P. O. V. Gustavo…
Cheguei em casa depois de um longo dia de trabalho e já liguei a televisão pra ficar por dentro das últimas notícias. Fui tirando os sapatos e jogando o paletó sobre o sofá e me joguei logo depois que vi a bagunça que o ambiente estava, desanimado, inclinei minha cabeça para trás e fechei os olhos por um mísero segundo, ignorando a televisão, mas não consegui ignorar quando o noticiário falou de uma notícia que acabou me abalando muito.
“Um acidente gravíssimo aconteceu, próximo à rodovia do contorno, deixou o filho e a esposa de Alexandre (sobrenome) em estado grave. Conforme mostram as imagens das câmeras de segurança perto do local, um caminhão desgovernado colidiu com o carro em que estavam. Fontes confirmam que Manuela (sobrenome) está no hospital central, e que devido a forte pancada na cabeça, devido ao impacto entre o carro e o caminhão, ela sofreu uma perda de memória. O filho do casal está bem e já se encontra em casa, se recuperando.”
Vou até o closet depressa e resolvo tomar um banho. Essa notícia não podia me deixar mais feliz! Não era por Manuela ter se acidentado, mas por ela ter perdido a memória, ela provavelmente vai se lembrar de mim e achar que ainda namoramos, vai ser a oportunidade perfeita pra eu me vingar do Alexandre, e também vou poder ficar com ela mais uma vez, beijar seus lábios…
Saio do banho já pronto e desço pra ir até lá, entro no meu carro e dirijo rapidamente para o hospital central. Chegando na recepção, logo que falei o nome da Manuela e que era seu namorado, me deram o número do quarto onde ela estava.
— Você pode avisar o Gustavo pra mim, ele vai ficar furioso. — Ouço a voz dela perguntando sobre mim.
— Não precisa mais. — Falo dando um sorriso sarcástico. Sem esperar muito, o Alexandre me empurra pra fora da sala.
— O que você está fazendo aqui? Quem te deu acesso? — Ele foi lançando uma pergunta atrás da outra, e eu só ria, debochando, fazendo com que ele ficasse ainda mais com raiva.
Se ele soubesse que fui eu quem deu a ordem pra assaltarem e destruir seu hotelzinho de meia tigela, estaria bem mais furioso.
— Não importa, ela quer me ver e você não pode impedir. — respondo.
— Eu sou o marido dela, e se eu quiser, você nem pisa nesse hospital de novo, nem em caso de vida ou morte. — ele diz chegando mais perto e eu cerro os punhos, me preparando para uma possível briga.
Até que Manuela aparece na porta com o porta-soro na mão, nos olhando.
— Por que vocês dois estão brigando? — pergunta nos olhando e eu me afasto do Alexandre pra ir até ela.
— Oi. Eu sou o Gustavo, seu namorado.
— É, eu te reconheci quando apareceu na porta. — ela respondeu me olhando.
— Desculpa não ter vindo antes, meu amor. — Pego em sua mão que não está com soro, tentando demonstrar carinho. — Soube do que aconteceu agora a tarde.
— Não tem problema, amor. — ela diz e olho para o Alexandre que está com os olhos marejados nos encarando lá do canto.
— Como você está? Vem. — pergunto começando a andar com ela de volta para o quarto, enquanto vejo o Alexandre na maquinha de expresso.
— Eu estou melhor. — Ela se deita na cama de novo e eu me sento ao lado dela. — Eu quero ir embora logo.
— Logo, logo o médico vai te liberar. — Dou um sorriso gentil pra ela.
— E você sabe o nome daquele homem que estava discutindo com você? Não achei legal. Ele ficou falando que era meu marido. — Manuela fala fechando a expressão e cruza os braços desconfiada.
— Amor, ele é um amigo. Ele só estava brincando. — digo rindo.
— E a gente tem um filho?
— Sim, amor, nosso pequeno Pietro. — Olho de relance pra porta vendo que o Alexandre estava prestando atenção na nossa conversa.
Mas logo ele colocou o telefone na orelha, e eu também comecei a dar mais atenção ao que ele falava.
— Podem ficar tranquilos, eu não esqueci de vocês não, é que nas últimas horas minha mulher sofreu um grave acidente, deve ter visto nos jornais. — Falou se levantando e depois ficou em silêncio ouvindo a outra pessoa. — Então, e estamos aqui até agora. Ela não teve alta ainda, mas assim que possível irei pessoalmente aí no hotel e vamos resolver tudo.
Mais silêncio na linha, enquanto ele concordava.
— Certo. Obrigado. Tchau. — Ele desliga e olha pra mim, e eu não disfarcei que estava prestando atenção, me perguntando quando foi que ele passou a ter tanta raiva assim de mim.
[...]
Fiquei lá com Manuela, um bom tempo com ela, não deixando que Alexandre entrasse na sala. Até o médico entrou no quarto e fingiu que eu realmente era o namorado dela, e isso me surpreendeu bastante. Enquanto tudo isso, o Alexandre estava lá fora, cheio de raiva, o tempo todo no telefone. Só fui embora quando ele também foi, deixando que Manuela descansasse já que ela outra vez reclamou de dor na cabeça e tiveram que colocar remédio pra ela no soro.
Chegando em casa, tirei toda a minha roupa e deixei num canto, pois nunca sabemos o que podemos trazer do hospital pra casa. Fui pra debaixo do chuveiro e tomei outro banho, enquanto a água caía, eu pensava em formas de fazer com que Manuela ficasse cada dia mais distante de Alexandre e voltasse realmente comigo, mas, ao mesmo tempo, sabia que seria difícil por conta do Pietro. Talvez devesse sequestrá-lo pra limpar o caminho. Assim que saí, fui até meu outro cofre privado que era idêntico ao da empresa, onde eu também tinha as cópias das informações sobre cada um, e comecei a analisar a pasta da Manuela, principalmente das coisas que ela gostava, iria focar em mostrar a ela que eu sabia muito bem as coisas que ela gostava, e assim provasse que a amo de verdade. Daí, se ela se lembrar da minha traição, vai ver que fui induzido àquilo, e não porque eu quis traí-la.
Fiquei ali analisando tudo por um tempinho e depois de escovar os dentes, me deitei para dormir.