Frio, sentia um pouco de frio. Sua respiração era com dificuldades. Até mesmo sentia um pouco do cheiro do clorofórmio. Abriu a boca para tentar resgatar um pouco de ar. Seus olhos se abriram, mas a visão ainda era muito embaçada. Seu corpo doeu e as lembranças eram confusas. Virou – se para o lado e diante da visão r**m, percebeu que estava em um lugar escuro. Seu cérebro voltava aos poucos a enviar comandos para o seu corpo.
Os braços apoiaram um pouco o peso do seu tronco e Karoline pode levar uma das mãos a cabeça. Foi conseguindo lembrar – se de como desmaiou. Tinha alguém na casa. Alguém que a atacou, a fizera desmaiar. Olhou para os lados de onde estava, mas a visão não ajudava. Esfregou os olhos e aos poucos foi identificando aonde estava. Eram grades.
Levantou – se devagar, um das mãos na cabeça. Olhou por volta e percebeu que estava em uma prisão. Era uma jaula quadrada, um pouco maior do que a sua altura. As grades de ferro eram grossas, como as da cadeia. Ela arfou, começando a entrar em desespero. Quem a teria colocado ali? Olhou mais ao redor, não reconhecendo o local, mas era uma sala bem grande. Ela correu para um lado, aonde identificou uma porta.
- Socorro. Socorro. – Começou a gritar, mas a sua voz não era tão alta. O medo foi tomando conta de seu corpo junto do desespero. Começou a chacoalhar as grades. – Alguém me ajuda? Por favor... – A voz foi ficando embargada de choro. – Socorro...
- Não vai adiantar gritar por socorro. – Uma voz disse atrás de si. – Só há duas pessoas que sabe sobre você e nenhuma delas vai te ajudar.
A voz a fez parar e seu corpo ficou congelado. Devagar, Karoline se virou na direção da voz. Uma sombra andou para o lado, onde havia um pouco de luz, mas ela não viu o rosto. Viu a calça Jeans preta, uma camisa que jurou ser da mesa cor. O cabelo era até os ombros, mas ela não precisava de nada mais para reconhece – lo. Suas pernas tremeram e se tivesse dado um passo, teriam falhado.
- Não... – Ela disse, baixo e chorosa. Seu coração já batia fraco e o corpo amolecia. – Não...
A gargalhada. Aquela que ela reconheceria em qualquer lugar. Um passo a frente e o pescoço dele ficou iluminado.
- Ah sim, Karoline... Seu maior pesadelo apenas começou. – E a sombra deu mais um passo, onde Sebastian revelou seu rosto com um sorriso satisfeito nos lábios. – Eu disse que voltaria para me vingar.
***
Finalmente, as pernas de Karoline cederam e ela foi ao chão. Não conseguia tirar os olhos dele por não acredita que Sebastian estaria ali. Ele apareceu mais a luz, andando por volta da jaula. Seus olhos castanhos com o brilho de satisfação.
- Eu soube que você estava com alguns delírios, sonhando comigo... – Ele encostou nas grades. – Isso deve chamar culpa, não é?
Karoline chorava, não conseguia se mexer. Seu corpo estava tão mole que não conseguia controlar seus movimentos.
- Por que? Como? – Ela dizia, mas sua voz m*l saia.
Ele continuou a olhando, com o queixo levantado.
- Graças a Deus, eu tenho um irmão que acreditou em mim, além de ser especialista em várias coisas. O governo é fácil de manipular e ele não teve dificuldades de trocar os produtos da injeção letal. Enquanto todos acharam que estava morrendo, eu só tomei injeções que me fariam desmaiar. Confesso que morrer não é tão r**m assim.
Aquilo a surpreendeu ainda mais. Era muito difícil fazer aquilo pois os produtos da injeção letal não eram algo que vendia em farmácia. Tinham que ser manipulados e guardados a sete chaves. Se alguém descobrisse aquilo, Sebastian e o irmão teriam as cabeças arrancadas.
- Alguém vai me achar... Vão sentir minha falta e você vai morrer com uma bala na cabeça, seu desgraçado... – Ela disse, recuperando um pouco da sua sanidade. Ela o olhava com ódio. – Cassie ia para a minha casa e a uma hora dessas, ela já deve estar a minha procura.
Sebastian a olhou, com um sorriso nos lábios e completamente despreocupado.
- Continue a achar isso. Deixe que sua amiguinha procure você. Ela vai ficar bem ocupada enquanto eu e você brincamos um pouco.
O coração dela bateu forte.
- O que você quer?
Sua expressão ficou mais séria.
- Você sabe muito bem o que eu quero. Eu sei que você estava trabalhando para eles...
Mais uma vez, o coração da ruiva bateu tão forte que ela achou estar infartando. Engoliu em seco, o olhando de olhos arregalados.
- Eu – Eu não sei do que você está falando... Eu juro que...
- Você não tem o que jurar, Karoline! – Gritou Sebastian, batendo nas grades e a assustando. – Você trabalha para eles e eu sei disso. Foi por sua culpa que eu quase morri e agora, você vai pagar por isso.
Karoline continuou a chorar. Ainda de joelhos, ela foi até perto da grade.
- Eu juro que não sei do que está falando... – Ela disse, com as lágrimas caindo.
Sebastian quase bufava de raiva. Tirou o cabelo do rosto dele, sem tirar os olhos dela.
- Você vai falar Karoline, de um jeito ou de outro... Nem que eu tenha usar a força para isso. – Ele se afastou, indo até uma mesa de madeira velha e pegando um prato que havia lá. Sebastian deu a volta, abrindo uma portinhola que havia perto do trinco e o colocou ali. – Eu quero que coma. Agradeça por eu querer você bem de saúde. Não quero correr com você para um hospital.
Ele se virou, indo direto para a porta. Karoline o acompanhou com o olhar.
- Você sabe que isso é perigoso. – Disse ela, olhando para ele. – Quando acharem você, eles não vão errar desta vez.
Sebastian abriu a porta, mas virou – se pra ela. Um sorriso surgiu.
- Eu acho que vou querer arriscar.
E assim, saiu, a deixando sozinha. Karoline abraçou suas pernas, juntando – ao corpo e começou a chorar.
***
Cassie estava desesperada, andando de um lado para o outro no Departamento. Ninguém conseguia acalma – la. Depois de horas atrás de Karoline e nenhuma resposta, ela estava quase enlouquecendo. Até ameaçou Taylor, um de seus colegas. Foi enviada para a sala de Jonathan.
- Você tem certeza que ela sumiu? - Perguntou ele, sentado à sua mesa. Ainda vestia uma roupa mais esportiva, camisa pólo, calça jeans e tênis. – Talvez ela apenas foi para algum outro lugar.
Cassie o olhou, parecendo ofendida.
- Você conhece a Karol, para onde ela iria a noite? – Disse Cassie, quase em uma explosão de raiva. – Eu disse que ia dormir na casa dela. Karoline estava passando por um momento delicado. Ela nunca sairia sem me avisar ou mesmo quando eu estava indo pra casa dela.
- Fica calma, ok? – Jonathan a levou para uma cadeira. – Eu soube o que ela vem passando. Catherine sempre me conta sobre quem vai passar com ela e me mandou os laudos da Karol. Escute Cassie, eu sei que é delicado, mas no estado em que Karoline estava, eu entendo que esteja bem preocupada. Talvez ela precisasse de horas sozinha.
Cassie levantou os olhos para o homem.
- Não me faça brigar com você também Jonathan. – Ela disse, encostando na cadeira e respirando fundo. – Você é um dos poucos que conhece a mim e a Karol tão bem, sabe do nosso laço e sabe que ela nunca faria algo assim sem avisar a mim ou a alguém. Para ela sair assim, alguma coisa bem grave aconteceu.
O homem entendia isso. Jonathan pediu um tempo para ela e a deixou pensando na sala dele. Andou de um lado para o outro, foi para a janela e novamente tentou ligar no celular dela, mas já caia na caixa postal.
- Aonde você está? – Perguntou, quase chorando.
Perto de amanhecer, a porta de Jonathan foi aberta. Ele entrou acompanhado de um homem. Este era alto, cabelo loiro e curto, mas raspado dos dois lados, a barba era um pouco grande e da mesma cor do cabelo, mas o que destacava o seu rosto era uma pequena tatuagem abaixo do canto do olho esquerdo: uma lua minguante bem pequena. Cassie observou o homem vestido de terno e gravata, mas ao olhar para seu pescoço, surpreendeu – se com as linhas de tatuagens.
O homem era bem sério e quando a viu, seus olhos passaram por todo o corpo dela.
- Este é Theodore Budgen, ele é agente do FBI e...
- Uau! Eu não sabia que o caso do sumiço da Karol chegaria ao FBI. – Falou a Detetive.
O homem permaneceu sério, a olhando.
- Bom, devido às circunstâncias e o pedido desesperado da senhorita, talvez o FBI esteja interessado nisso. – Ele respondeu. Sua voz era um pouco grossa e baixa. – Pode me dizer quando foi a última vez que a viu, senhorita Storm?
Cassie levantou as sobrancelhas.
- Na manhã de ontem após ela ter tudo um problema em um local de investigação. E se não se importar, é detetive Storm.
Jonathan balançou a cabeça e olhou para o homem.
- A Detetive Graves estava um pouco m*l após ver um condenado morrer pela Injeção Letal. – Falou o inglês. – Ela estava sofrendo e ninguém sabe porque.
Theodore balançou a cabeça. Voltou a olhar Cassie.
- Ela tem algum parente ao redor?
- Não. Os pais dela moram na Califórnia e eu garanto que seria o último lugar que ela iria no mundo.
Então, o homem se virou para Jonathan.
- Entrou em contato com os pais ou o irmão?
Jonathan balançou a cabeça.
- Já e nenhum deles viu ou recebeu qualquer telefonema de Karoline.
- Como sabe que ela tem um irmão?
A pergunta de Cassie fez os dois homens a olhar. Ela tinha os olhos cerrados e curiosos. Theodore deu de ombros.
- Foi uma suposição.
- Você é bem esperto pelo visto. Então, vai achar rapidinho a minha parceira.
O homem cerrou as sobrancelhas.
- Eu vou fazer o que preciso para isso, Senhorita Storm. Com licença.
E assim, virou – se de costas e saiu. Logo após e com um olhar de reprovação para ela, Jonathan saiu da sala. A detetive ainda ficou olhando por alguns segundos a porta, com seu pensamento em uma único ponto.
- Como ele sabia que Karol tem um irmão?