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P. O. V. Manuela:
Deixo Pietro na escola e vou direto para o serviço. Estaciono o carro, pego minha bolsa e saio, mandando uma mensagem de bom dia para Alexandre. Subo de elevador até o segundo andar, que é onde todo o pessoal das edições trabalha, vejo que há muitas mesas vazias, mas as coisas delas já estão devidamente organizadas, então vou até a sala do café só pra dar um oi pra todas.
— Bom dia, meninas. — digo colocando o rosto dentro da sala, sorridente.
O bom dessa empresa que eu trabalho, é que só mulheres trabalham aqui. Mesmo que Alexandre nunca foi ciumento comigo, eu já não me sentiria tão bem se trabalhasse com homens porque nós mulheres geralmente entendemos melhor umas as outras e até hoje, todos os nossos projetos deram certo e concluídos com sucesso.
— Bom dia, Manu. Chegou cedo hoje. — diz Camila, sorrindo. — Vai tomar café com a gente hoje? — pergunta dando um gole na sua xícara.
— Na verdade, já tomei em casa, vim aqui mais pra dar um oi pra vocês.
— Certo. — Camila sorriu novamente.
— As informações sobre aquele projeto já estão na sua mesa. — Juliana disse.
— Ah, certo. Então já vou indo lá começar.
Dou um tchauzinho com a mão para todas e saio andando pelo corredor, retornando a minha sala, e quando chego noto que os papéis estão mesmo postos em minha mesa. Pego a primeira folha com cuidado e analiso todas as informações, em seguida, me sento, ligo meu computador e volto para os outros papéis enquanto espero.
[…]
Acabo de terminar mais um dia de trabalho na empresa de designer, desço de elevador, pois está quase na hora de ir buscar o Pietro na escola. Caminho pelo longo estacionamento no subsolo da empresa, concentrada em minha bolsa tentando encontrar a chave do meu Yaris Sedan e quando vejo minha colega de trabalho Camila, já estava do outro lado de saída também. Dei um tchauzinho pra ela e entrei no carro jogando a minha bolsa no banco do passageiro e meu celular lá dentro.
Em seguida, ligo o carro e vou saindo do estacionamento, encontrando um vapor de calor muito forte, já eram 16h00min da tarde, e o sol continuava mostrando sua força, então liguei o ar condicionado e continuei minha rota até a escola do meu filho. Pietro é um menino muito bonzinho, mesmo sabendo que as vezes me atraso, toda vez que sugiro a deixar o motorista da família trazê-lo, ele não aceita. Quando chego na escola, vejo que só restou ele com as professoras.
— Mamãe, mamãe… — Ele sai saltitando até o carro, e quando chega se vira pra trás, dando tchau para as professoras e eu faço o mesmo.
Abro a porta pra ele, que já entra todo agitado.
— Oi, meu filho! Desculpa a demora da mamãe.
— A tia Luiza ficou comigo, mamãe. — diz sorridente.
— Que bom, meu amor. Coloca o cinto. — respondo e fico olhando pelo retrovisor, esperando ele me obedecer.
Assim que o faz, dou partida no carro.
— Como foi a aula?
— Foi boa, hoje fizemos trabalhinho com as mãos, eu sujei tudo. — diz dando gargalhadas.
— Que bom, meu amor. — eu disse prestando atenção no trânsito.
Mas de repente, meu celular começou a tocar, mas como ele estava dentro da bolsa tive que inclinar um pouco, sem tirar os olhos da estrada. Vi o nome do Alexandre na tela e me desesperei, tentando pegar o aparelho logo.
— Mamãe, o caminhão! — Gritou Pietro desesperado.
Quando voltei para a posição, segurando o volante, não deu tempo de fazer muita coisa, porque um caminhão desgovernado carregado de árvores recém-cortadas veio na direção do nosso carro, então só fechei os olhos sentindo o baque da batida e cada rodopiada que o carro dava, ao mesmo tempo, em que minha cabeça batia contra o vidro, estilhaçando e chocando contra o asfalto, ouvindo os gritos do Pietro chamando o pai dele no telefone. Não sei em que momento ele alcançou o celular, mas eu sabia que a ajuda estaria a caminho. Abri os olhos e senti uma tontura horrível, eu provavelmente não iria aguentar, a dor pelo meu corpo era descomunal; meu carro também provavelmente seria perda total.
Olhei para o banco de trás e vi que meu filho não tinha se machucado tanto igual a mim, ele estava com a mochila a frente do peito, o que impediu que o baque afetasse tanto seu corpinho. Já eu, a cada respiração, sentia dores de cabeça e também o cheiro do sangue, metálico e quente descendo testa a baixo, fazendo caminho pelo meu nariz.
— Meu amor, presta atenção. Os médicos vão chegar daqui a pouco, tá bom? Você vai encontrar o papai e contar pra ele tudo que aconteceu. — digo com a voz embargada. — Nunca se esqueça que a mamãe te ama muito, tá? Nunca se esqueça. — Digo com a voz fraca e sinto tudo escurecer no mesmo instante.
[…]
Acordo assustada e quando olho em volta, vejo o monitor multiparâmetro de sinais vitais, e também um soro conectado ao meu braço; me dou conta de que estou no hospital, mas esse homem que se encontra do meu lado… quem será ele? Vejo que está cabisbaixo, parece estar chorando. O telefone dele toca e no mesmo instante ele olha pra mim.
— Enfermeira, chame o doutor, por favor. Vou só atender uma ligação. — ele diz e vai mais pra perto da porta da sala. Escuto o homem do outro lado.
“O carro deu perda total, no estado em que o pessoal encontrou, foi uma sorte sua esposa ter sobrevivido.”
Esposa? Não estou entendendo é nada.
— Senhora, que bom que acordou. — diz um homem de jaleco entrando no quarto. Acho que ele é o médico. — Eu sou o doutor Álvaro e estou responsável pelo seu caso. Você e seu marido podem ficar tranquilo que aqui será bem atendida.
— Marido? Que marido? — perguntei alterando o tom de voz, olhando assustada para aquele homem, que estava vindo na minha direção.
— A senhora não se lembra quem é ele? — O médico perguntou e eu neguei com a cabeça. O homem começou a chorar.
— Doutor, o senhor me disse que a probabilidade era mínima de isso acontecer. Onde estão os exames dela? — O homem questionou.
— Calma senhor. Os exames estão aqui. — ele começa a vasculhar a prancheta. — Achei. O diagnóstico é que devido as fortes batidas com a cabeça, no capotamento, sua esposa está com amnésia traumática.