P.O.V. Alexandre…
Fui embora junto com aquele infeliz do Gustavo, já que a enfermeira informou que o horário de visitas acabou. Quando cheguei em casa, tudo estava silencioso, então resolvi subir e pelo silêncio que estava, percebi que Pietro já estava bem mais calmo, por sorte, ele só ralou o queixo. Vendo que ele já estava debaixo das cobertas, e Luana no cantinho, com um livro infantil na mão, me aproximei e entrei no quarto bem devagar.
— Oi filhão. Como você está?
— Oi papai, a Lu estava me contando uma história. — Ele responde dando um sorriso. — Cadê a mamãe?
— Filho, a sua mãe sofreu um acidente muito grave, e ela não lembra de mim. Ela vai ficar alguns dias longe, mas ela te ama, é como se ela estivesse de férias. Ela só precisa de um tempinho, tá bom? Enquanto isso, o papai vai cuidar de você. — digo fazendo um carinho no seu cabelo.
— Posso dormir com você, papai? — Pietro pergunta meio tristinho.
— Claro, filhão.
Ele começa a pular na cama, depois vai pegando as coisas dele, cobertores e o travesseiro, ele fez tudo sozinho.
— Ele tá virando um homenzinho. — digo.
— É verdade. — responde Luana.
— Acho que ele não vai mais querer terminar a história. Quanto te devo por hoje? — pergunto pra ela.
— Hoje tem que incluir o banho também.
— Certo. — Pego a carteira. — Aqui está. — Dou o pagamento pra ela, que se levanta, guardando o dinheiro no bolso.
Luana já é a babá do Pietro há 5 anos, antigamente era fixa, mas com o tempo, Manuela não achou mais necessário, então hoje em dia nós só a chamamos em casos extremos, como hoje e também quando vamos pra eventos em outra cidade.
— Obrigado, senhor. Boa noite!
— Boa noite, Luana. — respondi e ela saiu de cabeça baixa.
Depois disso, eu saí do quarto e fui pro nosso quarto, e Pietro estava vendo desenho na tv grande que tinha lá.
— Filho, o papai já vem ficar com você, vou tomar um banho e pegar a janta. Você já jantou né? — pergunto.
— Sim, papai.
— Tá bom, então, pode ficar aí quietinho assistindo desenho. — digo e vou caminhando até o banheiro.
Quando tranco a porta atrás de mim, desabo pensando e toda situação de Manuela e como ela não disfarça nenhum um pouco que fica assustada com a minha presença. Deixo a água quente cair sobre meu corpo, tirando um pouco do meu cansaço.
Saindo já vestido, vou até o andar debaixo, janto e depois vou até meu escritório, pego a chave do apartamento antigo de Manuela, pego meu telefone e já programo um alarme pra mais cedo. Amanhã vou logo para o apartamento dela, depois de deixar Pietro na escola, e vou deixar algumas coisas dela lá, para o caso dela querer ir pra lá. Deixei tudo organizado e subi pra dormir com meu filho.
No dia seguinte, depois de cumprir todos os compromissos que marquei, fui direto pro hospital porque o médico disse que hoje liberaria ela pra voltar pra casa, e ele deu alta. Mas isso não a impediu de ficar surpresa com a minha presença, eu tive que ir para poder assinar os papéis da alta, e ela só relaxou quando viu Gustavo. Os dois vieram da sala conversando e eu mais atrás, só escutando.
— Então, você já decidiu em que lugar vai ficar? — Gustavo pergunta.
— Eu não sei… — Ela responde meio incerta e é a minha deixa pra intrometer.
— Você comprou um apartamento só pra você, não lembra? — Eu disse, não podia deixar que ela ficasse debaixo do mesmo teto com ele. Não tinha dúvidas que ele se aproveitaria da situação. Tiro do bolso, a chave que achei ontem e grudei no meu chaveiro e entrego pra ela. — É esse, você pode ficar lá.
— Tudo bem. Queria aproveitar e te agradecer por ter ficado de companhia comigo quando meu namorado não pôde. Espero que tudo de bom aconteça na sua vida! — sorrio tentando ser gentil depois de tudo que ele ajudou, seria o mínimo.
— Sem problemas. — Ele diz dando um sorriso forçado. — O endereço é esse aqui! — Alexandre me entrega um papel e eu fico um pouco desconfiada.
— Então vamos, indo. Tchau brother. — diz Gustavo, colocando a mão na minha cintura, me guiando pra fora da sala.
Fico muito nervoso por ver os dois saindo juntos, mas não tinha como evitar, eu só podia ser paciente e aceitar. Mas acredito que o coração não se engana, ela não vai passar dos limites com ele.
Depois disso tudo, eu também fui embora do hospital, fui pra empresa e lá trabalhei mais alguns dias com o monitoramento, cancelei o que tinha que cancelar, devido ao estado que Manuela se encontrava. E quando saí dali, decidi passar no apartamento, ver como ela estava e também chamá-la pra sair comigo, num encontro romântico, seguindo as recomendações que o médico me passou, de recriar os nossos momentos bons.
Toco a campainha do apartamento dela e fico olhando em volta, com medo de que Gustavo chegasse ali e o meu plano saísse do controle, porém nem sei se ela também vai aceitar.
— Quem é? — pergunto.
— Oi. Alexandre. — respondo um pouco nervoso, esperando pra ver se ela vai abrir a porta.
E ela abre, só que com uma expressão bem séria.
— O que faz aqui? — perguntou bem direta, me surpreendendo.
— Manuela, eu sei que você não se lembra de mim ainda, mas eu sou seu marido. — Pego uma foto que tirei do porta-retratos, onde estava Eu, Manuela e o Pietro, como uma família feliz.
— Mas, eu não entendo. — diz confusa. — Gustavo disse que vocês dois eram amigos.
— Estamos muito longe disso. Mas eu vim até aqui porque quero que você me dê a chance de mostrar que eu estou certo. — Eu falo, com certo receio.
— Não sei… — digo pensativa.
— Eu te prometo que eu não vou fazer nada que te deixe desconfortável ou que você não queira. — tentei falar de um jeito carinhoso.
Ela ficou quieta alguns segundos antes de me respo
— Tudo bem.
— Então eu passo aqui às 19hrs. — diz e começo a andar de volta, rumo às escadas.
Saindo de lá, já ligo pro restaurante super feliz que ela aceitou e reservo nossa mesa, pedindo uma decoração específica. Volto pra empresa e fico trabalhando até o horário que Pietro sai da escola.