Capítulo 18

1164 Palavras
P. O. V. Alexandre… Quando Manuela e eu chegamos no restaurante foi preciso eu apenas falar meu nome e fomos direcionados pelo recepcionista até nossa mesa. Um silêncio meio constrangedor tomou conta do lugar assim que eu me sentei, percebi que a Manuela começou a mexer no cabelo, parecendo estar um pouco impaciente. — Estou percebendo você bem ansiosa. — Alexandre quebra o silêncio. — É meio estranho isso, é como se uma nuvem nublasse meu cérebro de tentar lembrar das coisas, eu sinto que eu não pareço eu. — Ela desabafa. — Entendo. Mas não precisa se forçar a lembrar, no momento certo, as lembranças vão voltar. — O que eu não entendo, é como não consigo lembrar de você. — Logo… — Quando eu ia falar, um garçom aparece, interrompendo. — Boa noite, Senhor. Senhorita. — Entrega o cardápio pra nós dois. — Eu sou o Ramon e hoje ficarei responsável pelo pedido de vocês. Eu vou dar um tempinho para analisarem o cardápio com calma, qualquer coisa é só me chamar. — Ah, eu queria que você trouxesse aquela garrafa de vinho que eu reservei, por favor. Para Alexandre Santori. — Falo. — Certinho, senhor. Vou checar e já trago. — Ele anota e sai logo em seguida. — Então, já que estamos só nós dois, eu estou abrindo o espaço pra você fazer alguma pergunta, se quiser. — Falo com sinceridade, olhando pra ela. — Você trabalha com quê? — perguntou curiosa. — Eu sou dono de uma rede de hotéis mundialmente famosa. Trabalho na parte de monitoramento de dados, buscando sempre a melhoria e atrair mais hóspedes. Além de que de vez em quando analiso alguns terrenos à venda para continuar construindo e expandindo meu negócio. — Explico. O garçom chegou e serviu uma taça de vinho para cada um de nós, e depois pegou nossos pedidos e saiu. — Entendi. Isso parece bem interessante. E você sabe me dizer com o que eu trabalhava? — Ela traz o celular pra perto de mim mostrando o e-mail da empresa dando férias pra ela. — Eu recebi esse e-mail, e me deram férias remuneradas, mas não tem a logo da empresa, fiquei confusa. — Você trabalha com designer gráfico. Antes do acidente, você estava trabalhando num projeto, mais o cliente cancelou o contrato e você ficou bem m*l. — digo pegando o vinho e beberico outro gole. — Gustavo não me disse nada disso! — diz chateada. — Acho que ele não sabe. Mas vamos mudar de assunto. O que você mais gosta no seu apartamento? — Ele pergunta e nossos pratos acabam de chegar. Enquanto comemos, eu demonstro minha raiva por ela se lembrar de Gustavo e não de mim. Eu cerrava os punhos, enquanto controlava minha vontade de gritar e chorar, mas como havia dito a ela, eu não faria nada que a deixasse desconfortável, e esse assunto em especial era o que mais me deixava nervoso, mas tentei não demonstrar muito. Depois que nós terminamos de comer, conversamos mais um pouco, eu paguei a conta e a deixei em casa. Subi com ela até o apartamento, e aproveitei para perguntar. — Então, quando vamos poder sair de novo? — pergunto. — Ah, não sei. — diz procurando a chave na bolsa. — Eu vou pensar e te falo na próxima vez que nos encontrarmos. [...] Hoje seria o dia em que eu iria voltar a trabalhar depois de dois dias trabalhando de casa e só agora vou conseguir resolver o problema do assalto no hotel, terei que ir até lá sozinho, mas já solicitei reparação, então estão fazendo os devidos serviços necessários. A construção do outro hotel perto da praia segue em andamento, espero que nada mais atrapalhe meus projetos. Também entrei com um pedido de processo em cima da empresa a qual o caminhão que estava envolvido no acidente de Manuela. Depois da noite de jantar com Manuela que ainda não resgatou nenhuma lembrança, eu estou tentando ficar calmo, mas não é nada fácil. Ela é minha mulher, e não poder tocá-la, beijá-la me deixa maluco. Principalmente pelo fato de que não sei se ela também gostou, não me disse nada desde que a deixei em casa, disse que ia pensar se podíamos sair outra vez e estou um pouco desanimado. Deixei o Pietro na escola dele e já cheguei na empresa, peguei o carro pra ir até a outra cidade. Chegando lá tudo parecia tão calmo que nem acreditava que teve um assalto ali, somente se entrasse lá mesmo, havia janelas quebradas, a bancada estava com muitos sinais de trincadas; aquela pedra marmorizada ia ter que ser trocada. — Oi senhor Alexandre. — Oi Desculpe a minha demora, como sabe tive alguns imprevistos. — E a senhora Manuela se encontra bem? — pergunta ele. — Está melhor, se recuperando. — digo. — Que bom. — Sim. Então, eu já solicitei uma equipe pra fazer a reparação, devem chegar hoje a tarde. — digo colocando as mãos no bolso da calça. — Certo. — E tem mais alguma coisa que eu posso fazer? Perdemos muitos hóspedes? — perguntei preocupado. — Solicitamos a análise das câmeras de segurança, mas a polícia local não encontrou nenhum suspeito, apenas homens encapuzados, vestidos de preto. — Ele fala. — Alguns hóspedes decidiram, sim, ir embora, outros ficaram porque sabem que a culpa não é do senhor e também que essas coisas infelizmente acontecem. Mas posso dizer que a perda de hóspedes foi mínima. — Isso é um bom sinal. Obrigado por tudo. — digo realmente agradecido. Depois de ir conversar com os hóspedes na área de lazer, e todos ficarem mais calmos e tranquilos, fui embora direto pra empresa. Fiz relatórios de tudo que aconteceu, monitorei o movimento dos hóspedes, e logo que olhei no relógio, o horário de buscar Pietro estava se aproximando. Então tratei de agilizar tudo e pegar alguns dos trabalhos importantes que hoje terei que levar pra casa. Desliguei o computador e desci de elevador até o estacionamento. Chegando lá, não foi difícil encontrar meu carro, pois eu sempre o estaciono num lugar estratégico, e fácil pra sair. Estacionei na porta da escola, exatamente no momento em que o sinal tocou, e respirei aliviado, o avistei logo, que quando meu viu veio correndo. — Oi filhão. — Olho pro banco de trás, onde ele entra. — Oi papai. — diz se sentando e já coloca o cinto. — Como foi a aula hoje? — pergunto. — Foi boa, papai. — Que bom. Depois disso, dirigi até em casa em silêncio, eu já tinha solicitado a babá e chegamos juntos no portão de casa. Ela já foi levando Pietro pro andar de cima, e enquanto eu tirava os sapatos podia sentir o cheiro de molho, indicando que Suzana já estava preparando o jantar. Antes de ir tomar meu banho, passei no escritório e deixei meus papéis lá prontos, pra depois do jantar poder trabalhar mais um pouco.
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