Capítulo dois

1785 Palavras
Frio, sentia um pouco de frio. Sua respiração era com dificuldades. Até mesmo sentia um pouco do cheiro do clorofórmio. Abriu a boca para tentar resgatar um pouco de ar. Seus olhos se abriram, mas a visão ainda era muito embaçada. Seu corpo doeu e as lembranças eram confusas. Virou – se para o lado e diante da visão r**m, percebeu que estava em um lugar escuro. Seu cérebro voltava aos poucos a enviar comandos para o seu corpo. Os braços apoiaram um pouco o peso do seu tronco e Karoline pode levar uma das mãos a cabeça. Foi conseguindo lembrar – se de como desmaiou. Tinha alguém na casa. Alguém que a atacou, a fizera desmaiar. Olhou para os lados de onde estava, mas a visão não ajudava. Esfregou os olhos e aos poucos foi identificando aonde estava. Eram grades. Levantou – se devagar, um das mãos na cabeça. Olhou por volta e percebeu que estava em uma prisão. Era uma jaula quadrada, um pouco maior do que a sua altura. As grades de ferro eram grossas, como as da cadeia. Ela arfou, começando a entrar em desespero. Quem a teria colocado ali? Olhou mais ao redor, não reconhecendo o local, mas era uma sala bem grande. Ela correu para um lado, aonde identificou uma porta. - Socorro. Socorro. – Começou a gritar, mas a sua voz não era tão alta. O medo foi tomando conta de seu corpo junto do desespero. Começou a chacoalhar as grades. – Alguém me ajuda? Por favor... – A voz foi ficando embargada de choro. – Socorro... - Não vai adiantar gritar por socorro. – Uma voz disse atrás de si. – Só há duas pessoas que sabe sobre você e nenhuma delas vai te ajudar. A voz a fez parar e seu corpo ficou congelado. Devagar, Karoline se virou na direção da voz. Uma sombra andou para o lado, onde havia um pouco de luz, mas ela não viu o rosto. Viu a calça Jeans preta, uma camisa que jurou ser da mesa cor. O cabelo era até os ombros, mas ela não precisava de nada mais para reconhece – lo. Suas pernas tremeram e se tivesse dado um passo, teriam falhado. - Não... – Ela disse, baixo e chorosa. Seu coração já batia fraco e o corpo amolecia. – Não... A gargalhada. Aquela que ela reconheceria em qualquer lugar. Um passo a frente e o pescoço dele ficou iluminado. - Ah sim, Karoline... Seu maior pesadelo apenas começou. – E a sombra deu mais um passo, onde Sebastian revelou seu rosto com um sorriso satisfeito nos lábios. – Eu disse que voltaria para me vingar. *** Finalmente, as pernas de Karoline cederam e ela foi ao chão. Não conseguia tirar os olhos dele por não acredita que Sebastian estaria ali. Ele apareceu mais a luz, andando por volta da jaula. Seus olhos castanhos com o brilho de satisfação. - Eu soube que você estava com alguns delírios, sonhando comigo... – Ele encostou nas grades. – Isso deve chamar culpa, não é? Karoline chorava, não conseguia se mexer. Seu corpo estava tão mole que não conseguia controlar seus movimentos. - Por que? Como? – Ela dizia, mas sua voz m*l saia. Ele continuou a olhando, com o queixo levantado. - Graças a Deus, eu tenho um irmão que acreditou em mim, além de ser especialista em várias coisas. O governo é fácil de manipular e ele não teve dificuldades de trocar os produtos da injeção letal. Enquanto todos acharam que estava morrendo, eu só tomei injeções que me fariam desmaiar. Confesso que morrer não é tão r**m assim. Aquilo a surpreendeu ainda mais. Era muito difícil fazer aquilo pois os produtos da injeção letal não eram algo que vendia em farmácia. Tinham que ser manipulados e guardados a sete chaves. Se alguém descobrisse aquilo, Sebastian e o irmão teriam as cabeças arrancadas. - Alguém vai me achar... Vão sentir minha falta e você vai morrer com uma bala na cabeça, seu desgraçado... – Ela disse, recuperando um pouco da sua sanidade. Ela o olhava com ódio. – Cassie ia para a minha casa e a uma hora dessas, ela já deve estar a minha procura. Sebastian a olhou, com um sorriso nos lábios e completamente despreocupado. - Continue a achar isso. Deixe que sua amiguinha procure você. Ela vai ficar bem ocupada enquanto eu e você brincamos um pouco. O coração dela bateu forte. - O que você quer? Sua expressão ficou mais séria. - Você sabe muito bem o que eu quero. Eu sei que você estava trabalhando para eles... Mais uma vez, o coração da ruiva bateu tão forte que ela achou estar infartando. Engoliu em seco, o olhando de olhos arregalados. - Eu – Eu não sei do que você está falando... Eu juro que... - Você não tem o que jurar, Karoline! – Gritou Sebastian, batendo nas grades e a assustando. – Você trabalha para eles e eu sei disso. Foi por sua culpa que eu quase morri e agora, você vai pagar por isso. Karoline continuou a chorar. Ainda de joelhos, ela foi até perto da grade. - Eu juro que não sei do que está falando... – Ela disse, com as lágrimas caindo. Sebastian quase bufava de raiva. Tirou o cabelo do rosto dele, sem tirar os olhos dela. - Você vai falar Karoline, de um jeito ou de outro... Nem que eu tenha usar a força para isso. – Ele se afastou, indo até uma mesa de madeira velha e pegando um prato que havia lá. Sebastian deu a volta, abrindo uma portinhola que havia perto do trinco e o colocou ali. – Eu quero que coma. Agradeça por eu querer você bem de saúde. Não quero correr com você para um hospital. Ele se virou, indo direto para a porta. Karoline o acompanhou com o olhar. - Você sabe que isso é perigoso. – Disse ela, olhando para ele. – Quando acharem você, eles não vão errar desta vez. Sebastian abriu a porta, mas virou – se pra ela. Um sorriso surgiu. - Eu acho que vou querer arriscar. E assim, saiu, a deixando sozinha. Karoline abraçou suas pernas, juntando – ao corpo e começou a chorar. *** Cassie estava desesperada, andando de um lado para o outro no Departamento. Ninguém conseguia acalma – la. Depois de horas atrás de Karoline e nenhuma resposta, ela estava quase enlouquecendo. Até ameaçou Taylor, um de seus colegas. Foi enviada para a sala de Jonathan. - Você tem certeza que ela sumiu? - Perguntou ele, sentado à sua mesa. Ainda vestia uma roupa mais esportiva, camisa pólo, calça jeans e tênis. – Talvez ela apenas foi para algum outro lugar. Cassie o olhou, parecendo ofendida. - Você conhece a Karol, para onde ela iria a noite? – Disse Cassie, quase em uma explosão de raiva. – Eu disse que ia dormir na casa dela. Karoline estava passando por um momento delicado. Ela nunca sairia sem me avisar ou mesmo quando eu estava indo pra casa dela. - Fica calma, ok? – Jonathan a levou para uma cadeira. – Eu soube o que ela vem passando. Catherine sempre me conta sobre quem vai passar com ela e me mandou os laudos da Karol. Escute Cassie, eu sei que é delicado, mas no estado em que Karoline estava, eu entendo que esteja bem preocupada. Talvez ela precisasse de horas sozinha. Cassie levantou os olhos para o homem. - Não me faça brigar com você também Jonathan. – Ela disse, encostando na cadeira e respirando fundo. – Você é um dos poucos que conhece a mim e a Karol tão bem, sabe do nosso laço e sabe que ela nunca faria algo assim sem avisar a mim ou a alguém. Para ela sair assim, alguma coisa bem grave aconteceu. O homem entendia isso. Jonathan pediu um tempo para ela e a deixou pensando na sala dele. Andou de um lado para o outro, foi para a janela e novamente tentou ligar no celular dela, mas já caia na caixa postal. - Aonde você está? – Perguntou, quase chorando. Perto de amanhecer, a porta de Jonathan foi aberta. Ele entrou acompanhado de um homem. Este era alto, cabelo loiro e curto, mas raspado dos dois lados, a barba era um pouco grande e da mesma cor do cabelo, mas o que destacava o seu rosto era uma pequena tatuagem abaixo do canto do olho esquerdo: uma lua minguante bem pequena. Cassie observou o homem vestido de terno e gravata, mas ao olhar para seu pescoço, surpreendeu – se com as linhas de tatuagens. O homem era bem sério e quando a viu, seus olhos passaram por todo o corpo dela. - Este é Theodore Budgen, ele é agente do FBI e... - Uau! Eu não sabia que o caso do sumiço da Karol chegaria ao FBI. – Falou a Detetive. O homem permaneceu sério, a olhando. - Bom, devido às circunstâncias e o pedido desesperado da senhorita, talvez o FBI esteja interessado nisso. – Ele respondeu. Sua voz era um pouco grossa e baixa. – Pode me dizer quando foi a última vez que a viu, senhorita Storm? Cassie levantou as sobrancelhas. - Na manhã de ontem após ela ter tudo um problema em um local de investigação. E se não se importar, é detetive Storm. Jonathan balançou a cabeça e olhou para o homem. - A Detetive Graves estava um pouco m*l após ver um condenado morrer pela Injeção Letal. – Falou o inglês. – Ela estava sofrendo e ninguém sabe porque. Theodore balançou a cabeça. Voltou a olhar Cassie. - Ela tem algum parente ao redor? - Não. Os pais dela moram na Califórnia e eu garanto que seria o último lugar que ela iria no mundo. Então, o homem se virou para Jonathan. - Entrou em contato com os pais ou o irmão? Jonathan balançou a cabeça. - Já e nenhum deles viu ou recebeu qualquer telefonema de Karoline. - Como sabe que ela tem um irmão? A pergunta de Cassie fez os dois homens a olhar. Ela tinha os olhos cerrados e curiosos. Theodore deu de ombros. - Foi uma suposição. - Você é bem esperto pelo visto. Então, vai achar rapidinho a minha parceira. O homem cerrou as sobrancelhas. - Eu vou fazer o que preciso para isso, Senhorita Storm. Com licença. E assim, virou – se de costas e saiu. Logo após e com um olhar de reprovação para ela, Jonathan saiu da sala. A detetive ainda ficou olhando por alguns segundos a porta, com seu pensamento em uma único ponto. - Como ele sabia que Karol tem um irmão?
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