. — Eu só estou um pouco nervosa, mas já vou me recompor. — Não precisa se desculpar, eu só quero que você fique bem. Eu não vou te fazer nenhum m*l, eu prometo — falei vendo-a me encarar. Foi a primeira vez que ela me olhou nos olhos e eu pude perceber uma aflição em seu olhar. Mesmo diante de uma situação tão embaraçosa, não pude deixar de notar o quanto aquela garota era linda. Seus olhos eram claros, não sei muito bem distinguir se azuis ou verdes. Os cabelos eram volumosos, grandes e levemente ondulados. O nariz parecia que foi feito a mão e a boca... Nossa, aquela boca era bem desenhada e convidativa. Eu pude notar também uns pelinhos, fininhos e loiros em volta da testa dela. — Pelo fato de você ser virgem e eu nunca ter te visto antes, posso presumir que você é nova aqui? — perguntei quebrando o silêncio que já se estendia por alguns minutos. — Hoje é o meu primeiro dia. — Por quê? — perguntei curioso. — Por que o quê? — Você é virgem — a olhei com o cenho franzido. — Por que perder a virgindade em lugar desses? Não diz que é pela grana porque eu não vou acreditar. Você não parece estar nem um pouco confortável com isso. — Você não sa.... — ele ia falar algo, mas acabou desistindo. — Deixa para lá. Melhor não falar sobre isso. — Se você estiver sendo obrigada, eu posso chamar a polí... — Não — ela falou sem deixar que eu concluísse e com os olhos arregalados. — Não precisa chamar a polícia. Acabei não querendo insistir por hora para não deixa-la ainda mais aflita, mas sabia que aquela garota não estava ali por vontade própria, isso era nítido nas expressões dela. Eu liguei na recepção e falei que gostaria de ficar com ela a noite inteira e informei que pagaria pelo tempo adicional. Eu tirei os meus sapatos, coloquei o celular e a carteira em cima de uma mesa. Coloquei meu blazer estendido na cadeira e me deitei na cama. Eu falei pra ela que iria dormir um pouco e que seria bom ela descansar um pouco também.
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