P. O. V. Manuela…
Depois que Alexandre foi embora, fiquei pensando em tudo que ele me falou, e parecia que uma nuvem estava nublando meus pensamentos. Fiquei navegando na internet e ouvindo músicas antigas a tarde toda, já que eu não tinha muita coisa pra fazer ali. Gustavo respeitou meu espaço e está bem quieto na dele. Decidi então me deitar um pouco e acabei dormindo mais do que deveria, acordei quando eram 18hrs00, precisava ser rápida para não me atrasar e nem deixar Alexandre esperando. Confesso que ainda estava um pouco insegura porque não sabia exatamente o que ia acontecer naquela noite, e essa incerteza me deixava mais nervosa ainda, era estranho sair com outro homem, sendo que você namora. Talvez isso até seja uma traição, mas a forma com que ele me pediu uma chance de provar que estava dizendo a verdade, me deixou intrigada e me faz dar o benefício da dúvida.
Me levanto, e vou direto para o banheiro tomar um banho rápido. Lavei meu cabelo e já saí de lá enrolada na toalha, indo direto para meu closet, peguei umas 5 peças e deixei em cima da cama. Me vesti com uma roupa comum e fui até a cozinha pelo menos forrar o estômago, antes de sair. Depois voltei pro quarto e fui experimentando cada peça que peguei. Optei por ficar com um vestido laranja de alcinha, e bem colado ao corpo. Fui para a frente do meu espelho, e sequei o cabelo, depois fiquei procurando minha maquiagem, então fui até meu guarda-roupa e vi um pequeno espaço, onde estavam os meus perfumes e também as maquiagens, batons e acessórios.
Peguei cada frasco de perfume e passei um que tinha embalagem vermelha, a fragrância que mais me agradou. Passei um lápis preto nos olhos e a cor da maquiagem foi um laranja puxado pro cobre, deixei tudo de uma forma bem sútil, mas o batom teve que ser vermelho.
Peguei uma bolsa preta, e um casaco também preto e saí do quarto. No mesmo instante, ouvi batidas na porta de casa.
— Tô indo. — Gritei, sabendo que já era o Alexandre.
Pego a chave em cima da bancada da cozinha e abro a porta bem devagar. Alexandre não diz nada, apenas me olha de cima a baixo com o queixo literalmente caído. Dou um tossindo falso, e pareço conseguir tirá-lo dos seus pensamentos.
— Oi. É… você tá linda. — diz.
— Obrigada. Deixa eu só pegar minha bolsa e o celular e já podemos ir. — digo caminhando de volta pra dentro e pego a bolsa jogada no sofá e o celular do lado, na mesinha do computador. — Prontinho.
— Então vamos. — Ele começa a descer as escadas na minha frente e eu sou seguindo um pouco mais atrás.
Quando nós chegamos na garagem do meu prédio, vi seu carro de longe, um audi, era bem bonito, era bem evidente que ele, sim, tinha dinheiro. Fomos nos aproximando do carro e ele abriu a porta pra mim, depois deu a volta por trás e se sentou no banco do motorista, rodando a chave pra ligar o carro. Nosso caminho todo foi um completo silêncio, e só quando estacionamos que Alexandre se virou pra mim, e falou comigo:
— Esse é o meu restaurante favorito. — diz sorrindo.
— Parece ser um ambiente bem agradável. — digo olhando apenas a entrada.
— Sim. Vamos. — diz tirando o cinto, e eu faço o mesmo.
Descemos do carro e fomos caminhando lado a lado na calçada em silêncio, até chegarmos na recepção e um homem vim falar com a gente.
— Boa noite, posso ajudá-los? — pergunta.
— Boa noite, fiz uma reserva pelo telefone, Alexandre Santori. — Alexandre diz.
— Certo. Podem vir comigo que vou guiá-los até a mesa de vocês. — o homem diz e começa a andar, e nós seguimos ele.
Assim que chegamos na mesa, estava sobre ela duas velas acessas, uma de cada lado. Alexandre arrasta a cadeira pra mim, como um verdadeiro cavalheiro, e eu me sentei, depois ele foi e se sentou do outro lado.
— Podem ficar à vontade que daqui a pouquinho, um garçom virá aqui anotar os pedidos de vocês, espero que tenham uma excelente noite. — O homem diz e logo depois se retira.
— Obrigada! — digo.
— Obrigado! — Alexandre diz.
Um silêncio meio constrangedor toma conta do lugar, e eu começo a mexer no meu cabelo um pouco impaciente.
— Estou percebendo você bem ansiosa. — Alexandre quebra o silêncio.
— É meio estranho isso, é como se uma nuvem nublasse meu cérebro de tentar lembrar das coisas, eu sinto que eu não pareço eu.
— Entendo. Mas não precisa se forçar a lembrar, no momento certo, as lembranças vão voltar.
— O que eu não entendo, é como não consigo lembrar de você.
— Logo… — Um garçom aparece, interrompendo.
— Boa noite, Senhor. Senhorita. — Entrega o cardápio pra gente. — Eu sou o Ramon e hoje ficarei responsável pelo pedido de vocês. Eu vou dar um tempinho para analisarem o cardápio com calma, qualquer coisa é só me chamar.
— Ah, eu queria que você trouxesse aquela garrafa de vinho que eu reservei, por favor. Para Alexandre Santori.
— Certinho, senhor. Vou checar e já trago. — Ele anota e sai logo em seguida.
— Então, já que estamos só nós dois, eu estou abrindo o espaço pra você fazer alguma pergunta, se quiser.
— Você trabalha com quê? — pergunto curiosa.
— Eu sou dono de uma rede de hotéis mundialmente famosa. Trabalho na parte de monitoramento de dados, buscando sempre a melhoria e atrair mais hóspedes. Além de que de vez em quando analiso alguns terrenos à venda para continuar construindo e expandindo meu negócio.
Nisso o garçom chegou e serviu uma taça de vinho para cada um de nós, e depois pegou nossos pedidos e saiu.
— Entendi. Isso parece bem interessante. E você sabe me dizer com o que eu trabalhava? — Pego o celular pra mostrar o e-mail para ele. — Eu recebi esse e-mail, e me deram férias remuneradas, mas não tem a logo da empresa, fiquei confusa.
— Você trabalha com designer gráfico. Antes do acidente, você estava trabalhando num projeto, mais o cliente cancelou o contrato e você ficou bem m*l. — diz e beberica outro gole de vinho.
— Gustavo não me disse nada disso! — digo chateada.
— Acho que ele não sabe. Mas vamos mudar de assunto. O que você mais gosta no seu apartamento? — Ele pergunta e nossos pratos acabam de chegar.
Enquanto comemos, percebo que Alexandre está se controlando muito na minha presença; ele segura as mãos, cerra os punhos, confesso que isso está me assustando, mas achei bonito da parte dele não perder a paciência por eu ainda não conseguir me lembrar dele.
Depois que nós terminamos de comer, conversamos mais um pouco e depois Alexandre pagou a conta e foi me deixar em casa, com toda segurança do mundo e me levou até minha porta, perguntando quando íamos sair de novo, e eu apenas disse que ia pensar.
Confesso que gostei bastante porque ele me deixou muito à vontade e foi tudo muito tranquilo.