Pré-visualização gratuita Prólogo
Estar naquela sala a deixava bem nervosa. Esteve ali por duas vezes. Não queria, mas fora obrigada a estar ali, já que foi a principal responsável por colocar Sebastian Reves no corredor da morte. Há dois meses, ele foi condenado a morte via injeção letal pelo assassinato da esposa do Vice Governador de Nova York. Por residir em Manhattan e ter o curriculum impecável, Karoline Graves foi colocada no caso. Agora estava ali, a espera de que tudo acontecesse, mas dentro de si havia um grande medo. Um medo de todos descobrirem a verdade sobre aquela morte.
Os minutos foram se passando e a ruiva ficava cada vez mais nervosa, suas mãos suavam e ela as esfregava, tentando pensar em qualquer outra coisa, menos naquela execução. Olhava seu celular a cada minuto, pensando que Cassie a ligaria, mas nada. A amiga e parceira na polícia estava bem ocupada com algum caso no Departamento.
Havia se passado um ano desde o que aconteceu a Cassie Storm. Ela estava mais feliz e o grande anel em seu dedo direito provava aquilo. Raymmond e Cassie se mereciam demais. Karoline até sentia uma pequena inveja da amiga, pois ela havia achado alguém que sabe lhe dar valor, enquanto a ruiva ainda sonhava com o príncipe encantado.
Karoline se assustou quando as cortinas se abriram de repente. Lá estava Sebastian. Seu cabelo rebelde preso na nuca, os olhos castanhos encontraram os dela. Ele tentou alegar inocência, mas muitas provas estavam contra ele e ela não teve outra escolha. Karoline nunca teria chances se não fizesse com que ele estivesse ali para morrer. Sentiria culpa por sua vida toda, mas viveria repetindo que não tinha escolha.
Aos poucos, as pessoas responsáveis na sala foram ajudando o homem a se deitar na maca. Reves não falou nada. Karoline olhou para os lados. Havia dois repórteres, ela e mais duas pessoas que não conhecia, mas imaginou ser curiosos. Voltou sua atenção a Sebastian, na qual olhava para o teto. Queria poder ter o poder de ler mentes e saber o que se passava na cabeça dele.
Sebastian era um homem misterioso, ninguém sabia muita coisa dele, o que dificultou um pouco as investigações por Karoline, até que Reves se envolveu com gente maior do que ele. Karoline tentou, mas essas pessoas eram bem mãos poderosas.
Já amarrado a mesa, com as agulhas em suas veias, Reves virou o rosto, fitando o rosto da ruiva. O corpo de Karoline gelou com aquele olhar. “Por que ele está olhando pra mim?” perguntou – se para si mesma. Olhou para trás, mas naquela fileira, só havia ela. Sebastian piscava devagar, parecia estar diferente. “Você não vai fazer me sentir culpada, não é?” pensou novamente.
Karoline começou a sentir – se zonza quando o homem não desviava o olhar. Ela mesma olhou para o chão, mas não conseguia se concentrar. Respirou fundo, tentando se acalmar, mas sua cabeça começou a ficar pesada. Levantou o olhar e lá estava os penetrantes olhos castanhos lhe olhando. “Espero que me perdoe um dia”.
Com a autorização, o homem perto do suporte com as agulhas e os frascos com seus produtos químicos começou a medir em cada seringa a quantidade para aplicar em Sebastian. Karoline sentiu o clima mudar, mas a sua tontura não havia passado. Primeiro, o líquido injetado foi o tiopentato de sódio, produto que levava os condenados a entrar em coma. Ao ser injetado, o corpo de Sebastian deu um tranco, o que assustou a detetive, mas o rosto dele permaneceu virado para o lado dela, mesmo que era nítido a perda de foco.
O segundo produto foi preparado, era o brometo de pancurônio, este fazia o diafragma e os pulmões parar. Karoline viu o peito de Sebastian suavizar cada vez mais com a respiração. Uma lágrima caiu dos olhos dela, mais culpa batendo em suas costas. “Eu não deveria estar aqui... Eu não deveria ter feito isso...” era o que repetia mentalmente.
E por último, o especialista injetou o cloreto de potássio, que seria o líquido fatal. O líquido que pararia de vez o coração. Mais uma lágrima caiu quando o líquido foi injetado no homem. Karoline apertou os olhos e logo os abriu, a tempo de ver os de Sebastian fechar. Ele estava morto.
As cortinas se fecharam e as pessoas foram saindo aos poucos, mas Karoline ainda permaneceu ali. Apoiou os braços na poltrona da frente e a cabeça sumiu entre seus braços. Respirou fundo várias vezes. Não deveria chorar por alguém como Sebastian, mas ela tinha os motivos e esses motivos iriam persegui – la pelo resto de sua vida.