Capítulo um

4126 Palavras
Três semanas depois... Os sonhos ruins sempre a perseguiam, mesmo que tenha passado tanto tempo. Mais uma noite em que Karoline não conseguia dormir. Desde o fatídico dia em que viu Sebastian Reves morrer olhando para ela, as noites de sonos haviam ido embora. Tudo o que via quando fechava os olhos era o olhar dele. O porquê disso, ela sabia muito bem o motivo. Suas noites agora era andando pela casa ou sentada no parapeito de sua janela, olhando o céu n***o de Manhattan. As vezes, sentia – se sendo observada em sua própria casa, mas era apenas loucura. Os dias no Departamento de Investigação fora cada vez piores. Ela não conseguia se concentrar direito, indo até conversar com a psicóloga. Catherine Perry era uma Russa muito boa em ouvir e ajudar as pessoas. Em sua última visita, Catherine conseguiu até fazer com que Karoline sorrisse. - Você sabe que não deveria se sentir assim, Karol. – Falou a psicóloga, em seu sotaque impecável. – Geralmente, quem sente uma culpa assim são pessoas que se envolveram ou sentiram algo forte pelo oposto... - Não... Isso nunca. – Reclamou a ruiva, sentada na poltrona. – Eu só não sei o porquê isso está acontecendo. – Disse ela, suspirando fundo. – Eu só queria que isso parasse de atormentar a minha cabeça. Catherine abriu um meio sorriso. - Enquanto você deixar isso consumi – la, não vai parar. Posso dizer que foi a sua primeira vez vendo alguém condenado a pena de morte morrer, mas enquanto não deixar esse homem em paz, não vai conseguir levar sua vida. Não era fácil, mas ela tentava. Já Cassie entendia o seu lado traumático. Naquele dia, entrou na sala com uma caixa de bombons. - Meu Deus, Karoline, o que são essas olheiras? – Falou Cassie, fingindo estar chocada. Empurrou a caixa de bombons e se sentou na cadeira a frente da de Karoline. – Você sempre dizia que olheiras e rugas eram a pior coisa e olha só para você, parecendo que foi abduzida por um E.T. Ainda é o caso? Era impossível não mentir para Cassie. - Você sabe que é complicado... Cassie revirou os olhos. - Sim, mas já se passaram três semanas. Ele deve estar cumprindo a pena dele em outra dimensão. – A morena suspirou e pegou as mãos de Karoline. – Preciso da minha parceira de volta. Lembra quando tudo aconteceu comigo? Você disse que eu precisava de alguns dias e ainda cuidou de mim. Me deixa cuidar de você agora. Eu não vou saber fazer aquela sua sopa maravilhosa e nem a sua omelete, mas eu prometo te fazer uma enorme panela de brigadeiro e vamos engordar juntas. Karoline riu. Era bom quando as pessoas mostravam estar com ela, mas ter Cassie ao seu lado era a maior dádiva. Depois que tudo terminou, as duas foram para a casa de Karoline, que estava um pouco bagunçada. Cassie a ajudou a organizar tudo. Haviam casos pequenos de furtos de carros e casas espalhados pelo lugar. - Nossa, você ainda tem esse relatório? – Perguntou, lendo uma das folhas. Era um caso onde um homem pichou o carro do vizinho com ofensas por este deixar o cachorro fazer necessidades no quintal da casa dele. – Isso foi tão ridículo que eu sinto vergonha de ter ido. Isso só pode ter sido um grande castigo. Karoline sorriu de canto, pegando algumas roupas também espalhada. Jogou em um balde. - Eu acho que podemos considerar isso. Lembre-se que Jonathan ficou irado quando fui atrás de você, mesmo que tenha elogiado meus instintos depois. Cassie balançou a cabeça. - Nosso chefe é um cara dureza de se lidar, eu já falei. Jonathan Fleur é o inglês mais chato que já conhecemos. A ruiva riu, sentando – se na beira do sofá. - Tem noticias do Ray? O sorrido de Cassie desapareceu aos poucos e soltou um longo suspiro. - Ele ainda está nessa obsessão de descobrir sobre os ataques da tal Compania. Nos falamos a uma semana e ele continua a dizer que é melhor assim e que logo tudo acaba. – Ela abaixou a cabeça. – As vezes me sinto culpada por tudo isso. Karoline esfregou a mão carinhosamente nos braços da amiga. - Não se sinta. Você foi a vítima nisso, assim como ele. Deixe que Ray resolva tudo. Cassie assentiu. - Ele acha que eu não sei me defender e se essa Compania mandar alguém, vai me m***r. Até parece. As duas riram. Depois de mais uma conversa, ambas foram para a cozinha. Enquanto Karoline preparava o jantar, Cassie fez o brigadeiro que prometeu. Por várias vezes, Cassie a pegou pensativa. Quase deixou o molho do macarrão queimar. - Deixa que eu termino, ok? – Falou a morena, levando a amiga para sentar-se em uma cadeira. – Tudo é mais sério do que eu pensei. Karoline balançou a cabeça, os olhos com lágrimas. - Me perdoa, Cassie. Eu não queria estragar tudo. A morena desligou o fogo e virou – se pra ela. - Você não tem que se desculpar, mas como disse, preciso da minha amiga de volta. – Cassie puxou uma cadeira, sentou e pegou as mãos de Karoline. – O que acontece? Eu sei que tem algo a mais. Karoline a olhou. Cassie estava mesmo preocupada. Suspirou. - O que me assusta sempre é o modo como ele morreu. Eu sei que parece loucura, mas... – Ela abaixou a cabeça. – Ele morreu olhando pra mim. Era como se ele quisesse que eu visse cada estágio da morte dele e... – mordeu os lábios. – Eu fosse a última pessoa que ele fosse olhar. Cassie cerrou as sobrancelhas, pensativa com tudo o que Karoline dizia. - Eu estava pouco presente, mas como foi as investigações? Karoline ficou surpresa com a pergunta de Cassie. Esfregou a nuca. - Bem... Tudo indicava que era ele, mas Reves sempre alegou inocência, dizia que armaram pra ele. Provas chegaram até mim que até agora eu não sei como, mas foram as concretas de que Reves matou Sarah . Ainda descobri que ele tinha um caso com ela. Cassie deu de ombros. - E agora me explique por que isso te incomoda tanto? Karoline passou a mão na testa. - Nem eu sei. – Falou, engolindo saliva. Cassie respirou fundo, saindo de sua cadeira e sentando – se na do lado da amiga. - Então, pare de pensar nisso. Como Catherine disse, deve ter sido trauma de primeira viagem. Você ver ele morrer com a injeção letal é assim. Acho que muitos passam por isso. A ruiva balançou a cabeça, distraída. Talvez deve ser verdade. Precisava parar com a paranóia. - Você está tomando o calmante que ela passou? - Estou, mas as vezes não adianta nada. Eu acordo no meio da noite e não consigo dormir. - Então, você vai tomar e eu irei dormir com você. Acredito que pode ser isso. Uma bela companhia pra dormir. Karoline riu do jeito de Cassie. Ambas terminaram o jantar e comeram. Tudo ficou melhor e após um filme com o brigadeiro de Cassie como Sobremesa, a ruiva finalmente fechou os olhos no sofá. Sabendo que seria difícil leva – la para a cama, Cassie arrumou um colchão no chão para ela e assim as duas dormiram. *** Karoline sentiu – se renovada naquele dia. Foi a primeira noite que dormiu com tranquilidade em semanas. Olhou o teto por alguns segundos e lembrou – se de Cassie. Ao escutar um ronco baixo, olhou para o lado e encontrou a amiga. Seus olhos logo olharam o relógio, era sete e meia. Espreguiçou e com cuidado para não acordar Cassie, levantou, seguindo para o banheiro. Estava aliviada pela noite de sono bem dormida. Olhou sua imagem no espelho e se surpreendeu com a imagem. Não havia mais olheiras e seu rosto estava um pouco mais cheio. Quem sabe, Cassie tinha razão. Dormir com uma boa companhia fazia bem. Abriu o armário com espelho, pegando sua escova e creme dental e fechou o armário. Quando levantou seus olhos para o espelho, Sebastian Reves estava a suas costas. O medo tomou conta dela e antes que se virasse, Sebastian a empurrou, fazendo Karoline bater a cabeça no espelho. Acabou acordando assustada. Sua respiração estava alterada, o coração acelerado. Apoiou – se nos braços e olhou pelo lugar. Estava tudo claro. Olhou no relógio e era sete e meia. Olhou para Cassie dormindo no chão, tranquila. Tentou se acalmar os poucos, mas a vontade de chorar foi grande. Não queria preocupar a amiga, por isso segurou o quanto pode o choro. *** Nunca sentiu tanta vontade de ir ao trabalho antes. Ficar na sua casa era um desafio e Karoline estava bem distante dos pensamentos. Não conseguiu dormir mais e quando acordou, Cassie preparou para ela um super café da manhã, mas nem fome a ruiva tinha. Ambas foram trabalhar, mesmo sob protestos de Cassie. Ao chegar no Departamento, havia uma missão para a equipe delas. Um corpo foi achado em uma usina abandonada. Billie estava no comando das investigações de outro Serial Killer pelo Distrito e pediu que as duas fosse ao local verificar. No carro indo para a usina, Cassie olhou para Karoline, que estava bem distraída. - Você está bem? – Perguntou olhando da mulher para a estrada. Karoline olhava para o nada a sua frente, absorta em pensamentos. - Estou. – Falou. Cassie balançou a cabeça, tentando não deixar a amiga irritada, mas a curiosidade era maior. - Você falou o nome dele durante a noite. Karoline a olhou, assustada. - O que? - Sebastian Reves. Você disse o nome dele e algo como “Eu não tive escolha, ou era você ou eles”. Esta me escondendo alguma coisa? O corpo da ruiva gelou. Lembrou – se do pesadelo que teve e levou a mão a uma das têmporas. - Não, eu juro. – Falou ela, olhando pela janela. Apertou os olhos, mas sabia que logo Cassie iria interroga – la de novo. A sorte dela é que logo chegaram na Usina. Havia muitos carros de polícia e se não bastasse, os Federais também estavam lá. Eram velhos amigos de Cassie e Karoline. Os agentes Luke Hankinson e Chad Anderson sempre davam um jeito de irrita – las, mas sempre saiam por baixo. Foram eles a recebe – las. -Mas olha só quem está por aqui! A imbatível dupla Pink e Cérebro. – Disse Chad, animado. – Ou devo chama – las de Meninas Super Poderosas? Aonde está a Lindinha? Karoline suspirou. - Que tal você procura – la na b***a do seu amigo? Os dois riram. - Ah qual é garotas, vamos animar um pouco. – Disse Luke e olhou para Cassie. – Eu entendo o m*l humor. Sei que é difícil ter o namorado correndo da polícia, mas não se preocupe, logo ele vai voltar, docinho. Cassie já não tinha paciência, com aqueles dois era pior. - Você sabe bem isso, não é, Luke? – e olhou para Chad. – Você vive fugindo então? Se eu fosse vocês, deixaria que fizéssemos o trabalho de vocês e vão lá no carro dar uma rapidinha. Até mais. – Levantou o dedo do meio e junto de Karoline, começaram a caminhar para dentro da usina. A ruiva bufou. - Eu odeio esses dois. - Nem fale. O corpo estava bem exposto na entrada da usina. Era um japonês todo vestido em terno em gravata. As duas ficaram bem surpresas de achar o homem vestido daquela forma. O tiro estava exposto bem no peito e via – se poucas gostas de sangue por sua camisa branca. - Belo traje para ser jogado em um lugar desses. Tão… formal. – Falou Cassie, de cenho cerrado. Karoline examinou o corpo, procurando alguma coisa, mas nada. - Que estranho, mas pelo o que vejo, queriam se livrar rápido do corpo. Pouco depois, o legista chegou perto de ambas. - Olha aí vocês duas. Mais um daqueles casos sem explicação alguma. - Como assim, Jerry? – Perguntou a ruiva. - Bom, eu ainda preciso ter certeza, mas ele morreu pouco antes das sete da manhã, mas o tiro foi disparado umas horas antes. – O legista abaixou e apontou para o ferimento. – Não atingiu o diretamente o coração, por isso ele morreu de hemorragia, mas demoraram muito para se livrar do corpo. A morte dele foi bem lenta. – Se levantou, mas continuou a olhar o corpo. – É Hiroshi Kobayashi. As duas se olharam. - Aquele empresário japonês chato e metido? – Perguntou Karoline, tentando olhar bem no rosto do morto. - Ele mesmo. – Disse Jerry, sorrindo com a surpresa das duas. – O cara não confiava nem na própria sombra e sempre andava de nariz empinado. Souberam da vez em que ele deu um soco em um dos possíveis compradores da empresa dele só porque o homem lhe ofereceu uma quantia menor pelos produtos? Me lembro de ver ele correndo e ameaçando os jornalistas também... -Contra essas baratas nojentas, eu até achava ele legal. – Falou Cassie. Virou – se para Karoline. – Vamos dar uma volta e ver o que achamos. Aposto que o Debi e Loide deve ter deixado passar alguma coisa como sempre. Assentindo, Karoline seguiu para dentro da usina, enquanto Cassie ficou com o lado de fora. As coisas pareciam bem normais por ali e Karoline sentia – se mas leve, distraída com algo. Talvez era isso que sua mente precisava. Entrou dentro da usina e andou de um canto para o outro. O lugar tinha um cheiro forte de urina, além de um cheiro mais forte que não soube identificar. Depois de fechada, o lugar deve ter virado abrigo de sem tetos e viciados. Tinha cobertas e vários preservativos espalhados pelos cantos, pichações também era bem vistos por ali. Karoline continuou seguindo por um caminho, distraída por pensamentos. Deu a volta pelo lugar, estava bem longe do local do crime. Acabou rindo e balançando a cabeça. Quando ia sair, escutou passos atrás dela. Virou – se rapidamente e olhou por tudo. - Olá? – Disse, alto suficiente, mas ninguém respondeu. Pôs-se a caminha na direção dos passos. Entrou ainda mais dentro do lugar, que tinha pouca luz devido a poeira por volta das janelas. Mais passos ouvidos ao seu lado e ela pode ver uma sombra passar por outro corredor. Sem saber porquê, ela sentiu medo. A sombra sumiu e em passos lentos e hesitantes, caminhou na direção que viu a sombra. Mais uma vez, ela sentiu uma pequena vertigem passar por seu corpo e um medo tomou conta. Sua cabeça começou a girar. Quando chegou no lugar, estava escuro demais e não pode ver nada. Tateou a parede. - Olá? – Sua voz saiu trêmula e medrosa. De repente, uma luz no fim daquele corredor surgiu e ela pode ver uma sombra. O homem era alto, tinha os cabelos até os ombros e pareciam rebeldes. Ela apertou os olhos e seu coração foi parar na boca ao perceber o rosto do homem. O sorriso em seus lábios eram de desdém. Era Sebastian Reves. Karoline gritou tão alto que ela mesma assustou – se com o grito. Tentou se mexer, mas suas pernas não respondia e quando conseguiu reagir, ela correu. Seus olhos estavam fechados e quando alguém a segurou pelos braços, pegou a arma. - Karol, Karol, sou eu. – Era Cassie. Ela estava assustada. – O que aconteceu? Karoline chorava sem parar, parecendo lutar contra a amiga. Ela apontou para a porta. - Ele está lá... Ele está lá... – Ela dizia, frenética e sem parar com o choro. - Quem está lá? - Ele... Ele quer me matar... Quer se vingar de mim... Cassie a fez se sentar no chão e pegou sua arma, indo para o lugar que ela apontou. Pouco depois, Luke e Chad apareceram, com o legista e mais dois policiais. Ao ver Karoline e no chão, Chad apontou para Luke seguir Cassie. - Tem alguma luz aí? – Perguntou ela ao federal. O homem tirou uma mini lanterna do bolso interior do blazer e iluminou o local. Ambos foram um pouco mais a frente, mas não havia ninguém ali mais. Tão logo, Cassie voltou. Karoline ainda chorava e tremia. Ela se abaixou. - Quem você viu, Karol? – Perguntou, preocupada. A ruiva levantou os olhos medrosos para ela. - Sebastian. *** -Você é louco. – Disse o homem loiro, com seus olhos azuis olhando pelo retrovisor do carro. Uma gargalhada surgiu atrás dele e seus olhos encontraram um par de castanhos no banco de trás. - Eu disse que daria certo. O loiro balançou a cabeça. - Isso já basta, não acha? Olhe só pra ela. – Falou, apontando para o carro que Karoline estava. Os olhos castanhos seguiram para onde o loiro apontou e ficaram cerrados. Ela era um alvo fácil. Se fazia de durona, mas não tinha nada disso. Era mais frágil do que uma folha de árvore no outono. - Ela só está recebendo o que merece. Sente culpa e isso ainda é pouco pelo o que fez. O loiro respirou fundo, segurando a chave na ignição. - Qual é o próximo passo agora? Um sorriso surgiu nos lábios do homem no banco de trás. - Hoje a noite, nosso plano maior será posto em prática. Prepare tudo. *** Após muitos exames, Karoline se mostrou bem melhor e mais calma. Quando achava que tudo estava bem, o maldito fantasma da culpa lhe atormentava. Se não bastasse os pesadelos, agora estava sonhando acordada. Ela jurava ter visto o homem a sua frente, mas depois de buscas pelo lugar, não havia ninguém. Karoline voltou para o Departamento depois de tantas ordens de Cassie. Passou na enfermaria, mas o médico não viu nada para deixa – la em observação. Bem desanimada, caminhou para sua sala. Ao entrar, encontrou uma mulher de pé, braços cruzados e olhar preocupado. Karoline suspirou. - Eu acho que devo me sentar e preparar meus ouvidos, não é mesmo? – Perguntou ela, tentando mostrar algum humor, mas Cassie permaneceu séria. Então, caminhou até a cadeira e se sentou, de cabeça abaixada. – Pode começar. Cassie suspirou. - Essa paranóia tem que acabar. – Disse ela, ainda de braços cruzados. – Você está me deixando muito preocupada e eu não aguento mais te ver assim. Eu preciso saber o que realmente está acontecendo. Karoline permaneceu de cabeça abaixada, escutando cada palavra. Esperou por algo pior, mas ela pegou mais leve. - Eu sei que preciso deixar tudo isso de lado e eu juro, não sei o porquê de tudo isso... - Você sabe sim. – Cortou – a Cassie. Esta abaixou, fazendo Karoline olhar para ela. – Nós vemos gente assassinada todos os dias, já vimos pessoas morrer em nossas frente e por mais que isso tenha nos afetado durante alguns dias, nada se compara com o que está vivendo. Sebastian Reves era apenas um condenado a morte depois de cometer um crime. O que te leva a pensar que ele está em todo lugar que você vai? – Cassie a olhou, permanecendo quieta, mas ela percebeu algo nos olhos da ruiva. – A não ser que houve alguma coisa a mais nisso, não é? Karoline baixou os ombros. Esqueceu que as duas se conheciam como a palma de suas mãos. Mordeu os lábios, um pouco nervosa. - É algo que eu juro, se pudesse, eu colocaria para fora... - Mas olhe para você, está se remoendo por dentro, está ficando doente. – Cassie procurava por respostas, mas Karoline evitava olhar para ela. – Você se envolveu com ele? - Não. – Disse Karoline com urgência. – Não, de jeito nenhum... Eu não sei como explicar mas... – Finalmente, seus olhos encontraram os dela. – O caso mexeu muito comigo e eu acho que foi isso. Eu juro Cassie, eu vou ficar bem. Ela torceu para que a amiga não sentisse que estava mentindo. Não era dela mentir, era uma agente da lei, mas algumas coisas tinham que ser omitidas. Karoline viu Cassie se levantar, ainda com o olhar inquisidor. - Eu vou conversar com Jonathan. Vou pedir que você tire uns dias e hoje a noite eu vou para a sua casa. Eu vou cuidar de você. - Cassie, eu juro que estou bem e não quero... - E quem disse que você tem alguma escolha Karoline Portman Graves? Quando eu estava em uma situação como está, você cuidou de mim e eu acho bom você não me impedir de fazer o mesmo por você nos próximos dias. Karoline riu. - Tenho medo quando diz meu nome inteiro. O momento era tenso, mas Cassie não pode deixar de rir. - Você é uma i****a. Arrume suas coisas, eu vou falar com o Inglês chato. Vá pra casa e eu vou buscar as minhas coisas. E eu acho bom me obedecer. *** E contrariada, Karoline obedeceu. Não queria que ninguém se preocupasse com suas loucuras, mas conhecendo a amiga, ela invadiria seu sono para poder acabar com tudo. Não tinha o que reclamar pois faria o mesmo. Desde que se conheceram no colegial, Cassie e Karoline eram como carne e unha, nunca se desgrudavam. Quando decidiram servir juntas, Cassie esteve ao seu lado, principalmente quando os pais não aprovavam sua escolha. Seu pai queria que ela fosse qualquer outra coisa, menos policial. A mãe nem podia falar, era a mulher que seguia tudo o que o marido dizia. O irmão era o único que não se importava, desde que tudo a fizesse feliz. Jason era o único que ligava para ela em seu aniversário, ações de graça, natal e ano novo, tirando os dias em que ligava do nada. Tinha sorte de pelo menos, ter alguém como ele a apoiando. Era quase hora do almoço quando voltava pra casa. Estranhamente sentiu vontade de comer um hambúrguer e isso a fez para em uma lanchonete Fast – Food. Seguiu pra casa, na esperança que tudo fosse melhorar. Ao entrar no lugar, sentiu-se só novamente. Naquela casa era ela e os pensamentos, mas aquilo a entristecia. Queria uma compania e não pensava em Cassie largando tudo para ir estar com ela, mas de alguém em especial. Estranhou aquele pensamento. - Talvez seja os hormônios. – Falou sozinha. Deixou o lanche na cozinha e foi para o quarto, preparou – se para um banho, o que foi bem relaxante. Não se lembrou de quando passou tanto tempo embaixo do chuveiro. Karoline mais uma vez se pegou pensando nos problemas, o que sempre lhe deixava triste. Nunca havia passado por aquilo antes e talvez se falasse para alguém, poderia aliviar. Não tinha mais volta e o que sentia por dentro era grande. Decidiu – se que falaria com Cassie porque se pedisse segredo, ela não contaria a ninguém. Quando saiu, resolveu deitar na cama. Sua barriga protestou, mas o momento de reflexão continuava. Olhando para o teto, revisou o que passou na Usina abandonada. Talvez Cassie tinha razão, era tudo vindo de sua mente, mas nada iria impedir de que Cassie soubesse de toda a verdade. Foi com pensamentos assim que acabou dormindo. *** Aos poucos, seus olhos foram se abrindo com leveza. Quando sua visão ficou mais clara, percebeu que já estava escuro do lado de fora. Karoline dormiu e não percebeu o tempo. Já se passava das oito da noite e isso a deixou feliz em partes. Levantou – se, com o estômago protestando de fome. A casa ainda estava em silêncio e ao descer, percebeu que continuava sozinha. Ou Cassie estava a caminho ou estava ainda arrumando as coisas dela. Sorriu ao lembrar quando ficou tanto tempo dormindo da última vez. As duas se divertiram na maratona de filmes. O hambúrguer continuava em cima da mesa. Estava frio, assim como as batatas. Comeu com algumas e levou o lanche ao microondas. Vasculhou a geladeira, mas não tinha nada de interessante. - Preciso comprar algumas coisas. Isso está ficando bem vazio. – Falou mais uma vez consigo mesma. Ao endireitar – se, Karoline foi surpreendida com alguém as suas costas. Ela lutou, mas o invasor era mais forte do que ela. Ele apertava seu pescoço com o braço, impedindo – a de gritar. Na outra mão dele, estava um lenço que ele tentava colocar em seu rosto. Karoline segurava seu braço, mas ele conseguiu levar para seu rosto e cobrir com o lenço. Karoline sentiu o cheiro forte no lenço, o que foi fazendo – a parar de lutar. Aos poucos, foi perdendo sua consciência, até que finalmente seu corpo amoleceu, completamente inconsciente nos braços do agressor.
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