P. O. V. Alexandre…
Acordo cedo e vou direto pro banheiro tomar meu banho, levo cerca de vinte e cinco minutos pra terminar e me vestir, escolhi um terno cinza, uma camisa lilás e uma gravata vermelha. Quando estou terminando de ajeitar minha gravata no espelho, vejo que minha linda esposa Manuela começa a despertar.
— Bom dia, meu amor. — digo me virando e sorrindo.
— Bom dia! — Ela se levanta e vem até mim, me dar um abraço.
— Dormiu bem? — pergunto olhando diretamente nos seus olhos.
— Dormi, sim, e você?
— Sim. Bom, eu vou descendo então pra te dar um pouco de privacidade e silêncio — digo saindo do abraço.
Desço para a cozinha e logo encontro Suzana terminando de colocar nossa mesa de café, quando ela nota minha presença, sai de fininho, deixando eu me servir. Alguns minutos depois, Manuela e Pietro descem, ele parece bem desanimadinho pra ir estudar.
— Bom dia, filhão! — digo tentando animá-lo.
— Oi, papai. — diz e se senta na cadeira ao lado esquerdo da minha, e Manuela senta na direita.
Nosso café da manhã é bem silencioso, pois cada um vai mentalmente começando a se preparar pra enfrentar os desafios que esperam no dia. Quando terminamos o café, cada um se despediu e eu fui para o meu carro, um Audi A3 preto. Dou partida no carro indo para o trabalho. Sou dono de uma grande rede de hotéis internacional e mundialmente famosa, já fui premiado diversas vezes e tenho pelo menos dois troféus. Quando Manuela e eu nos conhecemos, nem sequer passava pela minha cabeça abrir uma rede de hotéis, mas como sempre foi meu sonho ser pai, assim que vi que o relacionamento com ela ia deslanchar, pensei em trabalhos que me permitiriam ficar perto da minha esposa e filho. Trabalhar com uma rede de hotéis exige grande parte da sua atenção, e isso muitas faz vezes é estressante porque você não pode deixar passar nenhum detalhe mínimo, porque isso pode fazer com que seu negócio sofra perdas e em uma semana seus hóspedes podem simplesmente diminuir de volume. Estou sempre analisando planilhas, e nunca paro. Chegando na empresa é isso que eu faço, além de estar supervisionando bem de perto as ofertas por um novo lote que seria ideal para um novo hotel, estou de olho nele há um bom tempo. Mas de hoje não passa, pego o telefone e ligo na empresa responsável pelo terreno e faço minha oferta irrecusável, tanto que ele já até marcou uma reunião pra me conhecer e já disse que em breve, eu teria a licença nas mãos para começar a construção.
Depois disso, eu já acionei os empreiteiros, engenheiros e arquitetos para trabalharem na construção desse hotel, mas é claro, não antes de passarem por uma seleção e nesse meio tenho certeza de que a licença chega com tempo o suficiente para eu finalizar e fechar com os melhores.
De repente, meu celular toca e vejo o nome da organizadora Helen, do buffet na tela.
— Oi, Helen, algum problema? — pergunto desconfiado, já que ela nunca me liga.
— Oi, senhor Alexandre, na verdade, só gostaria de confirmar o buffet na inauguração da sua nova pousada com uma área de doces e especiarias para as crianças, perto da praia?
— Sim, sim, com certeza confirmado!
— Certinho então. Obrigado por contratar nosso buffet.
— Eu que agradeço. — digo e desligo o telefone, observando que faltam poucos minutos para o meu intervalo de almoço.
Olho para a minha mesa e vejo o retrato de quando Manuela e eu nos casamos. Ela é uma mulher muito incrível e talentosa, além de ser uma excelente mãe para nosso filho, eu nunca vou me arrepender um dia sequer de ter escolhido ela pra compartilhar a vida comigo, e ela tem todo o direito de estar comigo e aproveitar dos luxos que podemos ter, porque ela me apoiou e esteve comigo em todos os momentos, quando eu não era ninguém. Meu relógio apita, me tirando dos pensamentos, indicando minha hora de almoçar, no mesmo instante, meu estômago roncou. Então, sem demora, desliguei o notebook, peguei o celular e saí da sala indo para o elevador, já no elevador a ideia de fazer uma surpresa para Manuela não saía da minha cabeça, iria aproveitar minha saída e passar em outro lugar; também fui reservando minha mesa no restaurante mais perto da empresa, há duas quadras para ser mais exato.
Chegando no estacionamento, tudo está silencioso, meio desconfiado, tratei de apressar o passo até meu carro; nunca gostei de estacionamentos vazios, é a porta de entrada pra os assaltantes, mesmo tendo um segurança ali. Dirijo tranquilamente pelas ruas já que fica numa área bem afastada do centro da cidade e o trânsito por aqui é muito calmo.
Entro no restaurante compartilhando minha localização com um dos seguranças particulares que eu tenho, e assim que o garçom sai com meu pedido, aproveito para dar uma olhada nos últimos detalhes da decoração do buffet, do marketing que foi trabalhado, colocando outdoors e distribuindo panfletos por toda cidade vizinha. Tudo indica que muito em breve eu e Manuela teremos que aparecer por lá, marcar presença na inauguração.
[…]
Termino de almoçar e de carro passo por alguns quarteirões até encontrar uma floricultura. Estaciono o carro e desço com a carteira em mãos.
— Bom dia, como posso ajudá-lo? — disse uma senhora que aparentava ter uns quarenta e sete anos.
— Bom dia, eu gostaria de um buquê de rosas-vermelhas, por favor. — Ela me escuta e logo em seguida começa a montar o buquê.
— Fica 90,00 reais. — diz me entregando no mesmo instante em que eu passo o dinheiro.
— Também gostaria que escrevesse uma mensagem pra mim. Esse cartão é quanto? — pergunto olhando pra um cartão repleto de rosas.
— É 2,50. — diz pegando ele. — O que você quer que eu escreva?
— Escreva: “Querida Manuela, só queria que essas flores chegassem até você hoje pra primeiro dizer que pensei em você, e te lembrar que eu te amo muito. Por isso, hoje, às 19:00hrs, te convido para um jantar romântico a sós. Com carinho, Alexandre.”
Ela termina de escrever e eu passo o endereço de onde deve ser entregue as flores e pago o frete também. Já aproveito também pra deixar meu cartão e fazer propaganda da inauguração. Agradeço e volto para o trabalho, ansioso para o nosso jantar.