P. O. V Manuela…
Acabo de terminar mais um dia de trabalho na empresa de designer, desço de elevador, pois está quase na hora de ir buscar o Pietro na escola, faço esse mesmo trajeto todos os dias, trabalho e busco meu filho. Um ponto positivo de trabalhar como designer é que tenho horários flexíveis, que variam de acordo com o tempo, tamanho e quantidade de projetos que fecho por mês, mas lá em casa, quem ganha mais é o Alexandre. Ele é dono de uma rede de hotéis internacionais, então isso nos possibilita ter um certo luxo na vida, mas, ao mesmo tempo, faz com que tenhamos que ter seguranças. E quando temos festas de gala para divulgação ou premiação dos hotéis, deixamos Pietro com a babá, não quero ele exposto tão cedo.
Ao chegar no estacionamento, procuro meu carro e já vou entrando sem demora. Hoje o dia está bem quente, já estou pensando em pegar Pietro na escola e levá-lo para tomar um sorvetinho. Dou partida no carro e sigo para a escola. Quando chego há muitos carros e crianças saindo. Pietro estuda em uma escola particular perto do meu trabalho, o que permite que eu possa trazê-lo e buscá-lo sem dificuldades. Eu e Alexandre viemos, analisamos toda a segurança, a forma como as professoras cuidam e sempre deixam a gente atualizados, por meio do caderninho de recados.
— Oi, filho. — digo assim que ele entra no banco de trás.
— Oi, mamãe. — ele vem me dar um abraço meio desajeitado e eu dou risada.
— Como foi a aula hoje? — pergunto, enquanto ele senta e coloca o cinto.
— O Gui fez xixi na calça. — ele diz.
— Sério? O que aconteceu com ele? — pergunto dando partida no carro.
— Ele mexeu na garrafinha da tia, e ficou com medo dela xingar ele. — falou.
— Tadinho, e ele foi embora? — pergunto sem tirar os olhos do trânsito.
— Foi. A mamãe dele veio buscar ele.
— Que bom, meu filho. Mamãe tem uma surpresa pra você.
— Qual, qual? — ele pergunta gritando.
— O que você acha de irmos tomar um sorvetinho antes de ir pra casa? — pergunto sorridente.
— Sorvete, Sorvete, Sorvete. — Começou a pular, animado.
Ri da sua empolgação e segui caminho para a sorveteria que nós costumávamos passar algumas vezes quando estava muito quente, como hoje.
Estacionei o carro notando que a sorveteria estava bem cheia, assim que entramos, já não tinha mais nenhuma cadeira vaga, então eu sabia que nós teríamos que encontrar uma sombra na praça pra poder nos refrescar. Pedi um milkshake de morango e Pietro pediu sorvete por pesagem, ele amava montar seu sorvete e colocar todo tipo de confeito colorido disponível na bancada, realmente precisa estar no céu. Ri dele e assim que ele terminou, pesou e eu paguei os dois. Depois disso, nós saímos e atravessamos a rua para encontrar um lugar na praça e por sorte, debaixo de uma grande árvore, tinha uma sombra pequena, mas suficiente pra mim e para o Pietro.
Quando acabamos, Pietro está com o rosto todo sujo de chocolate, e eu dou risada. Ajudo ele a levantar e vamos caminhando pra voltar até o carro e irmos embora. Dentro do carro, procuro minha necessaire e pego um lenço umedecido, com que sempre ando na bolsa e limpo o rostinho dele. Afivelo o cinto dele e vou até o volante, colocando meu cinto e dou partida no carro. Chegando em casa, abro a porta e vejo que está tudo quieto.
— Suzi? — Chamo.
— Oi, dona Manuela, estou na cozinha. — ouço sua voz bem baixa.
Olho para baixo e já não vejo nem sinal do Pietro ao meu lado, só vejo o tênis que ele deixou no cantinho do lado da porta. Tiro os meus saltos, colocando o chinelo e finalmente dando um descanso pro meu pé. Chegando na cozinha, encontro Suzana, minha empregada, picando alguns legumes como: cenoura e beterraba.
— Oi, Suzi.
— Oi, dona Manuela. Estou preparando o jantar.
— Obrigada! Como foi o dia por aqui? — pergunto mexendo no armário.
— Tudo tranquilo. Daqui a pouco o jantar vai ficar pronto! — diz sorridente.
— Certo. Eu vou dar banho no Pietro e logo descemos. Obrigada! — digo e ela faz um pequena reverência, logo saio da cozinha indo atrás do meu filho.
Subo os longos degraus da escada e logo ouço um barulho de música infantil, e já sei que Pietro ligou a tv. Chegando no quarto encontro ele sentadinho no seu tapete com a roupa da escola.
— Oi meu amor, vamos tomar banho? — digo me abaixando próximo dele, e acaricio seu cabelo.
— Vamos sim, mamãe. — Ele se levanta do tapete.
— Mamãe vai preparar seu banho tá bom, pode ficar assistindo o desenho. — digo e ele senta de novo.
Saio do quarto indo pro banheiro que fica logo ao lado, ele tem uma banheira imensa e uma pia com três compartimentos; uma para cada um. Vou até a do Pietro e pego seus brinquedos que ele ama colocar na água; o famoso patinho de borracha, uma baleia, e um polvo que muda de cor quando está na água. Ligo a banheira e deixo encher o suficiente pro tamanho dele, coloco os brinquedos logo em seguida, desligando a água.
— Filho! Pode vir. — Grito e espero. Ele vem já pelado e eu dou uma risadinha.
De banhos tomados, nós dois descemos e no mesmo instante ouvimos Suzana anunciar que o jantar estava pronto, e de repente, Alexandre também chegou. Ele vestia um terno preto e uma gravata vermelha, estava lindo como sempre. Nos conhecemos por meio de amigos em comum, quando Alexandre nem pensava em abrir uma rede de hotéis, ele me encantou desde o início.
— Papai! — Pietro gritou e saiu correndo na direção do pai dele, que o pegou no colo.
— E aí, carinha, tá cheiroso, hein. — diz colocando ele no chão logo depois e caminha na minha direção.
— Oi, amor. — Veio se inclinando pra me dar um selinho.
— Oi.
— Pelo jeito você também já tomou banho. — diz rindo. — Eu vou lá então tomar o meu, que o jantar já deve estar pronto.
— Na verdade, já está. — sorrio pra ele. — Mas nós vamos te esperar.
— Okay. — Ele me solta e vai subindo as escadas.
Uns vinte e cinco minutos depois ele desceu já tomado banho, exalando um perfume amadeirado. Depois disso, fomos juntos até a mesa de jantar. Quando terminamos, Pietro foi dormir e eu e o Alexandre fomos passar um tempo juntos.
— Como foi seu dia? — ele pergunta olhando pra mim, deitada em seu peito.
— Foi bem corrido, mas consegui finalizar um dos trabalhos. — digo sorridente.
— Que bom. Também tive um dia cheio, supervisionando dados estatísticos.
— Bom. — digo.
— Acho que ainda vamos ter que fazer muita propaganda. — Ele fala e solta um suspiro longo.
— Não há nada que você não consiga fazer, meu amor. — dou um selinho nele.
— Acho melhor nós irmos deitar. — disse ele, soltando um bocejo e eu assenti com a cabeça.
Então subimos, escovamos os dentes, demos boa noite um pro outro e dormimos.