Pré-visualização gratuita PRÓLOGO DA HISTÓRIA.
PRÓLOGO:
"Renesmy"
13 anos. Onde tudo começou.
Eu sempre achei bonito andar escoltada.
Os carros pretos, os homens sérios, as armas à mostra. Parecia coisa de filme. Era tão legal andar assim, eu me sentia uma popstar, Mamãe acertou muito quando conheceu o Vittório.
Eu gostava de imaginar que fazíamos parte de algo importante, secreto, quase invencível.
Minha mãe dizia para eu não comentar isso com ninguém, mas sorria quando eu falava que um dia queria entender tudo. Eu me sentia uma agente secreto sabe, tipo 007...
Mas naquela noite, eu senti que algo estava errado antes mesmo de qualquer coisa acontecer.
O Vittório não voltou pra casa com a gente, ele recebeu uma ligação no meio do nosso jantar, mandou a gente pra casa dizendo que precisava resolver isso, que eles descobriram, e eu me perguntava o que eles tinham descobertos, mas ninguém me disse nada.
O caminho até em casa parecia o mesmo, mas o ar dentro do carro estava pesado. Os homens da escolta não conversavam.
Minha mãe olhava pela janela por tempo demais.
Aquilo me deixou nervosa, porque ela estava assim?
— Mãe?
chamei.
Ela virou o rosto para mim rápido e sorriu. Um sorriso bonito… mas que não alcançou os olhos.
— O que está acontecendo?
— Está tudo bem, meu amor.
Mas não estava. Eu sabia. Mesmo sem saber por quê.
Ela segurou minha mão com força, como se tivesse medo de soltar.
— Renesmy… escuta com atenção agora.
Assenti olhando pra ela mais intenso.
— Não importa o que aconteça...
disse, com a voz firme demais para ser normal.
— você precisa obedecer o Vittorio. Sempre. Chamar ele de pai, não importa quem esteja presente. Ninguém pode saber que ele não é seu pai de verdade. Entendeu?
— Entendi.
respondi, mesmo sem entender tudo.
Ela sorriu de novo. Dessa vez, foi um sorriso triste.
— Escute, negue qualquer pessoa que diga que você não é, pra todos os efeitos Vittório é o seu pai, nunca diga o contrário, e o obedeça, não importa o que ele diga, faça!
— Mãe... O que está acontecendo?
Ela ia me responder, mas não deu tempo.
O carro da frente explodiu.
O som foi tão alto que eu achei que tinha ficado surda.
O nosso carro parou bruscamente, eu só consegui escutar abafado, Gritos, tiros, portas sendo abertas à força.
Tudo aconteceu rápido demais.
A porta do meu lado foi arrancada.
Homens armados apareceram.
— René!!!
— Mãe!
Puxaram minha mãe primeiro.
Eu gritei. Agarrei o braço dela com força.
— Solta minha mãe.
Fui puxada também. Meus joelhos rasparam no chão, arderam, mas eu não senti dor, só medo.
Minha mãe foi jogada dentro de uma van escura.
— Não.. não, me solta!
Estava sendo levada junto quando tiros começaram atrás de nós.
Um dos carros da escolta do Vittorio apareceu. Os homens começaram a cair.
Alguém me empurrou com força.
Eu caí.
Bati a cabeça. Tapei os ouvidos. Chorei.
Estava tão assustada, os barulhos altos dos tiros, tão perto.
Quando o barulho diminuiu, o som mais alto foi o da van arrancando, os pneus gritando no asfalto.
Levando a minha mãe.
— Mãeeee!!
Saí devagar de trás do carro.
Havia corpos espalhados. Um homem ajoelhado implorava.
— Não… por favor…
O tiro veio rápido.
Eu congelei olhando o homem que atirou, ele usava uma máscara.
Só os olhos apareciam. Olhos frios. Vazios.
Ele tirou a máscara, se que me viu ali, quando virou o rosto para mim.
Apontou a arma.
Eu neguei com a cabeça, chorando. Não consegui gritar. Não consegui correr. Tudo dentro de mim parou.
Por um segundo, achei que ia morrer ali.
Seu olhar mudou quando me viu, o barulho de carros queimando pneu foi algo, ele olhou pra pista, vendo os outros carros se aproximando...
— Inferno!
Baixou a arma.
Desistiu do que planejava.
Há, se eu soubesse, imploraria pra ele ter me matado também.
Ele virou e entrou em um carro que saiu em alta velocidade.
Eu fiquei sozinha.
Com os corpos.
Com o silêncio.
Com o vazio.
Corri até um dos carros, peguei o celular de um homem caído e liguei para o número que eu sabia de cor.
— Pai…
minha voz saiu quebrada.
— René!?
— levaram a mamãe... Levaram, minha mãe!
Depois disso, tudo aconteceu tão rápido.
Me tiraram dali. Vi Vittorio desesperado, fora de si, gritando, prometendo vingança.
Contei sobre o homem mascarado. Sobre os olhos. Sobre o rosto que eu jamais iria esquecer.
A forma como ele segurava a arma, eu fiquei com tanto medo.
Quando Domenico chegou, com os dois filhos ao lado, eu não pensei.
Eu só confiava nele, era o único ali que me olhava como alguém igual, como se me conhecesse de verdade.
Cirius.
Corri e me joguei nos braços dele e segurei sua roupa como se o mundo fosse cair se eu soltasse.
— Eles levaram a minha mãe…
disse, chorando.
— Cirius... Eles vão matar minha mãe!?
Ele me abraçou forte.
Claus observava de longe, sério, em silêncio.
Alguém disse que tudo ficaria bem.
Mas naquele dia, eu aprendi que nada naquela vida era leve.
E que o preço das alianças…
quase sempre era pago por quem não tinha escolhido nada.
— Eu vou descobrir quem foi Vittório, e vamos acabar com ele!
Domenico disse severo.
Eles descobriram quem foi, mas não conseguiram chegar a tempo de salvar minha mãe..
E eu a pedir naquele maldito dia.
O pai de Cirius e Claus vingou meu pai.
Mas ninguém trouxe minha mãe de volta.
Nada traria ela de volta.
E ali... Naquele maldito dia eu fiquei órfã, e com uma dívida que uma hora teria que pagar.
...