- Até que enfim, esse expediente acabou, tô exausta! disse Fabiula.
- Eu também tô! disse Carolina.
- Quem topa um chopp? perguntou Jaqueline animada.
- Opa, eu topo! disse Fabiula.
- Ué, tu não exauxxta? disse Jaqueline.
- Minha amiga, quando falam na palavra chopp, a minha exaustão vira combustível! Bora, Carolina?
- Ah não, gente, tudo que eu quero hoje é a minha caminha e o Júlio me dando aquela massagem que só ele sabe! disse Carolina se referindo ao namorado.
- Okay, então! Então somos só eu e você, Biula! disse Jaqueline.
- Okay, eu vou pra minha casa me arrumar e você pra sua, passo lá pra te buscar de táxi!
Uma semana havia se passado e Jaqueline estava indo bem em seu emprego, não parava mais em casa. Ela e Alexandre se viram pouco desde então mas toda vez que se viam rolava aquela provocação. O jogo deles se consistia em ele investir e ela fugir.
Jaqueline, com a ajuda de Fabiula, fechou a galeria e ambas foram para suas casas se arrumarem pra noite. Ela chegou em casa e se jogou debaixo da água morna.
Saiu do banheiro e foi até o guarda-roupa pegar um macacão longo estampado vermelho para vestir. Fez sua maquiagem, vestiu suas joias. Colocou seu salto alto preto e arrumou seus cabelos, deixando-os caído nos ombros. Seu celular tocou anunciando uma mensagem de Fabiula.
"Tô aqui em baixo, não demora que o taxímetro tá correndo! Beijo, Biula!"
Jaqueline pegou sua bolsa de mão e colocou o celular dentro. Abriu a porta do apartamento e desceu as escadas do prédio.
Chegou lá embaixo, entrou no táxi e deu um beijo no rosto de Fabiula, e o táxi seguiu para o bar que iriam.
XXX
- Vamo no barzinho de sempre? perguntou Carlos ao telefone com Alexandre.
- Ah claro, você vai com a Kimberly e fico de vela, tô fora! respondeu Alexandre.
- Quem vê você falando assim, acha que você sai desses lugares no zero a zero! Vamo lá cara, sexta-feira, dia de happy hour! disse Carlos.
- Tá bom! Vou me arrumar aqui e a gente se encontra lá! Mas já vou dizendo que vou a caça, falou? Abraço! disse Alexandre rindo.
- Tá bom, ô lobo mau! Até lá! respondeu Carlos que em seguida encerrou a chamada. Alexandre foi para o banho e depois colocou sua roupa que era uma calça jeans e uma camisa de malha acinzentada. Foi até a garagem e entrou em seu carro rumo ao bar que ficava na Barra.
- Mas e ai amiga, aquele teu ex marido não ligou mais? perguntou Fabiula, que logo em seguida deu um gole em seu chopp.
- Graças a Deuxx, não! Acho que ele entendeu que eu não quero falar com ele, pelo menos por enquanto! respondeu Jaqueline.
- Mas já tem outro alguém nesse teu coração ai? perguntou ela.
- Não, acho que...tá muito cedo ainda!
Jaqueline olhou pra porta do bar e viu o amigo de Alexandre chegar ao lado de uma loira. Eram Carlos e Kimberly. Ela se lembrou do dia que o viu ao lado de seu vizinho e sentiu um arrepio ao pensar na hipótese de Alexandre também vir para aquele bar. E a hipótese se concretizou. Alexandre chegou minutos depois e cumprimentou os amigos que estavam numa mesa longe da de Jaqueline.
Jaqueline se escondeu atrás do cardápio como uma adolescente, deixando Fabiula se entender nada.
- Que foi? Do que você tá se escondendo? Da polícia? perguntou Fabiula.
- Eu tô me escondendo do meu vizinho que tá naquela mesa! disse Jaqueline apontando disfarçadamente para a mesa em que estava Alexandre.
- Porque você tá se escondendo dele, criatura? Ele é algum serial killer por acaso?
- Não, mas é um gostoso!
- Então você não deveria querer falar com ele?
- Eu tenho que me fazer de difícil!
- Ai Jaqueline, só tu mesmo! disse Fabiula se divertindo com a situação. Fabiula avistou um homem a olhando e começou a jogar seu charme da mesa mesmo.
- Olha lá amiga, olha aquele gato que tá olhando pra mim! disse ela entre os dentes, pois estava sorrindo.
Jaqueline olhou disfarçadamente para trás e viu o tal homem e mais um amigo que fitou seu olhar imediatamente. Os dois se aproximaram da mesa das duas e se apresentaram:
- Oi, tudo bem? perguntou um deles para Fabiula.
- Tudo ótimo e você? respondeu ela.
- Tô melhor agora que encontrei você! disse ele depositando um beijo nas costas da mão de Fabiula.
- Cantada barata a sua hein cara? disse Fabiula de forma descontraída.
- Eu sei, sou péssimo com isso! Me desculpe!
Ambos gargalharam.
- Vou começar de novo! Muito prazer, Roberto! disse o homem sorridente
- Fabiula! disse Fabiula, finalizando com um sorriso de lado, se apresentando a Roberto.
Do outro lado da mesa, o outro homem conversava com Jaqueline.
- Meu nome é Murilo! Muito prazer! disse ele.
- O meu é Jaqueline! respondeu Jaqueline.
- Lindo nome...assim como a dona dele!
Começaram uma conversa agradável, cheia de insinuações, pelo menos da parte de Murilo.
- Ué, cadê a Fabiula? disse Jaqueline a procurando com olhar pelo bar.
- Deve tá por ai com o Roberto!
- Essa Fabiula...
-disse Jaqueline rindo.
- Você quer dançar? perguntou Murilo.
- Dançar?
- É...você sabe o que é dançar né? perguntou ele sorrindo.
Quando Jaqueline ia responder, Alexandre se aproximou da mesa onde se encontrava os dois.
- Olá, vizinha! Como vai?
Jaqueline sentiu seu corpo gelar diante aquele olhar n***o matador que Alexandre carregava.
- Murilo? perguntou ele, colocando a mão no ombro do amigo.
- Alexandre, e ai cara como vai? perguntou Murilo se levantando para dar um abraço em Alexandre.
- Vou bem e vejo que você já conheceu a minha adorável vizinha!
- Vocês são vizinhos? perguntou Murilo.
- Somos! responderam, Jaqueline e Alexandre em uníssono e ambos sorriram um para o outro.
- Que coincidência!...Então Jaqueline, aceita? disse Murilo voltando seu olhar para Jaqueline.
Um outro amigo de Murilo apareceu completamente alterado pedindo ajuda pra ir pra casa. A cena era engraçada mas não para Murilo que teve de largar a futura conquista para ajudar o amigo bêbado.
Sem jeito e frustrado, se despediu dos dois, os deixando a sós. Alexandre se sentou de frente para Jaqueline e a olhou rindo da situação do amigo de Murilo.
- Parece que o destino quer nos juntar, não é mesmo? perguntou ele.
- Porque você acha isso?
- Porque somos vizinhos, eu estou trabalhando pra sua chefe e agora estamos aqui nesse mesmo bar! disse ele.
- São apenas coincidências!
- Pra mim é muito mais do que isso!
Alexandre a desarmava por obter os melhores argumentos.
Jaqueline não tinha uma resposta a altura, então apenas sorriu diante a audácia e rapidez dele.
- Não vai quer dançar? perguntou Alexandre.
- Quero! respondeu prontamente.
Os dois se levantaram e foram pra pista de dança que ficava num canto mais afastado e escuro do bar.
Começaram a dançar uma música eletrônica, deixando seus corpos se esfregarem um no outro. Jaqueline dançava e volta e meia gargalhava por causa de algo que Alexandre sussurrava em seu ouvido devido a música alta.
No meio da dança, Jaqueline colocava suas mãos na nuca de Alexandre, dançando de forma mais lenta e sensual, mas quando ele se aproximava para beija-la, ela recuava e voltava a dançar de forma um pouco mais agitada.
Alexandre foi quem tomou a iniciativa de puxar Jaqueline para um canto da pista e beija-la. Um beijo quente, onde ele puxava os cabelos de Jaqueline e delineava as curvas de Jaqueline com a sua mão ágil. Um beijo cheio de t***o.
Ambos pensaram quando se olharam ou pelo menos tentaram se olhar no meio do escuro, ao fim do beijo. Ambos sorriram de forma safada um para o outro e Jaqueline mordeu os lábios, olhando para os lábios de Alexandre.
Finalmente!
- Minha vez de te beijar! disse ela antes de puxa-lo para mais um beijo quente.