Capítulo 15

1187 Palavras
P. O. V. Manuela… No dia seguinte, logo na parte da noite, o médico me deu alta, só que eu não podia sair dali sem um acompanhante e pra mim surpresa e até desprazer, era Alexandre que assinava meus papéis arcando com todo o custo. Tenho certeza que Gustavo deve ter tido algum imprevisto no trabalho e por isso mandou ele pra representá-lo. Depois disso, Gustavo apareceu e eu fiquei um pouco mais segura. — Então, você já decidiu em que lugar vai ficar? — Gustavo me pergunta. — Eu não sei… — digo meio incerta. — Você comprou um apartamento só pra você, não lembra? — O tal Alexandre entra no meio da conversa. Ele tira do bolso o chaveiro dele e desgruda uma chave do molho de chaves. — É esse, você pode ficar lá. — Tudo bem. Queria aproveitar e te agradecer por ter ficado de companhia comigo quando meu namorado não pôde. Espero que tudo de bom aconteça na sua vida! — sorrio tentando ser gentil depois de tudo que ele ajudou, seria o mínimo. — Sem problemas. — Ele diz dando um sorriso forçado. — O endereço é esse aqui! — Alexandre me entrega um papel e eu fico um pouco desconfiada. — Então vamos, indo. Tchau brother. — diz Gustavo, colocando a mão na minha cintura, me guiando pra fora da sala. Confesso que fiquei um pouco intrigada pela chave do meu apartamento estar com o outro, e não com o meu namorado, mas resolvi não dizer nada. Saindo dali, perto da portaria estava estacionado o carro dele, um Honda Civic vermelho; ele abriu a porta pra mim e eu agradeci colocando o cinto de segurança logo em seguida. Entrar no carro acabou me dando um m*l-estar, porque eu vi na notícia que eu tinha acidentado de carro. — Que foi? Você está com uma carinha… — pergunta Gustavo, entrando e colocando a chave para ligar o carro, e me cutuca pra chamar minha atenção. — Desculpa. É que…eu vi a notícia sobre mim no jornal. — digo um pouco insegura. — Fica tranquila amor, eu dirijo bem atento, e vou devagar hoje. — Ele coloca a mão na minha coxa e me olha com um sorriso. — Obrigada. Ele deu partida no carro e o caminho até o meu apartamento foi um completo silêncio. Chegando lá, vejo que o apartamento é bem pequeno, acho que só eu moro aqui porque os porta-retratos ainda estão vazios. As paredes são num tom amarelo bem fosco e na sala tem um sofá, e uma mesa cheia de papéis. Vou entrando, mas sou surpreendida quando ele me entrega meu celular e vou até a barra de notificações clicando, o que me leva a meu email, leio a primeira mensagem que aparece. “Querida Manuela, gostaríamos de dizer que sentimos muito por tudo que te aconteceu nos últimos dias; e para não lhe prejudicar iremos adiantar suas férias remuneradas. Esperamos que tenha uma boa recuperação nesse período e que possamos continuar essa parceria. Att. Renata e Camila” — Eu…elas me deram férias. Como vou comprar as coisas e pagar as contas desse apartamento. — Sento no sofá agoniada. — Meu amor, eu sinto muito. Mas quanto às contas, não precisa se preocupar, eu sou do ramo hoteleiro, então não precisa se preocupar, temos uma vida confortável. — Tá bom. Obrigada por cuidar de mim. — Toco o rosto dele com carinho e trocamos um olhar cúmplice. — Posso te dar um beijo? — Ele pergunta olhando diretamente pra minha boca, me pegando de surpresa. — Po…pode. — respondo nervosa. Ele então me dá um beijo rápido, sem língua, e logo se afasta de mim. — Eu vou no mercado agora, mas você pode continuar aqui arrumando as coisas. Suas roupas já estão no guarda-roupa e seus itens de higiene no banheiro. Eu não vou demorar. — Tá bom. Ele pega a chave do apartamento e sai, fico um tempo sentada no sofá olhando tudo. Depois me levanto, explorando cada canto do apartamento tentando me lembrar dos detalhes, mas não lembro de muita coisa. Decidi então tomar um banho. Peguei toalha, sabonete e o shampoo e condicionador, ia tomar um banho completo para tirar aquele cheiro de álcool e hospital de mim. Também dei uma pequena organizada no ambiente e então percebi que meus livros não estavam ali, como ia passar muito tempo em casa, acho que seria uma boa ideia eu tentar ler mais, quem sabe isso me ajudaria a lembrar mais rápido da minha vida. É horrível se sentir perdida na própria vida, traz uma sensação de desconfiança sobre todas as pessoas à sua volta, e uma frustração de não lembrar quem você é; se você é uma pessoa boa ou r**m; se algum dia você vai conseguir recuperar completamente todas as memórias. Ouço o destrancar da porta e olho pra trás, quando Gustavo entra no apartamento carregando uma caixa bem cheia. — Essa caixa é só a primeira. Tem mais no carro. — ele explica. — Você quer ajuda? — pergunto. — Não, amor. Tá tranquilo, é que vou ir buscando, enquanto isso você pode ir organizando o que é na geladeira, o que é no armário. — Tá bom. — Me levanto do sofá encarando a caixa que ele deixou em cima da bancada que divide a cozinha com a sala. Peguei primeiro o pacote de arroz e de feijão e abrindo o armário vi que ficava do lado direito de onde eu guardava os pratos. Guardei e já fui pra outra prateleira guardar açúcar, óleo e o pó de café. [...] E assim foram se passando cinco dias, Gustavo vinha me ver em todos eles e ficava comigo assistindo filmes, mas numa noite ele acabou passando dos limites comigo, tentando ter uma noite romântica comigo, mas eu não quis e me senti muito desconfortável, pedi a ele que me desse alguns dias pra pensar naquilo e me desse tempo pra descobrir o que eu quero. Mas acho que ele sentiu dificuldade nisso, porque ouvi a campainha tocando. — Quem é? — pergunto. — Oi. Alexandre. Era só essa que me faltava mesmo. Abro a porta com uma expressão bem séria. — O que faz aqui? — pergunto direta. — Manuela, eu sei que você não se lembra de mim ainda, mas eu sou seu marido. — Ele tira uma foto do bolso da camisa, onde estava ele, eu e o Pietro. — Mas, eu não entendo. — digo. — Gustavo disse que vocês dois eram amigos. — Estamos muito longe disso. Mas eu vim até aqui porque quero que você me dê a chance de mostrar que eu estou certo. — Não sei… — digo pensativa. — Eu te prometo que eu não vou fazer nada que te deixe desconfortável ou que você não queira. — me olhou de um jeito carinhoso. Era estranho, mas algo dentro de mim dizia que eu deveria aceitar, e foi isso que eu fiz. — Tudo bem. — Então eu passo aqui às 19hrs. — diz e vai se retirando lentamente do meu prédio.
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